terça-feira, 30 de março de 2010

CUIDADO! Tem um coelho querendo te assaltar!

Veja por quê é verdade afirmar que "Em tempos de crise, grana curta e tudo mais, só sendo muito idiota pra gastar dinheiro comprando Ovos de Páscoa."
 
Clique aqui e entenda.

Abaixo os ovos!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fundo Reino

Assisti esses dias a peça Fundo Reino, no teatro Waldemar Henrique (Belém/PA). Pense numa peça chata.

Nota introdutória: quem sou eu? Nada mais que uma reles mulher do povo, uma expectadora com o grau de inteligência quase menos que mediano; uma pessoa que não sabe discorrer com erudição sobre teatro e que não é digna nem de desatar as correias das sandálias de Walter Freitas. Só posso falar, muito encabuladamente, das minhas simples e rasteiras impressões.


Devidamente humilhada passo a contar-lhes as minhas impressões:

Li que o espetáculo é o " resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz etc e tal."  Noooossa!
Sabe o que isso quer dizer? Que Walter Freitas é uma pessoa especialmente inteligente, culto, talentoso e inspirado e que este trabalho dele só pode ser acessível às pessoas igualmente acima da média. No final das contas concluo, desolada, que estou muito aquém de tudo aquilo. Sabe, não alcancei a magnitude da apresentação. Saí de lá enfadada.

Noves fora, é isso.
Mas o texto era ruim? Não!!! Pelo contrário: brilhante. Isso mesmo. As falas rimavam de forma criativa e graciosa, uma coisa muito interessante, principalmente quando a gente conseguia entender o que os atores falavam, porque não havia palco. A história foi encenada numa "arena", com o público ao redor. Sendo assim, de vez em quando os artistas ficavam de costas para a gente.

Os atores eram ruins? Não! Eram bons mesmo. Vai aqui uma menção mais que especial à moça magrinha que interpretava a filha de Antero. Acho que o nome é Wellingta Macêdo; e também à Pauli Banhos, que interpretou a Viúva Zulmira. Só pude concluir que eles não tiveram culpa, pois apenas fizeram - e bem - o que mandaram eles fazerem.

E o que mandaram eles fazerem?

Os artistas, devidamente enfeiados pela produção, fizeram a sua parte nessa esquisitice visual: faziam caretas, muitas caretas.

Não havia cortina nem entra e sai de personagens. Eles permaneciam o tempo inteiro no palco, mesmo se não estivessem todos atuando.  Nesse ínterim penso que poderiam se retirar para retornar depois, poderiam sentar na platéia ou dormir. O que não consigo entender é por que eles todos ficavam o tempo INTEIRINHO fazendo caretas para nós e uns para os outros. Saco!  Pensei: "qual seria o significado profundo dessas macaquices?"  Sei lá.   Era assim: Se havia uma dupla atuando, os outros matavam o tempo se contorcendo, circulando pela "arena" tortos, capengas, com cara de inimputáveis. Um desfile de horrores, contrangedor e sem graça. Em alguns momentos imaginei que eu estava em um hospital psiquiátrico. Sério!  Sem falar nos gestos ao ar, na maioria das vezes sem sentido algum. Agitavam os braços, catavam borboletas imaginárias, desfiavam cortinas inexistentes e sei lá mais o quê. Só sei que não queria dizer nada.  E se queria dizer, ficou só na boa intenção. Faltou clareza o tempo todo.

Há mais outros detalhes desagradáveis, mas vou ficar só por aqui.

Fico imaginando se peças como essa não respondem à indagação de alguns artistas amargurados: "por quê será que o povo não prestigia nosso teatro?"  Bem, eu sou povo e estou cantando a pedra procês. Não dá!

Já assisti peças nas quais as pessoas falavam umas com as outras, havia começo meio e fim, diálogos esclarecedores ou um narrador caridoso, gestos com razão de ser, choro ou riso dentro do contexto. Ah como era bom...

De qualquer forma sempre achei que os artistas queriam se fazer entender. Parece que eu estava errada...   Nesse episódio tive a impressão de que não era para eu estar lá e que aquilo era destinado apenas aos "iniciados". Era coisa de artista pra artista, pro pessoal da tribo, entendeu? 

Questionei com uma amiga: "Mas aquelas macaquices todas eram mesmo úteis para a história? Por que aquilo? Que saco! Por que não encenam uma história às claras, para a gente acompanhar e curtir?" Ela respondeu algo como: "se fosse pra ser como na vida real, com gestos e expressões mais naturais e claras, não seria teatro, mas cinema."

Ah tá, então teatro é careta e enigma?  Vivendo e aprendendo...

Detalhe: as pessoas que estavam comigo também eram burras: acharam cha-to.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Uma nova sociedade? Tá doido, cara?

Ei ! Você aí! Sim, você mesmo! Venha cá e me responda: sério mesmo, você está a fim de construir uma nova sociedade?

"Claro que sim" uma ova.  A resposta certa é "claro que não". E não venha me atacar de engajado. Todos nós odiamos e amamos nosso modo de vida. Preferimos ficar com o que odiamos se  para isso pudermos manter o que amamos. O pacote é completo, não dá pra separar.

Por exemplo: não seria maravilhosa uma sociedade que não dependesse economicamente do consumismo desenfreado? Sim. Mas quais seriam as implicações dessa nova sociedade?

1- Isso implicaria em você abrir mão de 80% das suas coisas. Topa?

2- Implicaria em menos gente empenhada em criar. Não haveria motivo para tanta criatividade se não fosse para enriquecer vendendo-a. Para quê ficar criando coisas se não houvesse uma equipe de marketing dedicada a convencer os outros a comprar esses trecos de que não precisam? Menos propaganda = menos consumo. De repente você está condenado a continuar com aquela cadeira de balanço de 40 anos só porque a desgraçada não acaba nunca.

Esse é um exemplo só para começo de conversa. A verdade é que nossas reivindicações sociais mais inflamadas e justas poderiam infernizar nossa vida se fossem realmente aplicadas.  Mais exemplos:

-  Um pequeno erro (no trânsito, por exemplo) cometido sem senhuma intenção de fazer o mal. Você não poderia mais fugir das penalidades de modo algum, sob nenhum argumento, sob nenhuma "maionese". Todos os seus erros trariam sobre você a justa penalidade.  Amigo coronel, parente político ou compadre delegado - nada disso funcionaria. Nem dinheiro.

- Delícias? Só seriam liberados para a venda os alimentos que comprovadamente não prejudicassem nossa saúde de forma alguma. Agora abra a sua geladeira. Depois me olhe nos olhos e responda se você queria mesmo empresários e governo rígidos no que concerne à alimentação da população. Bem-vindo ao maravilhoso mundo dos naturebas.

- Aborto? Nem sonhar. Claro que sei que ele já é proibido. É proibido mas é permitido - se é que você me entende. Imagine se fosse proibido meeeeesmo.  Pense em você e em todo o mundo sem essa horrível opção, ainda que remota. Pense em você sem a opção de fazer nenhuma outra coisa feia nessa vida; não por caráter ou por amor ao próximo, mas por medo da infalível punição.

- Só teria permissão para fazer sexo as pessoas com condições físicas, financeiras e psicológicas para arcarem pessoalmente pelos resultados do sexo. Ou seja: sexo irresponsável seria terminantemente proibido. Adolescentes que não têm onde cair mortos transando alegremente às custas dos pais e empurrando o bebê para os outros criarem? Acabou.

- Nenhum tipo de promessa ou dívida ou contrato deixariam de ser cumpridos. Nenhum. Sob as mais pesadas penas da lei. Não valeria mais essa coisa de se arrepender das promessas feitas. Falou tá falado, nem que o mundo se acabe. Se você me prometeu uma coisa hoje, saberei que a promessa perdurará até que você morra, ainda que isso leve mais sessenta anos.

- O prazer do novo pelo simples prazer fútil pelo novo, nunca mais. "Enjoei daquela cortina..."  Ééééé?  Pois jogue-se da sacada. Você não serve para os novos tempos.

- Mérito, mérito e mais mérito. Quem não tiver mérito não chegará mais a lugar algum.  Legal né?  Será?   Pense que talvez você perdesse seu emprego por causa disso. Talvez, em um teste de capacidade, você só conseguisse ocupar um cargo bem na base da pirâmide. Status zero.

- A morte do "quem indica".  Particularmente eu odeio o  "quem indica" mas desconfio de que seja só porque nunca ninguém me indicou para nada.  Você se parece comigo?

Uma sociedade justa: 

"- Ah, você quer mesmo mais justiça?" pergunta a horrenda Fada Madrinha. 
"-Eu quero. Nas costas dos outros", respondo eu.

Meu amigo cheio de moral, você se garante se o mundo se tornar absolutamente justo? Tipo toma-lá-dá-cá, sem "mas-mas-mas", sem desculpa e sem perdão? Sim, porque o perdão é um ato injusto. A justiça mesmo é olho por olho, dente por dente. O que passar disso é misericórdia.
Particularmente acho que perdão e clemência tem me quebrado um galhão durante a vida. O problema da misericórdia é que não dá pra ela existir só pra mim. Geralmente (no fundo no fundo) achamos que bom mesmo seria "misericórdia para mim e justiça para os outros". Só que esse é um desejo muito cara de pau, não é?

Repito a pergunta: você se garante mesmo em uma sociedade mais justa?


Ah, você quer os dois juntos: justiça e misericórdia? Só na Bíblia, meu amigo, só com Deus. Você é cristão?    Vou te contar: aqui entre os homens, justiça e misericórdia são como óleo e água - não se misturam.
- Na nova ordem mundial proibido é proibido e inegociável.  Seja sincero: é isso mesmo que o seu coração pede? Maconhazinha? Porretada. Cola? Mais porretada. Coca Cola? Cem chibatadas. Som no último volume? Condenação. Pequenas transgressões? NEVER. Espalhar boato? Indenização. Pegar emprestado e não devolver? Execração pública. E por aí vai.

Imagine se todas as contravenções e crimes, maiores e menores, fossem realmente e exemplarmente punidos. TODOS. Assim teríamos uma sociedade mais justa, mas... isso não atrapalharia em nada o seu dia-a-dia?

A verdade é que nossa sociedade hipócrita é patologicamente afeiçoada a tudo o que a destrói. Precisamente por isso ela está sendo destruída. São os milhares de pequenas transgressões que estão envenenando o mundo. Os grandes transgressores são fichinha perto do exército inumerável de transgressores-formiga - do qual VOCÊ faz parte.

Acho que se uma fada madrinha viesse nos perguntar se desejávamos que ela transformasse agorinha nossa sociedade em uma sociedade justa, consciente, solidária e coerente, sabe o que responderíamos?

"Dona Fada, valeu a intenção mas... depois a gente fala sobre isso, tá? Deixe seu telefone que a gente entra em contato."

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ditadura petista

Chega a ser assustadora a maneira como a ditadura está sendo implantada no Brasil. Todos se calam, todos se rendem. Onde estão os destemidos militantes que queriam liberdade? Sabe onde eles estão? Ocupando cargos, caladinhos, mamando na teta do Estado.

Escapamos da ditadura militar pra cair nisso? Numa ditadura petista?
É isso o que queremos para nós????
Assista. É nojento.

terça-feira, 23 de março de 2010

O meu avô é canibal!

Pensei que eu já tivesse rido de todas as besteiras da internet mas eis que sempre é possível descobrir mais uma. Nos primórdios da humanidade eu me divertia lendo os nomes das comunidades do Orkut. Agora isso não tem mais graça nenhuma. Enjoou.

Vagando a esmo pelo Twitter (que já enjoei tão logo me filiei) dei de cara com uma... comunidade (?) cujo nome é "#avonolugardeamor" ( Avô no Lugar de Amor). O lance é colocar as letras das músicas que falam em amor (quase todas) e substituir a palavra "amor" por "avô". Coisa de quem não tem o que fazer...   Mas pense:  acreditar que estamos desocupados é uma fantasia muito útil nos dias modernos;  nossas emoçoes precisam acreditar de vez em quando que estamos livres e desimpedidos.

Já justifiquei meu momento de besteirol. Sigamos:

Note que em algumas letras, a troca fica muito engraçada. Eu ri - você rirá.Se não rir, vá se catar. (Rimou!)

Vejam alguns exemplos (que copiei do Twitter). Depois você pode ativar sua veia artística (não é véia artística!) para compor com seu avô:

  • O meu avô é canibal. Comeu meu coração, mas agora sou feliz. (Tarado!)
  • Avô, meu grande avô, não chegue na hora marcada... (quer ou não quer a visita?)
  •  O avô de Julieta e Romeu... igualzinho ao meu e o seu...  (que coincidência!)
  • Fiquei mal, mas passou. Você não sabe o que é avô...  (é, eles são complicados mesmo...)
  • O avô só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade   (Profundo... Tira o cara do asilo!)
  •  A vida não é só fantasia, a vida não é feita de ilusão, o avô é bem mais forte que a força de um furacão.. (Também, com tantas academias para a terceira idade!)
  • Eu te darei o céu, meu bem, e o meu avô também (Não, obrigada)
  • Avô igual ao teu eu nunca mais terei. Nunca mais terei, nunca mais terei... (é, geralmente a gente só recebe um exemplar de cada...)
  • Perdi meu avô... no paraííííso...  (o meu também já está no paraíso. Deus o tenha.)
  • Não se afobe não que nada é pra já, o avô não tem pressa, ele pode esperar. (esperar é uma das lições que quem já viveu muito acaba aprendendo)
  • Saiba que meu grande avô hoje vai se casar, mandou uma carta pra me avisar ... (acho que ele também tem o direito de ser feliz!)
  •  É o avôôõ que mexe com minha cabeça e me deixa assim... (o meu avô também era um porre.)
  • Quero um avô maior, avô maior que eu, que eeu. (pra mim serve um avô pequenininho mesmo)
  • O meu avô / não sei por quê / bate feliz / quando lhe vê (acho que ele é sadomasoquista...)
  • Vai sacudirrr vai abalarrrrr quando o meu Avôoo passarr, explode coração é muita emoção no arrr, vai laaa (Isso vai ser uma seção espírita?)
  • O beija Flor que trouxe meu Avô, voou e foi embora... (filho duma égua! por quê não levou o véio embora?)
  • Avô com avô se paga (é, eles se merecem...)  
  • O avô é cego (com o tempo a vista fica fraca mesmo)
  • O avô me pegou, tentei escapar, não consegui... (bolinador de menores! Esse mundo tá perdido...)
  • Quem nunca teve, quem é que não viu, um avô safado, um avô doentio (todo véio gosta de menininhas...) 
  • Eu quero um avó tranquilo com gosto de fruta mordida  (essa é fácil: todo avô já é uma fruta mordida)
  • Avô da minha vida... daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade (é verdade...)
  • Meu avô é só seu, seu avô é só meu, nosso avô é assim (troca-troca de velhinho? Hummm...)
  • Não quero dinheiro, quero avô sincero... Isso é o que eu espero (pois é. Nada pior do que um velhinho mentiroso)
 E por aí vai.

sábado, 20 de março de 2010

Sambinha do amor que fica


SAMBINHA DO AMOR QUE FICA

O amor que fica
É mesmo o amor que fica
Porque o amor que vai
É frouxo laço
E abre espaço
Que nos distrai.

E nessa pausa
Estrago causa.
De nada vale
Uma afeição
Amargurada,
Entrecortada,
Na contramão?

E contra isso
Ninguém replica.
De que me serve
O intermitente?
Esse não quero
Só o que fica
Porque só esse
Cativa a gente.

No sol de fogo
Ou na garoa
O amor que fica
Longe não voa.

Disso me encanto!
Em seu cantil
Traz a poção
Traz o carinho
Que agrilhoa
- Que coisa boa!
Devagarzinho.

(Do livro Rio Coragem - Cristina Faraon)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Coisas de gringo

Você consegue imaginar, no Brasil, alguma mulher ser presa por transar?  Pois na Inglaterra a "justiça" ficou indignadíssima porque uma certa Alice (que trabalhava como voluntária na prisão) resolveu "aliviar o peso da condenação" de três detendos.  Parece brincadeira. Ela é tida como criminosa porque "manteve relações pessoais e inapropriadas com os presos."  Ai méodéos!

Acho que isso só seria problema se eles fossem obrigados "àquilo" ou se ela estivesse colocando em risco a segurança.  Não sei como foi esse "coito criminoso"  (pelo buraquinho da grade?)  mas por mais errada que ela estivesse  mereceria uma advertência, o olho da rua, uma multa, sei lá, mas a pobre está correndo risco de pegar perpétua.  Que exagero!


"A jovem tinha como função verificar se os padrões de atendimento e decência eram seguidos na cadeia..."  Será que algum perso reclamou de "maus tratos"?

terça-feira, 30 de março de 2010

CUIDADO! Tem um coelho querendo te assaltar!

Veja por quê é verdade afirmar que "Em tempos de crise, grana curta e tudo mais, só sendo muito idiota pra gastar dinheiro comprando Ovos de Páscoa."
 
Clique aqui e entenda.

Abaixo os ovos!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fundo Reino

Assisti esses dias a peça Fundo Reino, no teatro Waldemar Henrique (Belém/PA). Pense numa peça chata.

Nota introdutória: quem sou eu? Nada mais que uma reles mulher do povo, uma expectadora com o grau de inteligência quase menos que mediano; uma pessoa que não sabe discorrer com erudição sobre teatro e que não é digna nem de desatar as correias das sandálias de Walter Freitas. Só posso falar, muito encabuladamente, das minhas simples e rasteiras impressões.


Devidamente humilhada passo a contar-lhes as minhas impressões:

Li que o espetáculo é o " resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz etc e tal."  Noooossa!
Sabe o que isso quer dizer? Que Walter Freitas é uma pessoa especialmente inteligente, culto, talentoso e inspirado e que este trabalho dele só pode ser acessível às pessoas igualmente acima da média. No final das contas concluo, desolada, que estou muito aquém de tudo aquilo. Sabe, não alcancei a magnitude da apresentação. Saí de lá enfadada.

Noves fora, é isso.
Mas o texto era ruim? Não!!! Pelo contrário: brilhante. Isso mesmo. As falas rimavam de forma criativa e graciosa, uma coisa muito interessante, principalmente quando a gente conseguia entender o que os atores falavam, porque não havia palco. A história foi encenada numa "arena", com o público ao redor. Sendo assim, de vez em quando os artistas ficavam de costas para a gente.

Os atores eram ruins? Não! Eram bons mesmo. Vai aqui uma menção mais que especial à moça magrinha que interpretava a filha de Antero. Acho que o nome é Wellingta Macêdo; e também à Pauli Banhos, que interpretou a Viúva Zulmira. Só pude concluir que eles não tiveram culpa, pois apenas fizeram - e bem - o que mandaram eles fazerem.

E o que mandaram eles fazerem?

Os artistas, devidamente enfeiados pela produção, fizeram a sua parte nessa esquisitice visual: faziam caretas, muitas caretas.

Não havia cortina nem entra e sai de personagens. Eles permaneciam o tempo inteiro no palco, mesmo se não estivessem todos atuando.  Nesse ínterim penso que poderiam se retirar para retornar depois, poderiam sentar na platéia ou dormir. O que não consigo entender é por que eles todos ficavam o tempo INTEIRINHO fazendo caretas para nós e uns para os outros. Saco!  Pensei: "qual seria o significado profundo dessas macaquices?"  Sei lá.   Era assim: Se havia uma dupla atuando, os outros matavam o tempo se contorcendo, circulando pela "arena" tortos, capengas, com cara de inimputáveis. Um desfile de horrores, contrangedor e sem graça. Em alguns momentos imaginei que eu estava em um hospital psiquiátrico. Sério!  Sem falar nos gestos ao ar, na maioria das vezes sem sentido algum. Agitavam os braços, catavam borboletas imaginárias, desfiavam cortinas inexistentes e sei lá mais o quê. Só sei que não queria dizer nada.  E se queria dizer, ficou só na boa intenção. Faltou clareza o tempo todo.

Há mais outros detalhes desagradáveis, mas vou ficar só por aqui.

Fico imaginando se peças como essa não respondem à indagação de alguns artistas amargurados: "por quê será que o povo não prestigia nosso teatro?"  Bem, eu sou povo e estou cantando a pedra procês. Não dá!

Já assisti peças nas quais as pessoas falavam umas com as outras, havia começo meio e fim, diálogos esclarecedores ou um narrador caridoso, gestos com razão de ser, choro ou riso dentro do contexto. Ah como era bom...

De qualquer forma sempre achei que os artistas queriam se fazer entender. Parece que eu estava errada...   Nesse episódio tive a impressão de que não era para eu estar lá e que aquilo era destinado apenas aos "iniciados". Era coisa de artista pra artista, pro pessoal da tribo, entendeu? 

Questionei com uma amiga: "Mas aquelas macaquices todas eram mesmo úteis para a história? Por que aquilo? Que saco! Por que não encenam uma história às claras, para a gente acompanhar e curtir?" Ela respondeu algo como: "se fosse pra ser como na vida real, com gestos e expressões mais naturais e claras, não seria teatro, mas cinema."

Ah tá, então teatro é careta e enigma?  Vivendo e aprendendo...

Detalhe: as pessoas que estavam comigo também eram burras: acharam cha-to.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Uma nova sociedade? Tá doido, cara?

Ei ! Você aí! Sim, você mesmo! Venha cá e me responda: sério mesmo, você está a fim de construir uma nova sociedade?

"Claro que sim" uma ova.  A resposta certa é "claro que não". E não venha me atacar de engajado. Todos nós odiamos e amamos nosso modo de vida. Preferimos ficar com o que odiamos se  para isso pudermos manter o que amamos. O pacote é completo, não dá pra separar.

Por exemplo: não seria maravilhosa uma sociedade que não dependesse economicamente do consumismo desenfreado? Sim. Mas quais seriam as implicações dessa nova sociedade?

1- Isso implicaria em você abrir mão de 80% das suas coisas. Topa?

2- Implicaria em menos gente empenhada em criar. Não haveria motivo para tanta criatividade se não fosse para enriquecer vendendo-a. Para quê ficar criando coisas se não houvesse uma equipe de marketing dedicada a convencer os outros a comprar esses trecos de que não precisam? Menos propaganda = menos consumo. De repente você está condenado a continuar com aquela cadeira de balanço de 40 anos só porque a desgraçada não acaba nunca.

Esse é um exemplo só para começo de conversa. A verdade é que nossas reivindicações sociais mais inflamadas e justas poderiam infernizar nossa vida se fossem realmente aplicadas.  Mais exemplos:

-  Um pequeno erro (no trânsito, por exemplo) cometido sem senhuma intenção de fazer o mal. Você não poderia mais fugir das penalidades de modo algum, sob nenhum argumento, sob nenhuma "maionese". Todos os seus erros trariam sobre você a justa penalidade.  Amigo coronel, parente político ou compadre delegado - nada disso funcionaria. Nem dinheiro.

- Delícias? Só seriam liberados para a venda os alimentos que comprovadamente não prejudicassem nossa saúde de forma alguma. Agora abra a sua geladeira. Depois me olhe nos olhos e responda se você queria mesmo empresários e governo rígidos no que concerne à alimentação da população. Bem-vindo ao maravilhoso mundo dos naturebas.

- Aborto? Nem sonhar. Claro que sei que ele já é proibido. É proibido mas é permitido - se é que você me entende. Imagine se fosse proibido meeeeesmo.  Pense em você e em todo o mundo sem essa horrível opção, ainda que remota. Pense em você sem a opção de fazer nenhuma outra coisa feia nessa vida; não por caráter ou por amor ao próximo, mas por medo da infalível punição.

- Só teria permissão para fazer sexo as pessoas com condições físicas, financeiras e psicológicas para arcarem pessoalmente pelos resultados do sexo. Ou seja: sexo irresponsável seria terminantemente proibido. Adolescentes que não têm onde cair mortos transando alegremente às custas dos pais e empurrando o bebê para os outros criarem? Acabou.

- Nenhum tipo de promessa ou dívida ou contrato deixariam de ser cumpridos. Nenhum. Sob as mais pesadas penas da lei. Não valeria mais essa coisa de se arrepender das promessas feitas. Falou tá falado, nem que o mundo se acabe. Se você me prometeu uma coisa hoje, saberei que a promessa perdurará até que você morra, ainda que isso leve mais sessenta anos.

- O prazer do novo pelo simples prazer fútil pelo novo, nunca mais. "Enjoei daquela cortina..."  Ééééé?  Pois jogue-se da sacada. Você não serve para os novos tempos.

- Mérito, mérito e mais mérito. Quem não tiver mérito não chegará mais a lugar algum.  Legal né?  Será?   Pense que talvez você perdesse seu emprego por causa disso. Talvez, em um teste de capacidade, você só conseguisse ocupar um cargo bem na base da pirâmide. Status zero.

- A morte do "quem indica".  Particularmente eu odeio o  "quem indica" mas desconfio de que seja só porque nunca ninguém me indicou para nada.  Você se parece comigo?

Uma sociedade justa: 

"- Ah, você quer mesmo mais justiça?" pergunta a horrenda Fada Madrinha. 
"-Eu quero. Nas costas dos outros", respondo eu.

Meu amigo cheio de moral, você se garante se o mundo se tornar absolutamente justo? Tipo toma-lá-dá-cá, sem "mas-mas-mas", sem desculpa e sem perdão? Sim, porque o perdão é um ato injusto. A justiça mesmo é olho por olho, dente por dente. O que passar disso é misericórdia.
Particularmente acho que perdão e clemência tem me quebrado um galhão durante a vida. O problema da misericórdia é que não dá pra ela existir só pra mim. Geralmente (no fundo no fundo) achamos que bom mesmo seria "misericórdia para mim e justiça para os outros". Só que esse é um desejo muito cara de pau, não é?

Repito a pergunta: você se garante mesmo em uma sociedade mais justa?


Ah, você quer os dois juntos: justiça e misericórdia? Só na Bíblia, meu amigo, só com Deus. Você é cristão?    Vou te contar: aqui entre os homens, justiça e misericórdia são como óleo e água - não se misturam.
- Na nova ordem mundial proibido é proibido e inegociável.  Seja sincero: é isso mesmo que o seu coração pede? Maconhazinha? Porretada. Cola? Mais porretada. Coca Cola? Cem chibatadas. Som no último volume? Condenação. Pequenas transgressões? NEVER. Espalhar boato? Indenização. Pegar emprestado e não devolver? Execração pública. E por aí vai.

Imagine se todas as contravenções e crimes, maiores e menores, fossem realmente e exemplarmente punidos. TODOS. Assim teríamos uma sociedade mais justa, mas... isso não atrapalharia em nada o seu dia-a-dia?

A verdade é que nossa sociedade hipócrita é patologicamente afeiçoada a tudo o que a destrói. Precisamente por isso ela está sendo destruída. São os milhares de pequenas transgressões que estão envenenando o mundo. Os grandes transgressores são fichinha perto do exército inumerável de transgressores-formiga - do qual VOCÊ faz parte.

Acho que se uma fada madrinha viesse nos perguntar se desejávamos que ela transformasse agorinha nossa sociedade em uma sociedade justa, consciente, solidária e coerente, sabe o que responderíamos?

"Dona Fada, valeu a intenção mas... depois a gente fala sobre isso, tá? Deixe seu telefone que a gente entra em contato."

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ditadura petista

Chega a ser assustadora a maneira como a ditadura está sendo implantada no Brasil. Todos se calam, todos se rendem. Onde estão os destemidos militantes que queriam liberdade? Sabe onde eles estão? Ocupando cargos, caladinhos, mamando na teta do Estado.

Escapamos da ditadura militar pra cair nisso? Numa ditadura petista?
É isso o que queremos para nós????
Assista. É nojento.

terça-feira, 23 de março de 2010

O meu avô é canibal!

Pensei que eu já tivesse rido de todas as besteiras da internet mas eis que sempre é possível descobrir mais uma. Nos primórdios da humanidade eu me divertia lendo os nomes das comunidades do Orkut. Agora isso não tem mais graça nenhuma. Enjoou.

Vagando a esmo pelo Twitter (que já enjoei tão logo me filiei) dei de cara com uma... comunidade (?) cujo nome é "#avonolugardeamor" ( Avô no Lugar de Amor). O lance é colocar as letras das músicas que falam em amor (quase todas) e substituir a palavra "amor" por "avô". Coisa de quem não tem o que fazer...   Mas pense:  acreditar que estamos desocupados é uma fantasia muito útil nos dias modernos;  nossas emoçoes precisam acreditar de vez em quando que estamos livres e desimpedidos.

Já justifiquei meu momento de besteirol. Sigamos:

Note que em algumas letras, a troca fica muito engraçada. Eu ri - você rirá.Se não rir, vá se catar. (Rimou!)

Vejam alguns exemplos (que copiei do Twitter). Depois você pode ativar sua veia artística (não é véia artística!) para compor com seu avô:

  • O meu avô é canibal. Comeu meu coração, mas agora sou feliz. (Tarado!)
  • Avô, meu grande avô, não chegue na hora marcada... (quer ou não quer a visita?)
  •  O avô de Julieta e Romeu... igualzinho ao meu e o seu...  (que coincidência!)
  • Fiquei mal, mas passou. Você não sabe o que é avô...  (é, eles são complicados mesmo...)
  • O avô só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade   (Profundo... Tira o cara do asilo!)
  •  A vida não é só fantasia, a vida não é feita de ilusão, o avô é bem mais forte que a força de um furacão.. (Também, com tantas academias para a terceira idade!)
  • Eu te darei o céu, meu bem, e o meu avô também (Não, obrigada)
  • Avô igual ao teu eu nunca mais terei. Nunca mais terei, nunca mais terei... (é, geralmente a gente só recebe um exemplar de cada...)
  • Perdi meu avô... no paraííííso...  (o meu também já está no paraíso. Deus o tenha.)
  • Não se afobe não que nada é pra já, o avô não tem pressa, ele pode esperar. (esperar é uma das lições que quem já viveu muito acaba aprendendo)
  • Saiba que meu grande avô hoje vai se casar, mandou uma carta pra me avisar ... (acho que ele também tem o direito de ser feliz!)
  •  É o avôôõ que mexe com minha cabeça e me deixa assim... (o meu avô também era um porre.)
  • Quero um avô maior, avô maior que eu, que eeu. (pra mim serve um avô pequenininho mesmo)
  • O meu avô / não sei por quê / bate feliz / quando lhe vê (acho que ele é sadomasoquista...)
  • Vai sacudirrr vai abalarrrrr quando o meu Avôoo passarr, explode coração é muita emoção no arrr, vai laaa (Isso vai ser uma seção espírita?)
  • O beija Flor que trouxe meu Avô, voou e foi embora... (filho duma égua! por quê não levou o véio embora?)
  • Avô com avô se paga (é, eles se merecem...)  
  • O avô é cego (com o tempo a vista fica fraca mesmo)
  • O avô me pegou, tentei escapar, não consegui... (bolinador de menores! Esse mundo tá perdido...)
  • Quem nunca teve, quem é que não viu, um avô safado, um avô doentio (todo véio gosta de menininhas...) 
  • Eu quero um avó tranquilo com gosto de fruta mordida  (essa é fácil: todo avô já é uma fruta mordida)
  • Avô da minha vida... daqui até a eternidade, nossos destinos foram traçados na maternidade (é verdade...)
  • Meu avô é só seu, seu avô é só meu, nosso avô é assim (troca-troca de velhinho? Hummm...)
  • Não quero dinheiro, quero avô sincero... Isso é o que eu espero (pois é. Nada pior do que um velhinho mentiroso)
 E por aí vai.

sábado, 20 de março de 2010

Sambinha do amor que fica


SAMBINHA DO AMOR QUE FICA

O amor que fica
É mesmo o amor que fica
Porque o amor que vai
É frouxo laço
E abre espaço
Que nos distrai.

E nessa pausa
Estrago causa.
De nada vale
Uma afeição
Amargurada,
Entrecortada,
Na contramão?

E contra isso
Ninguém replica.
De que me serve
O intermitente?
Esse não quero
Só o que fica
Porque só esse
Cativa a gente.

No sol de fogo
Ou na garoa
O amor que fica
Longe não voa.

Disso me encanto!
Em seu cantil
Traz a poção
Traz o carinho
Que agrilhoa
- Que coisa boa!
Devagarzinho.

(Do livro Rio Coragem - Cristina Faraon)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Coisas de gringo

Você consegue imaginar, no Brasil, alguma mulher ser presa por transar?  Pois na Inglaterra a "justiça" ficou indignadíssima porque uma certa Alice (que trabalhava como voluntária na prisão) resolveu "aliviar o peso da condenação" de três detendos.  Parece brincadeira. Ela é tida como criminosa porque "manteve relações pessoais e inapropriadas com os presos."  Ai méodéos!

Acho que isso só seria problema se eles fossem obrigados "àquilo" ou se ela estivesse colocando em risco a segurança.  Não sei como foi esse "coito criminoso"  (pelo buraquinho da grade?)  mas por mais errada que ela estivesse  mereceria uma advertência, o olho da rua, uma multa, sei lá, mas a pobre está correndo risco de pegar perpétua.  Que exagero!


"A jovem tinha como função verificar se os padrões de atendimento e decência eram seguidos na cadeia..."  Será que algum perso reclamou de "maus tratos"?