Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Catedral Metropolitana de Belém


Há uma (só uma?) injustiça no Norte.
Quando se fala em Belém do Pará logo se nota que um dos grandes orgulhos da cidade é a Basília de Nazaré. De fato trata-se de uma igreja belíssima, de encher os olhos. Teria que vender no mínimo umas 500 "catedrais" da Igreja Universal pra render uma única Basílica.  É mole?

Nessa fixação de Basílica a gente até esquece que em Belém temos outra jóia de valor semelhante: é a Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como Igreja da Sé.   Engraçado: por fora é tão simplesinha! Ao contrário da Basília, que é pomposa desde a casca. A Igreja da Sé é quanse humilde se apreciada a partir da praça, mas entre. Meta a cara!

Foi restaurada recentemente. Eu estava passando por lá esses dias e resolvi entrar, assim como quem não quer nada. Fiquei surpresa. É bela, muito bela. Ouvi gente dizendo que acha até mais bonita do que a badalada Basília de Nazaré. Olha, fiquei em cima do muro. O altar é imenso, suntuoso, bem maior do que o da Basílica.

E dizem também que a Igreja do Bonfim, em Salvador, não chega aos pés. Eu acredito. O Nordeste sabe muito bem fazer propaganda de si mesmo (e eles estão certos!) mas se a gente for checar, nem sempre as coisas são assim tão magníficas quanto eles dizem.



As pinturas da igreja estão com o aspecto fresquinho, como se tivessem sido "pinceladas" um dia desses. As estátuas de santos dão gosto de apreciar.  Uma beleza, sem falar no magnífico órgão de tubos lá em cima. Quantas igerjas tem um órgão daqueles?


O Pará tem uma beleza muda, só pra si, quase intocada. Não sabe se vender, não conhece ainda essas malícias turísticas. Nem sei mais se isso é defeito...


Visite. Ainda é de graça.

sábado, 1 de maio de 2010

Bar Casa do Gilson

Sou fã do Bar do Gilson. Recomendo pra todo mundo, faço propaganda, elogio. Estou até pensando  em requerer uma parcela dos lucros. A música é da melhor qualidade, comidinha beleza, cerveja gelada. É ponto tradicional na cidade apesar da simplicidade do ambiente.

Tudo bem, tudo certo, só que esses dias me invoquei. Motivo? Aqui vai a lista:

1- Se for à tarde saiba: o calor chega a ser desesperante. Não corre um mísero vento!!! "Constam" ventiladores: todos impotentes. Tudo bem, o dono não tem culpa pelo calor mas só pergunto: você quer mesmo ir lá a tarde?

2- Dois garçons para um monte de gente. Eles até que se esforçam, de verdade, mas NÃO FUNCIONA. Uma dificuldade para conseguir fazer um pedido, um sufôco para recebê-lo; uma eternidade para conseguir uma cerveja, um ódio para receber a conta. Apesar da educação e grande simpatia dos garçons, o quesito "atendimento"  está mesmo prejudicado. Quando fui, os dois até que corriam e se viravam para dar conta mas não tinha como.  Aqui a culpa é do dono: cara, contrate mais gente!

3- Os músicos, como todos sabemos, são maravilhosos mas...  É mais de hora para afinarem tudo e começarem a tocar alguma coisa.  Pressa zero.  Fazem tudo a passos de cágado. Depois que finalmente começam a tocar, ainda assim, para cada dez minutos tocando é outro tanto para reafinar, conversar, coçar o saco, beber...   Eles não se estressam meeeeesmo. Quando a gente está viajando naquela música maravilhosas eles param. Param toda hora! Aí afinam de novo, conversam, tomam uma, sei lá mais o quê.  Quebra o clima!  E você há de convir: ficar  grande parte da noite ouvindo ruídos de afinação e remeximento de instrumento nao é lá muito agradável (blem-blem-blem... tum-tum... pi-pi-pi...).  Enche o saco.  Agora é verdade: quando eles recomeçam é tudo tão perfeito que a gente até perdoa.

Ou seja: perdoei os caras umas  25 vezes só naquela ocasião.  Tá bom, reconheço que essa reclamação é meio cara-de-pau porque a casa, incrivelmente!  não cobra couvert artístico.

4- Quase todas as cadeiras são de "ferro" e todas meio tortas, inclinadas para a frente. A gente senta e vai escorregando. É uma luta inglória a noite toda tendo que se equilibrar. Ô brincadeirinha cansativa! Ao final fiquei acabada, com dor nas pernas, nas costas e a bunda dormente.

Disso tudo o pior mesmo é o atendimento.

Já estive várias vezes no Gilson mas depois da última...  eu já cansada e implorando por atendimento, vou pensar duas vezes antes de retornar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fundo Reino

Assisti esses dias a peça Fundo Reino, no teatro Waldemar Henrique (Belém/PA). Pense numa peça chata.

Nota introdutória: quem sou eu? Nada mais que uma reles mulher do povo, uma expectadora com o grau de inteligência quase menos que mediano; uma pessoa que não sabe discorrer com erudição sobre teatro e que não é digna nem de desatar as correias das sandálias de Walter Freitas. Só posso falar, muito encabuladamente, das minhas simples e rasteiras impressões.


Devidamente humilhada passo a contar-lhes as minhas impressões:

Li que o espetáculo é o " resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz etc e tal."  Noooossa!
Sabe o que isso quer dizer? Que Walter Freitas é uma pessoa especialmente inteligente, culto, talentoso e inspirado e que este trabalho dele só pode ser acessível às pessoas igualmente acima da média. No final das contas concluo, desolada, que estou muito aquém de tudo aquilo. Sabe, não alcancei a magnitude da apresentação. Saí de lá enfadada.

Noves fora, é isso.
Mas o texto era ruim? Não!!! Pelo contrário: brilhante. Isso mesmo. As falas rimavam de forma criativa e graciosa, uma coisa muito interessante, principalmente quando a gente conseguia entender o que os atores falavam, porque não havia palco. A história foi encenada numa "arena", com o público ao redor. Sendo assim, de vez em quando os artistas ficavam de costas para a gente.

Os atores eram ruins? Não! Eram bons mesmo. Vai aqui uma menção mais que especial à moça magrinha que interpretava a filha de Antero. Acho que o nome é Wellingta Macêdo; e também à Pauli Banhos, que interpretou a Viúva Zulmira. Só pude concluir que eles não tiveram culpa, pois apenas fizeram - e bem - o que mandaram eles fazerem.

E o que mandaram eles fazerem?

Os artistas, devidamente enfeiados pela produção, fizeram a sua parte nessa esquisitice visual: faziam caretas, muitas caretas.

Não havia cortina nem entra e sai de personagens. Eles permaneciam o tempo inteiro no palco, mesmo se não estivessem todos atuando.  Nesse ínterim penso que poderiam se retirar para retornar depois, poderiam sentar na platéia ou dormir. O que não consigo entender é por que eles todos ficavam o tempo INTEIRINHO fazendo caretas para nós e uns para os outros. Saco!  Pensei: "qual seria o significado profundo dessas macaquices?"  Sei lá.   Era assim: Se havia uma dupla atuando, os outros matavam o tempo se contorcendo, circulando pela "arena" tortos, capengas, com cara de inimputáveis. Um desfile de horrores, contrangedor e sem graça. Em alguns momentos imaginei que eu estava em um hospital psiquiátrico. Sério!  Sem falar nos gestos ao ar, na maioria das vezes sem sentido algum. Agitavam os braços, catavam borboletas imaginárias, desfiavam cortinas inexistentes e sei lá mais o quê. Só sei que não queria dizer nada.  E se queria dizer, ficou só na boa intenção. Faltou clareza o tempo todo.

Há mais outros detalhes desagradáveis, mas vou ficar só por aqui.

Fico imaginando se peças como essa não respondem à indagação de alguns artistas amargurados: "por quê será que o povo não prestigia nosso teatro?"  Bem, eu sou povo e estou cantando a pedra procês. Não dá!

Já assisti peças nas quais as pessoas falavam umas com as outras, havia começo meio e fim, diálogos esclarecedores ou um narrador caridoso, gestos com razão de ser, choro ou riso dentro do contexto. Ah como era bom...

De qualquer forma sempre achei que os artistas queriam se fazer entender. Parece que eu estava errada...   Nesse episódio tive a impressão de que não era para eu estar lá e que aquilo era destinado apenas aos "iniciados". Era coisa de artista pra artista, pro pessoal da tribo, entendeu? 

Questionei com uma amiga: "Mas aquelas macaquices todas eram mesmo úteis para a história? Por que aquilo? Que saco! Por que não encenam uma história às claras, para a gente acompanhar e curtir?" Ela respondeu algo como: "se fosse pra ser como na vida real, com gestos e expressões mais naturais e claras, não seria teatro, mas cinema."

Ah tá, então teatro é careta e enigma?  Vivendo e aprendendo...

Detalhe: as pessoas que estavam comigo também eram burras: acharam cha-to.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Bar Vitrola


Uma dica aí pra vocês:

Seguramente o bar Vitrola é uma das melhores opções para quem gosta de curtir a noite paraense e quer algo mais do que sentar e encher a lata até dar sono.

Ambiente bem refrigerado e com decoração agradável: poltronas, cadeiras e pufes,  pista de dança, banheiro decente. Para comer, você pode optar pelo buffet de tira gostos. É de qualidade e tem a vantagem obvia de não precisar esperar a boa vontade do garçon ou da turma da cozinha. Deu fome? Você vai e se serve como se estivesse na festa da casa de um amigo, com a diferença de que lá tem ótima variedade de frios e queijos, além de camarão, patês, torradas, salgadinhos, farofa...  além da cerveja GELADA.

O Vitrola está localizado na Rua dos 48. Passando na porta você jura que lá em cima daquela pequena galeria no centro da cidade não pode haver nada de interessante. Mas há. Aposte. E mais: o local é frequentado por gente de TODAS as idades. Tradução: seja qual for a sua data de nascimento, você se sentirá a vontade por lá.  Nada mais chato do que ir a um lugar e encontrar só garotada ou só velhos. Viva a diversidade!

Quando for, convide-me.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Taberna São Jorge (Bar da Valda)



Cerveja quente.

É o resumo que interessa. Hoje estou com a macaca.

Posso escrever muito mais sobre o local, mas para a turma da noite acho que não adianta muito. Sim, é um lugar descolado, charmoso,  reune pessoas adultas, tem decoração criativa, a gente vai e se sente bem, sempre com boas programações musicais e tal. Tudo isso é ótimo mas morre diante da frase fatídica: lá, frequentemente a cerveja é servida quente.

"Maldade!" pode alguém me dizer. "Não se julga um local por uma noite".  É verdade mas amigos já tinham me falado disso e no final das contas eu mesma constatei em mais de uma ocasião. E tem mais: quando a cerveja está razoavelmente refrigerada, ainda assim acabará esquentando porque lá eles não tem "camisinha" (isopor) para as garrafas.

Vai dizer que não é um absurdo um bar não oferecer um isopor para proteger a bebida dos clientes? Caramba, um investimento mínimo! Não basta a cerveja nunca estar a contento e a gente ainda tem que tomar rapidinho para não esquentar de vez!

Sim, sim, a comidinha é bem gostosa, mas cara. Pra você ter idéia, um "mexidinho" (delicioso, é verdade)  para dois, que nada mais é do que feijão com arroz, carne desfiada, um ovo e temperos, custa R$ 30,00. Se quiser mais um ovo frito, paga-se R$ 3,00 por ele. Onde já se viu um ovo frito pelo preço da dúzia? Delírio total.

Então porque ainda vou lá? Fui ontem pela programação cultural e porque a esperança é a última que morre. A gente sempre acha que por estarem com uma boa programação eles vão carpichar mais, pra segurar a clientela. Mero devaneio da minha parte. Todo mundo bebendo cerveja quente. E a maioria dos pratos pedidos estavam em falta. Não sei como ainda tem gente que vai lá. Ah, sei sim: a esperança é a última que morre... e o lugar é charmoso.

Mas para alguns não há charme que compense uma cerveja quente.
Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Críticas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Catedral Metropolitana de Belém


Há uma (só uma?) injustiça no Norte.
Quando se fala em Belém do Pará logo se nota que um dos grandes orgulhos da cidade é a Basília de Nazaré. De fato trata-se de uma igreja belíssima, de encher os olhos. Teria que vender no mínimo umas 500 "catedrais" da Igreja Universal pra render uma única Basílica.  É mole?

Nessa fixação de Basílica a gente até esquece que em Belém temos outra jóia de valor semelhante: é a Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como Igreja da Sé.   Engraçado: por fora é tão simplesinha! Ao contrário da Basília, que é pomposa desde a casca. A Igreja da Sé é quanse humilde se apreciada a partir da praça, mas entre. Meta a cara!

Foi restaurada recentemente. Eu estava passando por lá esses dias e resolvi entrar, assim como quem não quer nada. Fiquei surpresa. É bela, muito bela. Ouvi gente dizendo que acha até mais bonita do que a badalada Basília de Nazaré. Olha, fiquei em cima do muro. O altar é imenso, suntuoso, bem maior do que o da Basílica.

E dizem também que a Igreja do Bonfim, em Salvador, não chega aos pés. Eu acredito. O Nordeste sabe muito bem fazer propaganda de si mesmo (e eles estão certos!) mas se a gente for checar, nem sempre as coisas são assim tão magníficas quanto eles dizem.



As pinturas da igreja estão com o aspecto fresquinho, como se tivessem sido "pinceladas" um dia desses. As estátuas de santos dão gosto de apreciar.  Uma beleza, sem falar no magnífico órgão de tubos lá em cima. Quantas igerjas tem um órgão daqueles?


O Pará tem uma beleza muda, só pra si, quase intocada. Não sabe se vender, não conhece ainda essas malícias turísticas. Nem sei mais se isso é defeito...


Visite. Ainda é de graça.

sábado, 1 de maio de 2010

Bar Casa do Gilson

Sou fã do Bar do Gilson. Recomendo pra todo mundo, faço propaganda, elogio. Estou até pensando  em requerer uma parcela dos lucros. A música é da melhor qualidade, comidinha beleza, cerveja gelada. É ponto tradicional na cidade apesar da simplicidade do ambiente.

Tudo bem, tudo certo, só que esses dias me invoquei. Motivo? Aqui vai a lista:

1- Se for à tarde saiba: o calor chega a ser desesperante. Não corre um mísero vento!!! "Constam" ventiladores: todos impotentes. Tudo bem, o dono não tem culpa pelo calor mas só pergunto: você quer mesmo ir lá a tarde?

2- Dois garçons para um monte de gente. Eles até que se esforçam, de verdade, mas NÃO FUNCIONA. Uma dificuldade para conseguir fazer um pedido, um sufôco para recebê-lo; uma eternidade para conseguir uma cerveja, um ódio para receber a conta. Apesar da educação e grande simpatia dos garçons, o quesito "atendimento"  está mesmo prejudicado. Quando fui, os dois até que corriam e se viravam para dar conta mas não tinha como.  Aqui a culpa é do dono: cara, contrate mais gente!

3- Os músicos, como todos sabemos, são maravilhosos mas...  É mais de hora para afinarem tudo e começarem a tocar alguma coisa.  Pressa zero.  Fazem tudo a passos de cágado. Depois que finalmente começam a tocar, ainda assim, para cada dez minutos tocando é outro tanto para reafinar, conversar, coçar o saco, beber...   Eles não se estressam meeeeesmo. Quando a gente está viajando naquela música maravilhosas eles param. Param toda hora! Aí afinam de novo, conversam, tomam uma, sei lá mais o quê.  Quebra o clima!  E você há de convir: ficar  grande parte da noite ouvindo ruídos de afinação e remeximento de instrumento nao é lá muito agradável (blem-blem-blem... tum-tum... pi-pi-pi...).  Enche o saco.  Agora é verdade: quando eles recomeçam é tudo tão perfeito que a gente até perdoa.

Ou seja: perdoei os caras umas  25 vezes só naquela ocasião.  Tá bom, reconheço que essa reclamação é meio cara-de-pau porque a casa, incrivelmente!  não cobra couvert artístico.

4- Quase todas as cadeiras são de "ferro" e todas meio tortas, inclinadas para a frente. A gente senta e vai escorregando. É uma luta inglória a noite toda tendo que se equilibrar. Ô brincadeirinha cansativa! Ao final fiquei acabada, com dor nas pernas, nas costas e a bunda dormente.

Disso tudo o pior mesmo é o atendimento.

Já estive várias vezes no Gilson mas depois da última...  eu já cansada e implorando por atendimento, vou pensar duas vezes antes de retornar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fundo Reino

Assisti esses dias a peça Fundo Reino, no teatro Waldemar Henrique (Belém/PA). Pense numa peça chata.

Nota introdutória: quem sou eu? Nada mais que uma reles mulher do povo, uma expectadora com o grau de inteligência quase menos que mediano; uma pessoa que não sabe discorrer com erudição sobre teatro e que não é digna nem de desatar as correias das sandálias de Walter Freitas. Só posso falar, muito encabuladamente, das minhas simples e rasteiras impressões.


Devidamente humilhada passo a contar-lhes as minhas impressões:

Li que o espetáculo é o " resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz etc e tal."  Noooossa!
Sabe o que isso quer dizer? Que Walter Freitas é uma pessoa especialmente inteligente, culto, talentoso e inspirado e que este trabalho dele só pode ser acessível às pessoas igualmente acima da média. No final das contas concluo, desolada, que estou muito aquém de tudo aquilo. Sabe, não alcancei a magnitude da apresentação. Saí de lá enfadada.

Noves fora, é isso.
Mas o texto era ruim? Não!!! Pelo contrário: brilhante. Isso mesmo. As falas rimavam de forma criativa e graciosa, uma coisa muito interessante, principalmente quando a gente conseguia entender o que os atores falavam, porque não havia palco. A história foi encenada numa "arena", com o público ao redor. Sendo assim, de vez em quando os artistas ficavam de costas para a gente.

Os atores eram ruins? Não! Eram bons mesmo. Vai aqui uma menção mais que especial à moça magrinha que interpretava a filha de Antero. Acho que o nome é Wellingta Macêdo; e também à Pauli Banhos, que interpretou a Viúva Zulmira. Só pude concluir que eles não tiveram culpa, pois apenas fizeram - e bem - o que mandaram eles fazerem.

E o que mandaram eles fazerem?

Os artistas, devidamente enfeiados pela produção, fizeram a sua parte nessa esquisitice visual: faziam caretas, muitas caretas.

Não havia cortina nem entra e sai de personagens. Eles permaneciam o tempo inteiro no palco, mesmo se não estivessem todos atuando.  Nesse ínterim penso que poderiam se retirar para retornar depois, poderiam sentar na platéia ou dormir. O que não consigo entender é por que eles todos ficavam o tempo INTEIRINHO fazendo caretas para nós e uns para os outros. Saco!  Pensei: "qual seria o significado profundo dessas macaquices?"  Sei lá.   Era assim: Se havia uma dupla atuando, os outros matavam o tempo se contorcendo, circulando pela "arena" tortos, capengas, com cara de inimputáveis. Um desfile de horrores, contrangedor e sem graça. Em alguns momentos imaginei que eu estava em um hospital psiquiátrico. Sério!  Sem falar nos gestos ao ar, na maioria das vezes sem sentido algum. Agitavam os braços, catavam borboletas imaginárias, desfiavam cortinas inexistentes e sei lá mais o quê. Só sei que não queria dizer nada.  E se queria dizer, ficou só na boa intenção. Faltou clareza o tempo todo.

Há mais outros detalhes desagradáveis, mas vou ficar só por aqui.

Fico imaginando se peças como essa não respondem à indagação de alguns artistas amargurados: "por quê será que o povo não prestigia nosso teatro?"  Bem, eu sou povo e estou cantando a pedra procês. Não dá!

Já assisti peças nas quais as pessoas falavam umas com as outras, havia começo meio e fim, diálogos esclarecedores ou um narrador caridoso, gestos com razão de ser, choro ou riso dentro do contexto. Ah como era bom...

De qualquer forma sempre achei que os artistas queriam se fazer entender. Parece que eu estava errada...   Nesse episódio tive a impressão de que não era para eu estar lá e que aquilo era destinado apenas aos "iniciados". Era coisa de artista pra artista, pro pessoal da tribo, entendeu? 

Questionei com uma amiga: "Mas aquelas macaquices todas eram mesmo úteis para a história? Por que aquilo? Que saco! Por que não encenam uma história às claras, para a gente acompanhar e curtir?" Ela respondeu algo como: "se fosse pra ser como na vida real, com gestos e expressões mais naturais e claras, não seria teatro, mas cinema."

Ah tá, então teatro é careta e enigma?  Vivendo e aprendendo...

Detalhe: as pessoas que estavam comigo também eram burras: acharam cha-to.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Bar Vitrola


Uma dica aí pra vocês:

Seguramente o bar Vitrola é uma das melhores opções para quem gosta de curtir a noite paraense e quer algo mais do que sentar e encher a lata até dar sono.

Ambiente bem refrigerado e com decoração agradável: poltronas, cadeiras e pufes,  pista de dança, banheiro decente. Para comer, você pode optar pelo buffet de tira gostos. É de qualidade e tem a vantagem obvia de não precisar esperar a boa vontade do garçon ou da turma da cozinha. Deu fome? Você vai e se serve como se estivesse na festa da casa de um amigo, com a diferença de que lá tem ótima variedade de frios e queijos, além de camarão, patês, torradas, salgadinhos, farofa...  além da cerveja GELADA.

O Vitrola está localizado na Rua dos 48. Passando na porta você jura que lá em cima daquela pequena galeria no centro da cidade não pode haver nada de interessante. Mas há. Aposte. E mais: o local é frequentado por gente de TODAS as idades. Tradução: seja qual for a sua data de nascimento, você se sentirá a vontade por lá.  Nada mais chato do que ir a um lugar e encontrar só garotada ou só velhos. Viva a diversidade!

Quando for, convide-me.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Taberna São Jorge (Bar da Valda)



Cerveja quente.

É o resumo que interessa. Hoje estou com a macaca.

Posso escrever muito mais sobre o local, mas para a turma da noite acho que não adianta muito. Sim, é um lugar descolado, charmoso,  reune pessoas adultas, tem decoração criativa, a gente vai e se sente bem, sempre com boas programações musicais e tal. Tudo isso é ótimo mas morre diante da frase fatídica: lá, frequentemente a cerveja é servida quente.

"Maldade!" pode alguém me dizer. "Não se julga um local por uma noite".  É verdade mas amigos já tinham me falado disso e no final das contas eu mesma constatei em mais de uma ocasião. E tem mais: quando a cerveja está razoavelmente refrigerada, ainda assim acabará esquentando porque lá eles não tem "camisinha" (isopor) para as garrafas.

Vai dizer que não é um absurdo um bar não oferecer um isopor para proteger a bebida dos clientes? Caramba, um investimento mínimo! Não basta a cerveja nunca estar a contento e a gente ainda tem que tomar rapidinho para não esquentar de vez!

Sim, sim, a comidinha é bem gostosa, mas cara. Pra você ter idéia, um "mexidinho" (delicioso, é verdade)  para dois, que nada mais é do que feijão com arroz, carne desfiada, um ovo e temperos, custa R$ 30,00. Se quiser mais um ovo frito, paga-se R$ 3,00 por ele. Onde já se viu um ovo frito pelo preço da dúzia? Delírio total.

Então porque ainda vou lá? Fui ontem pela programação cultural e porque a esperança é a última que morre. A gente sempre acha que por estarem com uma boa programação eles vão carpichar mais, pra segurar a clientela. Mero devaneio da minha parte. Todo mundo bebendo cerveja quente. E a maioria dos pratos pedidos estavam em falta. Não sei como ainda tem gente que vai lá. Ah, sei sim: a esperança é a última que morre... e o lugar é charmoso.

Mas para alguns não há charme que compense uma cerveja quente.