domingo, 30 de agosto de 2009

Você é Dercy Gonçalves?

Não, não acho que estou atrasada em falar da Dercy só agora.



Não, não vou elogiá-la por ela ter sido pioneira em falar palavrões em público. Não acho bonito falar palavrões ou mostrar na Sapucaí os seios como ela fez ou fazer um monte de coisas malucas que levou a efeito. Não admiro o escracho e não acho que esse seja um modelo de comportamento a ser imitado.



Por outro lado... Quer mesmo saber? Analisada por outro ângulo Dercy foi sim um modelo, uma grande mulher, uma pessoa original, forte, especialíssima e invejável. Posso afirmar sem me contradizer que quem não aprendeu a ser Dercy Gonçalves ainda não aprendeu a viver. E isso não tem nada a ver com palavrões.



Dercy foi uma das pessoas mais instigantes do mundo, para mim. Uma figura que repeli e admirei com toda a sinceridade. Posso aplaudi-la de pé e criticá-la sem ser contraditória. É só explicar que você entende.



Ela se amava de todo o coração. Ela se valorizava. Nunca foi bonita e nunca precisou disso. Fez o que quis, meteu o pé na jaca do jeito que desejou, ignorou solenemente críticas e desafetos. Foi aplaudida e detonada a vida toda. Ignorou as críticas e deliciou-se com os aplausos. Há sabedoria maior do que essa?



Todos somos criticados e aplaudidos. Tem gente que ignora o apoio recebido e passa a vida choramingando as punhaladas que leva. Dercy fez exatamente o contrário. Isso se chama SABER VIVER.



"Cagou e andou" para quem não gostava dela e sempre disse: "Não preciso que ninguém goste de mim; eu me gosto e isso me basta" e todo mundo sabia que não era bravata, mas verdade verdadeira. "Eu falo palavrão mesmo. Não gosta de ouvir? Então vá tomar no..."



Sabe o que acontece com quem se ama? Vive mais e sofre menos. Ela viveu - festivamente - até os cem anos. Ninguém se aproximava dela para choramingar nem puxar assunto chato. O papo era alegria e sacanagem. Se isso é bom ou ruim? Só posso afirmar que essa não é exatamente a minha opção de vida mas era a opção DELA e ELA impôs isso aos outros e não o contrário. Esse é que é o lance! Ela dava as cartas.



Sabe o resultado de quem dá as cartas a respeito da sua própria vida? Sabe o resultado para quem não se deixa manipular pela moral dominante nem pela pressão social difusa e vive do jeito que acha melhor e se junta com os amigos verdadeiros - aqueles que te aceitam como você é e não ficam te criticando nem tentando te modificar? Pois é, sabe o que acontece com esse tipo de gente? Tornam-se pessoas admiradas até a morte, invejadas no melhor sentido do termo. Sabe, o mundo cansa de criticar. Os inimigos por fim admitem que suas vidas faliram e a vida daquela doida, no final das contas, foi mesmo mais divertida.



Sim, a Dercy cujas atitudes no varejo eu não admirava, no atacado eu aplaudia e aplaudo de pé. Porque pessoas como ela, que se amam, se assumem, se impõe perante o mundo, merecem respeito sim senhor.



Não preciso ser escrachada para ser Dercy Gonçalves. A lição que ela nos deixou é muito maior do que isso.

sábado, 29 de agosto de 2009

Viver - faz parte

Uma vida onde não se encontre espaço para fazer o que está sendo simbolizado por essa foto, é uma vida sem sentido.

Curtinha a minha postagem de hoje. Deitar no gramado de um parque em uma manhã ensolarada, com roupas confortáveis, sem hora para chegar, sem compromisso, olhar deslumbrada para tudo é fazer as pazes consigo. Eu preciso. E essa aí sou eu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

As Bruxas de Eastwick, a Bíblia e eu


Há coisas estranhas no universo.

Tudo bem, não é nada original começar um texto com esse tipo de declaração mas que tal libertar-se de seu espírito crítico pelo menos quando lê o que Eu escrevo?

Certa vez assisti a este filme tolinho: As Bruxas de Eastwick. É tolinho ou não. Em um desses dias que acordei “tipo iluminada” achei que a película poderia não ser assim tão besteirol. Como dependendo da fase da lua eu encontro profundidade até em gilete, então lá vai:

Sinopse do site Adoro Cinema: “Em uma pequena e conservadora cidade da Nova Inglaterra, Alexandra Medford (Cher), Jane Spofford (Susan Sarandon) e Sukie Ridgemont (Michelle Pfeiffer), entediadas com a vida que levam, se reúnem todas as quintas-feiras para tomarem drinques e conversarem sobre vários assuntos. O principal deles é um homem ideal e, sem querer, invocam Daryl Van Horne (Jack Nicholson), um ricaço misterioso e carismático que se muda para a localidade e se envolve com as três, satisfazendo os desejos delas mas criando uma guerra dos sexos com conseqüências inesperadas.”

Segundo Eu: Pra começar, a história era sobre um grupo de amigas com a cabeça cheinha de fantasias. Frequentemente elas se reuniam para bater papo, tomar uns drinks, rir e compartilhar suas idéias. A partir do momento em que esse costume simples se tornou mais freqüente coisas estranhas passaram a acontecer. Elas demoraram muito a perceber que aquele ajuntamento de vontades possuía um poder cósmico. Elas não sabiam que tudo o que desejavam em conjunto acabava por se realizar, quisessem ou não. Era uma coisa sem controle. Custou até conseguirem canalizar aquela força para alguma coisa intencional.

Se bem me lembro a história era essa. Eram bruxas sem saber.

Quando ainda não tinham noção alguma do poder de seus desejos, desejaram inconsequentemente um homem. Queriam que fosse bom de sexo, encharcado de testosterona, que virasse com suas cabeças e exercesse sobre elas o poder de atração capaz de despertar a fúria primal feminina, o não-pensar, aquilo que todas querem e todas morrem de medo. Cê sabe.
Pensaram... riram... saborearam na noite, tomando vinho, aquela fantasia na qual todas estavam de acordo. Tão de acordo que o universo entrou em trabalho de parto. Perigo!

No dia seguinte apareceu na cidade um homem excêntrico, debochado, irritante, deselegante e vulgar. Do tipo impossível de ignorar. Elas o odiaram mas não conseguiram se livrar dele. Repeliram-no e ele ria consciente de que aquilo era um desesperado mecanismo de defesa. Ele dizia que ele era o resultado dos sonhos delas. Elas odiavam ouvir isso. Pra encurtar a história ele possuiu uma por uma em momentos de prazer delirante.

E a Bíblia com isso? Pois é. Ponho-me a pensar se o texto bíblico que citarei em seguida tem a ver com toda essa confusão hollywodiana. Fico a pensar se uma frase bíblica registrada há milênios esconde uma verdade que judeus e cristãos ignoraram e continuam solenemente a ignorar. Fico ainda a pensar se estou dando corda demais para a minha imaginação ou se eu estaria entrando precocemente naquele estado temido e indesejável chamado “senilidade”.

Se é, já foi. Ninguém me deterá.

Será que as pessoas que estudam a Bíblia realmente entendem e conhecem a Bíblia?
Onde quero chegar? Bem: a Bíblia condena a feitiçaria e igualmente condena a cobiça. Nenhuma novidade. O lance curioso fica por conta da frase usada : “... “porque a cobiça é igual ao pecado da feitiçaria e o porfiar é como o culto a demônios.” (ou evocar forças proibidas, ocultas, digamos assim).

O que é cobiçar? Nada mais é do que desejar ardentemente, com força. É querer com as entranhas, com o fígado e rim. Cobiçar é emitir energia, talvez mexer com alguma coisa misteriosa do universo. Está escrito. Atentai para isto, infiéis!

Será que isso quer dizer o que eu estou pensando que isso quer dizer?

Sempre fui uma pessoa de desejos fortes, até exagerados. Tenho mania de querer demais, de desenhar e construir cada detalhe do que quero, atribuir-lhe imagem detalhada, cheiro, sons, cenário completo, emoções ao redor, platéia, clima, tempo, todo um mundo paralelo e completamente detalhado. De fato tenho um mundo virtual sofisticado e ele tem força e sangue. Só falta criar um sistema eficiente de Imposto de Renda hehehe (piadinha infame...).

Meus desejos têm corpo e são fortes. Quando quero algo esse algo passa a existir em algum lugar. Eu dou à luz, entende? E passo o resto da vida tentando me conectar com aquilo que já existe. Nem sei se fantasio ou imagino. Minhas fantasias mais se parecem com tentativas de contato.

Claro que isso é mais uma esquisitice minha. Como pega mal dizer coisas do tipo, arquive esse texto na categoria “Contos”.

Continuando:

Os pensamentos e fantasias tomam forma em minha cabeça a ponto de (penso agora) assemelharem-se a algum tipo de evocação. É sem querer, eu juro! Mas sempre foi assim e todas as minhas células fazem parte desse “ritual de desejar”, que inclui visualizar, formular, trazer à existência, emitir energia, puxar energia etc. Não sei explicar o eticétera (seria um “gato do além?”).

Só sei de uma coisa: simplesmente acontece. Como no filme. E não estou brincando. Não exatamente com a rapidez daquela historinha mas simplesmente fun-ci-o-na. É só uma questão de tempo.
Tenho um certo pudor de contar as coisas que minha mente – não só a mente, mas algum “algo a mais” plantou no universo e acabou fazendo acontecer. Parece meio louco mas é como se eu tivesse poderes.

Caramba, não me internem!

Não funciona com tudo. Não funciona com sorvetes, sapatos, carro novo. Funciona com coisas mais significativas e envolve horas e horas, dias e dias de concentração e desejo (cobiça? Não, essa palavra é muito feia!) formulação e um minucioso esculpir do que eu quero. Funciona do gestar obsessivo, quase mágico, da mente.

É importante não ser intencional. É para ser natural, tipo conexão com o universo. É um tipo de “oração” mas não é um pedido feito a Deus, sacou? É um pensar no sentido de trazer a coisa à existência e querer com o útero, fixar os olhos no vazio – isso é fundamental – fixar os olhos no vazio, esquecer tudo, sair de tudo, de si mesma enquanto se vive de forma astral aquilo que quer. Tipo fazer amor sem esperar recompensa. Se não vira prostituição. Não entendeu? Deixa pra lá. Concentre-se e faça amor com seu próprio desejo várias vezes, muitas vezes. Vá para o mundo da lua. Tão certo como o dia segue-se à noite, a coisa vai acontecer. Cuidado.

(Cara, esse texto está esquisito... Será que vou ter que passar o resto da vida me explicando?)

É uma espécie de poder. Mas não sei se é exatamente isso que a Bíblia condena. Não sei se tem a ver. Se é isso o que ela condena, tem a ver com o filme: nossos desejos podem ser loucos e assustadores quando os tiramos do outro plano e os trazemos para essa vida. Mente é mente. O mundo da mente suporta o caos. Não se deve tentar trazer o caos da mente para cá. Entendeu ou estou falando igual ao Paulo Coelho?

O Criador queria nos livrar de nós mesmos. Tomara que eu não tenha feito nada de errado. Se fiz foi sem querer porque só saquei agora. De qualquer modo aqui por essas paragens só tem pintado uns lances do bem (Eu acho...Hi!...).

Quem sabe o mundo esteja do jeito que está por causa dos “bruxos desejadores” que trouxeram coisas estranhas para cá? Pensemos nisso – mas não muito, porque pode dar merda.

Só sei que sou uma desejante compulsiva. Ainda não consegui controlar minha mente. Lanço meus olhos sobre o Nada Aparente e as coisas simplesmente acontecem! Tem culpa eu?

(Pensando bem... arquive isso aqui na categoria “Comédia” e livre a minha cara.)

domingo, 23 de agosto de 2009

É por essas e por outras



Meu Deeeeeus do céu! Ô raça. Se não tem tempo deveriam plantar bananeira, passar um desenho animado, oferecer uma música aos telespectadores. Agora chamar um convidado e fingir que o estão entrevistando, aí é brabo.

Não aguento mais. É sempre a mesma coisa. Escolhem um tema instigante do interesse dos telespectadores, convidam uma pessoa conhecedora desse tema, anunciam, recebem entre sorrisos, falam da importância do tema eticéteraetal, crivam o entrevistado de pergunta e não o deixam responder a nenhuma. Interrompem TODAS.

Caramba, dá até agonia! Dia desses convidaram uma nutricionista para falar sobre o valor dos grãos em nossa alimentação. Ela mal conseguia explicar o nome daquelas sementes. A pobre mulher pegava uma semente de girassol e quando ia abrir a boca a entrevistadora lhe cortava o barato. Então a entrevistadora perguntava o que era o gergelim. A pobre alma formulava uma resposta mas na metade da frase levava nova tesourada.

É por essas e por outras que não aguento ver televisão. Fico tensa! Eu já estava roendo as unhas! Pior que filme de suspense.

Faustão faz o mesmo: é o show man. Ele pergunta e ele responde, faz tudo sozinho e ai de quem o interromper. O entrevistado é apenas um adereço.

Nem vou falar do Raul Gil, que é um poço de antipatia e mau humor, sem falar em sua feiúra sem par (tá, tá, ele não tem culpa) nem da voz horrível. Mas ele tem culpa sim de só falar gritando. Quer dizer: ele simplesmente não fala, só grita. Como aquele coiso ainda não foi defenestrado da televisão brasileira?

E o Sílvio Santos?

Esses dias ele estava elogiando o "dog" de uma garotinha. Disse que o animal era lindo e tal e tal. Não sabia se era macho ou fêmea então perguntou para a garota: "mas é homem ou mulher?"

Agora eu pergunto: dá pra aguentar?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Manual da mulher separada

(Um texto de Danuza Leão - revista Claudia on line)

Uma mulher tem muitas vidas e alguns maridos. A primeira separação é sempre muito triste; aliás, todas são. Costumam ser de três tipos: ou porque não deu – e se sofre muito; ou porque ele a largou por outra – e se sofre muito; ou porque você o largou por outro – e aí também se sofre muito.

A lição que recebi na vida foi: seja independente para nunca precisar financeiramente de marido – nem de ninguém – e para poder dizer não a hora que quiser, a quem quiser. Grande lição, e cumprida à risca.

E você? Passou uns dois anos sem saber se devia ou não se separar. Afinal, não tinha razão grave para tomar essa decisão, mas, de uns tempos para cá, o casamento andava sem graça e estava claro que não era feliz. Sabia que tinha que enfrentar a família, os filhos e o próprio, que ia levar o maior susto. Tinha chegado a hora, e no dia em que ele saiu de casa pensou: “Ufa!” A primeira providência que tomou foi mudar o segredo da fechadura: ex-maridos saem de casa, mas voltam e enfiam a chave na porta (para ver as crianças). Agora é uma mulher livre. Ainda vai enfrentar chantagens e baixarias quando chegar o capítulo separação dos bens, que inclui da tesourinha ao DVD, da cartela de Lexotan aos discos, essas coisas. Ele é capaz de querer dividir até o faqueiro e a louça – afinal, vai ter que montar casa e foi você quem quis se separar. Deixe. Deixe levar o que bem entender para evitar a discussão que ele tanto quer. Deixe pensando na delícia que vai ser morar sem nada e comprar tudo novo aos pouquinhos.

A próxima providência é trocar a cama. A nova deve ser menor, mas não tão pequena que não caibam dois, você e o futuro namorado. Quando o amor é novo, a gente gosta de dormir juntinho. Por isso, 1,20 metro de largura é suficiente. Encoste a nova cama na parede, como se fosse um sofá. Quando seu ex vier buscar as crianças para o fim de semana e subir – eles sobem sempre –, vai achar que uma cama menor significa que você encerrou sua vida sexual; mal sabe ele. Eles saem, e você se vê, depois de anos, inteiramente só. E, por mais que ame os filhos, nada melhor do que às vezes passar um fim de semana sem eles.

O que faz uma mulher nessa hora? Uma vodca, claro. Espichada no sofá da sala, você se lembra de tudo pelo que passou para esse momento chegar e poder tomar quantas vodcas quiser, de calcinha e sutiã, ouvindo um CD. Com ele não podia fazer isso, claro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sem um braço

Fica aqui meu pequeno e choramingado protesto por terem tirado do ar o queridíssimo e utilíssimo site MP3TUBE. Era ele que me ajudava. Era ele que me salvava. Era ele que complementava vários dos meus posts. Era ainda ele quem dava o tom do momento ao meu blog, mostrando o estado de espírito do momento.

Não sei se foi falta de verba ou falta do quê. Se eu puder ajudar farei o possível pelo seu retorno desde que isso não implique em despesas de minha parte, claro.

Se alguém conhece um outro site que me ofereça os mesmo serviços, dê a dica por favor. Tô assim meio órfã.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O disco voador do Raul Seixas



Eu não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Seria esse o pior dos desperdícios.



Sabe por quê? Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais (e quantas cercas, quantos muros, quantos quintais e imensos pastos meu Deus!) no cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora de um disco voador.



... e o disco voador é imenso e desafiador, terrivelmente inquietante, de fazer a gente perder o sono. Ele plaina e pisca em silêncio absoluto ali, bem ali, além das cercas embandeiradas.



Há cercas e varais embandeirados de roupas perfumadas de sabão em pó. Cem vezes, cem vezes lavadas, cem vezes retorcidas e penduradas. Ainda que sacudam ao vendo sob um céu impressionante e que pareçam que dançar rir, tudo o que têm são os ombors umas das outras em amizades coloridas que não são livres. Debatem-se querendo voar e rirem porque é o que lhes resta.



Livre sou eu, não não estou no varal e posso pular cercas e estuprar cerrados e pastos que não me pertencem. Posso tocar nas luzes dos discos voadores, nas roupas. As vezes penso que posso tocar no céu.



Não sou leve nem danço mas não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada esperando nada por amor a Deus.



Sigo com os olhos nas cores que se desdobram pra mim, vindas de discos e árvores e vestidos úmidos e flores. Todas me fitam e desafiam igualmente mas só o disco me instiga para um outro plano.



Existe um outro plano que eu não conheço e que talvez seja muito estranho. Talvez não existam pastos nem varais.



Atiro-me sobre a imensidão da paisagem cheia de pedras e cercas, carrapichos e desníveis matreiros. Deixo para trás as pobres roupas de ombros sofridos.



Não quero dançar presa no varal nem morrer seca e verde no apartamento porque no cume calmo do meu olho que vê há sempre a sombra sonora de um disco voador.

domingo, 30 de agosto de 2009

Você é Dercy Gonçalves?

Não, não acho que estou atrasada em falar da Dercy só agora.



Não, não vou elogiá-la por ela ter sido pioneira em falar palavrões em público. Não acho bonito falar palavrões ou mostrar na Sapucaí os seios como ela fez ou fazer um monte de coisas malucas que levou a efeito. Não admiro o escracho e não acho que esse seja um modelo de comportamento a ser imitado.



Por outro lado... Quer mesmo saber? Analisada por outro ângulo Dercy foi sim um modelo, uma grande mulher, uma pessoa original, forte, especialíssima e invejável. Posso afirmar sem me contradizer que quem não aprendeu a ser Dercy Gonçalves ainda não aprendeu a viver. E isso não tem nada a ver com palavrões.



Dercy foi uma das pessoas mais instigantes do mundo, para mim. Uma figura que repeli e admirei com toda a sinceridade. Posso aplaudi-la de pé e criticá-la sem ser contraditória. É só explicar que você entende.



Ela se amava de todo o coração. Ela se valorizava. Nunca foi bonita e nunca precisou disso. Fez o que quis, meteu o pé na jaca do jeito que desejou, ignorou solenemente críticas e desafetos. Foi aplaudida e detonada a vida toda. Ignorou as críticas e deliciou-se com os aplausos. Há sabedoria maior do que essa?



Todos somos criticados e aplaudidos. Tem gente que ignora o apoio recebido e passa a vida choramingando as punhaladas que leva. Dercy fez exatamente o contrário. Isso se chama SABER VIVER.



"Cagou e andou" para quem não gostava dela e sempre disse: "Não preciso que ninguém goste de mim; eu me gosto e isso me basta" e todo mundo sabia que não era bravata, mas verdade verdadeira. "Eu falo palavrão mesmo. Não gosta de ouvir? Então vá tomar no..."



Sabe o que acontece com quem se ama? Vive mais e sofre menos. Ela viveu - festivamente - até os cem anos. Ninguém se aproximava dela para choramingar nem puxar assunto chato. O papo era alegria e sacanagem. Se isso é bom ou ruim? Só posso afirmar que essa não é exatamente a minha opção de vida mas era a opção DELA e ELA impôs isso aos outros e não o contrário. Esse é que é o lance! Ela dava as cartas.



Sabe o resultado de quem dá as cartas a respeito da sua própria vida? Sabe o resultado para quem não se deixa manipular pela moral dominante nem pela pressão social difusa e vive do jeito que acha melhor e se junta com os amigos verdadeiros - aqueles que te aceitam como você é e não ficam te criticando nem tentando te modificar? Pois é, sabe o que acontece com esse tipo de gente? Tornam-se pessoas admiradas até a morte, invejadas no melhor sentido do termo. Sabe, o mundo cansa de criticar. Os inimigos por fim admitem que suas vidas faliram e a vida daquela doida, no final das contas, foi mesmo mais divertida.



Sim, a Dercy cujas atitudes no varejo eu não admirava, no atacado eu aplaudia e aplaudo de pé. Porque pessoas como ela, que se amam, se assumem, se impõe perante o mundo, merecem respeito sim senhor.



Não preciso ser escrachada para ser Dercy Gonçalves. A lição que ela nos deixou é muito maior do que isso.

sábado, 29 de agosto de 2009

Viver - faz parte

Uma vida onde não se encontre espaço para fazer o que está sendo simbolizado por essa foto, é uma vida sem sentido.

Curtinha a minha postagem de hoje. Deitar no gramado de um parque em uma manhã ensolarada, com roupas confortáveis, sem hora para chegar, sem compromisso, olhar deslumbrada para tudo é fazer as pazes consigo. Eu preciso. E essa aí sou eu.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

As Bruxas de Eastwick, a Bíblia e eu


Há coisas estranhas no universo.

Tudo bem, não é nada original começar um texto com esse tipo de declaração mas que tal libertar-se de seu espírito crítico pelo menos quando lê o que Eu escrevo?

Certa vez assisti a este filme tolinho: As Bruxas de Eastwick. É tolinho ou não. Em um desses dias que acordei “tipo iluminada” achei que a película poderia não ser assim tão besteirol. Como dependendo da fase da lua eu encontro profundidade até em gilete, então lá vai:

Sinopse do site Adoro Cinema: “Em uma pequena e conservadora cidade da Nova Inglaterra, Alexandra Medford (Cher), Jane Spofford (Susan Sarandon) e Sukie Ridgemont (Michelle Pfeiffer), entediadas com a vida que levam, se reúnem todas as quintas-feiras para tomarem drinques e conversarem sobre vários assuntos. O principal deles é um homem ideal e, sem querer, invocam Daryl Van Horne (Jack Nicholson), um ricaço misterioso e carismático que se muda para a localidade e se envolve com as três, satisfazendo os desejos delas mas criando uma guerra dos sexos com conseqüências inesperadas.”

Segundo Eu: Pra começar, a história era sobre um grupo de amigas com a cabeça cheinha de fantasias. Frequentemente elas se reuniam para bater papo, tomar uns drinks, rir e compartilhar suas idéias. A partir do momento em que esse costume simples se tornou mais freqüente coisas estranhas passaram a acontecer. Elas demoraram muito a perceber que aquele ajuntamento de vontades possuía um poder cósmico. Elas não sabiam que tudo o que desejavam em conjunto acabava por se realizar, quisessem ou não. Era uma coisa sem controle. Custou até conseguirem canalizar aquela força para alguma coisa intencional.

Se bem me lembro a história era essa. Eram bruxas sem saber.

Quando ainda não tinham noção alguma do poder de seus desejos, desejaram inconsequentemente um homem. Queriam que fosse bom de sexo, encharcado de testosterona, que virasse com suas cabeças e exercesse sobre elas o poder de atração capaz de despertar a fúria primal feminina, o não-pensar, aquilo que todas querem e todas morrem de medo. Cê sabe.
Pensaram... riram... saborearam na noite, tomando vinho, aquela fantasia na qual todas estavam de acordo. Tão de acordo que o universo entrou em trabalho de parto. Perigo!

No dia seguinte apareceu na cidade um homem excêntrico, debochado, irritante, deselegante e vulgar. Do tipo impossível de ignorar. Elas o odiaram mas não conseguiram se livrar dele. Repeliram-no e ele ria consciente de que aquilo era um desesperado mecanismo de defesa. Ele dizia que ele era o resultado dos sonhos delas. Elas odiavam ouvir isso. Pra encurtar a história ele possuiu uma por uma em momentos de prazer delirante.

E a Bíblia com isso? Pois é. Ponho-me a pensar se o texto bíblico que citarei em seguida tem a ver com toda essa confusão hollywodiana. Fico a pensar se uma frase bíblica registrada há milênios esconde uma verdade que judeus e cristãos ignoraram e continuam solenemente a ignorar. Fico ainda a pensar se estou dando corda demais para a minha imaginação ou se eu estaria entrando precocemente naquele estado temido e indesejável chamado “senilidade”.

Se é, já foi. Ninguém me deterá.

Será que as pessoas que estudam a Bíblia realmente entendem e conhecem a Bíblia?
Onde quero chegar? Bem: a Bíblia condena a feitiçaria e igualmente condena a cobiça. Nenhuma novidade. O lance curioso fica por conta da frase usada : “... “porque a cobiça é igual ao pecado da feitiçaria e o porfiar é como o culto a demônios.” (ou evocar forças proibidas, ocultas, digamos assim).

O que é cobiçar? Nada mais é do que desejar ardentemente, com força. É querer com as entranhas, com o fígado e rim. Cobiçar é emitir energia, talvez mexer com alguma coisa misteriosa do universo. Está escrito. Atentai para isto, infiéis!

Será que isso quer dizer o que eu estou pensando que isso quer dizer?

Sempre fui uma pessoa de desejos fortes, até exagerados. Tenho mania de querer demais, de desenhar e construir cada detalhe do que quero, atribuir-lhe imagem detalhada, cheiro, sons, cenário completo, emoções ao redor, platéia, clima, tempo, todo um mundo paralelo e completamente detalhado. De fato tenho um mundo virtual sofisticado e ele tem força e sangue. Só falta criar um sistema eficiente de Imposto de Renda hehehe (piadinha infame...).

Meus desejos têm corpo e são fortes. Quando quero algo esse algo passa a existir em algum lugar. Eu dou à luz, entende? E passo o resto da vida tentando me conectar com aquilo que já existe. Nem sei se fantasio ou imagino. Minhas fantasias mais se parecem com tentativas de contato.

Claro que isso é mais uma esquisitice minha. Como pega mal dizer coisas do tipo, arquive esse texto na categoria “Contos”.

Continuando:

Os pensamentos e fantasias tomam forma em minha cabeça a ponto de (penso agora) assemelharem-se a algum tipo de evocação. É sem querer, eu juro! Mas sempre foi assim e todas as minhas células fazem parte desse “ritual de desejar”, que inclui visualizar, formular, trazer à existência, emitir energia, puxar energia etc. Não sei explicar o eticétera (seria um “gato do além?”).

Só sei de uma coisa: simplesmente acontece. Como no filme. E não estou brincando. Não exatamente com a rapidez daquela historinha mas simplesmente fun-ci-o-na. É só uma questão de tempo.
Tenho um certo pudor de contar as coisas que minha mente – não só a mente, mas algum “algo a mais” plantou no universo e acabou fazendo acontecer. Parece meio louco mas é como se eu tivesse poderes.

Caramba, não me internem!

Não funciona com tudo. Não funciona com sorvetes, sapatos, carro novo. Funciona com coisas mais significativas e envolve horas e horas, dias e dias de concentração e desejo (cobiça? Não, essa palavra é muito feia!) formulação e um minucioso esculpir do que eu quero. Funciona do gestar obsessivo, quase mágico, da mente.

É importante não ser intencional. É para ser natural, tipo conexão com o universo. É um tipo de “oração” mas não é um pedido feito a Deus, sacou? É um pensar no sentido de trazer a coisa à existência e querer com o útero, fixar os olhos no vazio – isso é fundamental – fixar os olhos no vazio, esquecer tudo, sair de tudo, de si mesma enquanto se vive de forma astral aquilo que quer. Tipo fazer amor sem esperar recompensa. Se não vira prostituição. Não entendeu? Deixa pra lá. Concentre-se e faça amor com seu próprio desejo várias vezes, muitas vezes. Vá para o mundo da lua. Tão certo como o dia segue-se à noite, a coisa vai acontecer. Cuidado.

(Cara, esse texto está esquisito... Será que vou ter que passar o resto da vida me explicando?)

É uma espécie de poder. Mas não sei se é exatamente isso que a Bíblia condena. Não sei se tem a ver. Se é isso o que ela condena, tem a ver com o filme: nossos desejos podem ser loucos e assustadores quando os tiramos do outro plano e os trazemos para essa vida. Mente é mente. O mundo da mente suporta o caos. Não se deve tentar trazer o caos da mente para cá. Entendeu ou estou falando igual ao Paulo Coelho?

O Criador queria nos livrar de nós mesmos. Tomara que eu não tenha feito nada de errado. Se fiz foi sem querer porque só saquei agora. De qualquer modo aqui por essas paragens só tem pintado uns lances do bem (Eu acho...Hi!...).

Quem sabe o mundo esteja do jeito que está por causa dos “bruxos desejadores” que trouxeram coisas estranhas para cá? Pensemos nisso – mas não muito, porque pode dar merda.

Só sei que sou uma desejante compulsiva. Ainda não consegui controlar minha mente. Lanço meus olhos sobre o Nada Aparente e as coisas simplesmente acontecem! Tem culpa eu?

(Pensando bem... arquive isso aqui na categoria “Comédia” e livre a minha cara.)

domingo, 23 de agosto de 2009

É por essas e por outras



Meu Deeeeeus do céu! Ô raça. Se não tem tempo deveriam plantar bananeira, passar um desenho animado, oferecer uma música aos telespectadores. Agora chamar um convidado e fingir que o estão entrevistando, aí é brabo.

Não aguento mais. É sempre a mesma coisa. Escolhem um tema instigante do interesse dos telespectadores, convidam uma pessoa conhecedora desse tema, anunciam, recebem entre sorrisos, falam da importância do tema eticéteraetal, crivam o entrevistado de pergunta e não o deixam responder a nenhuma. Interrompem TODAS.

Caramba, dá até agonia! Dia desses convidaram uma nutricionista para falar sobre o valor dos grãos em nossa alimentação. Ela mal conseguia explicar o nome daquelas sementes. A pobre mulher pegava uma semente de girassol e quando ia abrir a boca a entrevistadora lhe cortava o barato. Então a entrevistadora perguntava o que era o gergelim. A pobre alma formulava uma resposta mas na metade da frase levava nova tesourada.

É por essas e por outras que não aguento ver televisão. Fico tensa! Eu já estava roendo as unhas! Pior que filme de suspense.

Faustão faz o mesmo: é o show man. Ele pergunta e ele responde, faz tudo sozinho e ai de quem o interromper. O entrevistado é apenas um adereço.

Nem vou falar do Raul Gil, que é um poço de antipatia e mau humor, sem falar em sua feiúra sem par (tá, tá, ele não tem culpa) nem da voz horrível. Mas ele tem culpa sim de só falar gritando. Quer dizer: ele simplesmente não fala, só grita. Como aquele coiso ainda não foi defenestrado da televisão brasileira?

E o Sílvio Santos?

Esses dias ele estava elogiando o "dog" de uma garotinha. Disse que o animal era lindo e tal e tal. Não sabia se era macho ou fêmea então perguntou para a garota: "mas é homem ou mulher?"

Agora eu pergunto: dá pra aguentar?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Manual da mulher separada

(Um texto de Danuza Leão - revista Claudia on line)

Uma mulher tem muitas vidas e alguns maridos. A primeira separação é sempre muito triste; aliás, todas são. Costumam ser de três tipos: ou porque não deu – e se sofre muito; ou porque ele a largou por outra – e se sofre muito; ou porque você o largou por outro – e aí também se sofre muito.

A lição que recebi na vida foi: seja independente para nunca precisar financeiramente de marido – nem de ninguém – e para poder dizer não a hora que quiser, a quem quiser. Grande lição, e cumprida à risca.

E você? Passou uns dois anos sem saber se devia ou não se separar. Afinal, não tinha razão grave para tomar essa decisão, mas, de uns tempos para cá, o casamento andava sem graça e estava claro que não era feliz. Sabia que tinha que enfrentar a família, os filhos e o próprio, que ia levar o maior susto. Tinha chegado a hora, e no dia em que ele saiu de casa pensou: “Ufa!” A primeira providência que tomou foi mudar o segredo da fechadura: ex-maridos saem de casa, mas voltam e enfiam a chave na porta (para ver as crianças). Agora é uma mulher livre. Ainda vai enfrentar chantagens e baixarias quando chegar o capítulo separação dos bens, que inclui da tesourinha ao DVD, da cartela de Lexotan aos discos, essas coisas. Ele é capaz de querer dividir até o faqueiro e a louça – afinal, vai ter que montar casa e foi você quem quis se separar. Deixe. Deixe levar o que bem entender para evitar a discussão que ele tanto quer. Deixe pensando na delícia que vai ser morar sem nada e comprar tudo novo aos pouquinhos.

A próxima providência é trocar a cama. A nova deve ser menor, mas não tão pequena que não caibam dois, você e o futuro namorado. Quando o amor é novo, a gente gosta de dormir juntinho. Por isso, 1,20 metro de largura é suficiente. Encoste a nova cama na parede, como se fosse um sofá. Quando seu ex vier buscar as crianças para o fim de semana e subir – eles sobem sempre –, vai achar que uma cama menor significa que você encerrou sua vida sexual; mal sabe ele. Eles saem, e você se vê, depois de anos, inteiramente só. E, por mais que ame os filhos, nada melhor do que às vezes passar um fim de semana sem eles.

O que faz uma mulher nessa hora? Uma vodca, claro. Espichada no sofá da sala, você se lembra de tudo pelo que passou para esse momento chegar e poder tomar quantas vodcas quiser, de calcinha e sutiã, ouvindo um CD. Com ele não podia fazer isso, claro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sem um braço

Fica aqui meu pequeno e choramingado protesto por terem tirado do ar o queridíssimo e utilíssimo site MP3TUBE. Era ele que me ajudava. Era ele que me salvava. Era ele que complementava vários dos meus posts. Era ainda ele quem dava o tom do momento ao meu blog, mostrando o estado de espírito do momento.

Não sei se foi falta de verba ou falta do quê. Se eu puder ajudar farei o possível pelo seu retorno desde que isso não implique em despesas de minha parte, claro.

Se alguém conhece um outro site que me ofereça os mesmo serviços, dê a dica por favor. Tô assim meio órfã.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O disco voador do Raul Seixas



Eu não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar. Seria esse o pior dos desperdícios.



Sabe por quê? Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais (e quantas cercas, quantos muros, quantos quintais e imensos pastos meu Deus!) no cume calmo do meu olho que vê assenta a sombra sonora de um disco voador.



... e o disco voador é imenso e desafiador, terrivelmente inquietante, de fazer a gente perder o sono. Ele plaina e pisca em silêncio absoluto ali, bem ali, além das cercas embandeiradas.



Há cercas e varais embandeirados de roupas perfumadas de sabão em pó. Cem vezes, cem vezes lavadas, cem vezes retorcidas e penduradas. Ainda que sacudam ao vendo sob um céu impressionante e que pareçam que dançar rir, tudo o que têm são os ombors umas das outras em amizades coloridas que não são livres. Debatem-se querendo voar e rirem porque é o que lhes resta.



Livre sou eu, não não estou no varal e posso pular cercas e estuprar cerrados e pastos que não me pertencem. Posso tocar nas luzes dos discos voadores, nas roupas. As vezes penso que posso tocar no céu.



Não sou leve nem danço mas não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada esperando nada por amor a Deus.



Sigo com os olhos nas cores que se desdobram pra mim, vindas de discos e árvores e vestidos úmidos e flores. Todas me fitam e desafiam igualmente mas só o disco me instiga para um outro plano.



Existe um outro plano que eu não conheço e que talvez seja muito estranho. Talvez não existam pastos nem varais.



Atiro-me sobre a imensidão da paisagem cheia de pedras e cercas, carrapichos e desníveis matreiros. Deixo para trás as pobres roupas de ombros sofridos.



Não quero dançar presa no varal nem morrer seca e verde no apartamento porque no cume calmo do meu olho que vê há sempre a sombra sonora de um disco voador.