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domingo, 24 de julho de 2011

Maria Photoshop

Acabei de checar o texto do blog do Carpinejar - Nenhuma mulher se acha bonita. Gostei do texto e quando gosto, comento. Quando não gosto, comento. E quando "muito pelo contrário" também.

O bom de ler textos alheios é que nossos comentários, quando confeitados, viram postagem do nosso próprio blog - veja você que engenhoso!

Pois o amigo escritor dizia que nenhuma mulher se acha bonita e que quando não notam os mil defeitos que ela jura que tem, ela entende que isso é descaso do "olhador".  Tipo "seria eu tão insignificante a ponto de não terem notado que meu pé é grande, meus cílios são pequenos, minha cintura é alta e meu joelho é quadrado?"  

Nada disso. Pra mim, mulher bonita se acha bonita sim. Só que quando não enxergam os defeitos dela ela fica angustiada pensando que "Só me acham bonita porque não notaram nisso. E quando repararem, será que ainda serei bonita para essas pessoas????"    Essa dúvida é pior do que moratória americana.  A mulher então resolve se detonar de leve. Só para ver se os fãs aguentam o tranco.

Mas não é só para testar os fãs. Ela se põe debaixo da lupa também por outro tipo de medo.

A mulher bonita tem medo de que um dia descubram que ela não passava de uma fraude.  Ela, que nunca se impôs ao mundo como beldade, pode daqui-prali ser cruelmente "desmascarada" e pensa: "Melhor eu me denunciar aqui e agora do que quando estiver emocionalmente desprotegida. Melhor agora do que debaixo de algum maldito holofote. Melhor eu me adiantar do que ser apontada como Maria-Photoshop".

Ela tem razão. As pessoas sempre dizem das bonitas:  "Bonita? Imagine! Já notou que ela tem os ombros caídos?"  Eu sou uma. Sempre digo que a Angelina Jolie é composta apenas de beiços e peitos. Não tem cintura, não tem bunda, não tem coxas. Tô mentindo? Fecha parêntesis.

Essa coisa toda funciona mais ou menos como no mundo do crime: quando a pessoa se adianta à polícia e confessa, acaba sendo julgada com certa benignidade.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um homem maravilhento

Não sei vocês, mas em minha vida de internauta de vez em quando topo com umas mensagens edificantes que me enchem a paciência.

Esses dias foi a vez da história de um homem  patologicamente feliz. Acontecesse o que acontecesse ele achava tudo lindo.  Furúnculo no traseiro, unha encravada, chifre, sogra em casa, tijolada no carro, CD arranhado, computador com vírus, mulher frígida, filho perdulário, chefe torturador, cantada de viado,  goteira, cárie, nada o abalava. Ele estava sempre lá, rente que nem pão quente, dizendo que tava tudo cem por cento. Ele era de teflon, a ira não grudava.

Por quê cargas d'água alguém imagina que ao descrever esse ser "végeto-humano" eu iria ser incentivada a me tornar uma pessoa melhor? Pois quem pensou isso errou feio, porque comigo o efeito foi contrário.

fiDeu vontade de dar uma tijolada no cara. Imagine você conhecer uma pessoa com o pé na desgraça, aí você se aproxima cheio de dó querendo ser útil e o babaquara só sabe dizer que está tudo bem e que "se melhorar, estraga". Pois então te lasca, filho da mãe!

Mas claro que você está morrendo de vontade de saber qual o segredo dessa estranha forma de não ver a vida. O segredo da felicidade babante é simples: quando ele acordava, respirava fundo. Antes de escolher a cueca ou o sapato, ele escolhia ser feliz!  Só isso.

Tente.

Será que alguém pode acreditar que uma pessoa dessa é normal? Será que é possível acreditar alguém possa ter inveja dessa estranha criatura?
Pois fique você sabendo que eu me alegro pela minha capacidade de sentir e de reagir aos fatos da vida.   Doeu? Eu choro. Machucou? Eu grito. Fez cócegas? Eu rio. Pisar na bola? Eu piso. Depois me arrependo.

Minha capacidade de ficar furiosa não me tira a humanidade, pelo contrário: a reafirma.  Por outro lado a incapacidade de sentir a vida como ela é pode nos anestesiar para todo o resto. Tipo: "Se eu consigo ser feliz até com um prego no pé, você tem mais é que deixar de ser frouxo e se virar." 

Sinceramente, uma pessoa que não consegue guardar os dentes dentro da própria boca não me causa admiração, causa é desconfiança. E se eu estiver com ele sozinha em um lugar deserto? Sei lá, vai que ele me chupa o sangue!

E o texto edificante ainda dizia que aquela era uma  pessoa que a gente gostaria muito de conhecer. Eu não. Eu gosto de gente bem humorada, feliz e otimista, mas ET zen não é muito a minha praia. Sai pra lá.

domingo, 5 de junho de 2011

As rebeliões nos presídios e as onças

Rebelião? Fácil fácil de resolver...

Esses dias assisti, boquiaberta, a mais uma prova de que muitos dos habitantes dos presídios do Brasíl já deixaram ser ser humanos faz tempo. Bandidos indignados decaptavam companheiros, exibiam cabeças, arrancavam olhos e clamavam por maconha e celulares - o que nos leva a concluir que prisão é bobagem; castigo mesmo é privá-los dessas duas coisas. 

Sim, essas pessoas não são mais humanas. Em algum momento de suas trajetórias elas perderam a alma.  São uma estranha mutação, uma degenerescência talvez. Ou quem sabe sejam mesmo é mais evoluídos do que nós! Se considerarmos que eles estão muito mais aptos a sobreviver do que a gente e que povoam o mundo com muito mais liberalidade... Se considerarmos esses dois fatores, eles são mais evoluídos sim.

Claro que não estou aqui para defender essa tese, mas nesse gancho cheguei à solução do problema das rebeliões nos presídios. É só tratar os não-humanos como onça. E tratar como onça não é tratar mal! Vou explicar: 

O que as autoridades fazem quando uma onça foge do zoológico? Matam a onça? Não! Simplesmente miram e dão um tiro com um poderoso calmante na danadinha. Pronto, acabou a valentia!  Simples e eficaz. Agora eu pergunto: o quê impede as autoridades de fazerem o mesmo com os bandidos nervosinhos? É só criar armas que metralhem milhares de bolinhas com sonífero. Nem o pior atirador do mundo erraria uma rajada de calmantes na distância de 4 metros em alvos enjaulados.  É só disparar e esperar os valentões caírem um por um. Aí era só desarmar, recolher e isolar. Acabou-se a revolta!

POR QUÊ, AO INVÉS DE FICAREM ATÔNITOS TENTANDO NEGOCIAR COM BANDIDOS, ESSES BABACAS NÃO FAZEM ISSO?  Seria a glória para os Direitos Humanos! Ninguém mataria, ninguém morreria.


Outra solução: Por quê não jogar nos revoltosos gás sonífero?  Os policiais (ou bombeiros, sei lá) entrariam com trajes e respiradores de proteção, direcionariam suas mangueiras (no bom sentido) contra a bandidagem e jogariam nuvens e nuvens de gás. Os presos iam cair um por um feito mosca. O trabalho seria só de desarmar e recolher "as vítimas da sociedade".

Como faço para mandar essas idéias para o Governo? 
Droga de blog sem visibilidade...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Seremos todos condenados



Li um dia desses que, possivelmente, as futuras gerações iriam nos condenar. Embora pareça obvio, fiquei magoada assim mesmo ao pensar em todos os  bebezinhos de hoje transformados em marmanjos julgadores apontando o dedo contra nós, frágeis velhinhos. Logo nós, que até tomamos banho mais rápido só para deixar água para eles no futuro! Nós, que fomos obrigados a abrir mão de comer baby beef para dar o exemplo, tiramos do cardápio as mussuãs, voltamos a lavar copos para não poluir  com descartáveis. Nossa, muita renúncia! E eles ainda vão nos condenar no futuro. Bebês ingratos.

E por quê haveríamos de ser condenados por eles, você perguntaria?  Primeiro por um motivo óbvio: todo mundo gosta de criticar os mais velhos.  Outro motivo é que como algumas coisas consideradas normais ontem são consideradas absurdas hoje, esse fenômero tende a se repetir.  Antigamente era muito bem aceito possuir escravos porque nem alma eles tinham! Hoje, ter escravos sem carteira assinada é considerado um horror.  Marido bater na mulher não era nenhum absurdo antigamente. Hoje isso não é mais aceito - embora a Justiça tolere bem a mulher bater no marido.  Antigamente era normal os pais baterem nos filhos. Hoje evoluímos: só os filhos é que podem bater nos pais.

Tem mais:  hoje ninguém mais deforma os  próprios pés  como as chinesas de séculos atrás. Hoje ninguém mais deforma os pés, só o rosto, mas aí tudo bem.

Tudo muda e a humanidade segue sempre em frente. São dois passos pra frente e um pra trás, mas um dia a gente chega lá. (Lá onde mesmo?)

Mas sim: o quê fazemos hoje que vai ser considerado absurdo amanhã?  Tenho minha própria lista de palpites:

1-  Não será mais tolerado que uma única pessoa ocupe espaço utilizando um veículo onde caberia um monte de gente. Nossos bisnetos vão nos detonar quando descobrirem que fazíamos isso e ainda reclamávamos do trânsito. No futuro ninguém poderá desfilar com um monstrengo sem ser apedrejado por raio laser.  Carro para um será carro para um, pequenininhos, no formato de simpaticos supositórios.  Mas em um futuro mais distante ainda, acredito que vão abolir de vez os transportes particulares.

2- Embalagens de uso único? Nem sonhar! Como sou uma mulher  à  frente do meu tempo, já olho com desaprovação essa coisa de refrigerante, desodorante, sucos em caixinha, biscoitos, tudo com embalagem descartável. Tá errado.  Futuras gerações vão nos crucificar. Quer comprar biscoito? Leve sua vasilha e compre por peso. Quer refrigerante? A mesma coisa. E suco e tudo o mais: feijão, açúcar, até desodorante.  Vamos voltar ao tempo das tabernas (não cavernas!).

3-   Com a multiplicação da população das mulheres modificadas, vamos chegar a um ponto de esgotamento. Os homens, enjoados da perfeição artificial,  vão morrer de tesão por mulher com peito caído, bunda murcha e ruguinhas. Assim como hoje as chinesas dos pés modificados são só as velhinhas que sobraram,  no futuro só as velhinhas que sobraram vão ser siliconadas, lipadas, botocadas e espichadas. As fotos nossas delas causarão espanto nas crianças.

4- Todos os nossos costumes em termo de política serão execrados. Vão criar um sistema mais justo e inteligente e vão rir muito da gente com nossas campanhas ridiculamente mentirosas custando fortunas. Nossa passividade é flagrantemente prova de atraso.


5- Ficar 10 horas praticamente imobilizado em uma aeronave viajando em condições angustiantes e aflitivas? Um dia nossas aeronaves de hoje serão vistas como navios negreiros. Nossos bisnetos ficarão penalizados quando descobrirem como eram os vôos da Gol. Vão chorar - ou rir - da mesma forma que nós, quando quando vemos aquelas gravuras antigas mostrando o pessoal do passado sendo transportado em redes penduradas em varais carregados por escravos.

6-   Nossos bisnetos vão condenas os pais de hoje, que se deixam manipular por seus filhotes.  Lá no futuro vão ensinar nas aulas de historia que a ditadura dos pais resultou anos depois na ditadura dos filhos mas só agora (no futuro) eles conseguiram chegar a um meio termo aceitável.  Mas que os jovens e vão rir das nossas aflições vão, quando os professores contarem, a guisa de exemplo, que antigamente era comum um pirralho sem o menor juízo determinar o horário que seus pais podiam dormir ou  determinar se os pais podiam ou não sair sozinhos (sem eles) a noite.

7- Só não vão rir das nossas superstições. Seremos louvados!  Assim como nós, babacas, nos encantamos com pirâmides, duendes, livros de bruxas, amuletos e outras velharias que eram valorizadas hà milênios, as futuras gerações olharão com reverência os pés de coelho de hoje.   Digo isso porque observando a nossa própria história dá pra concluir que no quesito "crendice" e "mistério", a tendência é não evoluirmos nunca.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Aquilo que você já sabe.

Pra mim é o seguinte: rotina só é ruim quando não é boa.
Eu mesma não queria abrir a janela ao amanhecer e ver cada dia o sol com uma cara diferente. Sol roxo. Sol cinza. Sol vermelho com bolinhas pretas. Sol amarelo com listras azuis. Não. Gosto mesmo é desse mesmo sol amarelinho e descabelado de todas as manhãs.  Qual o problema?

Não entendo essa implicância que algumas pessoas tem com a rotina.  Rotina é bom!

A pior implicância mesmo é implicar com a rotina da convivência a dois. Dá até vontade de rir quando vejo uma recém-casada dizendo que está sempre bolando alguma coisa nova para o relacionamento não cair na rotina.  Ha ha ha. Só quero que ela venha conversar comigo daqui a trinta anos.  Quem é que aguenta o peso de ter que estar bolando novidades para escapar da rotina do casamento? Se o casamento tende a ser insuportavelmente chato a ponto de você precisar ter essa preocupação, vou te dar um conselho: ao invés de ficar imaginando coisas, caia fora desse casamento enquanto é tempo.  O bom casamento não é aquele com uma novidade por dia. O bom casamento é justamente aquele no qual duas pessoas se deliciam no que já conhecem de sobra e ainda assim continuam querendo. Êta coisa boa!

Bom do casamento (e de tudo o mais) é justamente a boa expectativa.  Há coisa melhor do que deitar já sabendo que receberá aqueeeele cafuné de boa noite? Por quê esse cafuné tem que ser cada dia de um jeito, meu Deus do Céu?  Outro exemplo: eu não gostaria de chegar ao meu restaurante favorito e encontrar cada vez o meu pedido com um gosto, um tempero, um corte diferente. NÃO! Eu quero comer exatamente aquilo que eu já comi na imaginação. Se mudarem alguma coisa eu reclamo.

O sucesso das franquias é justamente a pessoa entrar no estabelecimento já sabendo o que vai encontrar, sem invenções nem "criatividades".

Imagine-se em um casamento no qual você tenha a tarefa de toda a semana inventar um novo local para acasalamento (legal esse termo, né?), uma roupa diferente, uma música diferente, uma posição diferente... Acorda! Isso é impossível! Não há criatividade que aguente.  Além do mais, nada que você inventar será mesmo diferente. Todas as posições "diferentes" já são manjadas desde que o mundo é mundo. E mesmo que para você elas sejam novidade, daqui a pouco tempo vão deixar de sê-lo. Ou você gosta de fruta ou não gosta. Decida.

Sério, as pessoas tem que entender que não existe a menor possibilidade de estar com alguém por trinta anos e ainda assim ter "novidades" toda a semana. E isso não é lamentável, mas desejável!   Acho que a pior rotina é a de ter que ficar o tempo todo bolando um jeito de sair da rotina. Cruz-credo!

Há algo melhor do que entrar no quarto do filho sabendo que ele está lá, previsivelmente com saúde, que vai previsivelmente sorrir para você e previsivelmente te dar aquele abraço "manjado" de bom dia?  Há algo melhor do que flagrar o olhar carinhoso da pessoa amada previsivelmente direcionado a vocÊ? Há algo melhor do que aquele mesmo cheirinho de café novo? Imagine uma cozinheira que fizesse um cafezinho todo dia com um gostinho diferente para não cair na rotina. Eu mandaria ela embora. Há algo melhor do que o bom e "manjado" orgasmo? Você já sabe como é,  gosta de sentir aquilo e não precisa de inovação: só da boa e certeira re-re-re-repetição.

As melhores coisas dessa vida não comportam versão remix. Quero chegar em casa e torcer para encontrar sempre as mesmas coisas que amo. A felicidade está justamente em saber que as coisas que apreciamos continuarão sempre do mesmo jeito, no mesmo lugar. As dores da vida estão justamente na fatalidade de não conseguirmos manter pra sempre aquelas coisas que nos fazem felizes.

Acho que a felicidade é como um bom pudim de leite: simples e previsível. Quanto mais tentam incrementar um pudim, pior ele fica. Pode conferir.

Eu não consigo sentir água na boca por aquilo que desconheço o sabor. Quão doce é a expectativa da espera quando o desejado já foi mentalmente saboreado!

Quem muito muda é porque ainda não achou o ponto certo. No dia em que você comer um pudim perfeito  você entenderá que qualquer cereja a mais é heresia.

sábado, 23 de abril de 2011

Joanes - Marajó - Pará

Nunca dei muita bola quando me sugeriam conhecer Joanes. Quem vai ao Marajó geralmente só pensa em Soure ou Salvaterra. Grande erro. Joanes é melhor.

Existe a falta de progresso onde tudo é um lixo e a falta de progresso onde tudo é doce. Joanes é assim, uma cidade encantadora que se alguém tentar "melhorar" pode estragar tudo.  Joanes é um paraíso rústico. É o lugar mais "zen" que eu já conheci na vida. Ali vi colégio sem muros, crianças tranquilas nas praças, igrejinha azul e branca, poços e ruínas do tempo dos jesuítas, búfalos muito a vontade aqui e acolá mascando seu capinzinho... poucos carros, poucas grades, muito vento.

Passei quatro dias sem ver televisão. Pra quê?  Minha televisão foi aquela praia doce e morna (sim, eu disse morna!) foi o povo sorridente me cumprimentando onde eu ia (me senti comadre de todo mundo) foi a surpreendente educação e  o bom humor das pessoas, as crianças livres brincando na praia com se fossem peixinhos travessos, os adolescentes ensaiando quadrilha na rua, o exagero de estrelas no céu, o caminhar à noite pelas ruas gramadas, os búfalos, o peixe fresco, os pescadores, a disposição para conversar, a morenice típica... 


"Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá..."
Ai meu Deus, amei Joanes!  

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Preciso dizer isso

Escrevi esta mensagem às pessoas que participaram da discussão no blog do Cláudio (leia a postagem anterior pra entender do quê estou falando).

Queridos:

Aprendi mais um pouco com vocês.

Gosto muito de levantar essas questões sabe por quê? Porque acabo aprendendo. Tenho minha cabeça cheia de idéias e conceitos, mas todos eles são móveis. Quando alguém pensa diferente de mim e me confronta, acho estimulante esse exercício intelectual. Quando prova que estou errada, total ou parcialmente, fico feliz. Sério. É como se mais uma luz se acendesse na minha cabeça. É como se eu ganhasse um presente.  Se estou certa, fico na mesma mas sou tendente a provocar outras pessoas para ver se elas me dizem coisas novas.

VOU ADMITIR UMA COISA: hoje na hora do almoço eu estava pensando sobre isso tudo que falamos e uma lembrança dolorosa me veio à mente... e lembrei, por experiência própria, que há momentos na vida da gente em que a dor é tão grande mas tão grande, que a gente só consegue pensar em duas coisas: se matar ou se drogar.   Drogar-se parece uma coisa menos menos drástica. E é.

Lembrei disso porque já passei por momentos nos quais a minha vontade era engolir a primeira porcaria que me aparecesse, só para conseguir parar de sofrer. E se eu tivesse feito isso? E se tivesse precisado de mais e depois mais e depois mais?  E se ficasse viciada? Será que eu seria tão irresponsável quanto um adolescente que apenas quer se divertir? Acho que não...   Sim, há casos e casos.

Acho que Deus me fez lembrar disso para eu ser mais justa em minhas posições.

Então digo que essas discussões, para mim, não são brincadeira nem leviandade. Tenho uma necessidade imensa de saber em qual terreno estou pisando, de saber se estou certa, errada. A verdade me fascina, embora nos pareça tão fugidia.  Lendo todas as postagens, aprendi mais um pouco.

Obrigada a todos.

Discussão

Um amigo leu o meu artigo "O crack e a tese do mosquitinho" e como gostou muito, publicou no blog dele (blog Susto de Amor - CONFIRA).

Aqui essa questão não deu muito o que falar mas lá, o que eu disse gerou polêmica. Uns me apoiaram mas uma moça ficou indignada. Ela trabalha - segundo entendi -  na recuperação de dependentes químicos e acha que a pior coisa do mundo é dizer o que eu disse: o viciado é viciado porque ele mesmo se viciou. Oh! Que escândalo!


Sugiro que você visite o blog do meu amigo Cláudio para acompanhar a discução. Respondi todo o lero-lero politicamente correto da moça, mas tive que fazê-lo em partes, porque o espaço para comentários no blog é limitado. Segue abaixo, na íntegra, minha (longa) resposta:




"TAPAR O SOL COM A PENEIRA FAZ PARTE DO TRATAMENTO? Se faz, desculpa a ignorância.

Adriana: quer dizer que o viciado não tem responsabilidade nenhuma pela confusão onde se meteu? Por que você foge do centro da questão? Em momento algum eu disse que dependência de drogas não é doença. Em momento algum eu disse que o dependente tem que ser abandonado à própria sorte. O que eu disse é que ele buscou o problema e que a doença que ele sofre é resultante de seu próprio desatino e insubordinação às leis. Engraçado... você nem tocou nesse ponto. Calou porque não tem resposta.

Você falou em ajudar (lindo!) falou em dar apoio (lindo!) mas ficou irada quando eu disse uma verdade. Porque você acha que a verdade atrapalha o tratamento?

Sabe, não há esperança para um país onde todo mundo é vítima e ninguém é culpado. Todo mundo é inocente e é proibido dizer “você agiu mal”. Ofende! Nossa obrigação é ajudar de boca fechada para não magoar. Que palhaçada é essa?

Não sou ignorante porque não desconheço os males das drogas. Quem você está chamando de ignorante são os dependentes químicos. Porque ou eles são responsáveis por se tornarem doentes ou eles são umas antas, que com tanta informação a respeito ainda não sabiam que as drogas poderiam transformar a vida deles num inferno.

Quando eu falei em RESPONSABILIDADE POR SEUS ATOS, você apenas respondeu que conhece um monte de gente com essa doença e tal e tal.  Eu pergunto: o que tem uma coisa a ver com a outra? Alcoolismo também é uma doença – que o próprio alcoólatra procurou. Ou não?

Câncer na pele é uma doença também, mas ainda tem um monte de gente teimosa que se expõe perigosamente ao sol sem proteção. Quando tiverem câncer de pele vamos ter que fazer de conta que elas não erraram???????   “Eu conheço muita gente com essa doença... não podemos discriminar... vamos tratar mas sem dizer que elas erraram ao se expor ao sol. Elas podem se magoar. Ai meu Deus!”

Cáries também são problemas de saúde causados por nosso relaxamento e teimosia em comer coisas erradas. Ou não? Somos todos “vítimas das cáries”? 

Será que dizer que o cariado é culpado é ser preconceituoso? A cárie é “um mal que ataca”, “uma coisa que acontece” tipo assim, entende? Ou é resultante de algo de errado que a pessoa fez? Me responda por favor.

Você disse  “vejo pessoas simples e conheço um número absurdo de pessoas da "alta" que sofrem com essa DOENÇA.”  Sim, e daí? Em quê isso invalida o que eu disse?  Me responda mais uma coisa: TAPAR O SOL COM A PENEIRA FAZ PARTE DO TRATAMENTO? Se faz, desculpa a ignorância.

Peço que me responda:

1-     Colocar um filho em uma clínica de reabilitação não é um ato de amor? Não é uma tentativa de resolver o problema?
2-     Entregar um filho dependente químico a profissionais é maldade? 
3-     A família tem culpa se a clínica não reabilita? 
4-     Tentar está errado?
5-     Você disse que essa doença não tem cura. Se não tem cura e nada resolve, qual é o seu trabalho mesmo com essas pessoas?
6-     Se você faz melhor do que as clínicas, parabéns! A família dos dependentes precisam muito te conhecer! Vou fazer a minha parte e divulgar. Estou falando sério.

7-     Tentar não enlouquecer junto é “lavar as mãos”?

8-     Penar por anos e depois dizer “cheguei ao meu limite, não sei mais o que fazer!”  é um ato condenável? 

9-     Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

10- Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

11- Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

12- Você não acha que  quando a família por fim “joga a toalha” é porque já passou por sofrimentos indescritíveis e está em um estado e dor e doença emocional? Essa família não merece um mínimo de humanidade da sua parte? Porque um pai e uma mãe que se encontram esgotados e merecem menos consideração do que um filho doente?  Todos ficam doentes, querida! E você sabe muito bem onde tudo começou.

Outras coisas:

1-     Eu não tenho filho viciado. Espero que isso não aconteça com minha família, mas se acontecer, vou te dizer qual será minha postura: “Filho, eu te amo! Me dói ver você assim. Escute, não vou te abandonar. Conte comigo, você está doente, mas farei o possível e o impossível para tudo ficar bem. Mas que merda deu na sua cabeça para você fazer isso consigo mesmo, meu filho? Ficou doido?”  É isso que eu faria.

2-     Dizer que uma coisa é o que é, não é preconceito: é honestidade e realismo.
3-     Dizer a verdade não atrapalha. O que atrapalha é tratar a realidade como TABU.
4-     O dependente químico é vítima de si mesmo. A família é vítima dele.
5-     Em um momento da vida ele disse a si mesmo “danem-se essas leis idiotas!” e meteu a cara no pó. Por isso ficou doente, não por fatalidade do destino. É mentira?
6-     Valorizo muito quem ajuda essas pessoas.
7-     Valorizo mais ainda quem os ajuda sem fechar os olhos para a realidade e sem frescuras politicamente corretas.
8-     Em algum momento eu disse que os homicídios são cometidos só por viciados? Se eu disse isso, falei besteira. Se não disse, você está sendo injusta e torcendo as coisas. Isso é muito feio.

VOCÊ PERGUNTOU:  “Porque, quando recebemos a notícia que algum querido, foi acometido de um câncer maligno, sentimos piedade, desejamos ajudar, sofremos, oramos, enfim, mas, se um querido diz que está dependendo de química ele deixa de ser um querido e vira um leproso?”

Sua pergunta é baseada em um equívoco horroroso. Primeiramente ninguém trata o dependente químico como leproso. O que acontece é que geralmente quando ele pede ajuda para pessoas como você, á família dele já fez tudo o que achava que podia fazer. Quando ele chega a você, geralmente ele já esgotou a família, já esgotou todo mundo, ninguém agüenta mais. Ninguém o trata como leproso, todos querem ajudar MAS RARAS SÃO AS PESSOAS QUE CONSEGUEM. As pessoas descobrem, sentem pena, querem ajudar... mas não conseguem! ENTENDA, MINHA FILHA: NÃO CONSEGUEM.  NÃO CONSEGUEM. Aí desistem, depois de muitas lágrimas e sofrimento. Você consegue ajudar? DEUS TE ABENÇÔE.

Agora por favor, não seja cruel. Você é mãe?  Você já parou para pensar o quê uma mãe passou até chegar ao ponto de jogar a toalha? Respeite isso e pare de olhar só para o dependente. O mundo vai além das suas fronteiras. Não seja simplista nem infantil, nem romântica nem cruel com as pessoas.

E que tolice é essa de dizer que “Se todos começarem a pensar como essa moça, seria melhor colocar todos os dependentes químicos numa câmara de gáz”.

Vou traduzir o seu pensamento:

Você não consegue lidar com o perdão, não consegue amar o culpado nem ter misericórdia do sofrimento dele. VOCÊ SÓ TEM CARINHO POR VÍTIMAS.  Você só consegue ajudar se fechar os olhos para a realidade. De olhos abertos você não ajuda ninguém.

Jesus nos ama, mas ele não muda o nome das coisas. Ele dá nome aos bois porque o amor dele não depende da nossa inocência. Ele estende a mão, apóia, ama, mas diz “vai e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior.”  Sim, é assim que Ele faz...   Acho mais certo, sabia?

Ao contrário: para ser útil ao próximo você primeiro precisa inocentá-lo. Só assim consegue lhe olhar nos olhos. Ou a pessoa é vítima ou tem mais é que morrer.

ENTÃO É POR ISSO que você reluta tanto em dizer que o culpado é culpado.  Porque se ele é culpado, melhor colocar na câmara de gás.

Eu penso diferente. Todos nós temos nossa dose de burrice e de maldade nessa vida. Não sou dependente química, mas já cometi outras burrices também. Não sou melhor do que ele. NEM PIOR.  Todos somos culpados de algumas coisas e todos precisamos de amor e misericórdia e ajuda uns dos outros. Eu não preciso tapar o sol com a peneira para estender minha mão ao culpado.  Você precisa.

O seu problema é que você está convencida de que A VERDADE ATRAPALHA. Está convencida de que é impossível amar o culpado. Você só consegue ajudar aquele a quem considera inocente. Esse é o seu mecanismo psicológico: por falta de amor, prefere fazer de conta que o culpado não tem culpa do que encará-lo como ele é e assim mesmo ser generosa.

O culpado tem que morrer? Então façamos de conta que todos são vítimas.  Esse e o seu remédio.



domingo, 13 de março de 2011

Que fofo!

Quando eu digo que é necessário que vocês comentem meus textos, é verdade.  Dia desses postei um texto sobre o Dia da Mulher (Dia Bobo).  Um amigo comentou:

"Os "Dias" disso, daquilo, são mero jogo de interesse que, com certeza, alguem inventou por conveniencia dele(a), de um grupo ou classe. Concordo com vc. Não tem sentido os Dias "D" criados pelo mundo a fora. Mas, como não comemorar o Dia da Mãe", do "Pai", das "Crianças", da "Mulher"? Já que vivemos num mundo tão corrido, com tantas obrigações, problemas, vazios, um dia "D" qualquer coisa, faz-nos parar um pouco para, pelo menos, manifestar um sentimento de carinho ou lembrança."

Que fofo! É verdade. Ainda que seja bobo homenagear a mulher só porque ela é mulher, ainda assim a coisa pode ser válida se olhada por outro ângulo: as obrigações de todos os dias fazem todos os dias ficarem parecidos demais. E nessa roda viva, quantas vezes nos esquecemos de dizer para alguma coisa agradável para as pessoas!

O ser humano tem necessidade de ser legal para os outros. Faz bem. Faz bem para os dois lados. Assim como faz falta receber um gesto de carinho, também faz muita falta ser gentil, emanar alguma coisa que preste.

Todo santo dia a terra faz seu giro em torno do sol. Os pássaros cantam, as crianças gritam, as buzinas irritam, a gente acorda, o cabelo está ruim de novo, tomamos banho, toalha molha, toalha seca. Parece que a vida se repetirá como um rosário inclemente. O que torna um dia diferente do outro se todos parecem condenados a serem iguais?

Já escrevi sobre isso ("De bolha em bolha") e aqui repito: o que torna um dia diferente do outro é o nosso arbítrio, criatividade,  invenção.

A gente inventa dia especial do nada, sem muita coerência teórica, mas inventa. Inventa porque é preciso. É preciso um empurrãozinho para dar uma rosa, dar um beijo, dar um abraço mais apertado.  Se formos investigar a validade de uma homenagem ou um feriado, se formos pesar cada festinha, cada "dia especial", provavelmente nos desapontaríamos: "qual o sentido disso?"

Não é que não haja sentido. Há, mas não é bem aquele do rótulo.

A mulher não é melhor do que o homem nem o pai melhor que a mãe nem o dia dos namorados é de fato melhor do que qualquer outro. O sentido disso tudo está escondidinho nas dobrinhas da vida.   Vem daquela necessidade inexplicável de sermos mais, fazermos os outros se sentirem melhores e conseguirmos nós mesmos nos sentir mais gentis e amorosos.  Não é gostoso curtir um dia especialmente feliz? Pois é. E se não tem motivo, a gente inventa.  Essea é a sacada. É preciso abraçar mais, beijar mais, dar mais flores, dizer eu te amo pra um monte de gente. Esse é o sentido. Tudo o mais não passa de uma bela desculpa.

Tá vendo? O simples comentário de um leitor já me fez crescer como ser humano!

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia bobo



"O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher."   

Sei lá... mesmo depois de ler isso não consigo entender que grandes feitos foram esses, para merecer um dia especial. O mundo conheceu mulheres maravilhosas e homens maravilhosos. Pra mim, empatou.

Confesso que nunca entendi nem simpatizei com essa data. Tipo puxassaquismo gratuito.  Homem, mulher, idoso, índio, negro, homossexual... Tudo igual, tudo raça humana, farinha do mesmo saco!  Todo mundo acertou e todo mundo errou em determinado momento.

Claro que existem pessoas especialíssimas e admiráveis, mas o que as ilumina e destaca não tem nada a ver com sexo. O que torna umas pessoas melhores do que outras (sim, eu disse melhores!)  é a quantidade de amor que transborda de dentro delas, é o modo como gastam a vida e como tratam seus semelhantes. Não basta ter "piriquita", tem que ser gente.

Quem escolhe ser homem ou mulher ou negro ou branco ou índio? Por que eu seria louvada por alguma coisa que não escolhi nem conquistei?  

Ser mãe tudo bem, a pessoa escolhe. Ser pai... nem sempre.  Acho que cabe homenagem para pessoas que assumiram de corpo e alma o papel de mãe ou de pai. Há pessoas que incorporaram os dois personagens de uma só vez! Para elas estendo um caminho de flores. Mas ser homenageado por ter nascido? E ter nascido mulher? Homenageiem o acaso. Nem meus pais escolheram!

Ora bolas.

Não escolhi nem tenho opção de deixar de ser mulher. Não tenho sequer a opção de deixar de gostar de homem. Nasci com esse carma e que Deus me ajude.

No dia das mulheres recebo cumprimentos. Agradeço-os com um sorriso amarelo. Sinto-me como quem chegou em quinto lugar numa corrida mas está recebendo a medalha de ouro. É meio incômodo.

Não sei se vocês já repararam, mas nessa onda de endeusar as mulheres, o pessoal, de quebra, aproveita para desmerecer os homens. O curioso nessa história é o seguinte: os próprios homens concordam em fazer de conta que estão abaixo de nós. E por que concordam? Porque sabem que é tudo brincadeirinha e que suas vidinhas vão continuar do mesmo jeito. Todos sabemos que o resultado prático dessa frescura é ZERO.

O mais "engraçado" é quando comparam os dois sexos dizendo que os homens não sabem viver sozinhos mas as mulheres são independentes deles. Ô mentira! Falam isso porque mal se separam ou se tornam viúvos eles logo engatam num novo relacionamento. Já as mulheres não: assumem "heroicamente" as responsabilidades familiares e fazem pouco caso de ter outro homem. Dá vontade de rir.  

Sabe, não vou nem me animar em derrubar essas idéias porque não quero ser apedrejada. A maioria de nós sabe muito bem porque grande parte das mulheres fica sozinha e porque a maioria dos homens logo arranja outra parceira. Deixa pra lá.

Mas para não pensarem que sou do contra, aviso que se alguém quiser me homenagear com um presente na gloriosa data de oito de março, calço 36/37, visto 42 e aceito flores. Mas prefiro a minha parte em dinheiro.

domingo, 6 de março de 2011

Beije um ateu

Uma das coisas mais bobas do mundo é crente querendo enfiar Deus na cabeça de um ateu. Pra falar a verdade chego a ter pena de quem pensa que está prestando algum tipo de serviço a Deus quando discute com um ateu.

Por quê penso assim:

1) Em primeiro lugar, quem realmente crê em Deus não perde tempo tentando provar nada porque em sua cabeça isso é tão obvio que só de pensar em encarar aquelas discussões compriiiiiidas já dá uma tremenda canseira.

2) Porque tanto a crença quanto a descrença em Deus não habitam o âmbito do cientificamente comprovável. Pelo contrário: é algo profundamente emocional.

3) Desconfio de quem se esfalfa muito para provar a existência de Deus para os outros. Parece que no fundo no fundo a pessoa está tentando provar tudo para si mesmo.

4) Se Deus  é Deus, então por quê ele se beneficiaria com a discução de dois chatos?

5) Se Deus existe ele pode se defender. Se não pode se defender, então não pode me defender. Nesse caso, nem Deus ele é.

6) Em outras palavras: se Deus está incomodado com a incredulidade de uns, então ele é que tem que tomar as providências a respeito. A ofensa é contra ele, não contra mim.

7) Duvido muito que Deus esteja "perdendo noites de sono" só porque uns caras não acreditam nele. Se ele é Deus, basta-se a si mesmo.

8) Se alguém tem "vontade de Deus", essa vontade será saciada. Quem busca, encontra. Quem QUER Deus dá de cara com ele mais cedo ou mais tarde. Quem não quer... vai continuar no zero a zero e eu não tenho como mudar isso.

9) Nunca vi ninguém deixar de ser ateu só por conta de argumentos "brilhantes". Por isso prefiro guardar meu brilhantismo para algo mais útil. Para escrever um texto legal no blog, por exemplo.

10) Já vi ateus deixarem de sê-lo por conta de acontecimentos incrivelmente simples para mim, mas contundentes para eles.  Do tipo "eu nunca pensei que ele se convenceria com isso!"  Ora, se não sei fabricar esses lances inexplicáveis nem para a minha vida, quanto mais para a vida dos outros.

11) Você consegue fazer uma pessoa se apaixonar por outra na base dos argumentos?  Não. Pois é.

12) Para discutir com um ateu você primeiro precisa acreditar que ele existe. Eu, por exemplo, não tenho toda essa fé.  O que vejo é muita gente revoltada contra as injustiças do mundo cruel. Como eles acham que Deus, mesmo podendo, não está fazendo nada para melhorar as coisas e como não podem dar um soco na cara de Deus, então "se vingam" dizendo que ele não existe.  Quando você pergunta para essas pessoas por quê não acreditam em Deus as respostas não são nada filosóficas ou científicas, mas simplórias e emocionais: ela atacam com criancinhas doentes, a fome do mundo, as guerras, enchentes e blá blá blá. Só conseguem imaginar um Deus bom e justo. Se ele não for bom nem justo (segundo elas) então ele "não merece existir".

Isso não me parece razoável.  Tá vendo como tudo está no âmbito das emoções, da experiência pessoal e do imponderável? Por isso é que eu digo: não discuta com um ateu: dê um beijo nele! Deus vai curtir muito mais o lance, até porque ele não está precisando de advogado.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um tema delicado


"Ado! aado!
Cada um no seu quadrado!"

Nas novelas torcemos para que o rapaz rico finalmente case com a garota pobre. Como somos românticos na vida irreal!  Mas tenho uma perguntinha: por quê não conseguimos trazer esse mesmo romantismo para a vida real quando o dinheiro é nosso?

Você nunca se perguntou por quê, afinal de contas, as pessoas mais ricas hesitam tanto em se misturar com as menos abastadas? Pobreza não é doença, não pega, todos sabemos. Então qual o problema?

Preconceito? Talvez sim, talvez não. Tempos atrás já publiquei um texto brilhante sobre o assunto. Clique AQUI e confira. Não vou repetir tudo.

Não quero ser advogada do Diabo, então vou logo adiantando: eu amo o amor. Quero que todo mundo se ame. Quero que todo amor se plenifique e eternize e gere filhotes. Adoro noivas, alianças, lua-de-mel e acho que dinheiro não é tudo na vida. Eu sustentaria um homem pobre se o amasse e daria uma banana para quem tentasse me impedir.  Verdade verdadeira.

Pronto, agora vamos ao outro lado da moeda.

Pode haver muitos motivos para um "amor desigual" sofrer crítica e perseguição. Hoje vou falar apenas sobre um desses possíveis motivos.

Sejamos realistas: quando você casa, casa com a família também. Para isso não há rota de fuga.

Se por exemplo um homem rico casar com uma mulher pobre, ele vai acabar levando nas costas toda a família da moça. Isso é tão certo quanto a noite se seguir ao dia, alguns pensam. Enquanto ele está apaixonado não vai pensar nisso. Só que a família dele pensa, e muito.

Um dia o irmão dela aparece pedindo emprego na $ua empre$a, só que ele totalmente desqualificado. Prepare-se para o prejuízo.  Outro dia é a mãe dela que vive doente e não tem plano de $aúde. Tem também a irmã que apareceu grávida e não tem enxoval, o $obrinho  que pa$$ou no ve$tibular ma$ não pode pagar a faculdade, o tio com 6 me$e$ de aluguel atra$ado e que vai ser despejado, a outra irmã que e$tá com dor de dente e não tem dinheiro para ir ao denti$ta e por aí vai. É um rosário de infortúnio, toda semana uma facada. Isso é preconceito? Não sei, só sei que são os fatos da vida. Admiro quem passa por cima disso tudo em nome do amor. Nem todos conseguem.

A questão não é só dinheiro, é também educação. Outra futilidade que também pode atrapalhar bastante. Sim, eu também odeio reduzir o amor a essas mesquinharias mas...

"E o amor, onde fica?"   No coração, claro! Mas pense: o "pobre do homem rico" ama só a garota, mas não ama o irmão nem a irmã nem a mãe nem a tia nem o pai endividado nem o sobrinho sem colégio nem o primo sem dentes nem os outros duzentos figurantes. O amor pode ser enorme mas convenhamos: a idéia de adotar todo mundo dá uma broxada.

Esse pode ser o motivo número um. Existem outros, mas odeio especialmente esse número um.

Modo de falar, de vestir, preferências musicais, opiniões, reações, gestos, educação, modos... tudo isso difere muito em pessoas de classes sociais diferentes. Só que quem está em baixo não percebe - essa é a parte cruel. A pessoa não percebe  e ainda acha que os ricos é que são muito frescos.  Vai ver que são frescos mesmos, mas isso não muda nada. É como já dizia o velho sábio da montanha:


"Ado! aado!
Cada um no seu quadrado!"


Sei que posso ser crucificada por causa desse texto, mas olhe como as coisas são: eu, que com algum esforço posso ser considerada classe média, certa vez ouvi um colega de trabalho (que nunca foi nem nunca será rico)  criticando outra colega porque ela havia se separado do marido e estava agora se envolvendo "até com o segurança" do prédio. É essa a mentalidade. Na hora critiquei veementemente porque não acho que o segurança do prédio seja inferior a mim ou a ele. Mas mesmo tendo discordado eu sei que não posso mudar o mundo. Eu posso ter muita personalidade para entrar em um relacionamento desigual, mas nao posso achar que todo mundo vá acreditar no meu amor ou no amor do meu parceiro, caso ele seja a parte pobre.

Nem todo rico aguenta o tranco da diferença. E esse tranco muitas vezes dói no pobre também. Aturar frescura de socialite não é moleza não. Ir a festas consideradas chatas, receber gente que fala outra linguagem, ser criticada quando recebe convidados e as vezes até ridicularizada, pensa que é fácil?  Se a diferença é muito grande a coisa pesa para ambas as partes.

Sim, o amor supera tudo. As vezes. Às vezes não.

Com igualdade ou sem ela, sempre teremos problemas na vida. Só tem o seguinte: uns problemas aparecem sem a gente chamar, sem nem imaginar que poderiam aparecer. Outros problemas são anunciados. A escolha é de cada um. Particularmente acredito que é maldade matar um amor, seja qual for o motivo. Tudo vale a pena, nem que seja pra dar errado e aquele sonho finalmente sair da nossa cabeça.

O amor, a vida... Tudo deveria ser mais simples, não é?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A medalinha que não quero



Juro que não sou do contra, mas li e discordo da frase abaixo:

"... A vida seria bem chata se não tivéssemos algo pelo qual chorar -- porque significa que também fomos felizes."

Geralmente quando uma pessoa diz isso, todas as outras concordam. Principalmente se estiverem bêbadas, mas já vi concordarem de cara limpa também.

Vou dizer uma coisa: a vida não seria chata se eu não tivesse algo pelo qual chorar. A vida seria MARAVILHOSA, isso sim!

Não entendo esse povo que doura problema e glorifica urucubaca. Sai pra lá!  Sou da seguinte opinião: se o mundo fosse o Céu, isso seria o céu! Tudo bem, não foi uma grande frase mas faz sentido.

Gosto da alegria, das coisas bonitas, do prazer, de concórdia, dos corações bem resolvidos, de comida todo dia na mesa, de passeios, de amigos sinceros, amores sinceros, comemorações sinceras, de saúde. E não acho que os contratempos melhorem nada disso. Não preciso de desgraça nenhuma para aprender a curtir o lado bom da vida. Quem precisa, deveria passar uns tempos em algum campo de concentração.

Claro que não existe perfeição nesse mundo. Sempre haverá problemas, infelizmente. Só que quando eu digo "infelizmente", é infelizmente mesmo. Já vi gente dizer que:

1- "Não gosto de namorado que faz tudo o que eu quero".  Quem é a doida que disse isso? Essa bem que merece umas patadas, pra acordar. Pois fiquem todos sabendo que adoro tratamento vip.

2- "Briga entre o casal é até bom porque fazer as pazes depois é uma delícia."  Outra frase infeliz.  Não conheço nenhuma briga boa. Todas são uma bela bosta e ferem a gente por dentro (e às vezes por fora também) e não tem nada de legalzinho nisso.  Bom mesmo é a harmonia, minha gente! Boa é a paz!  Transar não arranca mágoa do coração nem apaga os desaforos que foram ditos. Pode parecer gostoso transar depois de uma briga, mas as marcas ficam e elas se acumulam no decorrer do tempo azedando a relação.

3- "A vida seria muito chata sem problemas" . Como é que é?  A vida é chata sem problemas? Pois o que torna a vida chata são justamente os problemas!   Quem diz isso merecia perder o emprego, no mínimo.

Pois declaro oficialmente que me sinto plenamente capaz de ser feliz sem problemas, sendo bem tratada e não brigando com ninguém.

4- "É bom ter algo pelo que chorar".  Tá doido?  É bom ter algo para rir, isso sim.  Todos os meus esforços vão no sentido de não precisar chorar nunca. Quem quer ter por quê chorar deveria frequentar enterros pelo menos uma vez por semana e passar as férias no mais miserável país africano. Em minha vida, vez por outra eu choro, mas não me divirto nadinha com isso.

Para quê carregar no peito a medalinha de "UM DIA FUI FELIZ"? Sabe o que está escrito atrás da medalinha "Um dia fui feliz"? É:  "Hoje estou na merda".  Não, essa medalha eu não quero.

Que me venham os bons fluidos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um homem feio

Recentemente dediquei um tempo para responder perguntas no Yahoo! Resposta. Cara, tem de tudo. O que menos tem é pergunta inteligente, mas... fiz por distração.  Olhe só um exemplo: adolescente angustiada porque está sendo cercada por um pretendente feio:

A PERGUNTA:

O QUE EU FAÇO? ELE ME AMA EU GOSTO DELE MAS ACHO ELE FEIO.

"Eu adoro ele por isso ja fiquei com ele, nao foi pela beleza e sim pelo que ele é..uma pessoa gigante de alma, e ele realmente gosta de mim, me adimira, me venera, me observa como se eu fosse a unica pessoa da terra...faz de tuudo pra me ver bem..faz de tudo por mim..nao para de me olha..parece q fica hipnotizado.. Eu do uma chance a ele ? Eu gosto mto dele como amigo...mas nao o acho bonito..
oq eu faço ??

MINHA RESPOSTA:

Aqui o que menos importa é se ele é feio ou bonito. Pelo que dá para perceber, você não gosta dele: só gosta do que ele sente por você. Você fica encantada, vaidosa, adora ser bajulada. Não condeno porque também gosto (rsrsrs) mas claro que isso não é amor.  Estou só avisando.

Não digo que você não deva dar uma chance. Dê uma chance - não a ele, mas a você. Uma chance de descobrir que pode se apaixonar e viver uma coisa maravilhosa com esse cara. Uma chance de superar a futilidade das aparências, uma chance de, quem sabe, crescer.

Detalhe: prefiro um feio que me trate como rainha do que um bonito que me trate como súdita.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES:

Utilidade prática de ter um homem bonito:

1) Fazer inveja às amigas;
2) Fazer inveja às amigas;
3) Fazer inveja às amigas;
4) (Isso não é pouco! hehehe).

Mulher, pra se excitar, não depende da beleza do parceiro. Nesse quesito somos o contrário dos homens. Diria até que somos superiores.  Não que não influencie. Influencia, mas não determina. Entre um feio eficiente e um bonito "devagar", qualquer Mulher prefere um feio eficiente. Ao contrário dos homens, que na maioria das vezes vendem a alma ao Diabo em troca de uma estampa e tão embevecidos ficam com isso que demoram um tempo para notarem que nada funciona a contento naquela Barbie.

Claro, para  a maioria isso não chega a ser grande problema porque acabam arranjando uma feinha eficiente por debaixo dos panos.

Detalhe: tudo bem, esse cara aí da foto... Acho que exagerei. Não gosto de chavões mas "ninguém merece!"

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dinheiro = Poder

Em primeiro lugar: não me xingue.

Li esses dias a seguinte frase: "Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa..." (Karl Marx)


Discordo.


Ou concordo, se em seguida Marx emendar que todos somos capitalistas.

Não são "os capitalistas" que querem encher os bolsos.  Isso é o que TODOS querem, até Marx. Todos gostam de dinheiro e duvido muito que ele não gostasse.


Isto posto...  Tenho a dizer que ninguém quer dinheiro pelo dinheiro em si. O que o dinheiro tem de desejável é a sensação de segurança e poder que ele traz, coisa que todos querem, tanto os monstruosos capitalistas quanto os revolucionários, os proletários, os comunistas, os socialistas e os fumados em geral.

Acontece que todos os que demonizam os capitalistas têm ânsia por poder  na mesma intensidade que os capitalistas tem ânsia por dinheiro. Se considerarmos que dinheiro é poder... vemos a hipocrisia de certos discursos "revolucionários".


Não se deve criar nada para o homem  - muito menos as leis - sem levar em conta como o homem realmente é.  As leis não servem para modificar a nossa natureza, mas para impor limites a ela.


Limites ao capitalismo? Não sou economista mas se é possível fazer isso sem detonar a economia nem engessar a livre iniciativa, sou a favor. 

Ora, se segurança e poder são desejos comuns a todos os homens e se os comunistas e socialistas e capitalistas são homens, há de se concordar que eles querem exatamente as mesmas coisas. Só que não fica bem proclamar isso em um discurso.  Daí vem a malícia de fazer crer que só os outros têm ambições.

Se somos todos ávidos e isso é admitido sem hipocrisia, tudo bem! A partir daí dá até para pensar em emlhorar o que temos. Mas se partirmos da mentira, fica difícil. Se partirmos da idéia de que "os outros" é que são o lobo mau, aí não há esperança mesmo.


Todo o nosso sistema econômico e de governo tem de partir desse pressuposto. Nossas leis tem que ser formuladas para domar a avidez do homem, que se volta frequentemente contra o seu próximo.  


Alguns podem dizer que a proposta dos sistemas anti capitalistas é justamente esse. Pode parecer que sim, mas não é, pois se baseia em pressupostos equivocados: 


1) O pressuposto de que estamos lutando contra "eles". Isso é nefasto. 
2) O pressuposto de que quem luta contra "eles" (os capitalistas) possui uma pureza ideológica celeste, por isso não precisa ser contido. Mentira. Quando o cão raivoso põe o pé no poder, fica no mínimo igual aos outros. No mínimo! 
3) O pressuposto de que quem luta contra "eles" precisa de uma dose muito maior de poder para dar conta dessa tarefa tão árdua. 

É totalmente idiota e contraproducente acreditar que "eles" (o outro grupo) querem "encher os bolsos"  e "nós"  não queremos isso.


O grande problema é que as pessoas que querem lutar contra "eles", não admitem que são da mesma laia.  Sim, as mesmas pessoas que querem lutar "contra eles"  acabam requerendo da sociedade um poder absoluto para alcançar o objetivo de acabar com a ambição "deles" enquanto quem quer mais e mais poder é igualmente ambicioso e insensível.  

Um ambicioso poderoso é basicamente um sujeito PERIGOSO. 


Enquanto o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente (John Emerich Edward Dalberg-Acton).  Todos os que separam a sociedade em "eles" e "nós", se colocam numa posição de superioridade maligna.  


Por exemplo: todo ditador é rico. Quem manda, dispõe de.


Civilizar (legislar) significa impor limites ao que somos.Somos ambiciosos, invejosos, ávidos, competitivos. Não são "eles" que são assim, somos todos.  NINGUÉM ESTÁ ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA nem o "puro militante contra a burguesia e a favor da igualdade".


Pensar uma sociedade não é sentar em uma cátedra para separar o joio do trigo, mas admitir que temos todos, basicamente, os mesmos anseios e impulsos. 


Quem não se enxerga, não enxerga mais nada. E quem não enxerga nada, não tem capacidade nem direito de governar ninguém.


Desculpa aí, Marx! Comecei com você mas sobrou para os seus discípulos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Menos glórias

Acabei de receber um texto muito bom em minha caixa de e-mail. Eu poderia postá-lo aqui mas por quê fazê-lo se você vai acabar recebendo também, mais cedo ou mais tarde? No entanto, meu precioso comentário não está ao alcance de qualquer mané.

Não adianta ter as bolsas mais caras, os carros mais impressionantes nem frequentar os lugares mais glamourosos. Nem adianta ser bonito, culto, bom de papo. Ter sucesso não rende taaaanta felicidade. Uma vida boa, realmente boa, indiscutivelmente boa é medida pelo seguinte: TER TEMPO.

Você tem tempo?

Tempo sim é qualidade de vida. Já ouvi falar de empresários que não conseguem parar pois todo passeio, festa, almoço e jantar são na verdade reuniões de negócios disfarçadas. Há pessoas que constroem casas mas não têm tempo de tirar uma soneca em sua varanda; vivem amarelando no escritório ou vagando exaustos pelos hotéis do mundo. Ora bolas, pra quê eu quero dinheiro se não for pra usufruí-lo?

Bora ao cinema? Vamos reunir a turma para um bate papo? Vamos para a academia?  Vamos dar uma voltinha no shopping?  Vá lá em casa que eu quero que você prove minha nova receita.  Não?! Você não tem tempo? Então meu filho, não importa a marca do seu carro ou da sua roupa: você é um pobre coitado e a sua qualidade de vida pode ser classificada como "bosta".

Adianta ter carro e só usa-lo para trabalhar? Adianta ter um lindo quarto mas não poder de vez em quando permanecer na cama lendo uma revistinha? Adianta uma sala bonita se só passamos por ela de relance, indo ou vindo do trabalho? Adianta uma linda mesa com cadeiras se não sento nela e nem me reúno com os amigos para uma macarronada?

Melhor ter menos glórias e mais tempo. Tempo é vida.

Falam mal dos caboclos que vivem nas beiras dos rios e não procuram "melhorar de vida". Como assim?  Passar a vida correndo atrás do vendo é mesmo uma vida melhor? Muito desses ribeirinhos tem tudo: comida todo dia, peixe, farinha, açaí, frutas, sexo, filhos, passeios, amigos com os quais podem conversar, rir, falar da vida (a quanto tempo você não vê os seus amigos?), um barquinho (você tem um?)  e a imensidão dos rios e das florestas. E ainda fazem o próprio horário de trabalho. 

Você tem certeza de que a nossa  maneira de viver é uma opção melhor? 
Eles os são burros? 
Ou os burros (de carga) somos nós?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cadeiras, cadeirinhas e cadeironas

Novamente a mesma história: agora os motoristas tem que comprar cadeiras para bebês, para crianças pequenas, para crianças médias e para crianças grandes.

Não sou contra o uso de cadeiras para os bebês, mas o que se vê com essa nova lei é apenas mais uma forma de infernizar a vida dos brasileiros. Se quisessem salvar vidas, deveriam começar desarmando os assaltantes. 


- Poderiam exigir mais air-bag nos carros;
- Poderiam mandar adaptar cintos especiais nos carros para crianças;
- Poderiam  exigir as tais cadeiras apenas nas estradas ou apenas para crianças bem pequenas;
- Poderiam apenas exigir que quem transporta criança não passasse de 40 k na cidade.
- Poderiam... Sei lá, pensem aí vocês, que são pagos para isso!

Lembram do tempo dos kits de primeiros socorros? Todo mundo tinha que ter no carro, se não além da multa o cara era amaldiçoado com sete anos de azar. Pois faltou nas farmácias gazes, luvas, merthiolate, algodão e outras tranqueiras que a maioria de nós não iria usar nunca; ficava lá no carro tudo jogado pegando poeira, e calor.  

Sempre me perguntei: por que não colocar ambulâncias que realmente atendessem os chamados em caso de acidentes?  Outra pergunta: como eu poderia salvar uma vida com compressas de gazes? Bem, deu no que deu: quem deveria ganhar dinheiro com isso já ganhou e agora não se fala mais no assunto. Agora está na vez das empresas fabricantes de cadeirinhas encherem os bolsos.

Resultado prático da nova Lei:

1- Acabou aquela onda de "Mãe, dá pra pegar o Pedrinho no colégio? Aconteceu um imprevisto!" Pois de agora em diante o Pedrinho que se mofe na calçada porque a vovó não vai ter uma coleção de cadeiras em seu carro, uma para cada neto.

2- Se a intenção era resguardar a integridade física das crianças,  a Lei não funciona também porque como  exigir tamanho investimento de taxistas, perueiros e empresas de ônibus?  Tá certo, eu sei que eles estão fora mas essas exceções representam um rombo enorme na lei - rombo esse que invalida a sua própria essência.

3- O mais provável: de hoje em diante as crianças viajarão abaixadas no chão do carro. "É isso aí moleque, ou você some aí por baixo ou a multa será descontada de seu presente de Natal, aniversário e Dia das Crianças."   As crianças serão os novos tapetes fashion no piso dos nossos carros. viajarão esparramadas no chão para não serem vistas pelo guarda. Ou você acha que as pessoas vão deixar de pegar uma carona com os amigos só porque o motorista não tem cadeira para o filho deles? Tá doido? "Crianças, todo mundo no chão!"  É até bom, porque os pequenos já treinam para quando forem assaltados - porque como todos sabemos, um dia serão.

4- Vai rolar muita propina!

5- Depois de gastarmos bastante dinheiro e depois de serem aplicados bilhões em multas, o governo vai concluir que a lei era impraticável. Aí vão deixar pra lá...  e tudo volta a ser como era dantes do quartel de Abrantes.

Brasil-il-il!

domingo, 12 de setembro de 2010

Discriminar é preciso

Notei um traço interessante em minha personalidade: tenho dificuldade para a ceitar a mudança do significado das palavras. Já me vi em muitas situações corrigindo pessoas porque renegam o sentido (que eu considero) original do termo e não gosto disso.

Por exemplo: acho que o termo "discriminação"  costuma ser totalmente mal empregado. Discriminar é apenas ressaltar, evidenciar, mostrar a diferença. Só. O que há de errado nisso? Minhas professoras do passado sempre passavam exercícios dizendo"Discrimine as frase correta."  Ou "discrimine o sujeito da oração". Nunca achei que eu estava fazendo algo errado rsrsrs.

Quando você vai a uma loja de peixes e pede para o seu filho escolher só os alaranjados, está pedindo: "discrimine os alaranjados e coloque-os no saquinho."

Qual o problema de discriminar os mais pobres? Nenhum. Se você quer distribuir cestas básicas, terá que discriminá-los, destacá-los dos demais, para que só eles recebam o benefício.

Se você vai redigir o edital de um concurso público, você precisará deixar claro que os candidatos que não pussuírem tais diplomas serão rejeitados logo de cara.

Se você vai ao supermercado, precisa discriminar sua marca preferida.

Quem discrimina não rejeita, no sentido de algo ser superior ou inferior a outro. Discriminar é destacar.  Quer dizer: era destacar. Parece que a coisa está mudando a despeito da minha discordância.

Discriminar não tem um sentido necessariamente negativo. Claro que pode ser usado com uma conotação má, como temos feito, mas isso não faz sentido porque o português é rico e temos uma palavra muito mais expressiva para definir o que seria o "sentido mau" de discriminar: é REJEITAR.

Rejeitar já diz tudo. Discriminar pode ter o sentido de escolher e elejer. Rejeitar é rejeitar mesmo, é descartar, jogar fora. Admita: para ser usado em questões de preconceito, REJEITAR é um termo muito mais claro e expressivo do que DISCRIMINAR.


Uma pessoa não pode ser REJEITADA por causa de sua cor, de sua religião ou situação financeira ou só porque é feio. É isso o que as pessoas querem dizer. Não pode REJEITAR.

Quer dizer...  pode sim. Pode e deve!

Porque ninguém pode ser rejeitado? Você rejeita uma babá se descobrir que ela é alcoólatra. Você rejeita um estudante de artes plásticas para ser seu estagiário em seu escritório de advocacia. O Estado rejeita um monte de gente todos os anos em seus concursos públicos. O atleta que não alcança a marca mínima não pode participar das olimpíadas - é rejeitado.  Eu rejeitaria uma pessoa analfabeta para trabalhar como secretária em meu escritório. Uma pessoa completamente mal vestida não pode representar uma boa empresa. Etc, etc.

REJEIÇÃO e DISCRIMINAÇÃO fazem parte da vida. A questão é saber quais as exceções, ou seja: em quais ocasiões é inaceitável rejeitar uma pessoa.

A conclusão é: nesse mundo não somos iguais perante nada, muito menos perante a Lei. 

Quem é réu primário é visto de uma forma e o reincidente, de outra. Quem matou com intenção é visto de forma diferente de quem matou sem intenção. Um fracote que dê um soco em alguém é analisado de forma diferente de um boxeador que desfira um único e humilde soco em alguém.

Se todos fôssemos iguais não haveria necessidade de julgamento: motivos, intenções e dolo seriam iguais para todos e igualmente considerados. Bastaria um computador com um bom programa para substituir os Juízes.

(Que ótima idéia!)

Para haver o mínimo de ordem em nossa sociedade, discriminar é preciso. Rejeitar também.  Aliás, por falta de discriminação é que os políticos bandidos estão misturados aos honestos. Se houvesse discriminação não seria muito melhor?

DISCRIMINAÇÃO JÁ!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Você aguenta mais um pouquinho

Já está todo mundo enjoado mas mesmo assim resolvi escrever um pouquinho sobre política, só para azucrinar  também.

Li no blog Oásis a Inutilidade um texto interessante sobre o assunto. Sugiro que você vá lá e leia  a postagem completa. Aqui, apenas colo dois parágrafos nos quais o nobre blogueiro responde a duas indagações que - acredito - são comuns a todos os brasileiros:

Primeira pergunta respondida pelo blogueiro:

"Então por que tanto fanatismo político? Fácil: política é igual futebol. Cada um escolhe um time para só ver virtudes e coloca um filtro no cérebro pra detectar apenas defeitos alheios. Eleição é uma mera disputa entre agremiações. Embate de ideias é passado; o presente não passa de uma escaramuça para saber quem vai herdar a carniça."

Segunda pergunta respondida pelo blogueiro:
"E por que os candidatos são tão semelhantes? Porque somos todos parecidos. Por um cargo DAS, somos capazes de dizer que mudamos de candidato - ou mudamos mesmo -, colocamos propaganda no carro e vamos a carreatas com um poster do candidato no c*. Não é tão diferente das trocas de favores políticos que tanto criticamos."

Isso tem tudo a ver com uma antiga postagem minha (confira aqui).

Sem mais comentários.

Reflitamos, irmãos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lei da palmada

A respeito do(ridículo) projeto de lei que proíbe as palmadas, recebi hoje o e-mail  de um sem-noção defendendo o tal projeto. Minha resposta foi:

Tenho certeza de que enquanto esses psicólogos e teóricos estavam estudando e trabalhando fora de casa para fazer nome, seus filhos estavam sendo criados por babás ou outros parentes e eles, os pais, chegavam em casa só a noite. Assim é fácil dizer que não precisa dar palmadas. Sem ter que estar por perto, não se estressar e tendo outros para aguentar os pequenos, qualquer um teoriza.

Há MUITA diferença entre palmada e espancamento. POR QUÊ NÃO DIZEM ISSO???

A quase totalidade dos que são conta jamais ficaram dias, meses e anos INTEIROS cuidando e educando crianças. Jogavam na mão de outros. Repito: assim é muito fácil.

Crianças maiores que já foram educadas desde pequenas não precisam apanhar porque já respeitam e também já tem condições de entender um diálogo mais longo. Bater é o último recurso. Mas o que fazer com uma criança que (por exemplo) não cansa de lhe chutar e bater, mesmo depois de você explicar para ela que aquilo não é aceitável? E se ela continuar te desafiando (como é comum nas crianças) vocÊ vai ficar quantas horas levando chutes e teorizando?

Respeito se aprende. Não se nasce sabendo. Quando somos mais maduros sabemos a diferença mas AS VEZES a lição precisa começar com o medo de ser punido.

A diferença entre impor limites e impor vontades só é perceptível à criança quando ela é mais crescida e já aprendeu a obedecer, sentar e conversar. O respeito vem junto. São níveis de entendimento e educação. Vá tentar colocar a sutil diferença em prática quando seu filho de três anos insistir em jogar o controle da televisão no chão.

Se uma criança não levou palmadas na hora certa, NÃO PENSE QUE QUANDO ELA CRESCER VAI SENTAR PRA DIALOGAR COM VOCê. Todos os dias vemos adolescentes que não querem ouvir os pais e são uns terrores.

E pelo amor de Deus, qual o problema em vigiar constantemente as ações de uma criança? Tem mais é que vigiar mesmo! Não confunda criança com adulto. São diferentes, sabia?

Crianças retraídas e sufocadas não são as que foram corrigidas eventualmente com alguma palmada, mas as que foram maltratadas. Não é a mesma coisa.

Sou a favor de que a criança seja ouvida, claro! MAS OS PAIS DEVEM SER OUVIDOS TAMBÉM. Se não forem, a criança deve entender que aquilo terá consequencias bem desagradáveis. Pode não ser palmada. Palmada não é remédio para tudo! Mas as vezes é necessário sim.


É mais fácil que os pais que deram palmadas sejam amados e respeitados no futuro do que pais banana ou ausentes. Pais bananas SEMPRE criam rebeldes insuportável e é mesmo o que merecem.

Se você não exige obediência, acredite: quem vai acabar obedecendo é você. Isso é tão certo e inevitável quanto o dia se seguindo à noite.

TODOS OS DIAS ME DEPARO COM PAIS PATETICAMENTE OBEDIENTES aos seus filhos. E vejos crianças que se tornaram ditadoras e impôe sua vontade aos pais sem se preocuparem se aquilo é ou não aceitável no âmbito da lei e da psicologia.

O projeto de lei do governo federal que prevê punição para quem aplicar castigos corporais é um equívoco ridículo e lamentável de pessoas que NUNCA CRIARAM PESSOALMENTE SEUS PRÓPRIOS FILHOS e que fariam um grande favor se pelo menos não atrapalhassem os que estão criando e querendo educar.
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domingo, 24 de julho de 2011

Maria Photoshop

Acabei de checar o texto do blog do Carpinejar - Nenhuma mulher se acha bonita. Gostei do texto e quando gosto, comento. Quando não gosto, comento. E quando "muito pelo contrário" também.

O bom de ler textos alheios é que nossos comentários, quando confeitados, viram postagem do nosso próprio blog - veja você que engenhoso!

Pois o amigo escritor dizia que nenhuma mulher se acha bonita e que quando não notam os mil defeitos que ela jura que tem, ela entende que isso é descaso do "olhador".  Tipo "seria eu tão insignificante a ponto de não terem notado que meu pé é grande, meus cílios são pequenos, minha cintura é alta e meu joelho é quadrado?"  

Nada disso. Pra mim, mulher bonita se acha bonita sim. Só que quando não enxergam os defeitos dela ela fica angustiada pensando que "Só me acham bonita porque não notaram nisso. E quando repararem, será que ainda serei bonita para essas pessoas????"    Essa dúvida é pior do que moratória americana.  A mulher então resolve se detonar de leve. Só para ver se os fãs aguentam o tranco.

Mas não é só para testar os fãs. Ela se põe debaixo da lupa também por outro tipo de medo.

A mulher bonita tem medo de que um dia descubram que ela não passava de uma fraude.  Ela, que nunca se impôs ao mundo como beldade, pode daqui-prali ser cruelmente "desmascarada" e pensa: "Melhor eu me denunciar aqui e agora do que quando estiver emocionalmente desprotegida. Melhor agora do que debaixo de algum maldito holofote. Melhor eu me adiantar do que ser apontada como Maria-Photoshop".

Ela tem razão. As pessoas sempre dizem das bonitas:  "Bonita? Imagine! Já notou que ela tem os ombros caídos?"  Eu sou uma. Sempre digo que a Angelina Jolie é composta apenas de beiços e peitos. Não tem cintura, não tem bunda, não tem coxas. Tô mentindo? Fecha parêntesis.

Essa coisa toda funciona mais ou menos como no mundo do crime: quando a pessoa se adianta à polícia e confessa, acaba sendo julgada com certa benignidade.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um homem maravilhento

Não sei vocês, mas em minha vida de internauta de vez em quando topo com umas mensagens edificantes que me enchem a paciência.

Esses dias foi a vez da história de um homem  patologicamente feliz. Acontecesse o que acontecesse ele achava tudo lindo.  Furúnculo no traseiro, unha encravada, chifre, sogra em casa, tijolada no carro, CD arranhado, computador com vírus, mulher frígida, filho perdulário, chefe torturador, cantada de viado,  goteira, cárie, nada o abalava. Ele estava sempre lá, rente que nem pão quente, dizendo que tava tudo cem por cento. Ele era de teflon, a ira não grudava.

Por quê cargas d'água alguém imagina que ao descrever esse ser "végeto-humano" eu iria ser incentivada a me tornar uma pessoa melhor? Pois quem pensou isso errou feio, porque comigo o efeito foi contrário.

fiDeu vontade de dar uma tijolada no cara. Imagine você conhecer uma pessoa com o pé na desgraça, aí você se aproxima cheio de dó querendo ser útil e o babaquara só sabe dizer que está tudo bem e que "se melhorar, estraga". Pois então te lasca, filho da mãe!

Mas claro que você está morrendo de vontade de saber qual o segredo dessa estranha forma de não ver a vida. O segredo da felicidade babante é simples: quando ele acordava, respirava fundo. Antes de escolher a cueca ou o sapato, ele escolhia ser feliz!  Só isso.

Tente.

Será que alguém pode acreditar que uma pessoa dessa é normal? Será que é possível acreditar alguém possa ter inveja dessa estranha criatura?
Pois fique você sabendo que eu me alegro pela minha capacidade de sentir e de reagir aos fatos da vida.   Doeu? Eu choro. Machucou? Eu grito. Fez cócegas? Eu rio. Pisar na bola? Eu piso. Depois me arrependo.

Minha capacidade de ficar furiosa não me tira a humanidade, pelo contrário: a reafirma.  Por outro lado a incapacidade de sentir a vida como ela é pode nos anestesiar para todo o resto. Tipo: "Se eu consigo ser feliz até com um prego no pé, você tem mais é que deixar de ser frouxo e se virar." 

Sinceramente, uma pessoa que não consegue guardar os dentes dentro da própria boca não me causa admiração, causa é desconfiança. E se eu estiver com ele sozinha em um lugar deserto? Sei lá, vai que ele me chupa o sangue!

E o texto edificante ainda dizia que aquela era uma  pessoa que a gente gostaria muito de conhecer. Eu não. Eu gosto de gente bem humorada, feliz e otimista, mas ET zen não é muito a minha praia. Sai pra lá.

domingo, 5 de junho de 2011

As rebeliões nos presídios e as onças

Rebelião? Fácil fácil de resolver...

Esses dias assisti, boquiaberta, a mais uma prova de que muitos dos habitantes dos presídios do Brasíl já deixaram ser ser humanos faz tempo. Bandidos indignados decaptavam companheiros, exibiam cabeças, arrancavam olhos e clamavam por maconha e celulares - o que nos leva a concluir que prisão é bobagem; castigo mesmo é privá-los dessas duas coisas. 

Sim, essas pessoas não são mais humanas. Em algum momento de suas trajetórias elas perderam a alma.  São uma estranha mutação, uma degenerescência talvez. Ou quem sabe sejam mesmo é mais evoluídos do que nós! Se considerarmos que eles estão muito mais aptos a sobreviver do que a gente e que povoam o mundo com muito mais liberalidade... Se considerarmos esses dois fatores, eles são mais evoluídos sim.

Claro que não estou aqui para defender essa tese, mas nesse gancho cheguei à solução do problema das rebeliões nos presídios. É só tratar os não-humanos como onça. E tratar como onça não é tratar mal! Vou explicar: 

O que as autoridades fazem quando uma onça foge do zoológico? Matam a onça? Não! Simplesmente miram e dão um tiro com um poderoso calmante na danadinha. Pronto, acabou a valentia!  Simples e eficaz. Agora eu pergunto: o quê impede as autoridades de fazerem o mesmo com os bandidos nervosinhos? É só criar armas que metralhem milhares de bolinhas com sonífero. Nem o pior atirador do mundo erraria uma rajada de calmantes na distância de 4 metros em alvos enjaulados.  É só disparar e esperar os valentões caírem um por um. Aí era só desarmar, recolher e isolar. Acabou-se a revolta!

POR QUÊ, AO INVÉS DE FICAREM ATÔNITOS TENTANDO NEGOCIAR COM BANDIDOS, ESSES BABACAS NÃO FAZEM ISSO?  Seria a glória para os Direitos Humanos! Ninguém mataria, ninguém morreria.


Outra solução: Por quê não jogar nos revoltosos gás sonífero?  Os policiais (ou bombeiros, sei lá) entrariam com trajes e respiradores de proteção, direcionariam suas mangueiras (no bom sentido) contra a bandidagem e jogariam nuvens e nuvens de gás. Os presos iam cair um por um feito mosca. O trabalho seria só de desarmar e recolher "as vítimas da sociedade".

Como faço para mandar essas idéias para o Governo? 
Droga de blog sem visibilidade...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Seremos todos condenados



Li um dia desses que, possivelmente, as futuras gerações iriam nos condenar. Embora pareça obvio, fiquei magoada assim mesmo ao pensar em todos os  bebezinhos de hoje transformados em marmanjos julgadores apontando o dedo contra nós, frágeis velhinhos. Logo nós, que até tomamos banho mais rápido só para deixar água para eles no futuro! Nós, que fomos obrigados a abrir mão de comer baby beef para dar o exemplo, tiramos do cardápio as mussuãs, voltamos a lavar copos para não poluir  com descartáveis. Nossa, muita renúncia! E eles ainda vão nos condenar no futuro. Bebês ingratos.

E por quê haveríamos de ser condenados por eles, você perguntaria?  Primeiro por um motivo óbvio: todo mundo gosta de criticar os mais velhos.  Outro motivo é que como algumas coisas consideradas normais ontem são consideradas absurdas hoje, esse fenômero tende a se repetir.  Antigamente era muito bem aceito possuir escravos porque nem alma eles tinham! Hoje, ter escravos sem carteira assinada é considerado um horror.  Marido bater na mulher não era nenhum absurdo antigamente. Hoje isso não é mais aceito - embora a Justiça tolere bem a mulher bater no marido.  Antigamente era normal os pais baterem nos filhos. Hoje evoluímos: só os filhos é que podem bater nos pais.

Tem mais:  hoje ninguém mais deforma os  próprios pés  como as chinesas de séculos atrás. Hoje ninguém mais deforma os pés, só o rosto, mas aí tudo bem.

Tudo muda e a humanidade segue sempre em frente. São dois passos pra frente e um pra trás, mas um dia a gente chega lá. (Lá onde mesmo?)

Mas sim: o quê fazemos hoje que vai ser considerado absurdo amanhã?  Tenho minha própria lista de palpites:

1-  Não será mais tolerado que uma única pessoa ocupe espaço utilizando um veículo onde caberia um monte de gente. Nossos bisnetos vão nos detonar quando descobrirem que fazíamos isso e ainda reclamávamos do trânsito. No futuro ninguém poderá desfilar com um monstrengo sem ser apedrejado por raio laser.  Carro para um será carro para um, pequenininhos, no formato de simpaticos supositórios.  Mas em um futuro mais distante ainda, acredito que vão abolir de vez os transportes particulares.

2- Embalagens de uso único? Nem sonhar! Como sou uma mulher  à  frente do meu tempo, já olho com desaprovação essa coisa de refrigerante, desodorante, sucos em caixinha, biscoitos, tudo com embalagem descartável. Tá errado.  Futuras gerações vão nos crucificar. Quer comprar biscoito? Leve sua vasilha e compre por peso. Quer refrigerante? A mesma coisa. E suco e tudo o mais: feijão, açúcar, até desodorante.  Vamos voltar ao tempo das tabernas (não cavernas!).

3-   Com a multiplicação da população das mulheres modificadas, vamos chegar a um ponto de esgotamento. Os homens, enjoados da perfeição artificial,  vão morrer de tesão por mulher com peito caído, bunda murcha e ruguinhas. Assim como hoje as chinesas dos pés modificados são só as velhinhas que sobraram,  no futuro só as velhinhas que sobraram vão ser siliconadas, lipadas, botocadas e espichadas. As fotos nossas delas causarão espanto nas crianças.

4- Todos os nossos costumes em termo de política serão execrados. Vão criar um sistema mais justo e inteligente e vão rir muito da gente com nossas campanhas ridiculamente mentirosas custando fortunas. Nossa passividade é flagrantemente prova de atraso.


5- Ficar 10 horas praticamente imobilizado em uma aeronave viajando em condições angustiantes e aflitivas? Um dia nossas aeronaves de hoje serão vistas como navios negreiros. Nossos bisnetos ficarão penalizados quando descobrirem como eram os vôos da Gol. Vão chorar - ou rir - da mesma forma que nós, quando quando vemos aquelas gravuras antigas mostrando o pessoal do passado sendo transportado em redes penduradas em varais carregados por escravos.

6-   Nossos bisnetos vão condenas os pais de hoje, que se deixam manipular por seus filhotes.  Lá no futuro vão ensinar nas aulas de historia que a ditadura dos pais resultou anos depois na ditadura dos filhos mas só agora (no futuro) eles conseguiram chegar a um meio termo aceitável.  Mas que os jovens e vão rir das nossas aflições vão, quando os professores contarem, a guisa de exemplo, que antigamente era comum um pirralho sem o menor juízo determinar o horário que seus pais podiam dormir ou  determinar se os pais podiam ou não sair sozinhos (sem eles) a noite.

7- Só não vão rir das nossas superstições. Seremos louvados!  Assim como nós, babacas, nos encantamos com pirâmides, duendes, livros de bruxas, amuletos e outras velharias que eram valorizadas hà milênios, as futuras gerações olharão com reverência os pés de coelho de hoje.   Digo isso porque observando a nossa própria história dá pra concluir que no quesito "crendice" e "mistério", a tendência é não evoluirmos nunca.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Aquilo que você já sabe.

Pra mim é o seguinte: rotina só é ruim quando não é boa.
Eu mesma não queria abrir a janela ao amanhecer e ver cada dia o sol com uma cara diferente. Sol roxo. Sol cinza. Sol vermelho com bolinhas pretas. Sol amarelo com listras azuis. Não. Gosto mesmo é desse mesmo sol amarelinho e descabelado de todas as manhãs.  Qual o problema?

Não entendo essa implicância que algumas pessoas tem com a rotina.  Rotina é bom!

A pior implicância mesmo é implicar com a rotina da convivência a dois. Dá até vontade de rir quando vejo uma recém-casada dizendo que está sempre bolando alguma coisa nova para o relacionamento não cair na rotina.  Ha ha ha. Só quero que ela venha conversar comigo daqui a trinta anos.  Quem é que aguenta o peso de ter que estar bolando novidades para escapar da rotina do casamento? Se o casamento tende a ser insuportavelmente chato a ponto de você precisar ter essa preocupação, vou te dar um conselho: ao invés de ficar imaginando coisas, caia fora desse casamento enquanto é tempo.  O bom casamento não é aquele com uma novidade por dia. O bom casamento é justamente aquele no qual duas pessoas se deliciam no que já conhecem de sobra e ainda assim continuam querendo. Êta coisa boa!

Bom do casamento (e de tudo o mais) é justamente a boa expectativa.  Há coisa melhor do que deitar já sabendo que receberá aqueeeele cafuné de boa noite? Por quê esse cafuné tem que ser cada dia de um jeito, meu Deus do Céu?  Outro exemplo: eu não gostaria de chegar ao meu restaurante favorito e encontrar cada vez o meu pedido com um gosto, um tempero, um corte diferente. NÃO! Eu quero comer exatamente aquilo que eu já comi na imaginação. Se mudarem alguma coisa eu reclamo.

O sucesso das franquias é justamente a pessoa entrar no estabelecimento já sabendo o que vai encontrar, sem invenções nem "criatividades".

Imagine-se em um casamento no qual você tenha a tarefa de toda a semana inventar um novo local para acasalamento (legal esse termo, né?), uma roupa diferente, uma música diferente, uma posição diferente... Acorda! Isso é impossível! Não há criatividade que aguente.  Além do mais, nada que você inventar será mesmo diferente. Todas as posições "diferentes" já são manjadas desde que o mundo é mundo. E mesmo que para você elas sejam novidade, daqui a pouco tempo vão deixar de sê-lo. Ou você gosta de fruta ou não gosta. Decida.

Sério, as pessoas tem que entender que não existe a menor possibilidade de estar com alguém por trinta anos e ainda assim ter "novidades" toda a semana. E isso não é lamentável, mas desejável!   Acho que a pior rotina é a de ter que ficar o tempo todo bolando um jeito de sair da rotina. Cruz-credo!

Há algo melhor do que entrar no quarto do filho sabendo que ele está lá, previsivelmente com saúde, que vai previsivelmente sorrir para você e previsivelmente te dar aquele abraço "manjado" de bom dia?  Há algo melhor do que flagrar o olhar carinhoso da pessoa amada previsivelmente direcionado a vocÊ? Há algo melhor do que aquele mesmo cheirinho de café novo? Imagine uma cozinheira que fizesse um cafezinho todo dia com um gostinho diferente para não cair na rotina. Eu mandaria ela embora. Há algo melhor do que o bom e "manjado" orgasmo? Você já sabe como é,  gosta de sentir aquilo e não precisa de inovação: só da boa e certeira re-re-re-repetição.

As melhores coisas dessa vida não comportam versão remix. Quero chegar em casa e torcer para encontrar sempre as mesmas coisas que amo. A felicidade está justamente em saber que as coisas que apreciamos continuarão sempre do mesmo jeito, no mesmo lugar. As dores da vida estão justamente na fatalidade de não conseguirmos manter pra sempre aquelas coisas que nos fazem felizes.

Acho que a felicidade é como um bom pudim de leite: simples e previsível. Quanto mais tentam incrementar um pudim, pior ele fica. Pode conferir.

Eu não consigo sentir água na boca por aquilo que desconheço o sabor. Quão doce é a expectativa da espera quando o desejado já foi mentalmente saboreado!

Quem muito muda é porque ainda não achou o ponto certo. No dia em que você comer um pudim perfeito  você entenderá que qualquer cereja a mais é heresia.

sábado, 23 de abril de 2011

Joanes - Marajó - Pará

Nunca dei muita bola quando me sugeriam conhecer Joanes. Quem vai ao Marajó geralmente só pensa em Soure ou Salvaterra. Grande erro. Joanes é melhor.

Existe a falta de progresso onde tudo é um lixo e a falta de progresso onde tudo é doce. Joanes é assim, uma cidade encantadora que se alguém tentar "melhorar" pode estragar tudo.  Joanes é um paraíso rústico. É o lugar mais "zen" que eu já conheci na vida. Ali vi colégio sem muros, crianças tranquilas nas praças, igrejinha azul e branca, poços e ruínas do tempo dos jesuítas, búfalos muito a vontade aqui e acolá mascando seu capinzinho... poucos carros, poucas grades, muito vento.

Passei quatro dias sem ver televisão. Pra quê?  Minha televisão foi aquela praia doce e morna (sim, eu disse morna!) foi o povo sorridente me cumprimentando onde eu ia (me senti comadre de todo mundo) foi a surpreendente educação e  o bom humor das pessoas, as crianças livres brincando na praia com se fossem peixinhos travessos, os adolescentes ensaiando quadrilha na rua, o exagero de estrelas no céu, o caminhar à noite pelas ruas gramadas, os búfalos, o peixe fresco, os pescadores, a disposição para conversar, a morenice típica... 


"Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá..."
Ai meu Deus, amei Joanes!  

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Preciso dizer isso

Escrevi esta mensagem às pessoas que participaram da discussão no blog do Cláudio (leia a postagem anterior pra entender do quê estou falando).

Queridos:

Aprendi mais um pouco com vocês.

Gosto muito de levantar essas questões sabe por quê? Porque acabo aprendendo. Tenho minha cabeça cheia de idéias e conceitos, mas todos eles são móveis. Quando alguém pensa diferente de mim e me confronta, acho estimulante esse exercício intelectual. Quando prova que estou errada, total ou parcialmente, fico feliz. Sério. É como se mais uma luz se acendesse na minha cabeça. É como se eu ganhasse um presente.  Se estou certa, fico na mesma mas sou tendente a provocar outras pessoas para ver se elas me dizem coisas novas.

VOU ADMITIR UMA COISA: hoje na hora do almoço eu estava pensando sobre isso tudo que falamos e uma lembrança dolorosa me veio à mente... e lembrei, por experiência própria, que há momentos na vida da gente em que a dor é tão grande mas tão grande, que a gente só consegue pensar em duas coisas: se matar ou se drogar.   Drogar-se parece uma coisa menos menos drástica. E é.

Lembrei disso porque já passei por momentos nos quais a minha vontade era engolir a primeira porcaria que me aparecesse, só para conseguir parar de sofrer. E se eu tivesse feito isso? E se tivesse precisado de mais e depois mais e depois mais?  E se ficasse viciada? Será que eu seria tão irresponsável quanto um adolescente que apenas quer se divertir? Acho que não...   Sim, há casos e casos.

Acho que Deus me fez lembrar disso para eu ser mais justa em minhas posições.

Então digo que essas discussões, para mim, não são brincadeira nem leviandade. Tenho uma necessidade imensa de saber em qual terreno estou pisando, de saber se estou certa, errada. A verdade me fascina, embora nos pareça tão fugidia.  Lendo todas as postagens, aprendi mais um pouco.

Obrigada a todos.

Discussão

Um amigo leu o meu artigo "O crack e a tese do mosquitinho" e como gostou muito, publicou no blog dele (blog Susto de Amor - CONFIRA).

Aqui essa questão não deu muito o que falar mas lá, o que eu disse gerou polêmica. Uns me apoiaram mas uma moça ficou indignada. Ela trabalha - segundo entendi -  na recuperação de dependentes químicos e acha que a pior coisa do mundo é dizer o que eu disse: o viciado é viciado porque ele mesmo se viciou. Oh! Que escândalo!


Sugiro que você visite o blog do meu amigo Cláudio para acompanhar a discução. Respondi todo o lero-lero politicamente correto da moça, mas tive que fazê-lo em partes, porque o espaço para comentários no blog é limitado. Segue abaixo, na íntegra, minha (longa) resposta:




"TAPAR O SOL COM A PENEIRA FAZ PARTE DO TRATAMENTO? Se faz, desculpa a ignorância.

Adriana: quer dizer que o viciado não tem responsabilidade nenhuma pela confusão onde se meteu? Por que você foge do centro da questão? Em momento algum eu disse que dependência de drogas não é doença. Em momento algum eu disse que o dependente tem que ser abandonado à própria sorte. O que eu disse é que ele buscou o problema e que a doença que ele sofre é resultante de seu próprio desatino e insubordinação às leis. Engraçado... você nem tocou nesse ponto. Calou porque não tem resposta.

Você falou em ajudar (lindo!) falou em dar apoio (lindo!) mas ficou irada quando eu disse uma verdade. Porque você acha que a verdade atrapalha o tratamento?

Sabe, não há esperança para um país onde todo mundo é vítima e ninguém é culpado. Todo mundo é inocente e é proibido dizer “você agiu mal”. Ofende! Nossa obrigação é ajudar de boca fechada para não magoar. Que palhaçada é essa?

Não sou ignorante porque não desconheço os males das drogas. Quem você está chamando de ignorante são os dependentes químicos. Porque ou eles são responsáveis por se tornarem doentes ou eles são umas antas, que com tanta informação a respeito ainda não sabiam que as drogas poderiam transformar a vida deles num inferno.

Quando eu falei em RESPONSABILIDADE POR SEUS ATOS, você apenas respondeu que conhece um monte de gente com essa doença e tal e tal.  Eu pergunto: o que tem uma coisa a ver com a outra? Alcoolismo também é uma doença – que o próprio alcoólatra procurou. Ou não?

Câncer na pele é uma doença também, mas ainda tem um monte de gente teimosa que se expõe perigosamente ao sol sem proteção. Quando tiverem câncer de pele vamos ter que fazer de conta que elas não erraram???????   “Eu conheço muita gente com essa doença... não podemos discriminar... vamos tratar mas sem dizer que elas erraram ao se expor ao sol. Elas podem se magoar. Ai meu Deus!”

Cáries também são problemas de saúde causados por nosso relaxamento e teimosia em comer coisas erradas. Ou não? Somos todos “vítimas das cáries”? 

Será que dizer que o cariado é culpado é ser preconceituoso? A cárie é “um mal que ataca”, “uma coisa que acontece” tipo assim, entende? Ou é resultante de algo de errado que a pessoa fez? Me responda por favor.

Você disse  “vejo pessoas simples e conheço um número absurdo de pessoas da "alta" que sofrem com essa DOENÇA.”  Sim, e daí? Em quê isso invalida o que eu disse?  Me responda mais uma coisa: TAPAR O SOL COM A PENEIRA FAZ PARTE DO TRATAMENTO? Se faz, desculpa a ignorância.

Peço que me responda:

1-     Colocar um filho em uma clínica de reabilitação não é um ato de amor? Não é uma tentativa de resolver o problema?
2-     Entregar um filho dependente químico a profissionais é maldade? 
3-     A família tem culpa se a clínica não reabilita? 
4-     Tentar está errado?
5-     Você disse que essa doença não tem cura. Se não tem cura e nada resolve, qual é o seu trabalho mesmo com essas pessoas?
6-     Se você faz melhor do que as clínicas, parabéns! A família dos dependentes precisam muito te conhecer! Vou fazer a minha parte e divulgar. Estou falando sério.

7-     Tentar não enlouquecer junto é “lavar as mãos”?

8-     Penar por anos e depois dizer “cheguei ao meu limite, não sei mais o que fazer!”  é um ato condenável? 

9-     Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

10- Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

11- Usar drogas até tornar-se doente não é um ato condenável?

12- Você não acha que  quando a família por fim “joga a toalha” é porque já passou por sofrimentos indescritíveis e está em um estado e dor e doença emocional? Essa família não merece um mínimo de humanidade da sua parte? Porque um pai e uma mãe que se encontram esgotados e merecem menos consideração do que um filho doente?  Todos ficam doentes, querida! E você sabe muito bem onde tudo começou.

Outras coisas:

1-     Eu não tenho filho viciado. Espero que isso não aconteça com minha família, mas se acontecer, vou te dizer qual será minha postura: “Filho, eu te amo! Me dói ver você assim. Escute, não vou te abandonar. Conte comigo, você está doente, mas farei o possível e o impossível para tudo ficar bem. Mas que merda deu na sua cabeça para você fazer isso consigo mesmo, meu filho? Ficou doido?”  É isso que eu faria.

2-     Dizer que uma coisa é o que é, não é preconceito: é honestidade e realismo.
3-     Dizer a verdade não atrapalha. O que atrapalha é tratar a realidade como TABU.
4-     O dependente químico é vítima de si mesmo. A família é vítima dele.
5-     Em um momento da vida ele disse a si mesmo “danem-se essas leis idiotas!” e meteu a cara no pó. Por isso ficou doente, não por fatalidade do destino. É mentira?
6-     Valorizo muito quem ajuda essas pessoas.
7-     Valorizo mais ainda quem os ajuda sem fechar os olhos para a realidade e sem frescuras politicamente corretas.
8-     Em algum momento eu disse que os homicídios são cometidos só por viciados? Se eu disse isso, falei besteira. Se não disse, você está sendo injusta e torcendo as coisas. Isso é muito feio.

VOCÊ PERGUNTOU:  “Porque, quando recebemos a notícia que algum querido, foi acometido de um câncer maligno, sentimos piedade, desejamos ajudar, sofremos, oramos, enfim, mas, se um querido diz que está dependendo de química ele deixa de ser um querido e vira um leproso?”

Sua pergunta é baseada em um equívoco horroroso. Primeiramente ninguém trata o dependente químico como leproso. O que acontece é que geralmente quando ele pede ajuda para pessoas como você, á família dele já fez tudo o que achava que podia fazer. Quando ele chega a você, geralmente ele já esgotou a família, já esgotou todo mundo, ninguém agüenta mais. Ninguém o trata como leproso, todos querem ajudar MAS RARAS SÃO AS PESSOAS QUE CONSEGUEM. As pessoas descobrem, sentem pena, querem ajudar... mas não conseguem! ENTENDA, MINHA FILHA: NÃO CONSEGUEM.  NÃO CONSEGUEM. Aí desistem, depois de muitas lágrimas e sofrimento. Você consegue ajudar? DEUS TE ABENÇÔE.

Agora por favor, não seja cruel. Você é mãe?  Você já parou para pensar o quê uma mãe passou até chegar ao ponto de jogar a toalha? Respeite isso e pare de olhar só para o dependente. O mundo vai além das suas fronteiras. Não seja simplista nem infantil, nem romântica nem cruel com as pessoas.

E que tolice é essa de dizer que “Se todos começarem a pensar como essa moça, seria melhor colocar todos os dependentes químicos numa câmara de gáz”.

Vou traduzir o seu pensamento:

Você não consegue lidar com o perdão, não consegue amar o culpado nem ter misericórdia do sofrimento dele. VOCÊ SÓ TEM CARINHO POR VÍTIMAS.  Você só consegue ajudar se fechar os olhos para a realidade. De olhos abertos você não ajuda ninguém.

Jesus nos ama, mas ele não muda o nome das coisas. Ele dá nome aos bois porque o amor dele não depende da nossa inocência. Ele estende a mão, apóia, ama, mas diz “vai e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior.”  Sim, é assim que Ele faz...   Acho mais certo, sabia?

Ao contrário: para ser útil ao próximo você primeiro precisa inocentá-lo. Só assim consegue lhe olhar nos olhos. Ou a pessoa é vítima ou tem mais é que morrer.

ENTÃO É POR ISSO que você reluta tanto em dizer que o culpado é culpado.  Porque se ele é culpado, melhor colocar na câmara de gás.

Eu penso diferente. Todos nós temos nossa dose de burrice e de maldade nessa vida. Não sou dependente química, mas já cometi outras burrices também. Não sou melhor do que ele. NEM PIOR.  Todos somos culpados de algumas coisas e todos precisamos de amor e misericórdia e ajuda uns dos outros. Eu não preciso tapar o sol com a peneira para estender minha mão ao culpado.  Você precisa.

O seu problema é que você está convencida de que A VERDADE ATRAPALHA. Está convencida de que é impossível amar o culpado. Você só consegue ajudar aquele a quem considera inocente. Esse é o seu mecanismo psicológico: por falta de amor, prefere fazer de conta que o culpado não tem culpa do que encará-lo como ele é e assim mesmo ser generosa.

O culpado tem que morrer? Então façamos de conta que todos são vítimas.  Esse e o seu remédio.



domingo, 13 de março de 2011

Que fofo!

Quando eu digo que é necessário que vocês comentem meus textos, é verdade.  Dia desses postei um texto sobre o Dia da Mulher (Dia Bobo).  Um amigo comentou:

"Os "Dias" disso, daquilo, são mero jogo de interesse que, com certeza, alguem inventou por conveniencia dele(a), de um grupo ou classe. Concordo com vc. Não tem sentido os Dias "D" criados pelo mundo a fora. Mas, como não comemorar o Dia da Mãe", do "Pai", das "Crianças", da "Mulher"? Já que vivemos num mundo tão corrido, com tantas obrigações, problemas, vazios, um dia "D" qualquer coisa, faz-nos parar um pouco para, pelo menos, manifestar um sentimento de carinho ou lembrança."

Que fofo! É verdade. Ainda que seja bobo homenagear a mulher só porque ela é mulher, ainda assim a coisa pode ser válida se olhada por outro ângulo: as obrigações de todos os dias fazem todos os dias ficarem parecidos demais. E nessa roda viva, quantas vezes nos esquecemos de dizer para alguma coisa agradável para as pessoas!

O ser humano tem necessidade de ser legal para os outros. Faz bem. Faz bem para os dois lados. Assim como faz falta receber um gesto de carinho, também faz muita falta ser gentil, emanar alguma coisa que preste.

Todo santo dia a terra faz seu giro em torno do sol. Os pássaros cantam, as crianças gritam, as buzinas irritam, a gente acorda, o cabelo está ruim de novo, tomamos banho, toalha molha, toalha seca. Parece que a vida se repetirá como um rosário inclemente. O que torna um dia diferente do outro se todos parecem condenados a serem iguais?

Já escrevi sobre isso ("De bolha em bolha") e aqui repito: o que torna um dia diferente do outro é o nosso arbítrio, criatividade,  invenção.

A gente inventa dia especial do nada, sem muita coerência teórica, mas inventa. Inventa porque é preciso. É preciso um empurrãozinho para dar uma rosa, dar um beijo, dar um abraço mais apertado.  Se formos investigar a validade de uma homenagem ou um feriado, se formos pesar cada festinha, cada "dia especial", provavelmente nos desapontaríamos: "qual o sentido disso?"

Não é que não haja sentido. Há, mas não é bem aquele do rótulo.

A mulher não é melhor do que o homem nem o pai melhor que a mãe nem o dia dos namorados é de fato melhor do que qualquer outro. O sentido disso tudo está escondidinho nas dobrinhas da vida.   Vem daquela necessidade inexplicável de sermos mais, fazermos os outros se sentirem melhores e conseguirmos nós mesmos nos sentir mais gentis e amorosos.  Não é gostoso curtir um dia especialmente feliz? Pois é. E se não tem motivo, a gente inventa.  Essea é a sacada. É preciso abraçar mais, beijar mais, dar mais flores, dizer eu te amo pra um monte de gente. Esse é o sentido. Tudo o mais não passa de uma bela desculpa.

Tá vendo? O simples comentário de um leitor já me fez crescer como ser humano!

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia bobo



"O Dia Internacional da Mulher é celebrado a 8 de março. É um dia comemorativo para a celebração dos feitos econômicos, políticos e sociais alcançados pela mulher."   

Sei lá... mesmo depois de ler isso não consigo entender que grandes feitos foram esses, para merecer um dia especial. O mundo conheceu mulheres maravilhosas e homens maravilhosos. Pra mim, empatou.

Confesso que nunca entendi nem simpatizei com essa data. Tipo puxassaquismo gratuito.  Homem, mulher, idoso, índio, negro, homossexual... Tudo igual, tudo raça humana, farinha do mesmo saco!  Todo mundo acertou e todo mundo errou em determinado momento.

Claro que existem pessoas especialíssimas e admiráveis, mas o que as ilumina e destaca não tem nada a ver com sexo. O que torna umas pessoas melhores do que outras (sim, eu disse melhores!)  é a quantidade de amor que transborda de dentro delas, é o modo como gastam a vida e como tratam seus semelhantes. Não basta ter "piriquita", tem que ser gente.

Quem escolhe ser homem ou mulher ou negro ou branco ou índio? Por que eu seria louvada por alguma coisa que não escolhi nem conquistei?  

Ser mãe tudo bem, a pessoa escolhe. Ser pai... nem sempre.  Acho que cabe homenagem para pessoas que assumiram de corpo e alma o papel de mãe ou de pai. Há pessoas que incorporaram os dois personagens de uma só vez! Para elas estendo um caminho de flores. Mas ser homenageado por ter nascido? E ter nascido mulher? Homenageiem o acaso. Nem meus pais escolheram!

Ora bolas.

Não escolhi nem tenho opção de deixar de ser mulher. Não tenho sequer a opção de deixar de gostar de homem. Nasci com esse carma e que Deus me ajude.

No dia das mulheres recebo cumprimentos. Agradeço-os com um sorriso amarelo. Sinto-me como quem chegou em quinto lugar numa corrida mas está recebendo a medalha de ouro. É meio incômodo.

Não sei se vocês já repararam, mas nessa onda de endeusar as mulheres, o pessoal, de quebra, aproveita para desmerecer os homens. O curioso nessa história é o seguinte: os próprios homens concordam em fazer de conta que estão abaixo de nós. E por que concordam? Porque sabem que é tudo brincadeirinha e que suas vidinhas vão continuar do mesmo jeito. Todos sabemos que o resultado prático dessa frescura é ZERO.

O mais "engraçado" é quando comparam os dois sexos dizendo que os homens não sabem viver sozinhos mas as mulheres são independentes deles. Ô mentira! Falam isso porque mal se separam ou se tornam viúvos eles logo engatam num novo relacionamento. Já as mulheres não: assumem "heroicamente" as responsabilidades familiares e fazem pouco caso de ter outro homem. Dá vontade de rir.  

Sabe, não vou nem me animar em derrubar essas idéias porque não quero ser apedrejada. A maioria de nós sabe muito bem porque grande parte das mulheres fica sozinha e porque a maioria dos homens logo arranja outra parceira. Deixa pra lá.

Mas para não pensarem que sou do contra, aviso que se alguém quiser me homenagear com um presente na gloriosa data de oito de março, calço 36/37, visto 42 e aceito flores. Mas prefiro a minha parte em dinheiro.

domingo, 6 de março de 2011

Beije um ateu

Uma das coisas mais bobas do mundo é crente querendo enfiar Deus na cabeça de um ateu. Pra falar a verdade chego a ter pena de quem pensa que está prestando algum tipo de serviço a Deus quando discute com um ateu.

Por quê penso assim:

1) Em primeiro lugar, quem realmente crê em Deus não perde tempo tentando provar nada porque em sua cabeça isso é tão obvio que só de pensar em encarar aquelas discussões compriiiiiidas já dá uma tremenda canseira.

2) Porque tanto a crença quanto a descrença em Deus não habitam o âmbito do cientificamente comprovável. Pelo contrário: é algo profundamente emocional.

3) Desconfio de quem se esfalfa muito para provar a existência de Deus para os outros. Parece que no fundo no fundo a pessoa está tentando provar tudo para si mesmo.

4) Se Deus  é Deus, então por quê ele se beneficiaria com a discução de dois chatos?

5) Se Deus existe ele pode se defender. Se não pode se defender, então não pode me defender. Nesse caso, nem Deus ele é.

6) Em outras palavras: se Deus está incomodado com a incredulidade de uns, então ele é que tem que tomar as providências a respeito. A ofensa é contra ele, não contra mim.

7) Duvido muito que Deus esteja "perdendo noites de sono" só porque uns caras não acreditam nele. Se ele é Deus, basta-se a si mesmo.

8) Se alguém tem "vontade de Deus", essa vontade será saciada. Quem busca, encontra. Quem QUER Deus dá de cara com ele mais cedo ou mais tarde. Quem não quer... vai continuar no zero a zero e eu não tenho como mudar isso.

9) Nunca vi ninguém deixar de ser ateu só por conta de argumentos "brilhantes". Por isso prefiro guardar meu brilhantismo para algo mais útil. Para escrever um texto legal no blog, por exemplo.

10) Já vi ateus deixarem de sê-lo por conta de acontecimentos incrivelmente simples para mim, mas contundentes para eles.  Do tipo "eu nunca pensei que ele se convenceria com isso!"  Ora, se não sei fabricar esses lances inexplicáveis nem para a minha vida, quanto mais para a vida dos outros.

11) Você consegue fazer uma pessoa se apaixonar por outra na base dos argumentos?  Não. Pois é.

12) Para discutir com um ateu você primeiro precisa acreditar que ele existe. Eu, por exemplo, não tenho toda essa fé.  O que vejo é muita gente revoltada contra as injustiças do mundo cruel. Como eles acham que Deus, mesmo podendo, não está fazendo nada para melhorar as coisas e como não podem dar um soco na cara de Deus, então "se vingam" dizendo que ele não existe.  Quando você pergunta para essas pessoas por quê não acreditam em Deus as respostas não são nada filosóficas ou científicas, mas simplórias e emocionais: ela atacam com criancinhas doentes, a fome do mundo, as guerras, enchentes e blá blá blá. Só conseguem imaginar um Deus bom e justo. Se ele não for bom nem justo (segundo elas) então ele "não merece existir".

Isso não me parece razoável.  Tá vendo como tudo está no âmbito das emoções, da experiência pessoal e do imponderável? Por isso é que eu digo: não discuta com um ateu: dê um beijo nele! Deus vai curtir muito mais o lance, até porque ele não está precisando de advogado.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um tema delicado


"Ado! aado!
Cada um no seu quadrado!"

Nas novelas torcemos para que o rapaz rico finalmente case com a garota pobre. Como somos românticos na vida irreal!  Mas tenho uma perguntinha: por quê não conseguimos trazer esse mesmo romantismo para a vida real quando o dinheiro é nosso?

Você nunca se perguntou por quê, afinal de contas, as pessoas mais ricas hesitam tanto em se misturar com as menos abastadas? Pobreza não é doença, não pega, todos sabemos. Então qual o problema?

Preconceito? Talvez sim, talvez não. Tempos atrás já publiquei um texto brilhante sobre o assunto. Clique AQUI e confira. Não vou repetir tudo.

Não quero ser advogada do Diabo, então vou logo adiantando: eu amo o amor. Quero que todo mundo se ame. Quero que todo amor se plenifique e eternize e gere filhotes. Adoro noivas, alianças, lua-de-mel e acho que dinheiro não é tudo na vida. Eu sustentaria um homem pobre se o amasse e daria uma banana para quem tentasse me impedir.  Verdade verdadeira.

Pronto, agora vamos ao outro lado da moeda.

Pode haver muitos motivos para um "amor desigual" sofrer crítica e perseguição. Hoje vou falar apenas sobre um desses possíveis motivos.

Sejamos realistas: quando você casa, casa com a família também. Para isso não há rota de fuga.

Se por exemplo um homem rico casar com uma mulher pobre, ele vai acabar levando nas costas toda a família da moça. Isso é tão certo quanto a noite se seguir ao dia, alguns pensam. Enquanto ele está apaixonado não vai pensar nisso. Só que a família dele pensa, e muito.

Um dia o irmão dela aparece pedindo emprego na $ua empre$a, só que ele totalmente desqualificado. Prepare-se para o prejuízo.  Outro dia é a mãe dela que vive doente e não tem plano de $aúde. Tem também a irmã que apareceu grávida e não tem enxoval, o $obrinho  que pa$$ou no ve$tibular ma$ não pode pagar a faculdade, o tio com 6 me$e$ de aluguel atra$ado e que vai ser despejado, a outra irmã que e$tá com dor de dente e não tem dinheiro para ir ao denti$ta e por aí vai. É um rosário de infortúnio, toda semana uma facada. Isso é preconceito? Não sei, só sei que são os fatos da vida. Admiro quem passa por cima disso tudo em nome do amor. Nem todos conseguem.

A questão não é só dinheiro, é também educação. Outra futilidade que também pode atrapalhar bastante. Sim, eu também odeio reduzir o amor a essas mesquinharias mas...

"E o amor, onde fica?"   No coração, claro! Mas pense: o "pobre do homem rico" ama só a garota, mas não ama o irmão nem a irmã nem a mãe nem a tia nem o pai endividado nem o sobrinho sem colégio nem o primo sem dentes nem os outros duzentos figurantes. O amor pode ser enorme mas convenhamos: a idéia de adotar todo mundo dá uma broxada.

Esse pode ser o motivo número um. Existem outros, mas odeio especialmente esse número um.

Modo de falar, de vestir, preferências musicais, opiniões, reações, gestos, educação, modos... tudo isso difere muito em pessoas de classes sociais diferentes. Só que quem está em baixo não percebe - essa é a parte cruel. A pessoa não percebe  e ainda acha que os ricos é que são muito frescos.  Vai ver que são frescos mesmos, mas isso não muda nada. É como já dizia o velho sábio da montanha:


"Ado! aado!
Cada um no seu quadrado!"


Sei que posso ser crucificada por causa desse texto, mas olhe como as coisas são: eu, que com algum esforço posso ser considerada classe média, certa vez ouvi um colega de trabalho (que nunca foi nem nunca será rico)  criticando outra colega porque ela havia se separado do marido e estava agora se envolvendo "até com o segurança" do prédio. É essa a mentalidade. Na hora critiquei veementemente porque não acho que o segurança do prédio seja inferior a mim ou a ele. Mas mesmo tendo discordado eu sei que não posso mudar o mundo. Eu posso ter muita personalidade para entrar em um relacionamento desigual, mas nao posso achar que todo mundo vá acreditar no meu amor ou no amor do meu parceiro, caso ele seja a parte pobre.

Nem todo rico aguenta o tranco da diferença. E esse tranco muitas vezes dói no pobre também. Aturar frescura de socialite não é moleza não. Ir a festas consideradas chatas, receber gente que fala outra linguagem, ser criticada quando recebe convidados e as vezes até ridicularizada, pensa que é fácil?  Se a diferença é muito grande a coisa pesa para ambas as partes.

Sim, o amor supera tudo. As vezes. Às vezes não.

Com igualdade ou sem ela, sempre teremos problemas na vida. Só tem o seguinte: uns problemas aparecem sem a gente chamar, sem nem imaginar que poderiam aparecer. Outros problemas são anunciados. A escolha é de cada um. Particularmente acredito que é maldade matar um amor, seja qual for o motivo. Tudo vale a pena, nem que seja pra dar errado e aquele sonho finalmente sair da nossa cabeça.

O amor, a vida... Tudo deveria ser mais simples, não é?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A medalinha que não quero



Juro que não sou do contra, mas li e discordo da frase abaixo:

"... A vida seria bem chata se não tivéssemos algo pelo qual chorar -- porque significa que também fomos felizes."

Geralmente quando uma pessoa diz isso, todas as outras concordam. Principalmente se estiverem bêbadas, mas já vi concordarem de cara limpa também.

Vou dizer uma coisa: a vida não seria chata se eu não tivesse algo pelo qual chorar. A vida seria MARAVILHOSA, isso sim!

Não entendo esse povo que doura problema e glorifica urucubaca. Sai pra lá!  Sou da seguinte opinião: se o mundo fosse o Céu, isso seria o céu! Tudo bem, não foi uma grande frase mas faz sentido.

Gosto da alegria, das coisas bonitas, do prazer, de concórdia, dos corações bem resolvidos, de comida todo dia na mesa, de passeios, de amigos sinceros, amores sinceros, comemorações sinceras, de saúde. E não acho que os contratempos melhorem nada disso. Não preciso de desgraça nenhuma para aprender a curtir o lado bom da vida. Quem precisa, deveria passar uns tempos em algum campo de concentração.

Claro que não existe perfeição nesse mundo. Sempre haverá problemas, infelizmente. Só que quando eu digo "infelizmente", é infelizmente mesmo. Já vi gente dizer que:

1- "Não gosto de namorado que faz tudo o que eu quero".  Quem é a doida que disse isso? Essa bem que merece umas patadas, pra acordar. Pois fiquem todos sabendo que adoro tratamento vip.

2- "Briga entre o casal é até bom porque fazer as pazes depois é uma delícia."  Outra frase infeliz.  Não conheço nenhuma briga boa. Todas são uma bela bosta e ferem a gente por dentro (e às vezes por fora também) e não tem nada de legalzinho nisso.  Bom mesmo é a harmonia, minha gente! Boa é a paz!  Transar não arranca mágoa do coração nem apaga os desaforos que foram ditos. Pode parecer gostoso transar depois de uma briga, mas as marcas ficam e elas se acumulam no decorrer do tempo azedando a relação.

3- "A vida seria muito chata sem problemas" . Como é que é?  A vida é chata sem problemas? Pois o que torna a vida chata são justamente os problemas!   Quem diz isso merecia perder o emprego, no mínimo.

Pois declaro oficialmente que me sinto plenamente capaz de ser feliz sem problemas, sendo bem tratada e não brigando com ninguém.

4- "É bom ter algo pelo que chorar".  Tá doido?  É bom ter algo para rir, isso sim.  Todos os meus esforços vão no sentido de não precisar chorar nunca. Quem quer ter por quê chorar deveria frequentar enterros pelo menos uma vez por semana e passar as férias no mais miserável país africano. Em minha vida, vez por outra eu choro, mas não me divirto nadinha com isso.

Para quê carregar no peito a medalinha de "UM DIA FUI FELIZ"? Sabe o que está escrito atrás da medalinha "Um dia fui feliz"? É:  "Hoje estou na merda".  Não, essa medalha eu não quero.

Que me venham os bons fluidos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um homem feio

Recentemente dediquei um tempo para responder perguntas no Yahoo! Resposta. Cara, tem de tudo. O que menos tem é pergunta inteligente, mas... fiz por distração.  Olhe só um exemplo: adolescente angustiada porque está sendo cercada por um pretendente feio:

A PERGUNTA:

O QUE EU FAÇO? ELE ME AMA EU GOSTO DELE MAS ACHO ELE FEIO.

"Eu adoro ele por isso ja fiquei com ele, nao foi pela beleza e sim pelo que ele é..uma pessoa gigante de alma, e ele realmente gosta de mim, me adimira, me venera, me observa como se eu fosse a unica pessoa da terra...faz de tuudo pra me ver bem..faz de tudo por mim..nao para de me olha..parece q fica hipnotizado.. Eu do uma chance a ele ? Eu gosto mto dele como amigo...mas nao o acho bonito..
oq eu faço ??

MINHA RESPOSTA:

Aqui o que menos importa é se ele é feio ou bonito. Pelo que dá para perceber, você não gosta dele: só gosta do que ele sente por você. Você fica encantada, vaidosa, adora ser bajulada. Não condeno porque também gosto (rsrsrs) mas claro que isso não é amor.  Estou só avisando.

Não digo que você não deva dar uma chance. Dê uma chance - não a ele, mas a você. Uma chance de descobrir que pode se apaixonar e viver uma coisa maravilhosa com esse cara. Uma chance de superar a futilidade das aparências, uma chance de, quem sabe, crescer.

Detalhe: prefiro um feio que me trate como rainha do que um bonito que me trate como súdita.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES:

Utilidade prática de ter um homem bonito:

1) Fazer inveja às amigas;
2) Fazer inveja às amigas;
3) Fazer inveja às amigas;
4) (Isso não é pouco! hehehe).

Mulher, pra se excitar, não depende da beleza do parceiro. Nesse quesito somos o contrário dos homens. Diria até que somos superiores.  Não que não influencie. Influencia, mas não determina. Entre um feio eficiente e um bonito "devagar", qualquer Mulher prefere um feio eficiente. Ao contrário dos homens, que na maioria das vezes vendem a alma ao Diabo em troca de uma estampa e tão embevecidos ficam com isso que demoram um tempo para notarem que nada funciona a contento naquela Barbie.

Claro, para  a maioria isso não chega a ser grande problema porque acabam arranjando uma feinha eficiente por debaixo dos panos.

Detalhe: tudo bem, esse cara aí da foto... Acho que exagerei. Não gosto de chavões mas "ninguém merece!"

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dinheiro = Poder

Em primeiro lugar: não me xingue.

Li esses dias a seguinte frase: "Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa..." (Karl Marx)


Discordo.


Ou concordo, se em seguida Marx emendar que todos somos capitalistas.

Não são "os capitalistas" que querem encher os bolsos.  Isso é o que TODOS querem, até Marx. Todos gostam de dinheiro e duvido muito que ele não gostasse.


Isto posto...  Tenho a dizer que ninguém quer dinheiro pelo dinheiro em si. O que o dinheiro tem de desejável é a sensação de segurança e poder que ele traz, coisa que todos querem, tanto os monstruosos capitalistas quanto os revolucionários, os proletários, os comunistas, os socialistas e os fumados em geral.

Acontece que todos os que demonizam os capitalistas têm ânsia por poder  na mesma intensidade que os capitalistas tem ânsia por dinheiro. Se considerarmos que dinheiro é poder... vemos a hipocrisia de certos discursos "revolucionários".


Não se deve criar nada para o homem  - muito menos as leis - sem levar em conta como o homem realmente é.  As leis não servem para modificar a nossa natureza, mas para impor limites a ela.


Limites ao capitalismo? Não sou economista mas se é possível fazer isso sem detonar a economia nem engessar a livre iniciativa, sou a favor. 

Ora, se segurança e poder são desejos comuns a todos os homens e se os comunistas e socialistas e capitalistas são homens, há de se concordar que eles querem exatamente as mesmas coisas. Só que não fica bem proclamar isso em um discurso.  Daí vem a malícia de fazer crer que só os outros têm ambições.

Se somos todos ávidos e isso é admitido sem hipocrisia, tudo bem! A partir daí dá até para pensar em emlhorar o que temos. Mas se partirmos da mentira, fica difícil. Se partirmos da idéia de que "os outros" é que são o lobo mau, aí não há esperança mesmo.


Todo o nosso sistema econômico e de governo tem de partir desse pressuposto. Nossas leis tem que ser formuladas para domar a avidez do homem, que se volta frequentemente contra o seu próximo.  


Alguns podem dizer que a proposta dos sistemas anti capitalistas é justamente esse. Pode parecer que sim, mas não é, pois se baseia em pressupostos equivocados: 


1) O pressuposto de que estamos lutando contra "eles". Isso é nefasto. 
2) O pressuposto de que quem luta contra "eles" (os capitalistas) possui uma pureza ideológica celeste, por isso não precisa ser contido. Mentira. Quando o cão raivoso põe o pé no poder, fica no mínimo igual aos outros. No mínimo! 
3) O pressuposto de que quem luta contra "eles" precisa de uma dose muito maior de poder para dar conta dessa tarefa tão árdua. 

É totalmente idiota e contraproducente acreditar que "eles" (o outro grupo) querem "encher os bolsos"  e "nós"  não queremos isso.


O grande problema é que as pessoas que querem lutar contra "eles", não admitem que são da mesma laia.  Sim, as mesmas pessoas que querem lutar "contra eles"  acabam requerendo da sociedade um poder absoluto para alcançar o objetivo de acabar com a ambição "deles" enquanto quem quer mais e mais poder é igualmente ambicioso e insensível.  

Um ambicioso poderoso é basicamente um sujeito PERIGOSO. 


Enquanto o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente (John Emerich Edward Dalberg-Acton).  Todos os que separam a sociedade em "eles" e "nós", se colocam numa posição de superioridade maligna.  


Por exemplo: todo ditador é rico. Quem manda, dispõe de.


Civilizar (legislar) significa impor limites ao que somos.Somos ambiciosos, invejosos, ávidos, competitivos. Não são "eles" que são assim, somos todos.  NINGUÉM ESTÁ ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA nem o "puro militante contra a burguesia e a favor da igualdade".


Pensar uma sociedade não é sentar em uma cátedra para separar o joio do trigo, mas admitir que temos todos, basicamente, os mesmos anseios e impulsos. 


Quem não se enxerga, não enxerga mais nada. E quem não enxerga nada, não tem capacidade nem direito de governar ninguém.


Desculpa aí, Marx! Comecei com você mas sobrou para os seus discípulos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Menos glórias

Acabei de receber um texto muito bom em minha caixa de e-mail. Eu poderia postá-lo aqui mas por quê fazê-lo se você vai acabar recebendo também, mais cedo ou mais tarde? No entanto, meu precioso comentário não está ao alcance de qualquer mané.

Não adianta ter as bolsas mais caras, os carros mais impressionantes nem frequentar os lugares mais glamourosos. Nem adianta ser bonito, culto, bom de papo. Ter sucesso não rende taaaanta felicidade. Uma vida boa, realmente boa, indiscutivelmente boa é medida pelo seguinte: TER TEMPO.

Você tem tempo?

Tempo sim é qualidade de vida. Já ouvi falar de empresários que não conseguem parar pois todo passeio, festa, almoço e jantar são na verdade reuniões de negócios disfarçadas. Há pessoas que constroem casas mas não têm tempo de tirar uma soneca em sua varanda; vivem amarelando no escritório ou vagando exaustos pelos hotéis do mundo. Ora bolas, pra quê eu quero dinheiro se não for pra usufruí-lo?

Bora ao cinema? Vamos reunir a turma para um bate papo? Vamos para a academia?  Vamos dar uma voltinha no shopping?  Vá lá em casa que eu quero que você prove minha nova receita.  Não?! Você não tem tempo? Então meu filho, não importa a marca do seu carro ou da sua roupa: você é um pobre coitado e a sua qualidade de vida pode ser classificada como "bosta".

Adianta ter carro e só usa-lo para trabalhar? Adianta ter um lindo quarto mas não poder de vez em quando permanecer na cama lendo uma revistinha? Adianta uma sala bonita se só passamos por ela de relance, indo ou vindo do trabalho? Adianta uma linda mesa com cadeiras se não sento nela e nem me reúno com os amigos para uma macarronada?

Melhor ter menos glórias e mais tempo. Tempo é vida.

Falam mal dos caboclos que vivem nas beiras dos rios e não procuram "melhorar de vida". Como assim?  Passar a vida correndo atrás do vendo é mesmo uma vida melhor? Muito desses ribeirinhos tem tudo: comida todo dia, peixe, farinha, açaí, frutas, sexo, filhos, passeios, amigos com os quais podem conversar, rir, falar da vida (a quanto tempo você não vê os seus amigos?), um barquinho (você tem um?)  e a imensidão dos rios e das florestas. E ainda fazem o próprio horário de trabalho. 

Você tem certeza de que a nossa  maneira de viver é uma opção melhor? 
Eles os são burros? 
Ou os burros (de carga) somos nós?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cadeiras, cadeirinhas e cadeironas

Novamente a mesma história: agora os motoristas tem que comprar cadeiras para bebês, para crianças pequenas, para crianças médias e para crianças grandes.

Não sou contra o uso de cadeiras para os bebês, mas o que se vê com essa nova lei é apenas mais uma forma de infernizar a vida dos brasileiros. Se quisessem salvar vidas, deveriam começar desarmando os assaltantes. 


- Poderiam exigir mais air-bag nos carros;
- Poderiam mandar adaptar cintos especiais nos carros para crianças;
- Poderiam  exigir as tais cadeiras apenas nas estradas ou apenas para crianças bem pequenas;
- Poderiam apenas exigir que quem transporta criança não passasse de 40 k na cidade.
- Poderiam... Sei lá, pensem aí vocês, que são pagos para isso!

Lembram do tempo dos kits de primeiros socorros? Todo mundo tinha que ter no carro, se não além da multa o cara era amaldiçoado com sete anos de azar. Pois faltou nas farmácias gazes, luvas, merthiolate, algodão e outras tranqueiras que a maioria de nós não iria usar nunca; ficava lá no carro tudo jogado pegando poeira, e calor.  

Sempre me perguntei: por que não colocar ambulâncias que realmente atendessem os chamados em caso de acidentes?  Outra pergunta: como eu poderia salvar uma vida com compressas de gazes? Bem, deu no que deu: quem deveria ganhar dinheiro com isso já ganhou e agora não se fala mais no assunto. Agora está na vez das empresas fabricantes de cadeirinhas encherem os bolsos.

Resultado prático da nova Lei:

1- Acabou aquela onda de "Mãe, dá pra pegar o Pedrinho no colégio? Aconteceu um imprevisto!" Pois de agora em diante o Pedrinho que se mofe na calçada porque a vovó não vai ter uma coleção de cadeiras em seu carro, uma para cada neto.

2- Se a intenção era resguardar a integridade física das crianças,  a Lei não funciona também porque como  exigir tamanho investimento de taxistas, perueiros e empresas de ônibus?  Tá certo, eu sei que eles estão fora mas essas exceções representam um rombo enorme na lei - rombo esse que invalida a sua própria essência.

3- O mais provável: de hoje em diante as crianças viajarão abaixadas no chão do carro. "É isso aí moleque, ou você some aí por baixo ou a multa será descontada de seu presente de Natal, aniversário e Dia das Crianças."   As crianças serão os novos tapetes fashion no piso dos nossos carros. viajarão esparramadas no chão para não serem vistas pelo guarda. Ou você acha que as pessoas vão deixar de pegar uma carona com os amigos só porque o motorista não tem cadeira para o filho deles? Tá doido? "Crianças, todo mundo no chão!"  É até bom, porque os pequenos já treinam para quando forem assaltados - porque como todos sabemos, um dia serão.

4- Vai rolar muita propina!

5- Depois de gastarmos bastante dinheiro e depois de serem aplicados bilhões em multas, o governo vai concluir que a lei era impraticável. Aí vão deixar pra lá...  e tudo volta a ser como era dantes do quartel de Abrantes.

Brasil-il-il!

domingo, 12 de setembro de 2010

Discriminar é preciso

Notei um traço interessante em minha personalidade: tenho dificuldade para a ceitar a mudança do significado das palavras. Já me vi em muitas situações corrigindo pessoas porque renegam o sentido (que eu considero) original do termo e não gosto disso.

Por exemplo: acho que o termo "discriminação"  costuma ser totalmente mal empregado. Discriminar é apenas ressaltar, evidenciar, mostrar a diferença. Só. O que há de errado nisso? Minhas professoras do passado sempre passavam exercícios dizendo"Discrimine as frase correta."  Ou "discrimine o sujeito da oração". Nunca achei que eu estava fazendo algo errado rsrsrs.

Quando você vai a uma loja de peixes e pede para o seu filho escolher só os alaranjados, está pedindo: "discrimine os alaranjados e coloque-os no saquinho."

Qual o problema de discriminar os mais pobres? Nenhum. Se você quer distribuir cestas básicas, terá que discriminá-los, destacá-los dos demais, para que só eles recebam o benefício.

Se você vai redigir o edital de um concurso público, você precisará deixar claro que os candidatos que não pussuírem tais diplomas serão rejeitados logo de cara.

Se você vai ao supermercado, precisa discriminar sua marca preferida.

Quem discrimina não rejeita, no sentido de algo ser superior ou inferior a outro. Discriminar é destacar.  Quer dizer: era destacar. Parece que a coisa está mudando a despeito da minha discordância.

Discriminar não tem um sentido necessariamente negativo. Claro que pode ser usado com uma conotação má, como temos feito, mas isso não faz sentido porque o português é rico e temos uma palavra muito mais expressiva para definir o que seria o "sentido mau" de discriminar: é REJEITAR.

Rejeitar já diz tudo. Discriminar pode ter o sentido de escolher e elejer. Rejeitar é rejeitar mesmo, é descartar, jogar fora. Admita: para ser usado em questões de preconceito, REJEITAR é um termo muito mais claro e expressivo do que DISCRIMINAR.


Uma pessoa não pode ser REJEITADA por causa de sua cor, de sua religião ou situação financeira ou só porque é feio. É isso o que as pessoas querem dizer. Não pode REJEITAR.

Quer dizer...  pode sim. Pode e deve!

Porque ninguém pode ser rejeitado? Você rejeita uma babá se descobrir que ela é alcoólatra. Você rejeita um estudante de artes plásticas para ser seu estagiário em seu escritório de advocacia. O Estado rejeita um monte de gente todos os anos em seus concursos públicos. O atleta que não alcança a marca mínima não pode participar das olimpíadas - é rejeitado.  Eu rejeitaria uma pessoa analfabeta para trabalhar como secretária em meu escritório. Uma pessoa completamente mal vestida não pode representar uma boa empresa. Etc, etc.

REJEIÇÃO e DISCRIMINAÇÃO fazem parte da vida. A questão é saber quais as exceções, ou seja: em quais ocasiões é inaceitável rejeitar uma pessoa.

A conclusão é: nesse mundo não somos iguais perante nada, muito menos perante a Lei. 

Quem é réu primário é visto de uma forma e o reincidente, de outra. Quem matou com intenção é visto de forma diferente de quem matou sem intenção. Um fracote que dê um soco em alguém é analisado de forma diferente de um boxeador que desfira um único e humilde soco em alguém.

Se todos fôssemos iguais não haveria necessidade de julgamento: motivos, intenções e dolo seriam iguais para todos e igualmente considerados. Bastaria um computador com um bom programa para substituir os Juízes.

(Que ótima idéia!)

Para haver o mínimo de ordem em nossa sociedade, discriminar é preciso. Rejeitar também.  Aliás, por falta de discriminação é que os políticos bandidos estão misturados aos honestos. Se houvesse discriminação não seria muito melhor?

DISCRIMINAÇÃO JÁ!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Você aguenta mais um pouquinho

Já está todo mundo enjoado mas mesmo assim resolvi escrever um pouquinho sobre política, só para azucrinar  também.

Li no blog Oásis a Inutilidade um texto interessante sobre o assunto. Sugiro que você vá lá e leia  a postagem completa. Aqui, apenas colo dois parágrafos nos quais o nobre blogueiro responde a duas indagações que - acredito - são comuns a todos os brasileiros:

Primeira pergunta respondida pelo blogueiro:

"Então por que tanto fanatismo político? Fácil: política é igual futebol. Cada um escolhe um time para só ver virtudes e coloca um filtro no cérebro pra detectar apenas defeitos alheios. Eleição é uma mera disputa entre agremiações. Embate de ideias é passado; o presente não passa de uma escaramuça para saber quem vai herdar a carniça."

Segunda pergunta respondida pelo blogueiro:
"E por que os candidatos são tão semelhantes? Porque somos todos parecidos. Por um cargo DAS, somos capazes de dizer que mudamos de candidato - ou mudamos mesmo -, colocamos propaganda no carro e vamos a carreatas com um poster do candidato no c*. Não é tão diferente das trocas de favores políticos que tanto criticamos."

Isso tem tudo a ver com uma antiga postagem minha (confira aqui).

Sem mais comentários.

Reflitamos, irmãos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lei da palmada

A respeito do(ridículo) projeto de lei que proíbe as palmadas, recebi hoje o e-mail  de um sem-noção defendendo o tal projeto. Minha resposta foi:

Tenho certeza de que enquanto esses psicólogos e teóricos estavam estudando e trabalhando fora de casa para fazer nome, seus filhos estavam sendo criados por babás ou outros parentes e eles, os pais, chegavam em casa só a noite. Assim é fácil dizer que não precisa dar palmadas. Sem ter que estar por perto, não se estressar e tendo outros para aguentar os pequenos, qualquer um teoriza.

Há MUITA diferença entre palmada e espancamento. POR QUÊ NÃO DIZEM ISSO???

A quase totalidade dos que são conta jamais ficaram dias, meses e anos INTEIROS cuidando e educando crianças. Jogavam na mão de outros. Repito: assim é muito fácil.

Crianças maiores que já foram educadas desde pequenas não precisam apanhar porque já respeitam e também já tem condições de entender um diálogo mais longo. Bater é o último recurso. Mas o que fazer com uma criança que (por exemplo) não cansa de lhe chutar e bater, mesmo depois de você explicar para ela que aquilo não é aceitável? E se ela continuar te desafiando (como é comum nas crianças) vocÊ vai ficar quantas horas levando chutes e teorizando?

Respeito se aprende. Não se nasce sabendo. Quando somos mais maduros sabemos a diferença mas AS VEZES a lição precisa começar com o medo de ser punido.

A diferença entre impor limites e impor vontades só é perceptível à criança quando ela é mais crescida e já aprendeu a obedecer, sentar e conversar. O respeito vem junto. São níveis de entendimento e educação. Vá tentar colocar a sutil diferença em prática quando seu filho de três anos insistir em jogar o controle da televisão no chão.

Se uma criança não levou palmadas na hora certa, NÃO PENSE QUE QUANDO ELA CRESCER VAI SENTAR PRA DIALOGAR COM VOCê. Todos os dias vemos adolescentes que não querem ouvir os pais e são uns terrores.

E pelo amor de Deus, qual o problema em vigiar constantemente as ações de uma criança? Tem mais é que vigiar mesmo! Não confunda criança com adulto. São diferentes, sabia?

Crianças retraídas e sufocadas não são as que foram corrigidas eventualmente com alguma palmada, mas as que foram maltratadas. Não é a mesma coisa.

Sou a favor de que a criança seja ouvida, claro! MAS OS PAIS DEVEM SER OUVIDOS TAMBÉM. Se não forem, a criança deve entender que aquilo terá consequencias bem desagradáveis. Pode não ser palmada. Palmada não é remédio para tudo! Mas as vezes é necessário sim.


É mais fácil que os pais que deram palmadas sejam amados e respeitados no futuro do que pais banana ou ausentes. Pais bananas SEMPRE criam rebeldes insuportável e é mesmo o que merecem.

Se você não exige obediência, acredite: quem vai acabar obedecendo é você. Isso é tão certo e inevitável quanto o dia se seguindo à noite.

TODOS OS DIAS ME DEPARO COM PAIS PATETICAMENTE OBEDIENTES aos seus filhos. E vejos crianças que se tornaram ditadoras e impôe sua vontade aos pais sem se preocuparem se aquilo é ou não aceitável no âmbito da lei e da psicologia.

O projeto de lei do governo federal que prevê punição para quem aplicar castigos corporais é um equívoco ridículo e lamentável de pessoas que NUNCA CRIARAM PESSOALMENTE SEUS PRÓPRIOS FILHOS e que fariam um grande favor se pelo menos não atrapalhassem os que estão criando e querendo educar.