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sábado, 18 de junho de 2011

Não quero ouvir falar


HOJE:
  1. Não quero ouvir falar em "redes sociais". Estou a um passo de me descadastrar de todas. Encheu. 
  2. Hoje quem for meu amigo não me venha contar "a última do Supremo Tribunal Federal". Não quero saber.
  3. Também não me interessa:  a última do Governo, a última da Dilma, a última dos bandidos nem dos maconheiros nem dos homossexuais nem de ninguém.  
  4. Não me explique nada hoje. Estou desconfiando de tudo que você me diz.
  5. Não me interessa a nova lista dos alimentos cancerígenos. Todos sabemos que tudo dá câncer. 
  6. Não quero saber os dez pontos mais violentos da cidade nem qual o mais novo golpe na internet. .
  7. Não quero ouvir as palavras: "sustentável", "cidadania", "conscientização", "discriminação", "ecológico", "reciclável", "aquecimento global", "nova lei" nem "ressocialização". Cheeeeeeegaaaaa desses papoooos!
  8. Não quero ouvir falar em dieta. Hoje quero comer muita jujuba. Adoro jujuba e vou comer até minha língua ficar colorida.
  9. Hoje não me mande anotar nada. Não quero anotar: quero "desanotar".  Estou a fim de exorcizar minha agenda para me livrar de todos os fantasmas. Chega de figurante
  10. Hoje não quero ouvir críticas. Só recebo críticas a partir da semana que vem, em duas vias, papel timbrado e firma reconhecida.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Criaturas desprezíveis


Vagando pelo mundo virtual dei de cara com esse texto legal do Bêbado Gonzo, que fala sobre pessoas detestáveis, das quais é melhor manter distância. Eu li, achei interessante e resolvi fazer minha própria listinha. Na verdade o que apresento abaixo é só um couvert porque a lista é grande.

1)  O MALDOSO - Quero distância do sujeito MALDOSO. Se existem duas maneiras de interpretar o que você fez ou o que você disse, o maldoso sempre interpreta da forma mais suja, nefasta e prejudicial à sua imagem. E depois compartilha sua opinião com todo mundo.

2) O SUPERSENSÍVEL - Sensibilidade é uma virtude, mas transformar-se em refém da sensibilidade alheia não é nada agradável. Para não magoar, você é obrigado a ir onde não quer, comer o que não gosta, dizer o que não sente, mostrar um estado de espírito que não é o seu e tratar como amigão alguém que não tem nada a ver com você. Só há um antídoto contra o ultrasensível: é o troglodita. Se você não é um troglodita, afaste-se do "floquinho de neve" ou você vai para nas mãos de um terapeuta por conta de um sentimento de culpa crônico. Ao lado do supersensível, o seu destino é viver de joelhos pedindo desculpas.

3) O TROGLODITA - O troglodita tem um lado bom: não está nem aí para as suas grosseria. Fique a vontade porque nada o atinge. Mas ele tem um lado ruim: não está nem aí para os seus sentimentos.   Ao contrário do que algumas pessoas pensam, troglodita não é somente a pessoa grosseira ou brigona. Enquadro nessa categoria os ENGRAÇADINHOS: pessoas insensíveis, que brincam com os sentimentos dos outros, apelidam com crueldade, ridicularizam, fazem piadas com coisas que você preferia esquecer, humilham e não medem o mal que fazem. Tudo em nome do bom humor. Não, o ENGRAÇADINHO não terá uma categoria àparte nesse post. Ele nada mais é do que um troglodita disfarçado, o tipo de gente que sempre acha que a dor que causam nos outros é frescura.

4) O DETETIVE - Você já conheceu aquele tipinho de gente que vai se chegando em nosso pedaço, demonstra sensibilidade, interesse pela nossa pessoa, é carinhoso, saca de longe nossas carências, incentiva o desabafo... e aos poucos vai juntando informação. Depois que seu dossiê está completo ele usa tudo o que você disse contra você mesmo! E o que você não disse ele torce para parecer que disse. Pela frente ele é um amor, um ser quase maternal. Por trás é uma cobra venenosa, uma pessoa de alma doente que coleciona informações porque adora jogar uns contra os outros. Cruz-credo!

5) O "CARIDOSO" - Não sou contra o caridoso, pelo contrário: admiro as pessoas boas. Mas acho que caridade é algo que VOCÊ faz pelo próximo, não algo que você constrange os outros a fazerem pelo próximo. Aí já não é mais caridade, mas auto-promoção. Há pessoas que adoram se exibir fazendo "o bem". Até aí tudo bem, essa é até uma forma muito útil de se exibir. Se todo mundo canalizasse a própria vaidade para fazer o bem, o mundo seria um lugar melhor. Exibir-se não é problema. O problema é quando o caridoso de plantão quer te constranger a fazer a caridade que ELE ELEGEU como prioritária. Não importa o que você faz pelo próximo; a única causa importante é a dele.  Se você não adere à causa do grande líder ele te chama de miserável na frente de todo mundo e queima teu filme sem dó nem piedade. Essas pessoas são as estrelas, os luminares de bondade no universo. Você é um reles que tem mais é que ficar sob a liderança deles.

6)  O SEBOSO - Assim nomeio o sujeito cuja palavra não tem firmeza nenhuma. Você não pode se apioar em nada que o cara diz porque a palavra dele é um sebo e só serve para fazer os outros se esborracharem no chão. E sabe o pior de tudo? É que todo enrolão é  super "prestativo". Pode reparar. O sem-palavra costuma ter a maior facilidade do mundo em se oferecer pra te ajudar. Quando você está tranquilo encostado na conversa dele, aí vem o escorregão.  Tenho horror a gente sem palavra mas o pior tipo de sem palavra é o "prestativo":

"- Pode deixar que às 15 horas eu estou lá!"  Aí o infeliz chega às 16 - quando chega.
"- Faço questão de te levar para conhecer minha casa de praia. E pode levar a família! Vai ser um prazer!"  Você até se anima, desmarca compromissos... e nada. Era só bafo. No outro dia o miserável só diz que "não deu".
"- Pode deixar que semana que vem a gente toca esse projeto juntos".  Aí o lazarento viaja e nem te avisa.
"- Pode ir pra festa que eu fico com o Junior".  Ele desaparece e ainda desliga o celular.
"- Paga aí e depois a gente acerta!"  Há há há.
"- Fique tranquilo que eu vou falar com ele e você vai ser contratado."  Um mês depois você pergunta e o bostinha não falou nada - nem vai falar.

7) ALFAIATE MORAL - O religioso que vive medindo o grau de moralidade dos outros. Você sente a fita métrica em cada piscada de olhos na sua direção. Credo.

8) O CARA "VIVIDO" - Homem que sabe de tudo e acha que toda mulher é uma vagabunda - menos a dele. O castigo é que geralmente a mulher dele é que é a vagaba. Deus é justo.

9) O CONTESTADOR CRÔNICO -  Não importa qual seja a sua tese: o cara vai te contradizer. E em cada argumento o tom de voz vai aumentando. Não tenho nada contra um bom debate. Na verdade até gosto bastante desse joguinho do intelecto, mas não é toda hora que a gente está com saco para exercitar o cérebro, né?

10) O GOSTOSO(A) - Sabe esse tipo de pessoa que você dá um "oi" e ela já espalha que você está a fim? Se você oferece um favor é porque está interessado. Se conversa, está interessado. Se senta ao lado, está interessado. Se pede um livro emprestado é porque está interessado. Se dá carona, está interessado. Se pede carona, está interessado. Se você ignora a pessoa é também porque está interessado e quer disfarçar. Haja saco!  O pior de tudo é que tem gente que acredita nas conversas desse tipinho.  Acho que todo "gostoso crônico" é um complexado às avessas. Resumo: não dá pra ter amizade com uma pessoa dessa.

11) O INTERESSEIRO - É aquele para quem você só vale pelo que pode oferecer a ele.

12) Politico que quer desarmar a população mas não mete a mão no vespeiro do tráfico ilegal de armas nem tocam no assunto das armas das forças armadas que vão parar nas mãos dos bandidos.

E por aí vai. A lista é grande. Complete-a.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pulcrícomo - vela nele!

Pulcrícomo é um cara que tem uma formosa cabeleira.

Você já ouviu alguém xingar chamar alguém de pulcrícomo? Não? Nem eu.

Acho que o idioma deveria dar o exemplo e começar a se livrar dos termos que não servem para nada. Poderíamos começar a "emagrecer" nossa vida livrando-a de toda sorte de pesos inúteis. Minha sugestão aqui é que comecemos pelo dicionário.

Nada como um dicionário fininho, esguio e elegante, com o corpitcho dobrável como o de um atleta.  Sumam com aqueles dicionários que mais parecem um frigobar. São morada de traças e ainda por cima a capa descola das páginas quando são muito folheados.

Claro que existem os modelos enxutos, mas são considerados incompletos. Porque não considerar inexistente, daqui por diante, todas as palavras que não constem nos dicionários resumidos? Para mim os "incompletos" são os mais completos. Os outros são apenas gordos.

A vida começaria a se tornar bem mais simples a partir daí. Essa mentalidade prática e desapegada atingiria muitos outros assuntos. Claro! Porque assim como uma mente enrolada enrola tudo, uma mente "cleam" descomplica tudo o que for atingido pela luz da sua reflexão.

Todos nós seríamos mais felizes com um dicionário mais fino, pois ele seria a promessa silenciosa de descomplicações futuras. Defendo essa tese.

Há palavras que, se um dia foram utilizadas, esse dia se perde na poeira de um passado remotissimo. Essas palavras estão lá, enfileiradas e caquéticas fazendo número e gastando nosso oxigênio. Pra quê? Vejo-as ansiosas, mãos tremendo, doidinhas para serem acionadas. Estão crentes que ainda servem para alguma coisa. Acabemos com o sofrimento delas!  Minha clarividência enxerga essas velhas ossudas e ressecadas escovando os dentes todos as manhãs e penteando seus ralos cabelos em movimentos lentos e exasperantes. Tudo debalde. Elas acham que têm algum direito à vida só porque obedecem à ordem alfabética. Coitadas. Mal sabem que um simples "enter" numa caixa de pesquisa é suficiente para encontrar qualquer coisa perdida no planeta.  A esperança delas me incomoda porque é vã. Jamais voltarão a ser acionadas nem por um pobre poeta carente de rimas.

Sustento que deveria haver funerais para as palavras. Acho que é uma maneira digna de nos livrarmos delas. Penso em uma cerimônia simples, talvez na Academia Brasileira de Letras. Eles não se negariam a isso, pois cada integrante construiu sua glória pessoal justamente em cima das palavras, então têm mais é obrigação de fazerem uma bela despedida.

Os homens usariam terno e gravata. As mulheres, qualquer coisa que combinasse com isso. Tudo não levaria mais que trinta ou quarenta minutos. As honras e despedidas seriam dadas a todas as palavras palavras aposentadas (esquecidas, ou impraticáveis, ou envelhecidas, ou inúteis, ou ... chamem como quiserem).  Os imortais, em nosso nome, se despediriam dessas palavras mortas para sempre. Não sem louvar-lhes o poder expressivo ou sonoridade agradável. Não sem lamentarem seu desuso, chamando a atual sociedade de simplista e sem afeição pela cultura e a beleza. Não sem se mostrarem pasmos com as mentes ralas da atualidade.

Poderia ser feita com antecedência uma pesquisa para confirmar se de fato elas eram mesmo palavras perdidas e deixadas de lado.

Quem sabe um singelo poema poderia ser composto utilizando-se essas palavras pela última vez?  Seria o momento tocante da cerimônia. O celebrante pronunciaria cada uma delas pela derradeira vez, pausadamente. Enquando isso fosse feito, uma vela seria apagada. Uma vela para cada palavra falecida. Mais um breve agradecimento pelos serviços prestados ao idioma... e adeus.

Depois disso as falecidas seriam excluídas das próximas edições dos dicionários da língua portuguesa. Qualquer gaiato que resolvesse utilizá-las dali por diante perderia ponto em sua redação (por exemplo) por estar utilizando um termo inexistente que nem para neologismo serve.

Sim, isso é mais que necessário. Quem me conhece sabe que tenho o cacoete emocional de atribuir personalidade aos seres inanimados. Não estou de todo convencida de que nossos irmãos inanimados não tenham sentimento nenhum.  Também não sei se palavras podem ser chamadas de seres, mas pouco importa. Elas ganham volume e formato em nossas bocas e livros, então têm qualquer coisa de "corpo-existente". Se ninguém se convencer de que as palavras são seres, a cerimônia será realizada assim mesmo, mas em respeito aos sentimentos das pessoas "tipo eu".

Coquetel ao final da cerimônia? Acho que sim. Os imortais vão considerar interessante contar com essa movimentação em suas agendas.

E tem mais: poderíamos estender essa "limpeza de armário" à todos os setores da nossa vida. Do armário propriamente dito a tudo o mais. Por exemplo:

1- "Ficante" que você não vai usar mais - vela nele. Pra quê guardar telefone?
2- Pessoas que não foram legais, sumiram do mapa e você nem sabe se ainda estão vivas. Vela nelas!
3- Sonhos sem cabimento - vela também!
4- Más poesias cometidas no passado - idem.
5- Mágoa e traumas já comentados, trabalhados, analisados e chorados. Chegaaaaa!

E por aí vai.

sábado, 16 de abril de 2011

Eu quero minha ilusão de volta!

Fiquei muito triste esses dias quando descobri o que eu já deveria saber. Sabe quando a gente sabe que está errado mas nem quer pensar nisso? E fica furioso quando ousam tentar abrir nossos olhos? Sim, você sabe.


Todos já tiveram um amor bandido que não valia nada...  mas era tão bom acreditar que valia! Ou uma "amizade" dos infernos. Sim amigos, algumas ilusões são doces e inocentes.


Mas do que é que estou falando mesmo? Estou falando da dor de descobrir que não moro em um planeta bonitinho. Você deve ter visto na TV. Os paparazzi tiraram fotos da Terra quando ela estava acabando de acordar. Sem maquiagem, sem nada, o que nos resta é a realidade. Tirem as crianças da sala: nosso planeta é uma enoooorme batata, disforme e mal ajambrada.  Vejam com seus próprios olhos:



Uma fruta murcha, meio podre, decadente. Ai, essa imagem me fez tão mal!   De repente morar na Terra perdeu todo o charme. Se eu encontrasse um ET por aí e ele me perguntasse onde moro... juro que eu ia desconversar. Ninguém precisa saber que sou favelada.


Amparem-me porque alguma coisa se quebrou dentro de mim.

Poxa, a Terra era tão redondinha e simpática até um dia desses!  Eu me sentia integrando uma espécie de nobreza do universo, a única espécie a habitar a área vip e ter consciencia disso. Sim, porque as tartarugas não sabem nem que existem. 

Ah, um lugar construído com tanto bom gosto! Um planeta redondinho, chique, matizado de branco, todo certinho e flutuante arrastando atrás de si bilhões de litros de água, ora azuis ora verdes.  A Terra, conforme eu achava que era, parecia abrigar pessoas predominantemente boas e cheirosas, até bonitas.  Naquela serena imensidão eu via florestas, pássaros, peixes curiosos, esperança, montanhas geladas, crianças com laçarotes, bolo de fubá. Agora, olhando para essa bola-de-futebol-de-moleque-de-periferia, sinto um certo desgosto. Sinto que baixei de nível.  Estou empobrecida na mesma medida em que meu planeta é feio.

O que os ETs vão dizer de nós?

O que vejo agora são grades retorcidas, carros enferrujados, lixo, guerra, mofo, gente suada e tênis com chulé. Que decadência!

Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas lá vai: eu preferia a minha ilusão. Acho que vou entrar com uma ação por danos morais. Ninguém tem o dierito de me dar um choque de realidade assim, sem um mínimo de preparação.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Kauna ja kateus

Bem que a Bíblia nos adverte contra "as paixões da mocidade". Com razão, com razão. Mas só recentemente fui parar de relacionar esse assunto com assuntos de Romeu e Julieta.

Paixão é um estado doentio que pode estar relacionado a uma infinidade de assuntos e pode melar toda essa tal infinidade. Defino a paixão como "gripe da alma":  um estado deplorável no qual a pessoa tem a sensação de que o mundo é pequeno demais  para aquela coisa imensa que ela está sentindo e que se não der certo ela vai morrer daqui-prali. É  portanto uma fase de debilidade mental. Por esse motivo muito já se falou a respeito - então chega.

O que tem me encasquetado ultimamente é que não é só a paixão romântica que nos emburrece e surrupia o juízo. Dois outros estados mentais enganosos são o RESSENTIMENTO e a INVEJA.

Assim como o apaixonado, o ressentido não sabe mais o que sente. Está doente e não vê nada direito.  Geralmente ele vai colecionando pequenas ofensas como quem junta punhados de areia na praia e depois monta um monstro. Aí passa a acreditar que aquele monstro existe, mas é tudo construção da mente dele. Pode ser uma ofensa só mas não importa: sejam muitas ou seja uma só, ela cresce como pão no forno e toma forma e tamanho que nada tem de real.

Os bons conselhos de Deus (Bíblia)  jamais visaram nos tornar bonzinhos pela simples finalidade de sermos bonzinhos. Deus não precisa das nossas bondades - ele vai muito bem, obrigado.  Acreditar que, seguindo suas orientações, estaremos lhe prestando algum serviço é um equívoco. A questão é que ele só não quer que quebremos a cara. A Bília toda pode ser resuminda em: "Eu tô avisando!"

Não importa o quando a outra pessoa mereça seu desprezo ou amor: se você tem idéias fixas em relação a ela (paixão, ressentimento, inveja...) você vai deixar de entender as coisas mais importante do mundo: quem você é, o que realmente sente, o que de fato você quer da vida.

O ressentido vive uma ilusão e quem vive uma ilusão a respeito dos outros também está iludido acerca de si mesmo porque o que pensamos que somos tem a ver com o que pensamos que o outro é. Se ele é um monstro, eu sou uma pobre vitima. Se ele é o máximo, perto dele eu me sinto reles.

O ressentido remói um "passado que não mais existe". Ele se fixa numa imagem do que não há e isso encobre o que ainda é. Aí é que está a maior mancada. O ressentido pensa que não ama, pensa que não precisa, pensa que não errou, pensa que quer outra coisa... mas tudo é "efeito estufa" causado pela nuvem de ressentimento que não deixa a temperatura mental resfriar o suficiente. Não é um estado melhor nem mais razoável do que o do apaixonado. Veja: como você só pode tomar decisões acertadas com base no que existe, imagine a porcaria que dá comportar-se tomando como ponto de partida  um cenário imaginário.

Inveja é a mesma coisa: é viver em cima de uma miragem. Você jura que o próximo é tudo aquilo que você pensa que é. Por conseguinte , quer ser como ele. Como a imagem que vê não é real, resta o seguinte: quem tem por ideal o nada, nada será. Seja feita a sua vontade!

Já parou pra pensar que seu próximo não tem tudo o que quer, não é tao feliz quanto você pensa, nem tão bem sucedido? Talvez a inteligência que você lhe atribui ninguém no trabalho dele enxergou. Já pensou que a pose que ele tem seja talvez seu único tesouro?

Por essas e por outras excomungo tudo o que me reduz a capacidade de julgar. "Fugir das paixões" é fugir das ilusões e viver só de verdade. Ilusão, de certa forma, é uma variação de "paixão" porque a pessoa se apega àquela "verdade" com igual cegueira.

Depois que a paixão (ou sentimento persistente) arrefece, dá até vergonha de encarar o tamanho do equívoco.

Pra você e pra mim desejo aquilo que nossas avós sempre diziam: JUÍZO!

Explicando o título dessa postagem: "Kauna ja kateus" quer dizer RESSENTIMENTO E INVEJA em finlandês.

domingo, 10 de abril de 2011

É proibido tocar!

Sou daquelas pessoas chatas que quando vai a um local com música ao vivo, presta atenção à música. A maioria só quer bater papo e fazer barulho.

O fato é que, se há música,  não consigo me desligar dela. E quando há a famosa "voz e violão" e o carinha ataca com Flor de Liz, já sei que não vai prestar. Já pego meus trecos e parto pra outra.

Há uma lista de músicas de barzinhos que ninguém aguenta mais. Deveriam proibir a execução de uma vez por todas. O bom músico pesquisa e ensaia coisas novas. Ou as compõe.

Chega um momento em nossas vidas que já não interessa mais a qualidade da obra, se é um obra de arte ou obra de doido, se foi Deus que compôs ou se foi a Joelma. Tocou demais, torrou o saco, eu condeno.


Vou dar uma dica a todos os músicos da noite:  se você ainda não notou, informo que o repertório de músicas brasileiras aumenta absurdamente todos os anos. Nada justifica que vocês nos molestem com  Dia Branco, Tarde em Itapoã e outros lero-leros. Largue de preguiça!  Mas caso vocês ainda consiga ter dúvidas a respeito de quais as músicas que já deixaram de entreter e passaram a molestar, observem a pequena lista de "expulsa freguês":

1- FLOR DE LIZ
2- DIA BRANCO
3- MARINA MORENA
4- COMO UMA ONDA
5- PINTURA ÍNTIMA
6- ESPANHOLA
7- FOLHETIM
8- NEGUE
9- GAROTA DE IPANEMA
10- TARDE EM ITAPOÃ
11- SAMURAI
12- XODÓ
13- CHEGA DE SAUDADE
14 - DE VOLTA PRO ACONCHEGO
15- VOCÊ É LINDA
16- SAMPA

Se você lembra de mais alguma, complete a lista. Com a palavra, o leitor:  ...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adeus, dia!

É noite e estou cansada. Tentei ver um filme e cochilei.

Sim, estou com sono mas ainda assim, não sei por quê, reluto em me despedir do meu dia.  Hoje eu não queria dizer "adeus" para esse conjunto de 24 horas e um monte de minutinhos enfeitados de segundos.

Esse dia está me parecendo tão ímpar, tão misterioso naquilo que me oculta! Alguma coisa eu não soube, alguém não veio, algum segredo aconteceu, uma cena eu perdi, uma boa sorte me sorriu pelas costas.

Há dias em que a gente nem percebe o seu fim e até torce por ele, mas há outros em que isso incomoda. Hoje é como um filme que a gente sabe que está acabando mas sente que está faltando aquele fecho, aquela última e decisiva cena, então fica esperando...

Hoje o meu dia está parecendo um filme francês, desses com final bobo onde todo mundo pergunta "e aí?"

Parece que faltou uma coisa... ou que ela ainda vai acontecer mas só se eu souber esperar. Se dormir perco a cereja do bolo. Estou com sono e com pena de abandonar assim todas as pérolas, todo o fecho dessa pequena história de 24 partes e ficar com um bolo sem cereja.

Vão-se as minhas pérolas. Vão-se as chances. Morro hoje, amanhã ressuscito.

Talvez, quem sabe, só o que faltava era eu escrever esse texto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Auto estima

Desde que tive a infeliz idéia de "dar uma ajeitada" em meu cabelo e entrei em um maldito salão há uns três anos atrás, perdi de vez os meus cachinhos.  Hoje o meu cabelo está acabando com a minha auto estima. De lá pra cá nunca mais fui a mesma.  Agora, em um lance de desespero, peço a opinião do leitor. Aqui abaixo vão algumas opções para um novo penteado. Eu confio em vocês.







segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Maysa, a ditadura do riso e a terapia do choro

Só agora estou assistindo a mini-série Maysa porque não aguento assistir TV. Comprei o box. E chorei.

Há, na vida, um chorar gostoso. É quando nos deixamos levar pela emoção, uma emoção qualquer, sem receio de sermos observados. Não é o chorar de tristeza nem de desespero ou solidão. É a comoção consciente, permitida e saudável. É abandonar a alma, como um barquinho, em uma correnteza conhecida e sem riscos.

Todo mundo tem que chorar vez por outra, se não a alma resseca. Porque no dia-a-dia costumamos colocar nossa sensibilidade de lado para não desesperar. Como por exemplo o médico, que não pode se deixar levar pela tristeza cada vez que  que vê uma desgraça.  Sim, médico, o policial, o advogado, o psicólogo, o assistente social, o professor, todos precisam chorar. Precisam de uma música, um livro, um box de filme, uma cena qualquer.

Nesses dias ralos que antecedem  o fim do mundo (é isso mesmo que eu disse)  estamos vivendo a ditadura do riso. No desespero do nosso presente, decidimos que rir é imperioso porque rir seria despistar a dor. Mas é mentira. Rir não despista, apenas muda a dor de compartimento. E por falta de "escoar" ela acumula e acaba doendo escondido.  Sabe aquele tédio, aquela inquietação, aquela angustiazinha sem motivo? Pois é.

Antigamente os filmes dramáticos eram mais bem aceitos. Hoje eles ainda existem, mas há uma pressão enorme para se enxertar na história cenas engraçadas. Por pior que seja o drama sempre vemos  um personagem bobo, tonto, maluquinho ou malucão. Pode reparar. Isso é para que a tristeza não nos sobrevenha em estado bruto.  Aí perdemos a glória do choro.

As pessoas dramáticas ou sensíveis sempre serão consideradas dramáticas demais e sensíveis demais. No meio da desgraça somos impelidos, pelos atuais costumes, a contar algo que desvie os nossos olhos das lágrimas. Estamos ficando todos muito gaiatos. Não refletimos mais. Quando qualquer pensamento mais profundo vem, logo aparece uma piadinha para despistá-lo e nos tornar mais e mais cínicos com a vida.

Não vi gaiatice na minissérie Maysa. A dor é dor, o drama é drama. Chorei no escuro e estou muito bem, obrigada.

Todos temos dentro do peito um acúmulo de lágrimas. Deus as colocou lá e elas têm muita utilidade. Assim como não se pode tomar cerveja sem urinar, não se pode viver nesse mundo sem chorar de vez em quando. Chorar é preciso. Sofrer não é preciso. Você pode escoar suas lágrimas acumuladas olhando um quadro, ouvindo uma poesia, assistindo uma peça teatral. Mas cara, liberte suas lágrimas se não você fica engasgado.  Se você anda inquieto, sufocado, com uma certa agonia ou necessidade incessante de "fazer alguma coisa legal", talvez você apenas precise entrar em si mesmo e... chorar.

Não, a minissérie Maysa não é a melhor que já assistir. Ela não foi uma heroína nem nada parecido.  Ela está mais para um exemplo do que não se deve fazer mas não há problema. Chorar faz bem, principalmente quando você consegue sentir a dor dos desajustados, dos errados, dos que não acertam. Quando consegue é sinal de que ainda resta humanidade e compaixão em você. Ainda há uma centelha de Deus - ufa!

No aconchego do meu quarto tendo as luzes apagadas, sentindo dela a música e a dor de não conseguir ser melhor do que é, a dor de procurar alguma coisa indefinida e fugidia, de pôr tudo a perder, de querer abraçar o mundo mas ver o mundo escorrendo entre os dedos... chorei com Maysa.  E a música...  os olhos intensos... as dores... o abandono...  a beleza se esvaindo... os vexames... o mal causado...  Aliviei meu reservatório de lágrimas e hidratei um pouco a minha humanidade.

Você precisa chorar. Vai te fazer bem. Depois me diga. Eu não conto pra ninguém.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Todo amor

Trecho que uma carta minha a um amigo:


... Eu acho que TODO AMOR DEVE ACONTECER. Tipo: amor é como uma vela, que nasceu para ser queimada. Ele TEM QUE ACONTECER, nem que seja para acabar. Senão, o amor não nos dá sossego.  Negá-lo por medo ou por outro motivo qualquer é como fazer um aborto. Sério. É assim que vejo. Um amor que não se tornou pleno nem se gastou na vida, é um amor que acaba virando fantasma, nos perseguindo para sempre...  Há coisas na vida que simplesmente TEM que acontecer e pronto...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ACÍDIA E CURIOSITAS

ACÍDIA E CURIOSITAS? Que raio é isso?

Aqui abaixo repito com as minhas palavras o que o blog Historia Viva comenta sobre o tema.  Reflitam, oh néscios!

Há um desejo de ver que acaba pervertendo o sentido original da visão. A finalidade da visão é perceber a  realidade. Só que a tal "concupiscência dos olhos" ("curiositas") é o desejo vazio de ver por ver, sem interesse algum em perceber a realidade. É então uma perversão do desejo natural de conhecer. É o olhar do tolo.


Agostinho diz que a avidez dos gulosos não é de saciar-se, mas de comer e saborear. O mesmo se pode dizer da curiositas (concupiscência dos olhos), que gosta de ver sem o desejo de penetrar na verdade, mas só de se deixar levar pelo mundo, sem rumo, sem finalidade e, por fim, sem proveito.


Tomás de Aquino mostra que a curiositas é uma vagabundagem mental que leva à dissipação do espírito. Como assim? Vou explicar: a pessoa se torna vazia, nula, fútil, sem conteúdo.  Essa pobreza de espírito a leva, necessariamente,  ao colinho de outro mal: o sujeito cai na acídia.  Ô desgraça!


E o que é acídia? Ah, isso também muitos de nós sabemos. Acídia é aquela tristeza modorrenta do coração, aquele tédio interior. É quando, mesmo inconscientemente, o sujeito não se julga capaz de ser tudo aquilo para o qual ele foi criado. Ou melhor: acha que não tem como desfrutar de todas as suas possibilidades como ser humano. A pessoa se sente condenada à nulidade, incapaz de um feito importante. Essa modorra (essa palavra é boa!) tem cara fúnebre e cria um ciclo vicioso:  a vagabundagem dos olhos leva a um profundo tédio interior e à ânsia desesperada por diversão (justamente para fugir do vazio).  A diversão só socorre o sujeito por um pouco de tempo; aí ele cai na modorra de novo. Muitos acabam lançando mão do uso de drogas, para aliviar-se da secura interior.


A vagabundagem visual/mental é um repúdio às próprias possibilidades do ser. É se conformar com a mediocridade.


A acídia manifesta-se assim, diz  São Tomás de Aquino: 


1) Primeiro vem a "dissipação do espírito" (dispersão, diluição. O mundo não está cheio de gentinha rala, sem conteúdo, que só fala abobrinha? Pois é.) 


2) A 'dissipação do espírito' manifesta-se, por sua vez, na tagarelice, na vontade indomável de distrair-se ("sair da torre do espírito e derramar-se no variado"), numa irrequietação interior, na insatisfação insaciável da curiositas.

3) Desespero:  assim como o apetite pode degenerar em gula, o desejo de conhecimento também pode degenerar em "curiositas". A perversão do desejo de conhecer pode significar que o homem perdeu a capacidade de "habitar em si próprio". Cruel.   Aí a vida da pessoa se resume em procurar, com disfarçada angústia, mil caminhos para alcançar um bem-estar que só a  serenidade de um coração senhor de si pode alcançar.  


Uma vida inteiramente vivida é o que todo mundo quer. Mas a pessoa que se abandona à curiositas não tem realmente vida, apenas é levado pelo vento. Então seu destino é ir mendigando pela existência para ver se consegue ter a sensação de que goza uma vida intensa, quando na verdade nem sabe o que é isso.


Não é assim mesmo que acontece? E não é sábio entender que evitar a "concupiscência dos  olhos" não é um favor que se faz à religião, mas a si mesmo?


As crianças evitam o mal por obediência ou medo; 
O ser adulto o evita por entender o que ele realmente significa;
Os tolos simplesmente não o evitam.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quarenta e cinco reais!


Caramba, eu paguei isso pra assistir um filme? Paguei. Mereço 45 açoites.

Fiquei es-can-da-li-za-da  quando vi o preço mas uma estranha força me levou a ir até o fim na empreitada. Paguei.  KINOPLEX é o nome do bicho. Um cinema metido a cinema de luxo, com a assinatura de um tal Severiano Ribeiro.

Antes de entrar na sala de projeção temos um hall de espera com pufs, lustres modernos, toalete bonito. Você sabe que gosto dessas coisas, né. Sou uma fraca mesmo...  Lá dentro as poltronas são enormes com todo conforto que você acha que merece. Bem, por 45 reais eu achei que merecia mesmo.

Entrei e sentei em minha poltrona numerada, revestida de couro, com lugar para esticar as pernas. Daqui a pouco senta ao lado uma moça. Passados uns minutinhos entra uma garçonete trazendo uma bandeja com as pipocas da moça, o refrigerante, guardanapo, - kit completo. É mole ou quer mais? Eu também quis ser servida porque (repito) como vocÊs sabem, sou uma fraca e gosto muito dessas coisas. Comprei água e o copinho era daqueles descartáveis transparentes, mais caros. A bandeja com o "combo" de pipocas era diferente daquelas que você conhece. As pipocas podem ser saborizadas e vem com recipientezinhos com manteiga líquida. Vi também que eles oferecem a opção de uns outros líquidos coloridos para jogar na pipoca mas eu não descobri o que eram, então não posso contar pra vocÊs.

Eu estava pagando pelo quê mesmo? Pelas poltronas? Não. Pela garçonete tazendo pipoca? Acho que também não. O filme? Não, se fosse só pelo filme eu poderia me dirigir ao cinema ao lado.

A gente paga por ilusão. Somos todos uns bebezões.

A gente paga pra fazer de conta que somos finos, elegantes, que pertencemos a uma estirpe distinta, acostumada ao luxo e habituada a ser servida. Ha ha ha! Tudo mentira mas a gente entra no jogo. Pagamos e os figurantes se comportam direitinho, como se eles também fossem habituados a tratar com a alta "soçaite". Ha ha ha de novo.  A brincadeira é a de que estamos perfeitamente dispostos e aptos a pagar pelo luxo e que isso é coisa corriqueira, tão natural que seria impensável a vida sem essas e outras mordomias. Pagamos pela brincadeirinha de fazer de conta que só o que é de melhor pode nos tocar e nos satisfazer.

Todos sabemos: não somos nada disso. Todos já experimentamos tomar banho em um cubículos de 50 centímetros quadrados. Todos já convivemos com copos de geléia pra beber suco, com lençóis 90% poliéster, com os bandejões da vida, o pneu careca há meses, o crediário. E nenhum de nós gosta de jogar dinheiro fora - Deus nos livre.  Então porque entramos nessa?

Pra fazer de conta. Vida real é um prato que enjoa. Tem que dar uma variada, colocar um molho diferente e esse molho se chama sonho, fingimento, faz-de-conta. Sonhar é de graça mas se queremos a ajuda de cenário e figurante, temos que pagar por isso. E pagamos. Eu paguei.

Se vale a pena? Não sei até agora, mas que foi bom, foi.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O tempo passa...


Algumas coisas não deveriam ter mudado...

Tenho saudade do tempo em que as pessoas faziam aniversário. Era um evento, lembra?  Os presentes eram colocados sobre a cama do aniversariante... Era legal conferir as embalagens, comentar, manusear.  Hoje é tão diferente!  As pessoas não fazem mais aniversário nem completam anos. Agora elas só fazem "niver". Só "niver". "Ah, amanhã é o meu niver!"

Gente, "niver" é uma festa muito chata, cheia de patricinhas tirando foto para colocar no Orkut. Uma artificialidade só.  Confesso que não vejo graça alguma em ir a um "niver". Os aniversários não, eram datas  especiais e muito aguardadas. Os retratos produzidos na festa logo logo viravam relíquia - ao contrário das fotos atuais, que não valem um vintém. Quem faz dedicatória atrás de foto hoje em dia? Ninguém. Mas receber um retrato com alguns dizeres elegantes atrás era realmente uma distinção.

Pois é, fazer aniversário e fotografar era romântico,  algo sentimental. Fazer "niver" e bater foto é tão corriqueiro e descartável!

Lembra da bicicleta? Ah, bons tempos em que as pessoas andavam de bicicleta...  Pois eu ainda ando, mesmo estando  demodèe.

As bicicletas eram alvo de apreço, viravam quase um bicho de estimação. Tinham a cara e o cheiro do dono, faziam parte da família. Feliz era a criança que possuía uma. Era-nos permitido andar pelos quarteirões do bairro com nossa bicicleta sem problema algum e a gente a emprestava para os amigos. Todo mundo pedia: "-Deixa eu dar uma voltinha?"  Agora não sei o que houve. As pessoas abandonaram a boa e fiel bicicleta e só querem andar de "bike".

"-Você vai como?"  
"-Ah, eu vou de bike!"

Credo. Bicicletas eram saudáveis e divertidas, enquanto que as "bikes" dão até calo na bunda. Sério. Tem encha a boca dizendo que anda de "bike" como se isso fosse mais chique do que andar de bicicleta. Não é.

Eu também gostava bastante de refrigerante, mas agora a gente praticamente só encontra "refri" à venda. Tiraram o refrigerante das prateleiras não sei por quê. Eles eram muito mais gostosos do que os degenerados "refri" de hoje em dia.  Agora me diga: qual a graça de pegar uma "bike" e ir comprar um "refri"?  Ficou pesado, ficou sem graça, perdeu aquela coisa de criança, de juventude. Acho que "refri" nem mata a sede direito. E ainda amarela os dentes.

Não me convide para ir de bike tomar um refri porque eu não vou. Tô logo avisando.

Ei, e você lembra de todo aquele pessoal da galeria? A turma simples e animada que lotava os estádios, lembra?  Pois é, morreram todos. Foram substituídos pela "galera", que é um povo bem menos simpático e numeroso. A turma da galeria era imensa, colorida e animada. Já a "galera" é diferente... É um grupelho cheio de espinhas, mal vestido e com os pés enormes.  E ainda por cima se recusam a andar de ônibus. Ou eles andam de "bike" ou de "buzão". Dá pra aceitar?

Odeio andar de "buzão".  Os ônibus eram mais elegantes e ventilados, não sei se você se recorda. Dava até para iniciar um diálogo simpático e cordial com o viajante ao lado. No ônibus a gente até conhecia o trocador (ou cobrador, como queiram). Eu andava de rabo-de-cavalo no ônibus, flutuava meu olhar de relance por toda a cidade, como quem vê um cartão postal. Via chuva, via sol e descia sempre no ponto, de cabeça erguida. No "buzão" não, tudo é meio hostil e o motorista mete o pé no freio de qualquer jeito. Tô fora, prefiro ir a pé.  Até porque andar a pé é sempre uma maravilha.

Eu não disse que é "mara!" , eu disse que é uma maravilha.

Acho ridícula essa mania de dizer agora que tudo é "maaara!"   A boca fica até mole: "Essa galera é  maaara!".  Ai, que antipático!   Pra piorar, fique sabendo que "MARA" quer dizer "AMARGA", tá.

Ah coisa boa voltar do colégio a pé, acenar para o menino que vai no ônibus e torcer para encontrar com ele sábado no parque, passeando ambos de bicicleta e parando pra tomar um refrigerante.  Bons tempos. Era a minha belle epóque...

É... mesmo com pouca verba a vida já foi bem mais elegante.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Camila Pitanga - um porre

Rapidinho: é irritante. Não há uma entrevista com a Camila Pitanga na qual ela não venha atacar de preta. Acho um porre essa mania que ela tem de ficar repetindo que é negra e que acha isso o máximo. Primeiro porque ela NÃO É NEGRA. Segundo porque ser negra não é o máximo, ser branca não é o máximo, ser índia não é o máximo. Máximo é prestar, é ter caráter, é ter bom coração.

Camila gosta de ficar posando de "mulher negra que venceu na vida e deu uma banana pro preconceito." Ah, me poupe. Vai dizer pra mim que ela teve que lutar contra o preconceito? Só se foi contra o preconceito por ser bonita. O pai dela pode ser negro, a mãe, a avó, o cachorro, o papagaio, mas ela não é. Ela apenas tem sangue negro nas veias, igualzinho a 100% dos brasileiros.  Parece que ela acha que posar de "atriz negra" lhe traz alguma aura especial. Não traz, só enche o saco essa forçação de barra.  Alguém tem que dizer pra ela que negra é a Glória Maria, o Lázaro Ramos, a Thaís Araújo. Camila Pitanga é mulata. Qual o problema de ser mulata? É algo depreciativo por acaso?  "Mulata" pode não ser uma classificação científica mas você entende do que estou falando e é isso que interessa. Pra Camila faltou tinta!  Ela é branca demais pra ser preta. Se ela não gosta da cor que tem, deveria passar carvão na cara.

É o Michael Jackson às avessas...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexões sobre o samba

Depois de longa observação, pesquisa e meditação cheguei ao veredicto:  samba é coisa de Deus.  Foi ele quem bolou todo o lance.   Bolou pra nos dar uma colher de chá nessa nossa vidinha você-sabe-como. Sacando nossas saudades, tristezas, sonhos interrompidos, dívidas e carências ele jogou lá do alto batuque, acordes, cadência e molejo para nos dar momentos de esquecimento e ingênua alegria.

Pois é, pra chorar ou para rir, para comemorar ou enquanto esperamos que a vida se resolva, o samba é uma lindeza ritmada, um bálsamo, um subir de degrau que a gente vai indo e de repente deixa tudo pra lá.  Ele nos eleva. Como? Não sei, só sei que é assim.  Quem já se arrepiou entende do que estou falando. Você pode começar desmotivado e chocho, mas daqui a pouco aquela coisa boa te toma, você se irmana com todo mundo e entra numa bolha de beleza compartilhada.  Tudo isso ele faz.  Talvez por esse motivo que Vinícius de Moraes tenha dito que  "o bom samba é uma forma de oração". É verdade.

Ele disse também que "o samba é a tristeza que balança". Não tenho melhor definição.   Sambar é falar de amor e de dor com graça e sorriso.  É tornar-se humano no sentido mais elevado do termo.  É tecer numa canção todos os fatos da vida, fazer uma passarela e sapatear em cima.  Viver o samba é falar de desencontro como se fosse encontro, despedida como se fosse abraço, lágrima como se fosse gargalhada.  É sonhar como se tivéssemos alcançado, rebolar como se tivéssemos graça, cantar junto como se fôssemos irmãos. O samba é o consolo de quem sofre, a união dos que não se conhecem, o beabá da paixão e sensibilidade.  É ainda a prova incontestável de que somos feitos para algo maior, seja lá o que isso signifique pra você.

Em resumo: é mesmo uma forma de oração.  É como uma mão que levanta nosso queixo e nos faz ver beleza onde não havia.

Eu amo o bom samba. O BOM samba, não essas porcarias que chamam de "pagode", onde se juntam meia dúzia de carinhas de mal gosto cantando música furreca com letras pobres. Quem só ouve esse tipo de "pagode" não sabe o que é ficar todo arrepiado ouvindo PELA PORTA ABERTA ,  FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA ,  VAI PASSAR ou O QUE? É O QUE É?  Samba que não arrepia não é samba, é brincadeira de mal gosto.

Pode estar tudo ruim, mas no meio do batuque a cabeça dá uma iluminada e a gente acaba proclamando, todo orgulhoso:  

DIGA ESPELHO MEU SE HÁ NA AVENIDA ALGUÉM MAIS FELIZ QUE EU!


(E aquela postagem sobre o Marx? ah, esquece!)

domingo, 19 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mantras

Como a vida já é suficientemente séria e a minha fase de poeta angustiada não está mais rendendo  postagens, resolvi  ampliar meu leque de implicâncias. Por que ficar restrita ao Paulo Coelho? Há uma infinidade de outros coelhos esotéricos levitando pela net!


Como todos sabemos, "mantras" são frases, sons ou músicas que uma pessoa repete repete repete com a finalidade  de  bloquear todo tipo de pensamento coerente. É uma espécie de auto-hipnose que visa,  primariamente, elevar os praticantes ao glorioso nível vegetal-irracional. A prática é usada também por pessoas que queiram se submeter a um estado emocional pré-programado, geralmente sugerido por um grande líder. 

Hoje em dia, por incrível que pareça, igrejas ditas evangélicas estão adotando essa prática disfarçadamente. Por falta de conhecimento ou por excesso dele. 


Dizem  que tal esforço de concentração leva à evolução. Será? Sempre achei que evolução  tivesse a ver  com   crescimento em consciência, não em inconsciencia. Ah, quem sou eu pra falar, né?  Não vou contradizer  nenhum dos iluminados dos milênios retrasados. Vou resguardar o meu cérebro, mas sugiro que você (cobaia) vá tentando aí e depois me conte como é alcançar a luz. Mas cuidado para não queimar os dedos!


Lá vai abobrinha: 

Para que servem os mantras?

1) Para que servem os mantras?

Basicamente, um mantra é um som repetitivo, portanto chato, que os praticantes repetem até encher o saco dos outros. A finalidade é tornar-se uma pessoa melhor. Não acho que os chatos sejam pessoas melhores mas... deixa pra lá.  Além do mais se considerarmos o tempo gasto repetindo abobrinha, coincluiremos que enquanto a pessoa está ocupada zumbindo não poderá estar fazendo mal a ninguém. Já é uma evolução, concordam?  Ah, dizem também que repetir sons como um disco furado tem como objetivo "lembrar algo importante ao praticante". Eu prefiro uma agenda com anotações, mas gosto é gosto. Uma boa notícia:  você pode ter seu mantra pessoal (uau!)  desde que encontre um mestre pra te passar a tal partitura de uma nota só. Não deve ser difícil conseguir. Se tiver dificuldade, fale comigo. Faço pra você baratinho.

2) Como podemos usar os mantras na prática? Por exemplo, quantas vezes devemos fazê-los?
Você pode mantrar quantas vezes quiser, dependendo do quanto você for desocupado. Tradicionalmente, um número razoável de repetições é 108 mas se nem assim você conseguir se desligar desse mundo cruel, quadruplique isso, mas longe de mim. Ninguém merece. Outra maneira de usar os mantras é associar a sua repetição mental com a respiração, como no caso do ajapa japa, técnica que consiste em acompanhar a observação da respiração com a mentalização do mantra so’ham (li isso em algum lugar mas não entendi nada).  Não reclame; isso é bem mais cult  do que contar carneirinhos. Essa paz mental alcançada não é um fim em si mesmo (eu também pensei que fosse...) mas é um um meio para conseguir o discernimento, para preparar-se para a libertação, moksha (e eu que nunca gostei de moscas...).

3) O que precisamos fazer para entoá-los?

Primeiro: isole-se, para não ser apedrejado. O Kularnava Tantra nos ensina que há três formas de fazer um mantra: mentalmente, murmurando, e em voz alta. Poupe sua família e faça mentalmente - se é que voce  ainda tem mente. 

4) Quais são os efeitos dos mantras?
Agora você me pegou!   Queridinho entenda: segundo os mestres sagrados, o mantra é assim uma espécie de elixir milagroso: cura tudo, de unha encravada a espinhela caída. Eles ajudam a pessoa a se concentrar, entendeu? Nos primeiros 60 anos você aprende a se concentrar no vazio. Depois, quando tiver conseguido alcançar essa luz você descobre que não precisa alcançar mais nada e fica feliz da vida.  


Sério: eu li que "a mente  tem a sua própria agenda e dificilmente pode ser controlada. Se você percebe esta dificuldade na sua meditação, isso significa que sua mente é totalmente normal. Não se preocupe."   Sim, não se desespere se descobrir que sua mente é normal. Se você se dedicar bastante, em pouco tempo sua mente estará entre as portadoras de necessidades especiais.

5) Como funcionam?
Dizem que conhecer o significado do seu mantra, se você tem um, é fundamental e que mantras sem significado não funcionam - o que me leva a deduzir que nenhum funciona...

6) Por que cantá-los em sânscrito?
Porque em português você iria se desapontar.   Essa é a minha opinião. Mas alguns mestres dizem que a língua sânscrita é considerada uma língua revelada, portanto sagrada.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conceitos - por Cristina

HTML - Um mistério. (Não dá pra entender como é que vídeos, fotos, páginas ou qualquer outra coisa pode ser formada por aquela sequência tão improvável de letras.)

Tribos urbanas - Conjunto de pessoas que precisam desesperadamente se sentir diferente dos outros e ao mesmo tempo semelhantes a alguém.

Adolescente linda - uma criança que ganhou uma fortuna mas não faz a menor idéia do que fazer com aquilo tudo.

Colônia de férias - livrar-se das crianças sem ter culpa.

Workaholic - alguém muito infeliz mas que se recusa a pensar a respeito.

Carola -  alguém muito infeliz mas que se recusa a pensar a respeito.

Políticos - alguém que precisa se afastar dos humanos para alcançar seus objetivos.

Líderes espirituais - A única maneira de acreditarem que "chegaram lá" é cercando-se de pessoas que os admiram por acreditarem que de fato eles "chegaram lá."

Roqueiro -  Carega a cruz de um sentimento incômodo.

Stripper - Alguém que vive com um cronômetro em contagem regressiva pendurado no pescoço.

Policial - Uma pessoa que seca gêlo.

Juiz -  Passa a vida tentando se convencer de que fez a coisa certa.

Artista - Alguém que se dedica a mostrar aos outros que a vida é bela mesmo quando dói.

Criança - Um adulto sem medo.

Adulto - Uma criança com medo.

Perdão - A melhor injustiça que alguém pode cometer na vida.

Ódio - Um tipo de câncer.

Sexo -  O melhor que o corpo pode fazer por si mesmo a curto prazo.

Envelhecimento - Deus tentando nos persuadir de que está na hora de cair fora.

Juventude - O melhor e o pior da vida em um mesmo pacote de tempo.


Doença - Tratamento de choque para passarmos a enxergar o que nos recusávamos a ver.

Cobiça - Ódio disfarçado de desejo.

Filhos -  A aflição de amar o que lhe foge.


Esterilidade - Passar a vida imaginando como poderia ter sido.

Despedida - Nunca é a última.

Chá de calcinha - Mais um evento desnecessário só para encher o saco das pessoas .

Despedida de solteiro - prêmio de consolação para quem, segundo os amigos, está entrando numa furada.

Sogra - Mais uma mulher em sua vida para você se preocupar em não magoar.

Sogro - Não fede nem cheira. Não vai incomodar desde que você não sente na poltrona dele.

Blog - Uma oportunidade de dizer o que ninguém está com paciência para ouvir.

Tintura de cabelo - Tente se libertar. Depois me avise se conseguiu.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mulher chata

(Outro dia escreverei sobre Homem Chato)

1- Se tranca em casa (nenhuma programação a agrada) mas vive reclamando que não sai pra lugar nenhum.

2- Não quer que o filho brinque de nada que o faça suar, sujar ou cansar.  Vive proibindo, lavando e guardando o pobre moleque dentro de casa.

3 - Nenhum dos amigos do seu filho presta. São todos mal educados ou bandidinhos ou cheios de mal costume.

4- Nenhum dos amigos do seu marido presta. Todos são chatos ou cachaceiros ou mulherengos ou bagunceiros ou burros ou só falam em futebol ou só falam em trabalho ou só falam em política ou... Afe!

5- Nenhuma das esposas dos amigos de seu marido prestam: querem ser melhores do que todo mundo, só falam nos filhos ou só falam no trabalho ou são fúteis, ou são carolas demais ou são mundanas demais, falam demais, falam de menos, vivem reparando em tudo, são fofoqueiras, são velhas demais, são novas demais...

6- Nenhuma namorada de seu filho presta: são todas vagabundas, burras, vulgares e interesseiras.

7-  A mulher chata até faz o favor de transar com o marido mas é cheia de restrições. É a rainha do "aí não", "você está me machucando",  "isso é ridículo! Não vou fazer", "meu Deus, você é tarado!", "tenho nojo", "isso é coisa para vagabunda; não sou vagabunda!"  "isso é constrangedor", "isso é pecado", "ainda é cedo",  "já é tarde" ou "de novo????".  

8 - Não faz nada pelo marido. Ele tem que fazer tudo por ela mas ela "não nasceu para ser escrava". Ele nasceu.

9 - Reclama da mania dele de ler jornal, de assistir noticiários, de andar de cuecas pela casa, de não usar perfume, de usar um perfume desagradável, de não fazer nada ou de ser metido a fazer tudo.

10 - Fica irritadíssima com as manias dos outros, mas não se toca das suas.

11 - Está sempre inventando uma ocupação para nao dar atenção a ninguém mas reclama que ninguém lhe dá atenção.

12- Enche o saco com ciúmes. Toda mulher é vagabunda e está doidinha pelo marido dela.

13 - Nunca jamais esquece uma mágoa. Perdão não faz parte do seu dicionário.

14 - Está sempre com cara fechada ou com cara de sofredora.

15 - Apesar de estar sempre com cara fechada ou com cara de sofredora, não entende porque os amigos do marido não vão com a cara dela. Nem as esposas deles.

16- Apesar de continuar com a cara fechada ou de sofredora, não entende porque o marido não a deseja. Ela quer ser desejada - só para poder reclamar depois que o marido só pensa "naquilo".

17 - Implica com todas as empregadas domésticas. Nenhuma presta: todas são burras, preguiçosas, esbanjadoras, mal criadas, assanhadas, porcas.

18-  Ninguém faz nada bem feito.

19-  Em todas as situações ela só tem direitos, nunca deveres.

20- Cobra de todo mundo mas ela mesma é uma nulidade. Não sabe fazer nada que preste.

21-  Toda vez que o marido a convida para sair,  ela  1) está cansada; 2) não tem roupa; 3) o cabelo está horrível; 4) as unhas estão feias; 5) Preferia ir a outro lugar; 06) está com cólica; 07) está com dor de cabeça;

22) Se o marido lhe dá um presente, diz que aquilo só pode ser dor na consciência. "O que você anda aprontando"?! Se não dá, é porque não a ama mais.

23) Está sempre de mal humor ou doente ou cansada. Já falei isso? Tá vendo como é chato viver repetindo as coisas?

24) Nâo vai na casa da sogra porque ela tem todos os defeitos do mundo - mas a mãe dela é perfeita.

25) Só seus parentes prestam;

26) Tem mania de limpeza. Aos seus olhos tudo é sujo e nojento. Ela poderia trancar-se em um quarto esterilizado, mas prefere azucrinar a família.


27) Odeia hotéis porque lá é tudo sujo.

28) Odeia motéis porque lá é tudo sujo

29) Odeia se hospedar na casa dos outros porque lá é tudo sujo.

30) Ninguém pode pegar no seu bebê porque todo mundo é muito sujo.


31) "Aquilo" também é muito sujo.
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sábado, 18 de junho de 2011

Não quero ouvir falar


HOJE:
  1. Não quero ouvir falar em "redes sociais". Estou a um passo de me descadastrar de todas. Encheu. 
  2. Hoje quem for meu amigo não me venha contar "a última do Supremo Tribunal Federal". Não quero saber.
  3. Também não me interessa:  a última do Governo, a última da Dilma, a última dos bandidos nem dos maconheiros nem dos homossexuais nem de ninguém.  
  4. Não me explique nada hoje. Estou desconfiando de tudo que você me diz.
  5. Não me interessa a nova lista dos alimentos cancerígenos. Todos sabemos que tudo dá câncer. 
  6. Não quero saber os dez pontos mais violentos da cidade nem qual o mais novo golpe na internet. .
  7. Não quero ouvir as palavras: "sustentável", "cidadania", "conscientização", "discriminação", "ecológico", "reciclável", "aquecimento global", "nova lei" nem "ressocialização". Cheeeeeeegaaaaa desses papoooos!
  8. Não quero ouvir falar em dieta. Hoje quero comer muita jujuba. Adoro jujuba e vou comer até minha língua ficar colorida.
  9. Hoje não me mande anotar nada. Não quero anotar: quero "desanotar".  Estou a fim de exorcizar minha agenda para me livrar de todos os fantasmas. Chega de figurante
  10. Hoje não quero ouvir críticas. Só recebo críticas a partir da semana que vem, em duas vias, papel timbrado e firma reconhecida.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Criaturas desprezíveis


Vagando pelo mundo virtual dei de cara com esse texto legal do Bêbado Gonzo, que fala sobre pessoas detestáveis, das quais é melhor manter distância. Eu li, achei interessante e resolvi fazer minha própria listinha. Na verdade o que apresento abaixo é só um couvert porque a lista é grande.

1)  O MALDOSO - Quero distância do sujeito MALDOSO. Se existem duas maneiras de interpretar o que você fez ou o que você disse, o maldoso sempre interpreta da forma mais suja, nefasta e prejudicial à sua imagem. E depois compartilha sua opinião com todo mundo.

2) O SUPERSENSÍVEL - Sensibilidade é uma virtude, mas transformar-se em refém da sensibilidade alheia não é nada agradável. Para não magoar, você é obrigado a ir onde não quer, comer o que não gosta, dizer o que não sente, mostrar um estado de espírito que não é o seu e tratar como amigão alguém que não tem nada a ver com você. Só há um antídoto contra o ultrasensível: é o troglodita. Se você não é um troglodita, afaste-se do "floquinho de neve" ou você vai para nas mãos de um terapeuta por conta de um sentimento de culpa crônico. Ao lado do supersensível, o seu destino é viver de joelhos pedindo desculpas.

3) O TROGLODITA - O troglodita tem um lado bom: não está nem aí para as suas grosseria. Fique a vontade porque nada o atinge. Mas ele tem um lado ruim: não está nem aí para os seus sentimentos.   Ao contrário do que algumas pessoas pensam, troglodita não é somente a pessoa grosseira ou brigona. Enquadro nessa categoria os ENGRAÇADINHOS: pessoas insensíveis, que brincam com os sentimentos dos outros, apelidam com crueldade, ridicularizam, fazem piadas com coisas que você preferia esquecer, humilham e não medem o mal que fazem. Tudo em nome do bom humor. Não, o ENGRAÇADINHO não terá uma categoria àparte nesse post. Ele nada mais é do que um troglodita disfarçado, o tipo de gente que sempre acha que a dor que causam nos outros é frescura.

4) O DETETIVE - Você já conheceu aquele tipinho de gente que vai se chegando em nosso pedaço, demonstra sensibilidade, interesse pela nossa pessoa, é carinhoso, saca de longe nossas carências, incentiva o desabafo... e aos poucos vai juntando informação. Depois que seu dossiê está completo ele usa tudo o que você disse contra você mesmo! E o que você não disse ele torce para parecer que disse. Pela frente ele é um amor, um ser quase maternal. Por trás é uma cobra venenosa, uma pessoa de alma doente que coleciona informações porque adora jogar uns contra os outros. Cruz-credo!

5) O "CARIDOSO" - Não sou contra o caridoso, pelo contrário: admiro as pessoas boas. Mas acho que caridade é algo que VOCÊ faz pelo próximo, não algo que você constrange os outros a fazerem pelo próximo. Aí já não é mais caridade, mas auto-promoção. Há pessoas que adoram se exibir fazendo "o bem". Até aí tudo bem, essa é até uma forma muito útil de se exibir. Se todo mundo canalizasse a própria vaidade para fazer o bem, o mundo seria um lugar melhor. Exibir-se não é problema. O problema é quando o caridoso de plantão quer te constranger a fazer a caridade que ELE ELEGEU como prioritária. Não importa o que você faz pelo próximo; a única causa importante é a dele.  Se você não adere à causa do grande líder ele te chama de miserável na frente de todo mundo e queima teu filme sem dó nem piedade. Essas pessoas são as estrelas, os luminares de bondade no universo. Você é um reles que tem mais é que ficar sob a liderança deles.

6)  O SEBOSO - Assim nomeio o sujeito cuja palavra não tem firmeza nenhuma. Você não pode se apioar em nada que o cara diz porque a palavra dele é um sebo e só serve para fazer os outros se esborracharem no chão. E sabe o pior de tudo? É que todo enrolão é  super "prestativo". Pode reparar. O sem-palavra costuma ter a maior facilidade do mundo em se oferecer pra te ajudar. Quando você está tranquilo encostado na conversa dele, aí vem o escorregão.  Tenho horror a gente sem palavra mas o pior tipo de sem palavra é o "prestativo":

"- Pode deixar que às 15 horas eu estou lá!"  Aí o infeliz chega às 16 - quando chega.
"- Faço questão de te levar para conhecer minha casa de praia. E pode levar a família! Vai ser um prazer!"  Você até se anima, desmarca compromissos... e nada. Era só bafo. No outro dia o miserável só diz que "não deu".
"- Pode deixar que semana que vem a gente toca esse projeto juntos".  Aí o lazarento viaja e nem te avisa.
"- Pode ir pra festa que eu fico com o Junior".  Ele desaparece e ainda desliga o celular.
"- Paga aí e depois a gente acerta!"  Há há há.
"- Fique tranquilo que eu vou falar com ele e você vai ser contratado."  Um mês depois você pergunta e o bostinha não falou nada - nem vai falar.

7) ALFAIATE MORAL - O religioso que vive medindo o grau de moralidade dos outros. Você sente a fita métrica em cada piscada de olhos na sua direção. Credo.

8) O CARA "VIVIDO" - Homem que sabe de tudo e acha que toda mulher é uma vagabunda - menos a dele. O castigo é que geralmente a mulher dele é que é a vagaba. Deus é justo.

9) O CONTESTADOR CRÔNICO -  Não importa qual seja a sua tese: o cara vai te contradizer. E em cada argumento o tom de voz vai aumentando. Não tenho nada contra um bom debate. Na verdade até gosto bastante desse joguinho do intelecto, mas não é toda hora que a gente está com saco para exercitar o cérebro, né?

10) O GOSTOSO(A) - Sabe esse tipo de pessoa que você dá um "oi" e ela já espalha que você está a fim? Se você oferece um favor é porque está interessado. Se conversa, está interessado. Se senta ao lado, está interessado. Se pede um livro emprestado é porque está interessado. Se dá carona, está interessado. Se pede carona, está interessado. Se você ignora a pessoa é também porque está interessado e quer disfarçar. Haja saco!  O pior de tudo é que tem gente que acredita nas conversas desse tipinho.  Acho que todo "gostoso crônico" é um complexado às avessas. Resumo: não dá pra ter amizade com uma pessoa dessa.

11) O INTERESSEIRO - É aquele para quem você só vale pelo que pode oferecer a ele.

12) Politico que quer desarmar a população mas não mete a mão no vespeiro do tráfico ilegal de armas nem tocam no assunto das armas das forças armadas que vão parar nas mãos dos bandidos.

E por aí vai. A lista é grande. Complete-a.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pulcrícomo - vela nele!

Pulcrícomo é um cara que tem uma formosa cabeleira.

Você já ouviu alguém xingar chamar alguém de pulcrícomo? Não? Nem eu.

Acho que o idioma deveria dar o exemplo e começar a se livrar dos termos que não servem para nada. Poderíamos começar a "emagrecer" nossa vida livrando-a de toda sorte de pesos inúteis. Minha sugestão aqui é que comecemos pelo dicionário.

Nada como um dicionário fininho, esguio e elegante, com o corpitcho dobrável como o de um atleta.  Sumam com aqueles dicionários que mais parecem um frigobar. São morada de traças e ainda por cima a capa descola das páginas quando são muito folheados.

Claro que existem os modelos enxutos, mas são considerados incompletos. Porque não considerar inexistente, daqui por diante, todas as palavras que não constem nos dicionários resumidos? Para mim os "incompletos" são os mais completos. Os outros são apenas gordos.

A vida começaria a se tornar bem mais simples a partir daí. Essa mentalidade prática e desapegada atingiria muitos outros assuntos. Claro! Porque assim como uma mente enrolada enrola tudo, uma mente "cleam" descomplica tudo o que for atingido pela luz da sua reflexão.

Todos nós seríamos mais felizes com um dicionário mais fino, pois ele seria a promessa silenciosa de descomplicações futuras. Defendo essa tese.

Há palavras que, se um dia foram utilizadas, esse dia se perde na poeira de um passado remotissimo. Essas palavras estão lá, enfileiradas e caquéticas fazendo número e gastando nosso oxigênio. Pra quê? Vejo-as ansiosas, mãos tremendo, doidinhas para serem acionadas. Estão crentes que ainda servem para alguma coisa. Acabemos com o sofrimento delas!  Minha clarividência enxerga essas velhas ossudas e ressecadas escovando os dentes todos as manhãs e penteando seus ralos cabelos em movimentos lentos e exasperantes. Tudo debalde. Elas acham que têm algum direito à vida só porque obedecem à ordem alfabética. Coitadas. Mal sabem que um simples "enter" numa caixa de pesquisa é suficiente para encontrar qualquer coisa perdida no planeta.  A esperança delas me incomoda porque é vã. Jamais voltarão a ser acionadas nem por um pobre poeta carente de rimas.

Sustento que deveria haver funerais para as palavras. Acho que é uma maneira digna de nos livrarmos delas. Penso em uma cerimônia simples, talvez na Academia Brasileira de Letras. Eles não se negariam a isso, pois cada integrante construiu sua glória pessoal justamente em cima das palavras, então têm mais é obrigação de fazerem uma bela despedida.

Os homens usariam terno e gravata. As mulheres, qualquer coisa que combinasse com isso. Tudo não levaria mais que trinta ou quarenta minutos. As honras e despedidas seriam dadas a todas as palavras palavras aposentadas (esquecidas, ou impraticáveis, ou envelhecidas, ou inúteis, ou ... chamem como quiserem).  Os imortais, em nosso nome, se despediriam dessas palavras mortas para sempre. Não sem louvar-lhes o poder expressivo ou sonoridade agradável. Não sem lamentarem seu desuso, chamando a atual sociedade de simplista e sem afeição pela cultura e a beleza. Não sem se mostrarem pasmos com as mentes ralas da atualidade.

Poderia ser feita com antecedência uma pesquisa para confirmar se de fato elas eram mesmo palavras perdidas e deixadas de lado.

Quem sabe um singelo poema poderia ser composto utilizando-se essas palavras pela última vez?  Seria o momento tocante da cerimônia. O celebrante pronunciaria cada uma delas pela derradeira vez, pausadamente. Enquando isso fosse feito, uma vela seria apagada. Uma vela para cada palavra falecida. Mais um breve agradecimento pelos serviços prestados ao idioma... e adeus.

Depois disso as falecidas seriam excluídas das próximas edições dos dicionários da língua portuguesa. Qualquer gaiato que resolvesse utilizá-las dali por diante perderia ponto em sua redação (por exemplo) por estar utilizando um termo inexistente que nem para neologismo serve.

Sim, isso é mais que necessário. Quem me conhece sabe que tenho o cacoete emocional de atribuir personalidade aos seres inanimados. Não estou de todo convencida de que nossos irmãos inanimados não tenham sentimento nenhum.  Também não sei se palavras podem ser chamadas de seres, mas pouco importa. Elas ganham volume e formato em nossas bocas e livros, então têm qualquer coisa de "corpo-existente". Se ninguém se convencer de que as palavras são seres, a cerimônia será realizada assim mesmo, mas em respeito aos sentimentos das pessoas "tipo eu".

Coquetel ao final da cerimônia? Acho que sim. Os imortais vão considerar interessante contar com essa movimentação em suas agendas.

E tem mais: poderíamos estender essa "limpeza de armário" à todos os setores da nossa vida. Do armário propriamente dito a tudo o mais. Por exemplo:

1- "Ficante" que você não vai usar mais - vela nele. Pra quê guardar telefone?
2- Pessoas que não foram legais, sumiram do mapa e você nem sabe se ainda estão vivas. Vela nelas!
3- Sonhos sem cabimento - vela também!
4- Más poesias cometidas no passado - idem.
5- Mágoa e traumas já comentados, trabalhados, analisados e chorados. Chegaaaaa!

E por aí vai.

sábado, 16 de abril de 2011

Eu quero minha ilusão de volta!

Fiquei muito triste esses dias quando descobri o que eu já deveria saber. Sabe quando a gente sabe que está errado mas nem quer pensar nisso? E fica furioso quando ousam tentar abrir nossos olhos? Sim, você sabe.


Todos já tiveram um amor bandido que não valia nada...  mas era tão bom acreditar que valia! Ou uma "amizade" dos infernos. Sim amigos, algumas ilusões são doces e inocentes.


Mas do que é que estou falando mesmo? Estou falando da dor de descobrir que não moro em um planeta bonitinho. Você deve ter visto na TV. Os paparazzi tiraram fotos da Terra quando ela estava acabando de acordar. Sem maquiagem, sem nada, o que nos resta é a realidade. Tirem as crianças da sala: nosso planeta é uma enoooorme batata, disforme e mal ajambrada.  Vejam com seus próprios olhos:



Uma fruta murcha, meio podre, decadente. Ai, essa imagem me fez tão mal!   De repente morar na Terra perdeu todo o charme. Se eu encontrasse um ET por aí e ele me perguntasse onde moro... juro que eu ia desconversar. Ninguém precisa saber que sou favelada.


Amparem-me porque alguma coisa se quebrou dentro de mim.

Poxa, a Terra era tão redondinha e simpática até um dia desses!  Eu me sentia integrando uma espécie de nobreza do universo, a única espécie a habitar a área vip e ter consciencia disso. Sim, porque as tartarugas não sabem nem que existem. 

Ah, um lugar construído com tanto bom gosto! Um planeta redondinho, chique, matizado de branco, todo certinho e flutuante arrastando atrás de si bilhões de litros de água, ora azuis ora verdes.  A Terra, conforme eu achava que era, parecia abrigar pessoas predominantemente boas e cheirosas, até bonitas.  Naquela serena imensidão eu via florestas, pássaros, peixes curiosos, esperança, montanhas geladas, crianças com laçarotes, bolo de fubá. Agora, olhando para essa bola-de-futebol-de-moleque-de-periferia, sinto um certo desgosto. Sinto que baixei de nível.  Estou empobrecida na mesma medida em que meu planeta é feio.

O que os ETs vão dizer de nós?

O que vejo agora são grades retorcidas, carros enferrujados, lixo, guerra, mofo, gente suada e tênis com chulé. Que decadência!

Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas lá vai: eu preferia a minha ilusão. Acho que vou entrar com uma ação por danos morais. Ninguém tem o dierito de me dar um choque de realidade assim, sem um mínimo de preparação.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Kauna ja kateus

Bem que a Bíblia nos adverte contra "as paixões da mocidade". Com razão, com razão. Mas só recentemente fui parar de relacionar esse assunto com assuntos de Romeu e Julieta.

Paixão é um estado doentio que pode estar relacionado a uma infinidade de assuntos e pode melar toda essa tal infinidade. Defino a paixão como "gripe da alma":  um estado deplorável no qual a pessoa tem a sensação de que o mundo é pequeno demais  para aquela coisa imensa que ela está sentindo e que se não der certo ela vai morrer daqui-prali. É  portanto uma fase de debilidade mental. Por esse motivo muito já se falou a respeito - então chega.

O que tem me encasquetado ultimamente é que não é só a paixão romântica que nos emburrece e surrupia o juízo. Dois outros estados mentais enganosos são o RESSENTIMENTO e a INVEJA.

Assim como o apaixonado, o ressentido não sabe mais o que sente. Está doente e não vê nada direito.  Geralmente ele vai colecionando pequenas ofensas como quem junta punhados de areia na praia e depois monta um monstro. Aí passa a acreditar que aquele monstro existe, mas é tudo construção da mente dele. Pode ser uma ofensa só mas não importa: sejam muitas ou seja uma só, ela cresce como pão no forno e toma forma e tamanho que nada tem de real.

Os bons conselhos de Deus (Bíblia)  jamais visaram nos tornar bonzinhos pela simples finalidade de sermos bonzinhos. Deus não precisa das nossas bondades - ele vai muito bem, obrigado.  Acreditar que, seguindo suas orientações, estaremos lhe prestando algum serviço é um equívoco. A questão é que ele só não quer que quebremos a cara. A Bília toda pode ser resuminda em: "Eu tô avisando!"

Não importa o quando a outra pessoa mereça seu desprezo ou amor: se você tem idéias fixas em relação a ela (paixão, ressentimento, inveja...) você vai deixar de entender as coisas mais importante do mundo: quem você é, o que realmente sente, o que de fato você quer da vida.

O ressentido vive uma ilusão e quem vive uma ilusão a respeito dos outros também está iludido acerca de si mesmo porque o que pensamos que somos tem a ver com o que pensamos que o outro é. Se ele é um monstro, eu sou uma pobre vitima. Se ele é o máximo, perto dele eu me sinto reles.

O ressentido remói um "passado que não mais existe". Ele se fixa numa imagem do que não há e isso encobre o que ainda é. Aí é que está a maior mancada. O ressentido pensa que não ama, pensa que não precisa, pensa que não errou, pensa que quer outra coisa... mas tudo é "efeito estufa" causado pela nuvem de ressentimento que não deixa a temperatura mental resfriar o suficiente. Não é um estado melhor nem mais razoável do que o do apaixonado. Veja: como você só pode tomar decisões acertadas com base no que existe, imagine a porcaria que dá comportar-se tomando como ponto de partida  um cenário imaginário.

Inveja é a mesma coisa: é viver em cima de uma miragem. Você jura que o próximo é tudo aquilo que você pensa que é. Por conseguinte , quer ser como ele. Como a imagem que vê não é real, resta o seguinte: quem tem por ideal o nada, nada será. Seja feita a sua vontade!

Já parou pra pensar que seu próximo não tem tudo o que quer, não é tao feliz quanto você pensa, nem tão bem sucedido? Talvez a inteligência que você lhe atribui ninguém no trabalho dele enxergou. Já pensou que a pose que ele tem seja talvez seu único tesouro?

Por essas e por outras excomungo tudo o que me reduz a capacidade de julgar. "Fugir das paixões" é fugir das ilusões e viver só de verdade. Ilusão, de certa forma, é uma variação de "paixão" porque a pessoa se apega àquela "verdade" com igual cegueira.

Depois que a paixão (ou sentimento persistente) arrefece, dá até vergonha de encarar o tamanho do equívoco.

Pra você e pra mim desejo aquilo que nossas avós sempre diziam: JUÍZO!

Explicando o título dessa postagem: "Kauna ja kateus" quer dizer RESSENTIMENTO E INVEJA em finlandês.

domingo, 10 de abril de 2011

É proibido tocar!

Sou daquelas pessoas chatas que quando vai a um local com música ao vivo, presta atenção à música. A maioria só quer bater papo e fazer barulho.

O fato é que, se há música,  não consigo me desligar dela. E quando há a famosa "voz e violão" e o carinha ataca com Flor de Liz, já sei que não vai prestar. Já pego meus trecos e parto pra outra.

Há uma lista de músicas de barzinhos que ninguém aguenta mais. Deveriam proibir a execução de uma vez por todas. O bom músico pesquisa e ensaia coisas novas. Ou as compõe.

Chega um momento em nossas vidas que já não interessa mais a qualidade da obra, se é um obra de arte ou obra de doido, se foi Deus que compôs ou se foi a Joelma. Tocou demais, torrou o saco, eu condeno.


Vou dar uma dica a todos os músicos da noite:  se você ainda não notou, informo que o repertório de músicas brasileiras aumenta absurdamente todos os anos. Nada justifica que vocês nos molestem com  Dia Branco, Tarde em Itapoã e outros lero-leros. Largue de preguiça!  Mas caso vocês ainda consiga ter dúvidas a respeito de quais as músicas que já deixaram de entreter e passaram a molestar, observem a pequena lista de "expulsa freguês":

1- FLOR DE LIZ
2- DIA BRANCO
3- MARINA MORENA
4- COMO UMA ONDA
5- PINTURA ÍNTIMA
6- ESPANHOLA
7- FOLHETIM
8- NEGUE
9- GAROTA DE IPANEMA
10- TARDE EM ITAPOÃ
11- SAMURAI
12- XODÓ
13- CHEGA DE SAUDADE
14 - DE VOLTA PRO ACONCHEGO
15- VOCÊ É LINDA
16- SAMPA

Se você lembra de mais alguma, complete a lista. Com a palavra, o leitor:  ...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adeus, dia!

É noite e estou cansada. Tentei ver um filme e cochilei.

Sim, estou com sono mas ainda assim, não sei por quê, reluto em me despedir do meu dia.  Hoje eu não queria dizer "adeus" para esse conjunto de 24 horas e um monte de minutinhos enfeitados de segundos.

Esse dia está me parecendo tão ímpar, tão misterioso naquilo que me oculta! Alguma coisa eu não soube, alguém não veio, algum segredo aconteceu, uma cena eu perdi, uma boa sorte me sorriu pelas costas.

Há dias em que a gente nem percebe o seu fim e até torce por ele, mas há outros em que isso incomoda. Hoje é como um filme que a gente sabe que está acabando mas sente que está faltando aquele fecho, aquela última e decisiva cena, então fica esperando...

Hoje o meu dia está parecendo um filme francês, desses com final bobo onde todo mundo pergunta "e aí?"

Parece que faltou uma coisa... ou que ela ainda vai acontecer mas só se eu souber esperar. Se dormir perco a cereja do bolo. Estou com sono e com pena de abandonar assim todas as pérolas, todo o fecho dessa pequena história de 24 partes e ficar com um bolo sem cereja.

Vão-se as minhas pérolas. Vão-se as chances. Morro hoje, amanhã ressuscito.

Talvez, quem sabe, só o que faltava era eu escrever esse texto.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Auto estima

Desde que tive a infeliz idéia de "dar uma ajeitada" em meu cabelo e entrei em um maldito salão há uns três anos atrás, perdi de vez os meus cachinhos.  Hoje o meu cabelo está acabando com a minha auto estima. De lá pra cá nunca mais fui a mesma.  Agora, em um lance de desespero, peço a opinião do leitor. Aqui abaixo vão algumas opções para um novo penteado. Eu confio em vocês.







segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Maysa, a ditadura do riso e a terapia do choro

Só agora estou assistindo a mini-série Maysa porque não aguento assistir TV. Comprei o box. E chorei.

Há, na vida, um chorar gostoso. É quando nos deixamos levar pela emoção, uma emoção qualquer, sem receio de sermos observados. Não é o chorar de tristeza nem de desespero ou solidão. É a comoção consciente, permitida e saudável. É abandonar a alma, como um barquinho, em uma correnteza conhecida e sem riscos.

Todo mundo tem que chorar vez por outra, se não a alma resseca. Porque no dia-a-dia costumamos colocar nossa sensibilidade de lado para não desesperar. Como por exemplo o médico, que não pode se deixar levar pela tristeza cada vez que  que vê uma desgraça.  Sim, médico, o policial, o advogado, o psicólogo, o assistente social, o professor, todos precisam chorar. Precisam de uma música, um livro, um box de filme, uma cena qualquer.

Nesses dias ralos que antecedem  o fim do mundo (é isso mesmo que eu disse)  estamos vivendo a ditadura do riso. No desespero do nosso presente, decidimos que rir é imperioso porque rir seria despistar a dor. Mas é mentira. Rir não despista, apenas muda a dor de compartimento. E por falta de "escoar" ela acumula e acaba doendo escondido.  Sabe aquele tédio, aquela inquietação, aquela angustiazinha sem motivo? Pois é.

Antigamente os filmes dramáticos eram mais bem aceitos. Hoje eles ainda existem, mas há uma pressão enorme para se enxertar na história cenas engraçadas. Por pior que seja o drama sempre vemos  um personagem bobo, tonto, maluquinho ou malucão. Pode reparar. Isso é para que a tristeza não nos sobrevenha em estado bruto.  Aí perdemos a glória do choro.

As pessoas dramáticas ou sensíveis sempre serão consideradas dramáticas demais e sensíveis demais. No meio da desgraça somos impelidos, pelos atuais costumes, a contar algo que desvie os nossos olhos das lágrimas. Estamos ficando todos muito gaiatos. Não refletimos mais. Quando qualquer pensamento mais profundo vem, logo aparece uma piadinha para despistá-lo e nos tornar mais e mais cínicos com a vida.

Não vi gaiatice na minissérie Maysa. A dor é dor, o drama é drama. Chorei no escuro e estou muito bem, obrigada.

Todos temos dentro do peito um acúmulo de lágrimas. Deus as colocou lá e elas têm muita utilidade. Assim como não se pode tomar cerveja sem urinar, não se pode viver nesse mundo sem chorar de vez em quando. Chorar é preciso. Sofrer não é preciso. Você pode escoar suas lágrimas acumuladas olhando um quadro, ouvindo uma poesia, assistindo uma peça teatral. Mas cara, liberte suas lágrimas se não você fica engasgado.  Se você anda inquieto, sufocado, com uma certa agonia ou necessidade incessante de "fazer alguma coisa legal", talvez você apenas precise entrar em si mesmo e... chorar.

Não, a minissérie Maysa não é a melhor que já assistir. Ela não foi uma heroína nem nada parecido.  Ela está mais para um exemplo do que não se deve fazer mas não há problema. Chorar faz bem, principalmente quando você consegue sentir a dor dos desajustados, dos errados, dos que não acertam. Quando consegue é sinal de que ainda resta humanidade e compaixão em você. Ainda há uma centelha de Deus - ufa!

No aconchego do meu quarto tendo as luzes apagadas, sentindo dela a música e a dor de não conseguir ser melhor do que é, a dor de procurar alguma coisa indefinida e fugidia, de pôr tudo a perder, de querer abraçar o mundo mas ver o mundo escorrendo entre os dedos... chorei com Maysa.  E a música...  os olhos intensos... as dores... o abandono...  a beleza se esvaindo... os vexames... o mal causado...  Aliviei meu reservatório de lágrimas e hidratei um pouco a minha humanidade.

Você precisa chorar. Vai te fazer bem. Depois me diga. Eu não conto pra ninguém.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Todo amor

Trecho que uma carta minha a um amigo:


... Eu acho que TODO AMOR DEVE ACONTECER. Tipo: amor é como uma vela, que nasceu para ser queimada. Ele TEM QUE ACONTECER, nem que seja para acabar. Senão, o amor não nos dá sossego.  Negá-lo por medo ou por outro motivo qualquer é como fazer um aborto. Sério. É assim que vejo. Um amor que não se tornou pleno nem se gastou na vida, é um amor que acaba virando fantasma, nos perseguindo para sempre...  Há coisas na vida que simplesmente TEM que acontecer e pronto...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ACÍDIA E CURIOSITAS

ACÍDIA E CURIOSITAS? Que raio é isso?

Aqui abaixo repito com as minhas palavras o que o blog Historia Viva comenta sobre o tema.  Reflitam, oh néscios!

Há um desejo de ver que acaba pervertendo o sentido original da visão. A finalidade da visão é perceber a  realidade. Só que a tal "concupiscência dos olhos" ("curiositas") é o desejo vazio de ver por ver, sem interesse algum em perceber a realidade. É então uma perversão do desejo natural de conhecer. É o olhar do tolo.


Agostinho diz que a avidez dos gulosos não é de saciar-se, mas de comer e saborear. O mesmo se pode dizer da curiositas (concupiscência dos olhos), que gosta de ver sem o desejo de penetrar na verdade, mas só de se deixar levar pelo mundo, sem rumo, sem finalidade e, por fim, sem proveito.


Tomás de Aquino mostra que a curiositas é uma vagabundagem mental que leva à dissipação do espírito. Como assim? Vou explicar: a pessoa se torna vazia, nula, fútil, sem conteúdo.  Essa pobreza de espírito a leva, necessariamente,  ao colinho de outro mal: o sujeito cai na acídia.  Ô desgraça!


E o que é acídia? Ah, isso também muitos de nós sabemos. Acídia é aquela tristeza modorrenta do coração, aquele tédio interior. É quando, mesmo inconscientemente, o sujeito não se julga capaz de ser tudo aquilo para o qual ele foi criado. Ou melhor: acha que não tem como desfrutar de todas as suas possibilidades como ser humano. A pessoa se sente condenada à nulidade, incapaz de um feito importante. Essa modorra (essa palavra é boa!) tem cara fúnebre e cria um ciclo vicioso:  a vagabundagem dos olhos leva a um profundo tédio interior e à ânsia desesperada por diversão (justamente para fugir do vazio).  A diversão só socorre o sujeito por um pouco de tempo; aí ele cai na modorra de novo. Muitos acabam lançando mão do uso de drogas, para aliviar-se da secura interior.


A vagabundagem visual/mental é um repúdio às próprias possibilidades do ser. É se conformar com a mediocridade.


A acídia manifesta-se assim, diz  São Tomás de Aquino: 


1) Primeiro vem a "dissipação do espírito" (dispersão, diluição. O mundo não está cheio de gentinha rala, sem conteúdo, que só fala abobrinha? Pois é.) 


2) A 'dissipação do espírito' manifesta-se, por sua vez, na tagarelice, na vontade indomável de distrair-se ("sair da torre do espírito e derramar-se no variado"), numa irrequietação interior, na insatisfação insaciável da curiositas.

3) Desespero:  assim como o apetite pode degenerar em gula, o desejo de conhecimento também pode degenerar em "curiositas". A perversão do desejo de conhecer pode significar que o homem perdeu a capacidade de "habitar em si próprio". Cruel.   Aí a vida da pessoa se resume em procurar, com disfarçada angústia, mil caminhos para alcançar um bem-estar que só a  serenidade de um coração senhor de si pode alcançar.  


Uma vida inteiramente vivida é o que todo mundo quer. Mas a pessoa que se abandona à curiositas não tem realmente vida, apenas é levado pelo vento. Então seu destino é ir mendigando pela existência para ver se consegue ter a sensação de que goza uma vida intensa, quando na verdade nem sabe o que é isso.


Não é assim mesmo que acontece? E não é sábio entender que evitar a "concupiscência dos  olhos" não é um favor que se faz à religião, mas a si mesmo?


As crianças evitam o mal por obediência ou medo; 
O ser adulto o evita por entender o que ele realmente significa;
Os tolos simplesmente não o evitam.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quarenta e cinco reais!


Caramba, eu paguei isso pra assistir um filme? Paguei. Mereço 45 açoites.

Fiquei es-can-da-li-za-da  quando vi o preço mas uma estranha força me levou a ir até o fim na empreitada. Paguei.  KINOPLEX é o nome do bicho. Um cinema metido a cinema de luxo, com a assinatura de um tal Severiano Ribeiro.

Antes de entrar na sala de projeção temos um hall de espera com pufs, lustres modernos, toalete bonito. Você sabe que gosto dessas coisas, né. Sou uma fraca mesmo...  Lá dentro as poltronas são enormes com todo conforto que você acha que merece. Bem, por 45 reais eu achei que merecia mesmo.

Entrei e sentei em minha poltrona numerada, revestida de couro, com lugar para esticar as pernas. Daqui a pouco senta ao lado uma moça. Passados uns minutinhos entra uma garçonete trazendo uma bandeja com as pipocas da moça, o refrigerante, guardanapo, - kit completo. É mole ou quer mais? Eu também quis ser servida porque (repito) como vocÊs sabem, sou uma fraca e gosto muito dessas coisas. Comprei água e o copinho era daqueles descartáveis transparentes, mais caros. A bandeja com o "combo" de pipocas era diferente daquelas que você conhece. As pipocas podem ser saborizadas e vem com recipientezinhos com manteiga líquida. Vi também que eles oferecem a opção de uns outros líquidos coloridos para jogar na pipoca mas eu não descobri o que eram, então não posso contar pra vocÊs.

Eu estava pagando pelo quê mesmo? Pelas poltronas? Não. Pela garçonete tazendo pipoca? Acho que também não. O filme? Não, se fosse só pelo filme eu poderia me dirigir ao cinema ao lado.

A gente paga por ilusão. Somos todos uns bebezões.

A gente paga pra fazer de conta que somos finos, elegantes, que pertencemos a uma estirpe distinta, acostumada ao luxo e habituada a ser servida. Ha ha ha! Tudo mentira mas a gente entra no jogo. Pagamos e os figurantes se comportam direitinho, como se eles também fossem habituados a tratar com a alta "soçaite". Ha ha ha de novo.  A brincadeira é a de que estamos perfeitamente dispostos e aptos a pagar pelo luxo e que isso é coisa corriqueira, tão natural que seria impensável a vida sem essas e outras mordomias. Pagamos pela brincadeirinha de fazer de conta que só o que é de melhor pode nos tocar e nos satisfazer.

Todos sabemos: não somos nada disso. Todos já experimentamos tomar banho em um cubículos de 50 centímetros quadrados. Todos já convivemos com copos de geléia pra beber suco, com lençóis 90% poliéster, com os bandejões da vida, o pneu careca há meses, o crediário. E nenhum de nós gosta de jogar dinheiro fora - Deus nos livre.  Então porque entramos nessa?

Pra fazer de conta. Vida real é um prato que enjoa. Tem que dar uma variada, colocar um molho diferente e esse molho se chama sonho, fingimento, faz-de-conta. Sonhar é de graça mas se queremos a ajuda de cenário e figurante, temos que pagar por isso. E pagamos. Eu paguei.

Se vale a pena? Não sei até agora, mas que foi bom, foi.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O tempo passa...


Algumas coisas não deveriam ter mudado...

Tenho saudade do tempo em que as pessoas faziam aniversário. Era um evento, lembra?  Os presentes eram colocados sobre a cama do aniversariante... Era legal conferir as embalagens, comentar, manusear.  Hoje é tão diferente!  As pessoas não fazem mais aniversário nem completam anos. Agora elas só fazem "niver". Só "niver". "Ah, amanhã é o meu niver!"

Gente, "niver" é uma festa muito chata, cheia de patricinhas tirando foto para colocar no Orkut. Uma artificialidade só.  Confesso que não vejo graça alguma em ir a um "niver". Os aniversários não, eram datas  especiais e muito aguardadas. Os retratos produzidos na festa logo logo viravam relíquia - ao contrário das fotos atuais, que não valem um vintém. Quem faz dedicatória atrás de foto hoje em dia? Ninguém. Mas receber um retrato com alguns dizeres elegantes atrás era realmente uma distinção.

Pois é, fazer aniversário e fotografar era romântico,  algo sentimental. Fazer "niver" e bater foto é tão corriqueiro e descartável!

Lembra da bicicleta? Ah, bons tempos em que as pessoas andavam de bicicleta...  Pois eu ainda ando, mesmo estando  demodèe.

As bicicletas eram alvo de apreço, viravam quase um bicho de estimação. Tinham a cara e o cheiro do dono, faziam parte da família. Feliz era a criança que possuía uma. Era-nos permitido andar pelos quarteirões do bairro com nossa bicicleta sem problema algum e a gente a emprestava para os amigos. Todo mundo pedia: "-Deixa eu dar uma voltinha?"  Agora não sei o que houve. As pessoas abandonaram a boa e fiel bicicleta e só querem andar de "bike".

"-Você vai como?"  
"-Ah, eu vou de bike!"

Credo. Bicicletas eram saudáveis e divertidas, enquanto que as "bikes" dão até calo na bunda. Sério. Tem encha a boca dizendo que anda de "bike" como se isso fosse mais chique do que andar de bicicleta. Não é.

Eu também gostava bastante de refrigerante, mas agora a gente praticamente só encontra "refri" à venda. Tiraram o refrigerante das prateleiras não sei por quê. Eles eram muito mais gostosos do que os degenerados "refri" de hoje em dia.  Agora me diga: qual a graça de pegar uma "bike" e ir comprar um "refri"?  Ficou pesado, ficou sem graça, perdeu aquela coisa de criança, de juventude. Acho que "refri" nem mata a sede direito. E ainda amarela os dentes.

Não me convide para ir de bike tomar um refri porque eu não vou. Tô logo avisando.

Ei, e você lembra de todo aquele pessoal da galeria? A turma simples e animada que lotava os estádios, lembra?  Pois é, morreram todos. Foram substituídos pela "galera", que é um povo bem menos simpático e numeroso. A turma da galeria era imensa, colorida e animada. Já a "galera" é diferente... É um grupelho cheio de espinhas, mal vestido e com os pés enormes.  E ainda por cima se recusam a andar de ônibus. Ou eles andam de "bike" ou de "buzão". Dá pra aceitar?

Odeio andar de "buzão".  Os ônibus eram mais elegantes e ventilados, não sei se você se recorda. Dava até para iniciar um diálogo simpático e cordial com o viajante ao lado. No ônibus a gente até conhecia o trocador (ou cobrador, como queiram). Eu andava de rabo-de-cavalo no ônibus, flutuava meu olhar de relance por toda a cidade, como quem vê um cartão postal. Via chuva, via sol e descia sempre no ponto, de cabeça erguida. No "buzão" não, tudo é meio hostil e o motorista mete o pé no freio de qualquer jeito. Tô fora, prefiro ir a pé.  Até porque andar a pé é sempre uma maravilha.

Eu não disse que é "mara!" , eu disse que é uma maravilha.

Acho ridícula essa mania de dizer agora que tudo é "maaara!"   A boca fica até mole: "Essa galera é  maaara!".  Ai, que antipático!   Pra piorar, fique sabendo que "MARA" quer dizer "AMARGA", tá.

Ah coisa boa voltar do colégio a pé, acenar para o menino que vai no ônibus e torcer para encontrar com ele sábado no parque, passeando ambos de bicicleta e parando pra tomar um refrigerante.  Bons tempos. Era a minha belle epóque...

É... mesmo com pouca verba a vida já foi bem mais elegante.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Camila Pitanga - um porre

Rapidinho: é irritante. Não há uma entrevista com a Camila Pitanga na qual ela não venha atacar de preta. Acho um porre essa mania que ela tem de ficar repetindo que é negra e que acha isso o máximo. Primeiro porque ela NÃO É NEGRA. Segundo porque ser negra não é o máximo, ser branca não é o máximo, ser índia não é o máximo. Máximo é prestar, é ter caráter, é ter bom coração.

Camila gosta de ficar posando de "mulher negra que venceu na vida e deu uma banana pro preconceito." Ah, me poupe. Vai dizer pra mim que ela teve que lutar contra o preconceito? Só se foi contra o preconceito por ser bonita. O pai dela pode ser negro, a mãe, a avó, o cachorro, o papagaio, mas ela não é. Ela apenas tem sangue negro nas veias, igualzinho a 100% dos brasileiros.  Parece que ela acha que posar de "atriz negra" lhe traz alguma aura especial. Não traz, só enche o saco essa forçação de barra.  Alguém tem que dizer pra ela que negra é a Glória Maria, o Lázaro Ramos, a Thaís Araújo. Camila Pitanga é mulata. Qual o problema de ser mulata? É algo depreciativo por acaso?  "Mulata" pode não ser uma classificação científica mas você entende do que estou falando e é isso que interessa. Pra Camila faltou tinta!  Ela é branca demais pra ser preta. Se ela não gosta da cor que tem, deveria passar carvão na cara.

É o Michael Jackson às avessas...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Reflexões sobre o samba

Depois de longa observação, pesquisa e meditação cheguei ao veredicto:  samba é coisa de Deus.  Foi ele quem bolou todo o lance.   Bolou pra nos dar uma colher de chá nessa nossa vidinha você-sabe-como. Sacando nossas saudades, tristezas, sonhos interrompidos, dívidas e carências ele jogou lá do alto batuque, acordes, cadência e molejo para nos dar momentos de esquecimento e ingênua alegria.

Pois é, pra chorar ou para rir, para comemorar ou enquanto esperamos que a vida se resolva, o samba é uma lindeza ritmada, um bálsamo, um subir de degrau que a gente vai indo e de repente deixa tudo pra lá.  Ele nos eleva. Como? Não sei, só sei que é assim.  Quem já se arrepiou entende do que estou falando. Você pode começar desmotivado e chocho, mas daqui a pouco aquela coisa boa te toma, você se irmana com todo mundo e entra numa bolha de beleza compartilhada.  Tudo isso ele faz.  Talvez por esse motivo que Vinícius de Moraes tenha dito que  "o bom samba é uma forma de oração". É verdade.

Ele disse também que "o samba é a tristeza que balança". Não tenho melhor definição.   Sambar é falar de amor e de dor com graça e sorriso.  É tornar-se humano no sentido mais elevado do termo.  É tecer numa canção todos os fatos da vida, fazer uma passarela e sapatear em cima.  Viver o samba é falar de desencontro como se fosse encontro, despedida como se fosse abraço, lágrima como se fosse gargalhada.  É sonhar como se tivéssemos alcançado, rebolar como se tivéssemos graça, cantar junto como se fôssemos irmãos. O samba é o consolo de quem sofre, a união dos que não se conhecem, o beabá da paixão e sensibilidade.  É ainda a prova incontestável de que somos feitos para algo maior, seja lá o que isso signifique pra você.

Em resumo: é mesmo uma forma de oração.  É como uma mão que levanta nosso queixo e nos faz ver beleza onde não havia.

Eu amo o bom samba. O BOM samba, não essas porcarias que chamam de "pagode", onde se juntam meia dúzia de carinhas de mal gosto cantando música furreca com letras pobres. Quem só ouve esse tipo de "pagode" não sabe o que é ficar todo arrepiado ouvindo PELA PORTA ABERTA ,  FOI UM RIO QUE PASSOU EM MINHA VIDA ,  VAI PASSAR ou O QUE? É O QUE É?  Samba que não arrepia não é samba, é brincadeira de mal gosto.

Pode estar tudo ruim, mas no meio do batuque a cabeça dá uma iluminada e a gente acaba proclamando, todo orgulhoso:  

DIGA ESPELHO MEU SE HÁ NA AVENIDA ALGUÉM MAIS FELIZ QUE EU!


(E aquela postagem sobre o Marx? ah, esquece!)

domingo, 19 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mantras

Como a vida já é suficientemente séria e a minha fase de poeta angustiada não está mais rendendo  postagens, resolvi  ampliar meu leque de implicâncias. Por que ficar restrita ao Paulo Coelho? Há uma infinidade de outros coelhos esotéricos levitando pela net!


Como todos sabemos, "mantras" são frases, sons ou músicas que uma pessoa repete repete repete com a finalidade  de  bloquear todo tipo de pensamento coerente. É uma espécie de auto-hipnose que visa,  primariamente, elevar os praticantes ao glorioso nível vegetal-irracional. A prática é usada também por pessoas que queiram se submeter a um estado emocional pré-programado, geralmente sugerido por um grande líder. 

Hoje em dia, por incrível que pareça, igrejas ditas evangélicas estão adotando essa prática disfarçadamente. Por falta de conhecimento ou por excesso dele. 


Dizem  que tal esforço de concentração leva à evolução. Será? Sempre achei que evolução  tivesse a ver  com   crescimento em consciência, não em inconsciencia. Ah, quem sou eu pra falar, né?  Não vou contradizer  nenhum dos iluminados dos milênios retrasados. Vou resguardar o meu cérebro, mas sugiro que você (cobaia) vá tentando aí e depois me conte como é alcançar a luz. Mas cuidado para não queimar os dedos!


Lá vai abobrinha: 

Para que servem os mantras?

1) Para que servem os mantras?

Basicamente, um mantra é um som repetitivo, portanto chato, que os praticantes repetem até encher o saco dos outros. A finalidade é tornar-se uma pessoa melhor. Não acho que os chatos sejam pessoas melhores mas... deixa pra lá.  Além do mais se considerarmos o tempo gasto repetindo abobrinha, coincluiremos que enquanto a pessoa está ocupada zumbindo não poderá estar fazendo mal a ninguém. Já é uma evolução, concordam?  Ah, dizem também que repetir sons como um disco furado tem como objetivo "lembrar algo importante ao praticante". Eu prefiro uma agenda com anotações, mas gosto é gosto. Uma boa notícia:  você pode ter seu mantra pessoal (uau!)  desde que encontre um mestre pra te passar a tal partitura de uma nota só. Não deve ser difícil conseguir. Se tiver dificuldade, fale comigo. Faço pra você baratinho.

2) Como podemos usar os mantras na prática? Por exemplo, quantas vezes devemos fazê-los?
Você pode mantrar quantas vezes quiser, dependendo do quanto você for desocupado. Tradicionalmente, um número razoável de repetições é 108 mas se nem assim você conseguir se desligar desse mundo cruel, quadruplique isso, mas longe de mim. Ninguém merece. Outra maneira de usar os mantras é associar a sua repetição mental com a respiração, como no caso do ajapa japa, técnica que consiste em acompanhar a observação da respiração com a mentalização do mantra so’ham (li isso em algum lugar mas não entendi nada).  Não reclame; isso é bem mais cult  do que contar carneirinhos. Essa paz mental alcançada não é um fim em si mesmo (eu também pensei que fosse...) mas é um um meio para conseguir o discernimento, para preparar-se para a libertação, moksha (e eu que nunca gostei de moscas...).

3) O que precisamos fazer para entoá-los?

Primeiro: isole-se, para não ser apedrejado. O Kularnava Tantra nos ensina que há três formas de fazer um mantra: mentalmente, murmurando, e em voz alta. Poupe sua família e faça mentalmente - se é que voce  ainda tem mente. 

4) Quais são os efeitos dos mantras?
Agora você me pegou!   Queridinho entenda: segundo os mestres sagrados, o mantra é assim uma espécie de elixir milagroso: cura tudo, de unha encravada a espinhela caída. Eles ajudam a pessoa a se concentrar, entendeu? Nos primeiros 60 anos você aprende a se concentrar no vazio. Depois, quando tiver conseguido alcançar essa luz você descobre que não precisa alcançar mais nada e fica feliz da vida.  


Sério: eu li que "a mente  tem a sua própria agenda e dificilmente pode ser controlada. Se você percebe esta dificuldade na sua meditação, isso significa que sua mente é totalmente normal. Não se preocupe."   Sim, não se desespere se descobrir que sua mente é normal. Se você se dedicar bastante, em pouco tempo sua mente estará entre as portadoras de necessidades especiais.

5) Como funcionam?
Dizem que conhecer o significado do seu mantra, se você tem um, é fundamental e que mantras sem significado não funcionam - o que me leva a deduzir que nenhum funciona...

6) Por que cantá-los em sânscrito?
Porque em português você iria se desapontar.   Essa é a minha opinião. Mas alguns mestres dizem que a língua sânscrita é considerada uma língua revelada, portanto sagrada.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conceitos - por Cristina

HTML - Um mistério. (Não dá pra entender como é que vídeos, fotos, páginas ou qualquer outra coisa pode ser formada por aquela sequência tão improvável de letras.)

Tribos urbanas - Conjunto de pessoas que precisam desesperadamente se sentir diferente dos outros e ao mesmo tempo semelhantes a alguém.

Adolescente linda - uma criança que ganhou uma fortuna mas não faz a menor idéia do que fazer com aquilo tudo.

Colônia de férias - livrar-se das crianças sem ter culpa.

Workaholic - alguém muito infeliz mas que se recusa a pensar a respeito.

Carola -  alguém muito infeliz mas que se recusa a pensar a respeito.

Políticos - alguém que precisa se afastar dos humanos para alcançar seus objetivos.

Líderes espirituais - A única maneira de acreditarem que "chegaram lá" é cercando-se de pessoas que os admiram por acreditarem que de fato eles "chegaram lá."

Roqueiro -  Carega a cruz de um sentimento incômodo.

Stripper - Alguém que vive com um cronômetro em contagem regressiva pendurado no pescoço.

Policial - Uma pessoa que seca gêlo.

Juiz -  Passa a vida tentando se convencer de que fez a coisa certa.

Artista - Alguém que se dedica a mostrar aos outros que a vida é bela mesmo quando dói.

Criança - Um adulto sem medo.

Adulto - Uma criança com medo.

Perdão - A melhor injustiça que alguém pode cometer na vida.

Ódio - Um tipo de câncer.

Sexo -  O melhor que o corpo pode fazer por si mesmo a curto prazo.

Envelhecimento - Deus tentando nos persuadir de que está na hora de cair fora.

Juventude - O melhor e o pior da vida em um mesmo pacote de tempo.


Doença - Tratamento de choque para passarmos a enxergar o que nos recusávamos a ver.

Cobiça - Ódio disfarçado de desejo.

Filhos -  A aflição de amar o que lhe foge.


Esterilidade - Passar a vida imaginando como poderia ter sido.

Despedida - Nunca é a última.

Chá de calcinha - Mais um evento desnecessário só para encher o saco das pessoas .

Despedida de solteiro - prêmio de consolação para quem, segundo os amigos, está entrando numa furada.

Sogra - Mais uma mulher em sua vida para você se preocupar em não magoar.

Sogro - Não fede nem cheira. Não vai incomodar desde que você não sente na poltrona dele.

Blog - Uma oportunidade de dizer o que ninguém está com paciência para ouvir.

Tintura de cabelo - Tente se libertar. Depois me avise se conseguiu.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mulher chata

(Outro dia escreverei sobre Homem Chato)

1- Se tranca em casa (nenhuma programação a agrada) mas vive reclamando que não sai pra lugar nenhum.

2- Não quer que o filho brinque de nada que o faça suar, sujar ou cansar.  Vive proibindo, lavando e guardando o pobre moleque dentro de casa.

3 - Nenhum dos amigos do seu filho presta. São todos mal educados ou bandidinhos ou cheios de mal costume.

4- Nenhum dos amigos do seu marido presta. Todos são chatos ou cachaceiros ou mulherengos ou bagunceiros ou burros ou só falam em futebol ou só falam em trabalho ou só falam em política ou... Afe!

5- Nenhuma das esposas dos amigos de seu marido prestam: querem ser melhores do que todo mundo, só falam nos filhos ou só falam no trabalho ou são fúteis, ou são carolas demais ou são mundanas demais, falam demais, falam de menos, vivem reparando em tudo, são fofoqueiras, são velhas demais, são novas demais...

6- Nenhuma namorada de seu filho presta: são todas vagabundas, burras, vulgares e interesseiras.

7-  A mulher chata até faz o favor de transar com o marido mas é cheia de restrições. É a rainha do "aí não", "você está me machucando",  "isso é ridículo! Não vou fazer", "meu Deus, você é tarado!", "tenho nojo", "isso é coisa para vagabunda; não sou vagabunda!"  "isso é constrangedor", "isso é pecado", "ainda é cedo",  "já é tarde" ou "de novo????".  

8 - Não faz nada pelo marido. Ele tem que fazer tudo por ela mas ela "não nasceu para ser escrava". Ele nasceu.

9 - Reclama da mania dele de ler jornal, de assistir noticiários, de andar de cuecas pela casa, de não usar perfume, de usar um perfume desagradável, de não fazer nada ou de ser metido a fazer tudo.

10 - Fica irritadíssima com as manias dos outros, mas não se toca das suas.

11 - Está sempre inventando uma ocupação para nao dar atenção a ninguém mas reclama que ninguém lhe dá atenção.

12- Enche o saco com ciúmes. Toda mulher é vagabunda e está doidinha pelo marido dela.

13 - Nunca jamais esquece uma mágoa. Perdão não faz parte do seu dicionário.

14 - Está sempre com cara fechada ou com cara de sofredora.

15 - Apesar de estar sempre com cara fechada ou com cara de sofredora, não entende porque os amigos do marido não vão com a cara dela. Nem as esposas deles.

16- Apesar de continuar com a cara fechada ou de sofredora, não entende porque o marido não a deseja. Ela quer ser desejada - só para poder reclamar depois que o marido só pensa "naquilo".

17 - Implica com todas as empregadas domésticas. Nenhuma presta: todas são burras, preguiçosas, esbanjadoras, mal criadas, assanhadas, porcas.

18-  Ninguém faz nada bem feito.

19-  Em todas as situações ela só tem direitos, nunca deveres.

20- Cobra de todo mundo mas ela mesma é uma nulidade. Não sabe fazer nada que preste.

21-  Toda vez que o marido a convida para sair,  ela  1) está cansada; 2) não tem roupa; 3) o cabelo está horrível; 4) as unhas estão feias; 5) Preferia ir a outro lugar; 06) está com cólica; 07) está com dor de cabeça;

22) Se o marido lhe dá um presente, diz que aquilo só pode ser dor na consciência. "O que você anda aprontando"?! Se não dá, é porque não a ama mais.

23) Está sempre de mal humor ou doente ou cansada. Já falei isso? Tá vendo como é chato viver repetindo as coisas?

24) Nâo vai na casa da sogra porque ela tem todos os defeitos do mundo - mas a mãe dela é perfeita.

25) Só seus parentes prestam;

26) Tem mania de limpeza. Aos seus olhos tudo é sujo e nojento. Ela poderia trancar-se em um quarto esterilizado, mas prefere azucrinar a família.


27) Odeia hotéis porque lá é tudo sujo.

28) Odeia motéis porque lá é tudo sujo

29) Odeia se hospedar na casa dos outros porque lá é tudo sujo.

30) Ninguém pode pegar no seu bebê porque todo mundo é muito sujo.


31) "Aquilo" também é muito sujo.