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quinta-feira, 31 de março de 2011

O crack e a tese do mosquitinho

Acabei de assistir um filminho de campanha contra o crack. Concordo com a campanha, só que existem umas coisinhas que tem que ser esclarecidas. Precisamos colocar uns pingos nos "is". Veja se você concorda comigo:

1- Menciona-se todo o mal que o crack faz à saúde do usuário mas ninguém fala do mal que o usuário faz à sociedade.

Fico imaginando quantas trabalhadoras domésticas já foram acusadas de furto quando na verdade era o boyzinho viciado quem dava o sumiço nas coisas do papai e da mamãe.

Não entendo por quê não comentam que um dos horrores sociais da droga é que não custa nada para o dependente se tornar uma pessoa violenta.   Uma vez privado da droga, o dependente pode se tornar capaz de vender a própria mãe para conseguir mais uma dose. Há filhos que espancam pais porque querem mais dinheiro.

Estou sendo preconceituosa?  A coisa não é bem assim? Ah tá, então desculpa. Não leia o resto.

Acho que as campanhas tem que deixar de frescura e dizer claramente que há uma grande preocupação com o consumo de drogas inclusive porque o dependente inferniza a vida de quem está ao seu redor e se transforma em um tremendo problema social. Ele aumenta as taxas de criminalidade não somente porque usa substância proibida mas principalmente porque é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir mais dessa substância. Tô mentindo?

Sei muito bem que tem gente que fuma, cheira e morre sozinha "na boa" sem incomodar os outros. Geralmente essas pessoas tem grana. Detalhe: a maioria não tem. E esses "granados" podem não sair por aí assaltando, mas vá conviver com um elemento desse!

Amanhã qualquer um de nós pode levar um tiro na cara só porque um moleque qualquer está sem "estoque".Por que isso não é dito com sinceridade nas campanhas???

A maior parte dos assaltos acontecem para custear o vício dessas pessoinhas "vítimas das drogas". Detalhe: os assaltados e assassinados não são vítimas das drogas: eles são os culpados, os opressores, os que estavam estudando, trabalhando, cuidando da família e por isso tinham mais era que morrer porque não foram solidários com os "sofredores". Sabe a teoria do "Somos todos culpados, menos os criminosos"? Pois é.

2- A moça do vídeo que eu assisti falou do crack como "um mal que ataca pessoas sem distinção de idade, sexo ou posição social". Nunca vi nada mais idiota do que isso. Como assim? Parece até que as drogas são um mosquitinho que pode morder qualquer um quando menos se espera. Seu marido está dormindo tranquilo, mas aí o "mosquitinho do crack" ataca ele e pronto: mais uma vítima das drogas. Que coisa mais besta fazer uma campanha se referindo às drogas como "um mal que ataca"! Que mal que ataca, pô!? As pedrinhas vão sair do saquinho e se jogarem sozinhas em sua corrente sanguínea?

3- Tá certo, admito que existem forças sociais e psicológicas (e espirituais!) relevantes que podem induzir - eu disse induzir, não obrigar - uma pessoa a usar drogas, mas não nos esqueçamos da VONTADE PRÓPRIA. Nada acontece sem um SIM de alguém que deveria ter dito NÃO.

4- Vamos deixar uma coisa muito clara: o viciado não é a vítima; ele é o culpadp Vítima é quem tem que conviver com ele.

Claro que não é por isso que vamos nos omitir de ajudar. É uma questão de generosidade, prevenção, solidariedade, visão social. Mas o culpado é ele, não eu. Certo?

5- E não me venha dizer que não se deve ficar procurando culpados. Claro que devemos! Descobrir onde começa um problema e quem o alimenta já é o começo de uma solução. Colocar "panos quentes" é que não resolve.

Acho que deveríamos começar a colocar os pingos nos "is" e largar de mão a Tese do Mosquitinho, que nada mais é do que a cegonha moderna.  Antes, os bebês eram trazidos por cegonhas. Agora os viciados sofrem por causa de "um mal que ataca". Vamos parar com isso!

--
Postado por Blogger no Blog da Cristina em 3/31/2011 01:25:00 AM

sábado, 7 de agosto de 2010

Ah se só o Governo roubasse...

Estou um tanto amargurada com nosso país e, em uma aparente contradição, decido que não vou mais xingar o governo.

Não ele que não mereça mas porque é injusto. Xingar o governo é esquecer quem o pariu.

Quando falo em "parir o governo" não me refiro a votos. Besteira dizer que votamos errado. Votamos nas opções que temos. Não é questão de escolher mau, é questão de falta de opções.Só posso votar em quem é candidato, não é verdade?

Não vou mais xingar o governo nem xingar "maus votos". Isso é erro de percepção. Se só o governo roubasse esse país seria um paraíso. Quem dera que só os políticos roubassem... De minha parte eu até permitiria. Diria: gente, de hoje em diante só político é ladrão, certo?  Se todos concordassem acho que esse país até iria pra frente porque os políticos são minoria e nós, a maioria.  Se meus patrícios concordassem seria a prova de que todos somos melhores do que eles. O problema é que a resposta provável seria: "mas só eles tem o direito?"

Roubar, no Brasil é privilégio. Então por quê xingar o governo?

Depois do que li na reportagem publicada no Globo.com ("Corrupção nanica - estrago gigante") vejo (novamente!) que está tudo tão generalizado que ... cansei. É tanta gente roubando que cheguei á triste conclusão de que merecemos meeeesmo ver doentes morrendo em taxi após serem recusados nos hospitais porque no próprio trajeto da verba do governo para os hospitais há roubo de verbas, de remédios, há médicos que recebem e não prestam serviço, há quem receba os serviços fraudando o plano de saúde, há cobrança de consultas que não foram feitas, corridas de taxi cobradas a mais, troco dado errado, empregada que roubou a patroa, patroa que explorou a empregada e não apagou, adolescentes que roubaram os pais, pais que não cuidam de seus adolescentes, venda de mercadoria estragada, fraude ao  INSS, pequenos furtos em supermercado  feita por funcionários e por fregueses, universitários que compram prova, professores que as vendem, remédios falsificados, compra de celulares sabidamente roubados e tudo o mais. Vivemos em um charco de bosta.

É duro mas hoje estou tão amargurada que acordei achando (só hoje, tá?) que merecemos mesmo ver professoras escrevendo errado, universitários que mal sabem interpretar um texto e juízes sem o mais rudimentar senso de justiça, juízes que se acham Deus, médicos arrogantes, vizinhos baderneiros, terríveis desrespeitos na forma de poluição sonora, quilos de 900 gramas, litros de 950 ml, remédios de farinha de trigo, desmatamento... É uma desgraça. Não, esse país não vai pra frente por um motivo simples: a corrupção não deixa. empresãrios estrangeiros já deixaram de investir aqui porque o percentual que cobram em propina é absurdo e inviabilizante. Os que insistem em investir resolvem sugar do consumidor. Somos enganados robados todos os dias na conta do telefone, na conta de luz, na taxa de limpeza etc. 

Já que há um consenso nisso, já que ser desonesto é bom e sinal de esperteza, de agora em diante entendo como profundamente injusto atacar apenas os políticos. Eles só fazem o que fizeram a vida toda enquanto não estavam lá. E continuarão a fazer quando saírem. E é o que farão os que para lá forem e é o que sonharão em fazer os que para lá não conseguirem ir.

Hoje estou generalizando. Outro dia me retrato se for o caso. Mas pensando bem, por quê não posso ser injusta?

SÓ ELES TEM O DIREITO?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Você tem um relógio espião?

Vivo recebendo e-mails com propagandar que tentam de convencer a adquirir um certo "relógio espião".  Eles são insistentes! Estou quase me rendendo à idéia de que preciso de um, mas pergunto: você se relacionaria tranquilamente com uma pessoa que tem um relógio sacana desses? Contaria seus segredos? Mostraria sua fragilidade? Transaria?  Ah, duvido.

Pega mal ter um relógio espíão, esse é o fato. Estão querendo me vender algo que queimará completamente o meu filme.

Ninguém compra um relógio espião para fazer  bem. É pra pegar o próximo fazendo coisa feia e depois encostá-lo na parede. Claro, também pode ser utilizado para a auto-defesa: sabe aquelas situações onde disseram que você disse e mas você disse que não disse só que não pode provar que não disse? Pois é, o relógio espião pode te salvar. Daí, todo mundo passará a acreditar no que você disse, isso é: você não disse, quem disse foi que disse! Sim, ele pode salvar e afundar ao mesmo tempo, porque depois dessa ninguém te dirá mais nada.

Se você está pensando em adquirir  essa engenhoca, não conte a ninguém. De uma hora para outra você passará do nível de  "cara legal' para o de "tremendo F.D.P."

Um relógio espião no braço aponta para uma pessoa solitária, sem amigos, dentes encardidos, cueca idem, levemente neurótica, que pretende se vingar da sociedade injusta dedurando todo mundo. Uma pessoa que nunca ligou muito pra você mas agora puxa assunto insistentemente e quer sua opinião sobre quase tudo:

"- Quem tal o governo? Está gostando das medidas?"
"- Gostosa a mulher do Zeferino, né? Se ela lhe desse bola você encararia?"
"- Acho injusto os lucros que o nosso chefe tem nas nossas costas. Nosso salário não deveria ser  proporcional ao que rendemos?"
"- Estou pensando em casar com a Tuquinha mas queria um conselho. Você acha uma boa? Você está realizado com a Fulana? "


Desconfie.  Conheço esse tipo de gente, que coloca cascas de banana ao longo da conversa para ter o que contar depois.  Sempre temos uns encostos desses por perto. É impossível fugir totalmente deles, so que com um relógio assassino nos braços a coisa fica mais perigosa. Evite-os assim como o diabo foge da cruz, ou quem será crucificado é você.

Em uma sociedade onde não podemos confiar mais nem nos relógios... é o caos. Uma cantada inconveniente, um comentário contra o chefe, uma promessa sem intenção de ser cumprida...  Essas pequenas pisadas na bola do dia-a-dia, que nãos nos traziam grandes problemas, de agora em diante podem ser prenúncio de uma tremenda crise.

Esse tipo de invento inaugura uma nova era onde ninguém confia em ninguém, onde as amizades acabaram.  É um marco do desaparecimento dos relacionamentos leves. Uma época cinzenta onde você realmente não tem mais com quem abrir o coração. Com essa praga, somada às canetas, escovas de dente, dentaduras e vibradores com vídeo, é a prova de que ninguém mais está seguro na sua intimidade simplesmente porque acabou a intimidade.

E mais:  quem garante que o vendedor do relógio não vai guardar seus dados para lhe ameaçar depois? Se ele contar para seus amigos que você tem o relógio traidor "acabou-se tudo"!  Não compre.

Tristes tempos...

terça-feira, 30 de março de 2010

CUIDADO! Tem um coelho querendo te assaltar!

Veja por quê é verdade afirmar que "Em tempos de crise, grana curta e tudo mais, só sendo muito idiota pra gastar dinheiro comprando Ovos de Páscoa."
 
Clique aqui e entenda.

Abaixo os ovos!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Só te digo vai!

Você pagaria para se ver no meio do inferno?
Tem gente que paga.
Eu paguei. Confesso para purgar.

Sabe, camarote é uma coisa legal. Conforto, ambiente selecionado, tudo nos conformes. Pra quem tem disposição de sobra (eu não tenho de sobra, só tenho para o gasto e olha lá) é a maneira menos maluca de se divertir com os amigos no carnaval. Mas tem que gostar de "axé" - e eu não gosto.

Sempre gostei de samba mas nunca fui carnavalesca. E não gosto dos "axés" da vida. Mas fui, acredita? Mas te juro: não volto nem amarrada.

Como eu disse, camarote é uma beleza mas nunca pensei que chegar lá seria uma experiência tão desgraçada.  E por um tempo acalentei a doce ilusão de que na saída a coisa seria diferente. Não era. Dá muito medo. Sabe o que é medo?

É uma visão do inferno. O Cão Chupando Manga estava lá. Você desce do taxi longe do seu destino e para chegar tem que enfrentar numa multidão pa-vo-ro-sa. Um monte de bêbado fedorento, um pisa-pisa terrível, gente amassando gente (no bom e no mal sentido) e toma-te bandido.  A impressão é de que foram ao presídio, emaconharam todo mundo e abriram as portas. E "nóis" figurando como caça.

Vi uns quatro homens "sanduicharem" uma mulher e depenarem a pobre, como urubus na carniça. Eram negros, jovens, altos e péssimos.  Vi-me também, eu mesma, no meio de um monte de bandidões, cercada. Pensei: "já era eu".    Isso mesmo, pensei assim, sem concordância.  Felizmente apareceram uns anjos PM's, exorcizaram o pedaço e saí incólume. Tanto é que estou aqui contando a história. Mas levaram o meu celular. 

Claro que pensei: "- O quê que eu estou fazendo aqui no meio dessa desgraça? Tô doida?"  Estava. Mas estou curada, viu?

Pré-conceito é um conceito precipitado. Dane-se o politicamente correto: se estou em um lugar e me aparece novamente uma turba de negões, vou gelar e me enfiar no primeiro bueiro que encontrar. Só saio no dia seguinte. Ora, foi uma turma dessa que me aterrorizou naquela noite fatídica e se não fosse a polícia, levariam até minha roupa. Não era uma galera de loiros ou de índios.  Os negros obviamente nao são melhores nem piores do que os brancos ou os índios mas como reprogramar o meu subconsciente?   Agora danou-se. Até eu ser assaltada novamente por um grupo de esquimós, vai ser difícil sentir diferente com relação a esses nobres patrícios baianos. E não me critique porque você não é assim tão diferente não.

A parte sentível da coisa: no fundo acaba sendo comovente ver aquela multidão tentando desesperadamente se divertir, sentir alguma coisa bonita, envolvente, alegre.  E aquele monte de mulheres pedindo pelo amor de Deus: "- Me achem gostosa! Please! Eu sou desejável, não sou?" E os homens: "- Diga que sou um bom caçador, pelo Santo Cristo! Sou muito macho,  né?  Dá uma força aê!"

Clique AQUI e leia algo bem interessante a respeito.

Impressões, impressões...  Uma impressão não é a expressão da verdade pois ela sempre tem um quê de tendenciosa. Estou sob impacto ainda. Portanto, não me leve muito a sério aqui. Quer tirar a dúvida? Vá lá, meta a cara e me conte depois. No linguajar de um típico paraense, "só te digo vai!"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Não piorou?!



Esses dias discuti o tema abaixo com umas pessoas amigas. Repetiam como um gongo que para elas a moralidade no Brasil não decaiu (tem quem acredite nisso...) apenas está mais aparente. Este  "estar mais aparente" é um lance de sinceridade dos bandidos, uma coisa até bacana da parte deles. Antigamente a corja política roubava escondido, agora os ladrões são mais sinceros sabe, o que é até preferível.

Claro que fiquei pasma. E claro que estou sendo irônica. Mas o que disseram não era muito diferente do que estou dizendo. Aqui, apenas 10% é ironia. Sim, há quem ache que descaramento é avanço. Há quem ache que agir sem temor não seja um indicativo de piora - não do caráter do desonesto em questão, mas da sociedade que o abriga. Houve sim um apodrecimento ao redor...

Argumentei assim:

Situação 01:  O cara é do mal: rouba, persegue, barbariza. Só que ele está inserido em um contexto no qual há que temer algum tipo de represália. Sendo assim, toma algumas precauções. Esgueira-se, esconde-se, se o acusam diz que não foi bem assim - mas continua no caminho do mal porque de qualquer modo conta com 90% de amigos no poder. Seu incômodo, a pedra no sapato são esses malditos 10%.

Situação 02: O cara é do mal: rouba, persegue, barbariza. Só que ele agora está no paraíso: não teme represália alguma. Não precisa tomar nenhum tipo de precaução. Não se dá ao trabalho de se esgueirar ou de se esconder. Se o acusam não traz no bolso ensaiada nenhuma desculpa esfarrapada. Não diz nada. Ou diz que não sabe de nada, não viu nada, tá todo mundo doido. Pronto. Continua no caminho do mal porque de qualquer modo conta com 100% de amigos no poder. Seu incômodo... Ei, não há incômodo! A pedra no sapato sumiu! Tá tudo dominado!

As duas situaçoes são idênticas? 
Se estivermos falando de dois países diferentes, você me dirá que ambos estão em igual condição ou um dos dois está um pouco pior?
Se você disser que dá na mesma pare por aqui. Nem dá pra continuar. Acho que você tem um problema sério de percepção das coisas ou não quer dar o braço a torcer.

Cara, é duro falar em português e ter ser entendida em aramaico.
EU NÃO ESTAVA DISCUTINDO A MORALIDADE DO LADRÃO MAS DOS OOOOUTROS!

Claro que fazer escondido ou  fazer no alto da montanha não melhora nem piora ninguém.

O que eu quis dizer e repito: se ele não tem mais do que se esconder é porque a estatura moral DE QUEM O CERCA piorou - e muito. Ou seja: o que eu discutia não era se o bandido ficou pior mas se ele ganhou mais adeptos.   No Brasil, se se escondem menos é porque eles aumentaram em número como ratos. O bandido continua o que sempre foi, só que mais desinibido.

Dizer que as coisas não pioraram só porque o bandido não piorou?  Se ele teve aumentada a sua base de apoio a coisa piorou sim, e muito.

Ah mas é tão chato admitir isso né? Menos doloroso é dizer que está tudo igual.

Pois é...  Ainda tive que ouvir o seguinte: "Ah, eu prefiro que se faça às claras. Acho um grande progresso. Pelo menos assim a gente vê o tamanho do problema."

Caraaaaacaaaaaa!

Quando "às claras" significa apenas que se tirou o pano, eu também prefiro! Mas quando esse "às claras" significa que a máfia tomou conta com sua garantia de tranquilidade, como posso chamar isso de avanço?!



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quinta-feira, 31 de março de 2011

O crack e a tese do mosquitinho

Acabei de assistir um filminho de campanha contra o crack. Concordo com a campanha, só que existem umas coisinhas que tem que ser esclarecidas. Precisamos colocar uns pingos nos "is". Veja se você concorda comigo:

1- Menciona-se todo o mal que o crack faz à saúde do usuário mas ninguém fala do mal que o usuário faz à sociedade.

Fico imaginando quantas trabalhadoras domésticas já foram acusadas de furto quando na verdade era o boyzinho viciado quem dava o sumiço nas coisas do papai e da mamãe.

Não entendo por quê não comentam que um dos horrores sociais da droga é que não custa nada para o dependente se tornar uma pessoa violenta.   Uma vez privado da droga, o dependente pode se tornar capaz de vender a própria mãe para conseguir mais uma dose. Há filhos que espancam pais porque querem mais dinheiro.

Estou sendo preconceituosa?  A coisa não é bem assim? Ah tá, então desculpa. Não leia o resto.

Acho que as campanhas tem que deixar de frescura e dizer claramente que há uma grande preocupação com o consumo de drogas inclusive porque o dependente inferniza a vida de quem está ao seu redor e se transforma em um tremendo problema social. Ele aumenta as taxas de criminalidade não somente porque usa substância proibida mas principalmente porque é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir mais dessa substância. Tô mentindo?

Sei muito bem que tem gente que fuma, cheira e morre sozinha "na boa" sem incomodar os outros. Geralmente essas pessoas tem grana. Detalhe: a maioria não tem. E esses "granados" podem não sair por aí assaltando, mas vá conviver com um elemento desse!

Amanhã qualquer um de nós pode levar um tiro na cara só porque um moleque qualquer está sem "estoque".Por que isso não é dito com sinceridade nas campanhas???

A maior parte dos assaltos acontecem para custear o vício dessas pessoinhas "vítimas das drogas". Detalhe: os assaltados e assassinados não são vítimas das drogas: eles são os culpados, os opressores, os que estavam estudando, trabalhando, cuidando da família e por isso tinham mais era que morrer porque não foram solidários com os "sofredores". Sabe a teoria do "Somos todos culpados, menos os criminosos"? Pois é.

2- A moça do vídeo que eu assisti falou do crack como "um mal que ataca pessoas sem distinção de idade, sexo ou posição social". Nunca vi nada mais idiota do que isso. Como assim? Parece até que as drogas são um mosquitinho que pode morder qualquer um quando menos se espera. Seu marido está dormindo tranquilo, mas aí o "mosquitinho do crack" ataca ele e pronto: mais uma vítima das drogas. Que coisa mais besta fazer uma campanha se referindo às drogas como "um mal que ataca"! Que mal que ataca, pô!? As pedrinhas vão sair do saquinho e se jogarem sozinhas em sua corrente sanguínea?

3- Tá certo, admito que existem forças sociais e psicológicas (e espirituais!) relevantes que podem induzir - eu disse induzir, não obrigar - uma pessoa a usar drogas, mas não nos esqueçamos da VONTADE PRÓPRIA. Nada acontece sem um SIM de alguém que deveria ter dito NÃO.

4- Vamos deixar uma coisa muito clara: o viciado não é a vítima; ele é o culpadp Vítima é quem tem que conviver com ele.

Claro que não é por isso que vamos nos omitir de ajudar. É uma questão de generosidade, prevenção, solidariedade, visão social. Mas o culpado é ele, não eu. Certo?

5- E não me venha dizer que não se deve ficar procurando culpados. Claro que devemos! Descobrir onde começa um problema e quem o alimenta já é o começo de uma solução. Colocar "panos quentes" é que não resolve.

Acho que deveríamos começar a colocar os pingos nos "is" e largar de mão a Tese do Mosquitinho, que nada mais é do que a cegonha moderna.  Antes, os bebês eram trazidos por cegonhas. Agora os viciados sofrem por causa de "um mal que ataca". Vamos parar com isso!

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Postado por Blogger no Blog da Cristina em 3/31/2011 01:25:00 AM

sábado, 7 de agosto de 2010

Ah se só o Governo roubasse...

Estou um tanto amargurada com nosso país e, em uma aparente contradição, decido que não vou mais xingar o governo.

Não ele que não mereça mas porque é injusto. Xingar o governo é esquecer quem o pariu.

Quando falo em "parir o governo" não me refiro a votos. Besteira dizer que votamos errado. Votamos nas opções que temos. Não é questão de escolher mau, é questão de falta de opções.Só posso votar em quem é candidato, não é verdade?

Não vou mais xingar o governo nem xingar "maus votos". Isso é erro de percepção. Se só o governo roubasse esse país seria um paraíso. Quem dera que só os políticos roubassem... De minha parte eu até permitiria. Diria: gente, de hoje em diante só político é ladrão, certo?  Se todos concordassem acho que esse país até iria pra frente porque os políticos são minoria e nós, a maioria.  Se meus patrícios concordassem seria a prova de que todos somos melhores do que eles. O problema é que a resposta provável seria: "mas só eles tem o direito?"

Roubar, no Brasil é privilégio. Então por quê xingar o governo?

Depois do que li na reportagem publicada no Globo.com ("Corrupção nanica - estrago gigante") vejo (novamente!) que está tudo tão generalizado que ... cansei. É tanta gente roubando que cheguei á triste conclusão de que merecemos meeeesmo ver doentes morrendo em taxi após serem recusados nos hospitais porque no próprio trajeto da verba do governo para os hospitais há roubo de verbas, de remédios, há médicos que recebem e não prestam serviço, há quem receba os serviços fraudando o plano de saúde, há cobrança de consultas que não foram feitas, corridas de taxi cobradas a mais, troco dado errado, empregada que roubou a patroa, patroa que explorou a empregada e não apagou, adolescentes que roubaram os pais, pais que não cuidam de seus adolescentes, venda de mercadoria estragada, fraude ao  INSS, pequenos furtos em supermercado  feita por funcionários e por fregueses, universitários que compram prova, professores que as vendem, remédios falsificados, compra de celulares sabidamente roubados e tudo o mais. Vivemos em um charco de bosta.

É duro mas hoje estou tão amargurada que acordei achando (só hoje, tá?) que merecemos mesmo ver professoras escrevendo errado, universitários que mal sabem interpretar um texto e juízes sem o mais rudimentar senso de justiça, juízes que se acham Deus, médicos arrogantes, vizinhos baderneiros, terríveis desrespeitos na forma de poluição sonora, quilos de 900 gramas, litros de 950 ml, remédios de farinha de trigo, desmatamento... É uma desgraça. Não, esse país não vai pra frente por um motivo simples: a corrupção não deixa. empresãrios estrangeiros já deixaram de investir aqui porque o percentual que cobram em propina é absurdo e inviabilizante. Os que insistem em investir resolvem sugar do consumidor. Somos enganados robados todos os dias na conta do telefone, na conta de luz, na taxa de limpeza etc. 

Já que há um consenso nisso, já que ser desonesto é bom e sinal de esperteza, de agora em diante entendo como profundamente injusto atacar apenas os políticos. Eles só fazem o que fizeram a vida toda enquanto não estavam lá. E continuarão a fazer quando saírem. E é o que farão os que para lá forem e é o que sonharão em fazer os que para lá não conseguirem ir.

Hoje estou generalizando. Outro dia me retrato se for o caso. Mas pensando bem, por quê não posso ser injusta?

SÓ ELES TEM O DIREITO?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Você tem um relógio espião?

Vivo recebendo e-mails com propagandar que tentam de convencer a adquirir um certo "relógio espião".  Eles são insistentes! Estou quase me rendendo à idéia de que preciso de um, mas pergunto: você se relacionaria tranquilamente com uma pessoa que tem um relógio sacana desses? Contaria seus segredos? Mostraria sua fragilidade? Transaria?  Ah, duvido.

Pega mal ter um relógio espíão, esse é o fato. Estão querendo me vender algo que queimará completamente o meu filme.

Ninguém compra um relógio espião para fazer  bem. É pra pegar o próximo fazendo coisa feia e depois encostá-lo na parede. Claro, também pode ser utilizado para a auto-defesa: sabe aquelas situações onde disseram que você disse e mas você disse que não disse só que não pode provar que não disse? Pois é, o relógio espião pode te salvar. Daí, todo mundo passará a acreditar no que você disse, isso é: você não disse, quem disse foi que disse! Sim, ele pode salvar e afundar ao mesmo tempo, porque depois dessa ninguém te dirá mais nada.

Se você está pensando em adquirir  essa engenhoca, não conte a ninguém. De uma hora para outra você passará do nível de  "cara legal' para o de "tremendo F.D.P."

Um relógio espião no braço aponta para uma pessoa solitária, sem amigos, dentes encardidos, cueca idem, levemente neurótica, que pretende se vingar da sociedade injusta dedurando todo mundo. Uma pessoa que nunca ligou muito pra você mas agora puxa assunto insistentemente e quer sua opinião sobre quase tudo:

"- Quem tal o governo? Está gostando das medidas?"
"- Gostosa a mulher do Zeferino, né? Se ela lhe desse bola você encararia?"
"- Acho injusto os lucros que o nosso chefe tem nas nossas costas. Nosso salário não deveria ser  proporcional ao que rendemos?"
"- Estou pensando em casar com a Tuquinha mas queria um conselho. Você acha uma boa? Você está realizado com a Fulana? "


Desconfie.  Conheço esse tipo de gente, que coloca cascas de banana ao longo da conversa para ter o que contar depois.  Sempre temos uns encostos desses por perto. É impossível fugir totalmente deles, so que com um relógio assassino nos braços a coisa fica mais perigosa. Evite-os assim como o diabo foge da cruz, ou quem será crucificado é você.

Em uma sociedade onde não podemos confiar mais nem nos relógios... é o caos. Uma cantada inconveniente, um comentário contra o chefe, uma promessa sem intenção de ser cumprida...  Essas pequenas pisadas na bola do dia-a-dia, que nãos nos traziam grandes problemas, de agora em diante podem ser prenúncio de uma tremenda crise.

Esse tipo de invento inaugura uma nova era onde ninguém confia em ninguém, onde as amizades acabaram.  É um marco do desaparecimento dos relacionamentos leves. Uma época cinzenta onde você realmente não tem mais com quem abrir o coração. Com essa praga, somada às canetas, escovas de dente, dentaduras e vibradores com vídeo, é a prova de que ninguém mais está seguro na sua intimidade simplesmente porque acabou a intimidade.

E mais:  quem garante que o vendedor do relógio não vai guardar seus dados para lhe ameaçar depois? Se ele contar para seus amigos que você tem o relógio traidor "acabou-se tudo"!  Não compre.

Tristes tempos...

terça-feira, 30 de março de 2010

CUIDADO! Tem um coelho querendo te assaltar!

Veja por quê é verdade afirmar que "Em tempos de crise, grana curta e tudo mais, só sendo muito idiota pra gastar dinheiro comprando Ovos de Páscoa."
 
Clique aqui e entenda.

Abaixo os ovos!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Só te digo vai!

Você pagaria para se ver no meio do inferno?
Tem gente que paga.
Eu paguei. Confesso para purgar.

Sabe, camarote é uma coisa legal. Conforto, ambiente selecionado, tudo nos conformes. Pra quem tem disposição de sobra (eu não tenho de sobra, só tenho para o gasto e olha lá) é a maneira menos maluca de se divertir com os amigos no carnaval. Mas tem que gostar de "axé" - e eu não gosto.

Sempre gostei de samba mas nunca fui carnavalesca. E não gosto dos "axés" da vida. Mas fui, acredita? Mas te juro: não volto nem amarrada.

Como eu disse, camarote é uma beleza mas nunca pensei que chegar lá seria uma experiência tão desgraçada.  E por um tempo acalentei a doce ilusão de que na saída a coisa seria diferente. Não era. Dá muito medo. Sabe o que é medo?

É uma visão do inferno. O Cão Chupando Manga estava lá. Você desce do taxi longe do seu destino e para chegar tem que enfrentar numa multidão pa-vo-ro-sa. Um monte de bêbado fedorento, um pisa-pisa terrível, gente amassando gente (no bom e no mal sentido) e toma-te bandido.  A impressão é de que foram ao presídio, emaconharam todo mundo e abriram as portas. E "nóis" figurando como caça.

Vi uns quatro homens "sanduicharem" uma mulher e depenarem a pobre, como urubus na carniça. Eram negros, jovens, altos e péssimos.  Vi-me também, eu mesma, no meio de um monte de bandidões, cercada. Pensei: "já era eu".    Isso mesmo, pensei assim, sem concordância.  Felizmente apareceram uns anjos PM's, exorcizaram o pedaço e saí incólume. Tanto é que estou aqui contando a história. Mas levaram o meu celular. 

Claro que pensei: "- O quê que eu estou fazendo aqui no meio dessa desgraça? Tô doida?"  Estava. Mas estou curada, viu?

Pré-conceito é um conceito precipitado. Dane-se o politicamente correto: se estou em um lugar e me aparece novamente uma turba de negões, vou gelar e me enfiar no primeiro bueiro que encontrar. Só saio no dia seguinte. Ora, foi uma turma dessa que me aterrorizou naquela noite fatídica e se não fosse a polícia, levariam até minha roupa. Não era uma galera de loiros ou de índios.  Os negros obviamente nao são melhores nem piores do que os brancos ou os índios mas como reprogramar o meu subconsciente?   Agora danou-se. Até eu ser assaltada novamente por um grupo de esquimós, vai ser difícil sentir diferente com relação a esses nobres patrícios baianos. E não me critique porque você não é assim tão diferente não.

A parte sentível da coisa: no fundo acaba sendo comovente ver aquela multidão tentando desesperadamente se divertir, sentir alguma coisa bonita, envolvente, alegre.  E aquele monte de mulheres pedindo pelo amor de Deus: "- Me achem gostosa! Please! Eu sou desejável, não sou?" E os homens: "- Diga que sou um bom caçador, pelo Santo Cristo! Sou muito macho,  né?  Dá uma força aê!"

Clique AQUI e leia algo bem interessante a respeito.

Impressões, impressões...  Uma impressão não é a expressão da verdade pois ela sempre tem um quê de tendenciosa. Estou sob impacto ainda. Portanto, não me leve muito a sério aqui. Quer tirar a dúvida? Vá lá, meta a cara e me conte depois. No linguajar de um típico paraense, "só te digo vai!"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Não piorou?!



Esses dias discuti o tema abaixo com umas pessoas amigas. Repetiam como um gongo que para elas a moralidade no Brasil não decaiu (tem quem acredite nisso...) apenas está mais aparente. Este  "estar mais aparente" é um lance de sinceridade dos bandidos, uma coisa até bacana da parte deles. Antigamente a corja política roubava escondido, agora os ladrões são mais sinceros sabe, o que é até preferível.

Claro que fiquei pasma. E claro que estou sendo irônica. Mas o que disseram não era muito diferente do que estou dizendo. Aqui, apenas 10% é ironia. Sim, há quem ache que descaramento é avanço. Há quem ache que agir sem temor não seja um indicativo de piora - não do caráter do desonesto em questão, mas da sociedade que o abriga. Houve sim um apodrecimento ao redor...

Argumentei assim:

Situação 01:  O cara é do mal: rouba, persegue, barbariza. Só que ele está inserido em um contexto no qual há que temer algum tipo de represália. Sendo assim, toma algumas precauções. Esgueira-se, esconde-se, se o acusam diz que não foi bem assim - mas continua no caminho do mal porque de qualquer modo conta com 90% de amigos no poder. Seu incômodo, a pedra no sapato são esses malditos 10%.

Situação 02: O cara é do mal: rouba, persegue, barbariza. Só que ele agora está no paraíso: não teme represália alguma. Não precisa tomar nenhum tipo de precaução. Não se dá ao trabalho de se esgueirar ou de se esconder. Se o acusam não traz no bolso ensaiada nenhuma desculpa esfarrapada. Não diz nada. Ou diz que não sabe de nada, não viu nada, tá todo mundo doido. Pronto. Continua no caminho do mal porque de qualquer modo conta com 100% de amigos no poder. Seu incômodo... Ei, não há incômodo! A pedra no sapato sumiu! Tá tudo dominado!

As duas situaçoes são idênticas? 
Se estivermos falando de dois países diferentes, você me dirá que ambos estão em igual condição ou um dos dois está um pouco pior?
Se você disser que dá na mesma pare por aqui. Nem dá pra continuar. Acho que você tem um problema sério de percepção das coisas ou não quer dar o braço a torcer.

Cara, é duro falar em português e ter ser entendida em aramaico.
EU NÃO ESTAVA DISCUTINDO A MORALIDADE DO LADRÃO MAS DOS OOOOUTROS!

Claro que fazer escondido ou  fazer no alto da montanha não melhora nem piora ninguém.

O que eu quis dizer e repito: se ele não tem mais do que se esconder é porque a estatura moral DE QUEM O CERCA piorou - e muito. Ou seja: o que eu discutia não era se o bandido ficou pior mas se ele ganhou mais adeptos.   No Brasil, se se escondem menos é porque eles aumentaram em número como ratos. O bandido continua o que sempre foi, só que mais desinibido.

Dizer que as coisas não pioraram só porque o bandido não piorou?  Se ele teve aumentada a sua base de apoio a coisa piorou sim, e muito.

Ah mas é tão chato admitir isso né? Menos doloroso é dizer que está tudo igual.

Pois é...  Ainda tive que ouvir o seguinte: "Ah, eu prefiro que se faça às claras. Acho um grande progresso. Pelo menos assim a gente vê o tamanho do problema."

Caraaaaacaaaaaa!

Quando "às claras" significa apenas que se tirou o pano, eu também prefiro! Mas quando esse "às claras" significa que a máfia tomou conta com sua garantia de tranquilidade, como posso chamar isso de avanço?!