terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não acredito, mas...

Tá vendo essa garotinha linda da foto? Com certeza você já a conhece. Ela está tão famosa que deveria se candidatar a um cargo público.

Assim como eu, você também já deve ter recebido um monte de e-mails pedindo para repassar a foto da garotinha desaparecida. Só para você ter idéia, faz anos que os e-mails diziam que a foto era recente. Pelas minhas contas hoje essa garota hoje jé deve ter até peitinhos.

Eu sou incrédula pra caramba. Acho que tudo é história furada,  ainda mais depois que desmascararam um monte de e-mails desse tipo cujo único objetivo era espalhar vírus ou coletar endereços de e-mails. Listas de endereços são vendidas para vários sites, sabia?

Pois é. Mesmo não acreditando de jeito nenhum, estou publicando a fotinho dela aqui, só para me dar o direito de continuar deletando os futuros e-mails sem repassar para a minha lista de amigos.

Não quero atrapalhar o seu sentimento de slidariedade mas já reparou que na internete nunca mandam foto de criança feia desaparecida? Só desaparece gente bonita. Somos tão péssimos que todo mundo sabe que é mais fácil  ter pena dos bonitos do que dos feios. Deus nos perdôe...

Taí: dever cumprido.





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um porre

Fui hoje a uma loja onde algo desumano estava acontecendo: não parava de tocar uma daquelas musiquinhas chatas de Natal. Confesso que já curti isso, mas hoje sou uma pecadora arrependida.

É cruel torturar os vendedores desse jeito. Sempre a mesma musiquinha chata-triste zunindo na consciência dos coitados. fugir pra onde? Eles estão ali porque precisam levar pra casa o pão de cada dia.  Aposto que se não fossem as crianças remelentas esperando em casa eles chutariam o pau do gerente - digo, o pau da barraca.

Tive pena, muita pena dos  nobres trabalhadores e imaginei com que tipo de humor eles chegariam em casa depois de oito horas ouvindo aquilo. Brigas, crianças levando chinelada a toa, casais dormindo no zero a zero, sogras sendo estapeadas. Tudo por causa da musiquinha infeliz. Pra piorar a gente acaba lebrando de mãe morta, dos tempos felizes da infância que não voltam mais, do cãozinho que se foi, do aborto, do arroz que queimou, de tudo de triste do mundo. Horror!

Gente, os vendedores são seres humanos e merecem ser ajudados. Deixo aqui a minha solidariedade. Se eles lerem essas minhas mal traçadas linhas e precisarem de mais alguma coisa, que me expliquem por escrito via correio porque lá eu não volto.

Numa hora dessas cadê os manés dos Direitos Humanos?

domingo, 7 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2

Não importa de qual lado você está: vai se lascar do mesmo jeito. Assim percebi Tropa de Elite 2,  o filme  mais triste do mundo.

É violento? É, claro, mas a maior violência do filme é gritar na nossa cara o tempo todo que aquilo não é ficção. E não é mesmo.

O filme é uma evidência da realidade lastimável que estamos vivendo:

1- Primeiro estágio de uma sociedade: um filme desse não faria sucesso porque não teria nada a ver com a realidade. Se estivéssemos bem, o filme nem existiria. Se existisse, seria um fracasso.

2- Segundo estágio de uma sociedade:: o filme seria feito mas todas as forças do Governo cairiam contra ele. Não haveria incentivo nem patrocínio e toma-lhe censura! Esse filme, pelo que tem de ofensivo contra os políticos, deveria ser contestado e seus idealizadores processados, no mínimo. Ou presos, ou "sumidos". Esse segundo estágio é imoral, mas é melhor do que o terceiro estágio:

3- Terceiro estágio de uma sociedade:: é o atual, no qual vivemos. O filme joga na cara a podridão do Governo, a bandidagem indescritível dos políticos, a sujeira cínica na qual vivemos, a manipulação da opinião pública e... nada! Nada acontece! Gente, o que é isso?  Cadê as passeatas indignadas? Cadê a ira santa? Cadê qualquer coisa, gente?!!!!! Tá todo mundo morto?   A banda podre se sente tão tranquila e tão segura da nossa inércia que nem se dá ao trabalho de boicotar nada nem ninguém. Eles mesmos assistem, aplaudem e voltam para suas atividades mafiosas.  "Enquanto os cães ladram, a caravana passa."

Dá uma angústia aqui, dentro do peito.

A história dessa vez não é exatamente sobre a polícia. É sobre o sistema - o nosso sistema brasileiro, que é um Satanás enooorme, mudo mas ativo.

"O Sistema" não é uma coisa simples de explicar, embora o filme o explique muito bem. "Ele", O sistema, está em todo lugar, não mostra a cara, ninguém controla. É um monstro.  As vezes pensamos que determinadas pessoas o controlam mas é mero engano. Ninguém o controla. Quando muito o adoram, tirando proveito dele e alimentando-o. Quando seus falsos controladores são eliminados, percebemos que o Sistema subsiste muito bem sem eles. Ninguém lhe faz falta. Parece ter vida própria. Quem inventou algo tão maligno? Não sei. Mas sei que os que se aproveitam dele e mamam em suas tetas tornam-se igualmente nefastos.

Lute contra o sistema e você será destruído. Alimente-o e pouco depois será destruído também porque ele não tem protegidos.

O filme é maravilhoso no que tem de filosófico. A coisa é tão complicada que no final das contas a gente acaba indeciso: somos todos vítimas ou somos todos algozes uns dos outros? Quem é bom não consegue bancar essa bondade o tempo todo. Capitão Nascimento não sabe se errou ou acertou, se é bom ou mal. Ninguém sabe nada, essa é que é a verdade. Ele tem um bom coração, mas até que ponto esse bom coração é bom mesmo, é útil e toma as decisões certas?

Quem de nós conseguiria ser melhor do que o Capitão Nascimento? Quem o aconselharia? O que você diria a ele? Quem o condenaria?

Esse filme resgata isso na sociedade: o respeito na hora de criticar a polícia. Há forças terríveis que transformam todo o bem que queremos fazer em mal. A política manda, o povo obedece, ninguém exerga exatamente seu lugar na engrenagem nem sabe exatamente o resultado dos seus atos. É tudo uma latrina. Vivemos numa latrina.

Estou complicando tudo, eu sei... Estranho não conseguir escrever um bom texto comentando um filme tão bom!

Continuando com meu mau texto: quase choro nas primeiras cenas, na penitenciária. Eu, que sempre estive mais para Capitão Nascimento do que para Direitos Humanos, fiquei chocada ao me ver no meio daquela cena: homens-bicho afundados no inferno. Violência, medo, sangue, tensão, infelicidade total, a mais absoluta desesperança. Bandido tem medo, muito medo.

Cristina, o que você faria se tivesse escorregado aos poucos para o mundo do crime? Se se visse lá, sem chance de voltar, o que faria com uma arma na mão e um monte de inimigos querendo te matar?  Talvez eu faria o que aqueles bandidos fizeram. Como mudar isso?  

É fácil matar um bandido quando não olhamos em seus olhos, mas no cinema, naquela telona, a gente vê os olhos, o suor, o medo, a necessidade que sentem de se proteger sendo assustadores.  Sim, eles tem muito, muito medo. Eles tem pavor e para sobreviverem só se mostrando piores do que seus inimigos. Tentam se proteger do medo fazendo medo. Como qualquer fera que ruge.  Senti dó como nunca antes. Dó daqueles homens desgraçados e sem futuro, sujos, morrendo como cães, como nada. Chorei por dentro e me perguntei: que mundo é esse? Que poço de lama é esse? Como que alguém se mete numa merda dessa?

Interessante ver o Seu Jorge, cantor, fazendo papel de bandido assustador. Significativo. Acho que foi colocado ali bem à propósito. Se ele não tivesse uma profissão, se não tivesse tido a oportunidade de ser um homem de bem, qual a diferença entre ele e qualquer bandido lá dentro? Nenhuma. Por outro lado, qualquer bandido ali poderia ter sido um Seu Jorge de voz aveludada e olhar sensual se tivesse chance.

Balancei.

ROSAS - Ana Carolina



Composição: Totonho Villeroy

Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Pra te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar...

Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar...

Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...

Se teu santo por acaso
Não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho
E nada a declarar
Meia culpa, cada um
Que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão
Eu não vou nem soprar...

Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar

Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...

sábado, 6 de novembro de 2010

Auto explicativo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vale das sombras


Dá-me tua mão Senhor, porque é chegada a minha hora
E sinto que me esvai, como sangramento, o que ainda me tornaria reconhecível
Mas mesmo assim, mais leve que um pensamento,
Meus pés marcam a estrada
Faz frio.

Certamente tudo é incerto
Exceto um futuro inevitável que me espreita
Estou em um lugar para onde não me dirigiSinto cheiro de gente

Isso aumenta minha solidão
Pois não há ninguém.

Parar é insano
Sinto-me impelida  para a frente
Há uma convicção de ir, mas não entendo
Nem vejo, nem sei o que esperar.

Dá-me tua mão, Senhor
Pois os meus... já se foram
Desvaneceram os afagos
Doem-me os rins.

Mas talvez clareie o dia
E explenda uma manhã inesperada
Uma manhã que já existe mas aguarda por mim - quem sabe!
Encoberta e sorridente
Como uma surpresa de aniversário.

Dá-me tua mão, Senhor
Até que a manhã me resgate

Penso agora
Que essa manhã talvez não exista
Ou demore-se...
Ou, sendo breve demais
Não espante o frio.
Mas quem sabe a tarde, que já foi cinza,
Mostre sua cara azul e muda
Como o centro das rochas


Dá-me a tua mão, pois perdi a idade

E a ninguém possuo
O vento me é contrário
Então confundo-me.

Tão solitário é viajar sem as bagagens
Sem álbuns ou relíquias
Sem uma partitura sequer para decifrar

É solitário emergir da própria história
Para a dura isenção da verdade.

Aconchego-me em mim mesma
Dá-me tua mão, Senhor
E que a paz me socorra
Dos poros da terra.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Verdades chatas sobre o Twitter

Leria AQUI.

Por quê perder tempo com Twitter?
A maioria das pessoas que conheço não sabem mexer nele;
A maioria das pessoas que conheço - inclusive eu - não conseguem entender para quê serve mesmo. Dizem que é para informar, mas acho os jornais e revistas virtuais mais eficientes.
Além do mais, não informa porque nenhuma fonte é fidedigna. Posso inventar até que o Papa morreu.
A maioria das pessoas também não consegue ver o que há de tão cativante em twitar. Eles abrem uma conta e depois não aparecem mais.
Para quê eu quero seguidores? Eles vão me dar dinheiro?
Para ter seguidores eu tenho que escrever muitas coisas engraçadíssimas ou interessantíssimas ou novidades de primeira mão? Ah, então não quero. Tenho mais o que fazer.
Confissão: sim, eu também tenho Twitter. Entrei pra ver se o vírus me pegava. Não pegou. entrei para ver se eu  me empolgava. Não empolguei. Escrevo umas besteirinhas lá mas sei que ninguém lê.

A maior parte do que lá escrevem é imprestável tanto como informação quanto como entretenimento.

Não gostou desse meu texto? Pois saiba: o Twitter é mais chato do que isso.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não acredito, mas...

Tá vendo essa garotinha linda da foto? Com certeza você já a conhece. Ela está tão famosa que deveria se candidatar a um cargo público.

Assim como eu, você também já deve ter recebido um monte de e-mails pedindo para repassar a foto da garotinha desaparecida. Só para você ter idéia, faz anos que os e-mails diziam que a foto era recente. Pelas minhas contas hoje essa garota hoje jé deve ter até peitinhos.

Eu sou incrédula pra caramba. Acho que tudo é história furada,  ainda mais depois que desmascararam um monte de e-mails desse tipo cujo único objetivo era espalhar vírus ou coletar endereços de e-mails. Listas de endereços são vendidas para vários sites, sabia?

Pois é. Mesmo não acreditando de jeito nenhum, estou publicando a fotinho dela aqui, só para me dar o direito de continuar deletando os futuros e-mails sem repassar para a minha lista de amigos.

Não quero atrapalhar o seu sentimento de slidariedade mas já reparou que na internete nunca mandam foto de criança feia desaparecida? Só desaparece gente bonita. Somos tão péssimos que todo mundo sabe que é mais fácil  ter pena dos bonitos do que dos feios. Deus nos perdôe...

Taí: dever cumprido.





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um porre

Fui hoje a uma loja onde algo desumano estava acontecendo: não parava de tocar uma daquelas musiquinhas chatas de Natal. Confesso que já curti isso, mas hoje sou uma pecadora arrependida.

É cruel torturar os vendedores desse jeito. Sempre a mesma musiquinha chata-triste zunindo na consciência dos coitados. fugir pra onde? Eles estão ali porque precisam levar pra casa o pão de cada dia.  Aposto que se não fossem as crianças remelentas esperando em casa eles chutariam o pau do gerente - digo, o pau da barraca.

Tive pena, muita pena dos  nobres trabalhadores e imaginei com que tipo de humor eles chegariam em casa depois de oito horas ouvindo aquilo. Brigas, crianças levando chinelada a toa, casais dormindo no zero a zero, sogras sendo estapeadas. Tudo por causa da musiquinha infeliz. Pra piorar a gente acaba lebrando de mãe morta, dos tempos felizes da infância que não voltam mais, do cãozinho que se foi, do aborto, do arroz que queimou, de tudo de triste do mundo. Horror!

Gente, os vendedores são seres humanos e merecem ser ajudados. Deixo aqui a minha solidariedade. Se eles lerem essas minhas mal traçadas linhas e precisarem de mais alguma coisa, que me expliquem por escrito via correio porque lá eu não volto.

Numa hora dessas cadê os manés dos Direitos Humanos?

domingo, 7 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2

Não importa de qual lado você está: vai se lascar do mesmo jeito. Assim percebi Tropa de Elite 2,  o filme  mais triste do mundo.

É violento? É, claro, mas a maior violência do filme é gritar na nossa cara o tempo todo que aquilo não é ficção. E não é mesmo.

O filme é uma evidência da realidade lastimável que estamos vivendo:

1- Primeiro estágio de uma sociedade: um filme desse não faria sucesso porque não teria nada a ver com a realidade. Se estivéssemos bem, o filme nem existiria. Se existisse, seria um fracasso.

2- Segundo estágio de uma sociedade:: o filme seria feito mas todas as forças do Governo cairiam contra ele. Não haveria incentivo nem patrocínio e toma-lhe censura! Esse filme, pelo que tem de ofensivo contra os políticos, deveria ser contestado e seus idealizadores processados, no mínimo. Ou presos, ou "sumidos". Esse segundo estágio é imoral, mas é melhor do que o terceiro estágio:

3- Terceiro estágio de uma sociedade:: é o atual, no qual vivemos. O filme joga na cara a podridão do Governo, a bandidagem indescritível dos políticos, a sujeira cínica na qual vivemos, a manipulação da opinião pública e... nada! Nada acontece! Gente, o que é isso?  Cadê as passeatas indignadas? Cadê a ira santa? Cadê qualquer coisa, gente?!!!!! Tá todo mundo morto?   A banda podre se sente tão tranquila e tão segura da nossa inércia que nem se dá ao trabalho de boicotar nada nem ninguém. Eles mesmos assistem, aplaudem e voltam para suas atividades mafiosas.  "Enquanto os cães ladram, a caravana passa."

Dá uma angústia aqui, dentro do peito.

A história dessa vez não é exatamente sobre a polícia. É sobre o sistema - o nosso sistema brasileiro, que é um Satanás enooorme, mudo mas ativo.

"O Sistema" não é uma coisa simples de explicar, embora o filme o explique muito bem. "Ele", O sistema, está em todo lugar, não mostra a cara, ninguém controla. É um monstro.  As vezes pensamos que determinadas pessoas o controlam mas é mero engano. Ninguém o controla. Quando muito o adoram, tirando proveito dele e alimentando-o. Quando seus falsos controladores são eliminados, percebemos que o Sistema subsiste muito bem sem eles. Ninguém lhe faz falta. Parece ter vida própria. Quem inventou algo tão maligno? Não sei. Mas sei que os que se aproveitam dele e mamam em suas tetas tornam-se igualmente nefastos.

Lute contra o sistema e você será destruído. Alimente-o e pouco depois será destruído também porque ele não tem protegidos.

O filme é maravilhoso no que tem de filosófico. A coisa é tão complicada que no final das contas a gente acaba indeciso: somos todos vítimas ou somos todos algozes uns dos outros? Quem é bom não consegue bancar essa bondade o tempo todo. Capitão Nascimento não sabe se errou ou acertou, se é bom ou mal. Ninguém sabe nada, essa é que é a verdade. Ele tem um bom coração, mas até que ponto esse bom coração é bom mesmo, é útil e toma as decisões certas?

Quem de nós conseguiria ser melhor do que o Capitão Nascimento? Quem o aconselharia? O que você diria a ele? Quem o condenaria?

Esse filme resgata isso na sociedade: o respeito na hora de criticar a polícia. Há forças terríveis que transformam todo o bem que queremos fazer em mal. A política manda, o povo obedece, ninguém exerga exatamente seu lugar na engrenagem nem sabe exatamente o resultado dos seus atos. É tudo uma latrina. Vivemos numa latrina.

Estou complicando tudo, eu sei... Estranho não conseguir escrever um bom texto comentando um filme tão bom!

Continuando com meu mau texto: quase choro nas primeiras cenas, na penitenciária. Eu, que sempre estive mais para Capitão Nascimento do que para Direitos Humanos, fiquei chocada ao me ver no meio daquela cena: homens-bicho afundados no inferno. Violência, medo, sangue, tensão, infelicidade total, a mais absoluta desesperança. Bandido tem medo, muito medo.

Cristina, o que você faria se tivesse escorregado aos poucos para o mundo do crime? Se se visse lá, sem chance de voltar, o que faria com uma arma na mão e um monte de inimigos querendo te matar?  Talvez eu faria o que aqueles bandidos fizeram. Como mudar isso?  

É fácil matar um bandido quando não olhamos em seus olhos, mas no cinema, naquela telona, a gente vê os olhos, o suor, o medo, a necessidade que sentem de se proteger sendo assustadores.  Sim, eles tem muito, muito medo. Eles tem pavor e para sobreviverem só se mostrando piores do que seus inimigos. Tentam se proteger do medo fazendo medo. Como qualquer fera que ruge.  Senti dó como nunca antes. Dó daqueles homens desgraçados e sem futuro, sujos, morrendo como cães, como nada. Chorei por dentro e me perguntei: que mundo é esse? Que poço de lama é esse? Como que alguém se mete numa merda dessa?

Interessante ver o Seu Jorge, cantor, fazendo papel de bandido assustador. Significativo. Acho que foi colocado ali bem à propósito. Se ele não tivesse uma profissão, se não tivesse tido a oportunidade de ser um homem de bem, qual a diferença entre ele e qualquer bandido lá dentro? Nenhuma. Por outro lado, qualquer bandido ali poderia ter sido um Seu Jorge de voz aveludada e olhar sensual se tivesse chance.

Balancei.

ROSAS - Ana Carolina



Composição: Totonho Villeroy

Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Pra te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar...

Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar...

Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...

Se teu santo por acaso
Não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho
E nada a declarar
Meia culpa, cada um
Que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão
Eu não vou nem soprar...

Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa
Do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção
De te machucar

Porque eu gosto é de rosas
E rosas e rosas
Acompanhadas de um bilhete
Me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...

sábado, 6 de novembro de 2010

Auto explicativo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Vale das sombras


Dá-me tua mão Senhor, porque é chegada a minha hora
E sinto que me esvai, como sangramento, o que ainda me tornaria reconhecível
Mas mesmo assim, mais leve que um pensamento,
Meus pés marcam a estrada
Faz frio.

Certamente tudo é incerto
Exceto um futuro inevitável que me espreita
Estou em um lugar para onde não me dirigiSinto cheiro de gente

Isso aumenta minha solidão
Pois não há ninguém.

Parar é insano
Sinto-me impelida  para a frente
Há uma convicção de ir, mas não entendo
Nem vejo, nem sei o que esperar.

Dá-me tua mão, Senhor
Pois os meus... já se foram
Desvaneceram os afagos
Doem-me os rins.

Mas talvez clareie o dia
E explenda uma manhã inesperada
Uma manhã que já existe mas aguarda por mim - quem sabe!
Encoberta e sorridente
Como uma surpresa de aniversário.

Dá-me tua mão, Senhor
Até que a manhã me resgate

Penso agora
Que essa manhã talvez não exista
Ou demore-se...
Ou, sendo breve demais
Não espante o frio.
Mas quem sabe a tarde, que já foi cinza,
Mostre sua cara azul e muda
Como o centro das rochas


Dá-me a tua mão, pois perdi a idade

E a ninguém possuo
O vento me é contrário
Então confundo-me.

Tão solitário é viajar sem as bagagens
Sem álbuns ou relíquias
Sem uma partitura sequer para decifrar

É solitário emergir da própria história
Para a dura isenção da verdade.

Aconchego-me em mim mesma
Dá-me tua mão, Senhor
E que a paz me socorra
Dos poros da terra.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Verdades chatas sobre o Twitter

Leria AQUI.

Por quê perder tempo com Twitter?
A maioria das pessoas que conheço não sabem mexer nele;
A maioria das pessoas que conheço - inclusive eu - não conseguem entender para quê serve mesmo. Dizem que é para informar, mas acho os jornais e revistas virtuais mais eficientes.
Além do mais, não informa porque nenhuma fonte é fidedigna. Posso inventar até que o Papa morreu.
A maioria das pessoas também não consegue ver o que há de tão cativante em twitar. Eles abrem uma conta e depois não aparecem mais.
Para quê eu quero seguidores? Eles vão me dar dinheiro?
Para ter seguidores eu tenho que escrever muitas coisas engraçadíssimas ou interessantíssimas ou novidades de primeira mão? Ah, então não quero. Tenho mais o que fazer.
Confissão: sim, eu também tenho Twitter. Entrei pra ver se o vírus me pegava. Não pegou. entrei para ver se eu  me empolgava. Não empolguei. Escrevo umas besteirinhas lá mas sei que ninguém lê.

A maior parte do que lá escrevem é imprestável tanto como informação quanto como entretenimento.

Não gostou desse meu texto? Pois saiba: o Twitter é mais chato do que isso.