domingo, 11 de outubro de 2009

Você é filho do Edir Macedo?

Todo mundo tem uma opinião sobre o Edir Macedo. Também tenho mas não interessa no momento porque não tem graça escrever o que todo mundo escreve. Detonar o cara, dizer cobras e lagartos... Não acrescenta nada a você,nem a ele nem a mim.

Quero falar sobre as pessoas que falam dele e sobre as motivações delas. Por quê elas tem tanta raiva dele? Já andei me perguntando. Depois perguntei para as revoltadas. Elas responderam que odeiam ele porque ele engana as pessoas em nome de Deus. Leva as pessoas a lhe darem dinheiro usando para isso o nome do Senhor.

Cara, isso me intrigou e muito.

Primeiro porque a maioria dessas pessoas que odeiam o Edir Macedo estão se lixando tanto para Deus quanto para os supostos manés que dão dinheiro para o Edir. Não oram, não acreditam na Bíblia, não vão a nenhuma igreja. Então por quê acreditar que ele esteja desrespeitando algo sagrado? Se achassem que se trata de algo realmente sagrado porque essa pessoa não seria uma devota? Uma profunda religiosa? Uma religiosa meia-boca pelo menos? Ora, se está pouco se lixando para Deus, para as leis de Deus, para a Bíblia, para os mandamentos, porque criticar o Edir Macedo que está pouco se lixando também? Deveria era congratular-se com ele!

Segundo: "arrancar dinheiro" ele não arranca de ninguém. Quem arranca dinheiro da gente é ladrão e governo; ladrão eventualmente e governo todo o santo dia - valha-me Deus.

Terceiro: se convencer os outros a lhe entregar dinheiro sob um falso argumento é uma coisa feia - E É - saibam: ele não é o único. As indústrias da prostituição e da bebida fazem isso com maestria dia e noite, noite e dia sem parar, desgraçam famílias inteiras e ninguém fica com raivinha dos que enriquecem com isso. Tampouco se aborrecem com as atrizes gostosas que fazem publicidade para essas empresas. Nem ficam com pena dos pobrezinhos que foram convencidos por elas e se tornaram alcoolatras.
Então ninguém, mas ninguém mesmo está com peninha do povo enganado, sejamos sinceros. "Ira santa" é um sentimento que passou longe da discussão aqui. Em nossa sociedade faz-se arrojadas campanhas para mostrar todo um estilo de vida mentiroso e fantasioso objetivando a vendar de álcool, sexo e tabaco (este último até pouco tempo atrás). Daí entra fortuna para a mão de umas poucas pessoas, milhões se lascam e ninguém liga. Quem paga por isso não são apenas pessoas ricas, mas pobres também e frequentemente dão bem mais do que o dízimo. E não venham me dizer que não foram seduzidas. Foram sim, e por meios muito mais sofisticados do que um pastor gritando no púlpito.

Você me diria: mas pelo menos elas estão se divertindo!

a) Elas (e nós e todo mundo) após serem submetidas a uma lavagem cerebral feita pela mídia desde que nasceram, assistindo na tv a "explicação" (imposição) de o que é e o que não é diversão (segundo a conveniência de quem vende diversão) estão debaixo de uma fortíssima pressão social para querer segundo eles querem que elas queiram e pensar que "diversão" é aquilo que eles dizem que e diversão; e "aproveitar a vida" é exatamente daquele jeitinho que se vê no comercial e na novela. Agora experimente agir diferente e veja o que seus "amigos" vão dizer de você. Sinta o peso da pressão social. Você não é tão livre quanto pensa que é. Tá tudo dominado. A galera da contra-cultura de repente é mais cabeça... Pelo menos ousa ser diferente...

b) E quem disse que o pessoal do Edir, naqueles cultos estranhos, não está se divertindo? É apenas uma forma diferente de fugir da realidade. Claro que tem gente que acha mais divertido destruir a cartilagem do nariz mas isso é uma questão de gosto. Há também os que gostam de samba, os que adoram beber até cair e no outro dia acordar imprestável sendo xingado pela mulher e ainda acha liiiindo contar isso para os colegas de trabalho. Há muitos que se divertem mais "queimando pacificamente a rosca" mas tem a turma do contrário: acham o máximo sair para um baile funk e no final quebrar a cara dos outros e sair todo quebrado.
O fato é que há gosto pra tudo! Para alguns é incompreensível pagar para passar a noite toda em uma boate fedendo a cigarro, ouvindo tum-tum-tum até enlouquecer, não conseguir conversar com ninguém e retornar para casa exausto. Milhões chamam isso de diversão. Outros curtem loucamente os cultos da Igreja Universal!
Detalhe: em NENHUM desses eventos a pessoa vai sem gastar dinheiro. Se você ficar em casa sozinho de luz apagada, ainda assim estará gastando dinheiro, pelo menos do aluguel. Pelo menos do IPTU.

Quer saber? Acho que no fundo no fundo o pessoal tem mesmo é inveja dele. A mesma inveja indecente que sentem pelos políticos, do tipo: odeio esse cara porque não tive a sacada que ele teve ou não consigo ter a mesma cara de pau mas se eu tivesse ou tivesse chance, faria o mesmo. Inveja. Ninguém está nem aí pra Deus nem está nem aí para o povo. Sabe porquê também? Por mais essa:

Todas as vezes que você constrange alguém que te ama a te dar alguma coisa em nome do amor que essa pessoa sente por você, você está agindo igualzinho ao Edir Macedo: está mercadejando o amor. Porque Deus é Amor. É como estar usando Deus para conseguir bens materiais. Igualzinho.

Uma mulher que usa o amor de um homem para arrancar dele coisas, é filha do Edir Macedo. Um filho interesseiro que constrange e faz chantagem emocional com os pais e se utiliza friamente desse amor para pegar grana, carro, vídeo-game, é cria do Edir Macedo. Todo mundo que tira vantagem de outro por causa do amor que aquela pessoa lhe dedica, é discípulo do Edir Macedo ainda que nunca tenha pisado numa Igreja Universal porque Deus é amor e constranger o amor por dinheiro dá nisso que todo mundo diz que tem raiva.

Mas me diga aqui baixinho: sinceramente você tem raiva? Mas tem raiva mesmo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Caiu na rede...


Não sou má pessoa! Eu não cometeria esse ato de violência!

Dois jovens. Todo um futuro pela frente. Agora apenas uma família atônita e uma mãe-peixa lamentando para o resto da vida.

Dois irmãos. Iam tranquilos jogar a bolinha de sábado a tarde. Conversavam amenidades. Falavam nas enormes guelras da filha da vizinha e como ela parecia querer ostentá-las. Riam e faziam planos para o outro final de semana.

A coisa mais linda é ver dois irmãos unidos e saudáveis. Eram parecidos sim, porque todos os peixes o são, mas esses eram mais porque tinham enormes afinidades. A única diferença entre os dois era que o mais novo era tão impulsivo! Gostava de novidades, gostava de arriscar, adorava experimentar novos caminhos, aventuras. O mais velho preferia o previsível e seguro e por isso, apenas por isso, as vezes discutiam.

Para diminuir essa pequeníssima diferença é que a vida de ambos foi lamentavelmente encurtada. O mais velho disse não, não vamos. Por que não seguir pelo caminho de sempre, testado e aprovado pelos cardumes conhecidos, pelos nossos pais, tios e primos? Mas não, o novinho queria novidades, outras paisagens, queria chegar mais perto do "céu da água", queria ver novas peixinhas, queria tudo, tudo de uma vez porque se sentia feliz, ágil e cheio de vigor. Foram.

Cairam na rede. Eram peixes.

Hoje poderiam estar em uma faculdade. Poderiam estar casados ou pelos menos borbulhantemente apaixonados. Tinham uma linda vida pela frente e muito tempo ainda antes que o dourado de seus corpitchos desbotasse. Quem diria... Terminar na flor da idade assim, só cabeça e espinho...

Comi. com um dó que vocês nem podem imaginar; quase choro. Pobres maparás... Mas não deixa de ser belo pensar que agora a valentia, juventude e amizade deles correrá em meu sangue. Acho até que estou sentindo um coiso diferente. Tô mais esperta. Deu até uma vontade de nadar! Mas os sonhos deles, aqueles lindos sonhos ... esses se perderão para sempre. Não consigo sonhar como peixe.

Nossa, estou bem alimentada. Pelo menos garanto que esses jovens não morreram em vão. Acho que eu sou uma boa causa.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cadê o índio?



Saibam vocês que "Uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Brasília confirmou cientificamente o que se sabia empiricamente (eu não!): Segundo o estudo realizado pela universidade e publicado "American Journal of Human Biology", 80% da herança genética brasileira tem ascendência europeia. A avaliação feita nas cinco regiões do país mostrou variação apenas na região sul onde o índice chega a 90%." (Jornal web - Brasil)

Eu hein! E pra onde foi aquele monte de índio? Só 20%? Não acredito nesse estudo. Gente, pensa bem: a indiarada, como bem sabemos, trepou a torto e a direito com a branquelada européia e também curtiu adoidado com os negros e agora eles vem me dizer que só sobrou 20% do sanguinho nativo? Ah, faz essa conta direito!

E não adianta dizer, segundo a reportagem, que "cor da pele não tem nada a ver". Como não tem? claro que tem! Como é que estamos encharcados de Europa e o que menos temos aqui é branco? Como é que isso aqui tava cheinho de índios e agora vocês vem me dizer que jogaram tudo fora? Tá, morreram muitos mas cara, se tivéssemos sido invadidos por tantos brancos assim não era para termos outra aparência? Tudo bem, vieram muitos negros também, mas tantos assim? Façamos de conta que vieram três vezes mais negros do que brancos. tá. Mesmo assim o resultado da pesquisa não bate; porque não dizem que nossa ascendência é 80% africana, não européia?

Contem essa história direito! Alguém está querendo jogar fora nossos índios. Não que eu tenha especial paixão por eles. Também não tenho pelos negros. Nem pelos brancos, se você quer saber. Para mim é tudo farinha do mesmo saco. Não há vantagem em trocar um ser humano pelo outro porque o resultado será sempre igual.

Tá, tá, falta-me argumento empolado-científico para discutir. Mas discuto. Porque quem joga no ventilador uma notícia dessa deveria explicar melhor, pra não acabar ficando assim, uma coisa com cara de história mal contada.

Não acredito e pronto. Tem gente mais culta do que eu que não acredita até hoje que o homem foi à lua! Falta de fé é um direito de todos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oscar Arias


Acho que já está na hora de parar de falar que o Brasil não deu certo porque fomos colonizados por bandidos vindos de Portugal ou porque éramos explorados, porque índio é tudo preguiçoso opu outras desculpas esfarrapadas do gênero. Tá na hora de parar para pensar melhor.

Leia as palavras do Presidente Oscar Arias, da Costa Rica, proferida na forma de discurso na presença de Lula e demais presidentes latino-americanos, incluídos o "manequim" do Equador e o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado, na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009.

"ALGO HICIMOS MAL"

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas.

Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.

Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.

Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.

Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal.
Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante.

Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos. Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus.

De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países.

Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.

*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?


Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente,
de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas. Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos anos sessenta, setenta ou oitenta.

Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o *pragmatismo*.

Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha:

"Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos".

E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso".

E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.

A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.


Muchas gracias."

domingo, 4 de outubro de 2009

Mais essa agora!



Saiu no globo.com (01/10/09 - 15h27) que "Mestre-sala da Unidos da Tijuca é suspeito de agredir porta-bandeira. Soco nas costas aconteceu após discussão, diz polícia. Ele será intimado a prestar esclarecimentos..."



Caraca! Vãos destruir mais essa figura do meu imaginário?


Sempre adorei ver o mestre-sala e a porta-bandeira fazedo aquelas evoluções, aquelas mesuras um para o outro. Sempre achei uma coisa linda, de singular elegância e charme, com uma afetação que lembrava (como se eu tivesse vivido!) a época da escravatura no Brasil Imperial, quando os escravos, por algum motivo, brincavam de senhor e senhora e exageravam nos gestos. O encanto residia também no fato de serem negros, estarem magnificamente vestidos, com o queixo esguido. A moça altiva com pose de rainha exigindo que o rapaz lhe devotasse todas as cortesias que sua juventude e beleza bem mereciam. Ele, vivaz e sedutor, sabia ser sensual sem jamais ultrapassar o limite da vulgaridade. Sapatos limpos, impecáveis, sorriso muito braco e os olhos pregados em seu rosto como se ela fosse uma deusa talhada em ônix, como se a adorasse e a quisesse mais que tudo. Aí vem um mestre-sala f.d.p e chuta a porta-bandeira! Lasca com tudo, acaba com toda a pose da escravatura vestida de realeza. Não, a escravatura que alcançou a realeza!



Nesse ponto sou arrancada das fantasias do passado e remetida via bofetão para o aqui-agora da falta de educação, do marido que bate em mulher, das mulheres-jararacas que dão unhada nas caras dos maridos, nos filhos berrando diante da cena, nas blusas rasgadas, nos dentes cariados cravados de casca de feijão, cuspindo farofa - a farofa do almoço que foi o pivô de toda a discução. Aí me vem, voando pela mente, o chinelo que rebentou no meio da briga e da avenida e a angústia de saber que naquela noite o homem não volta pra casa, mas vai gastar todinho o dinheiro do aluguel em cachaça. Vidinha fuleira, viu!



Certas notícias sacaneiam com a gente, te juro. Tenho em meu cérebro minhas imagens de estimação e senti-me igualmente chutada ao mancharem em minha mente aquela porta-bandeira que eu queria ser. Confesso: sempre me vi faceira e altiva sendo cortejada por um mestre-sala ágil, jovem, sorridente e solícito. Vocês não acham que eu dou para isso? Diz que sim! Diz que sim!!!!!



Vai dar um trabalhinho arrumar novamente tudo na gaveta da minha cabeça. Vocês sabem que meu cérebro é meio complicada, né?



Vou pesquisar. Acho que nisso cabe indenização.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Perdas & Perdas


Há coisas que a gente perde e sabe que perdeu, tem plena consciência. Lamenta, fica olhando foto e chora de vez em quando (ou não).

Há vários tipos de perdas: as anunciadas e as repentinas. As repentinas dividem-se em violentas e as "ploft", que nada mais são do que aquelas que se acabam porque tinham que acabar mas não geram grande alarde ou estupefação, como o final de um sanduiche, a partida de um conhecido sem grandes vínculos emocionais conosco ou o final de uma Havaiana.

Acho que a perda "mais pior", mas a "mais pior de ruim mesmo" é aquela que a gente demora a se dar conta de que aconteceu. Aquela que passam-se dias, meses, até anos e de repente olhamos para trás e notamos que empobrecemos em algo que nos era tão caro. A gente tenta desesperadamente lembrar quando foi pelo menos para colocar a memória de luto, mas não consegue!

Perdas... Perdas... A perda da juventude é parecida com isso mas não é exatamente assim. A gente nunca sabe onde ou quando deixou de ser jovem mas sabe com toda a certeza que está deixando de ser todo o santo dia. E ao contrário do que os jovens pensam, isso não nos poupa do susto no espelho no meio de alguma madrugada mal dormida. Mas repito que essa perda é diferente por ser exaustivamente anunciada.

A perda da alegria de viver, essa sim se encaixa de forma perfeita fatal no exemplo dado.

Um dia é outono nos olhos e nenhum pássaro é gracioso o suficiente. Um dia nada parece mais idiota do que ficar todo molhado na chuva e sair correndo de braços abertos. Um dia não há sentido algum em fazer esforço para pegar um caju em uma árvore e ralar o joelho; pior ainda se for para ficar lá em cima se equilibrando para come-lo sem lavá-lo antes, tendo o sumo da fruta a escorrer pelo braço, cotovelo, observá-lo brilhar rapidamente nos últimos raios do sol da tarde e por fim enfiar-se na terra em câmera lenta. Qual o motivo lógico para manter-se no cajueiro com o olhar perdido entre as folhas observando os primos brincarem no quintal e imaginar qual peça lhes pregar? Um dia o colo do pai não é mais o lugar mais seguro do mundo nem o da mãe o mais macio e confortável e todas as verdades que ela disser podem ser derrubadas ao menor argumento. Um dia não há mais paciência para ouvir a mesma música, os filmes não emocionam, as festinham ficaramm chatas e previsíveis e os amigos, repetitivos. Um dia a gente descobre que o mundo não mudou. Nossos olhos é que ficaram cinzentos e a alegria de viver desvaneceu. Não saberíamos dizem como, em qual momento, devido a quê. Grande perda. Talvez a maior delas.

Pra você ver... Tudo isso só porque eu li um artigo dizendo que hoje em dia perdemos uma coisinha de nada: perdemos a exclusividade da atenção das pessoas. Atenção exclusiva é artigo de luxo. Já notou que durante uma conversa com um amigo ele fatalmente dará paradinhas para atender (ou desligar ou colocar no silencioso) o celular ou lendo uma mensagem rapidinho, anotando alguma coisa, fazendo um sinal para alguém que passa ("amanhã eu te ligo!") e você terá que relevar? Você, por exemplo, já deve ter interrompido umas três vezes pelo menos a leitura deste texto.

Que tal mais essa perda? Doeu em você ou no meio de tantas outras essa é fichinha?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alma gêmea


Você é romântico? Está sozinho no momento? Sonha em conhecer alguém pra algo do tipo balões coloridos, flores, pássaros, música ao fundo, vento nos cabelos, cama macia, lençóis de cetim branco, rosas vermelhas, palpitações e arrepio na espinha?

Que fofo! A internet é o seu lugar.

Pela quatidade de sites que nos oferecem Alma Gêmea aos desavisados, chego a pensar que isso aqui virou um enorme cemitério ou quem sabe um centro espírita: é alma pra todo o lado. Quem tem medo de fantasma não deveria nem acessar porque é só clicar que a alma aparece sorridente e grudenta, louquinha para dar amor e não desgrudar nunca mais.

(Nossa, aquelas mãos friiias!)


Entre em qualquer portal e você se sentirá cruzando uma espécie de Portal da Eternidade Virtual.

Sim, a internet é um enorme centro espírita oferecendo almas faceiras para todo o espírito solitário. Ninguém te quer? Venha. Não tem paciência para as demoras da paquera? Venha. Não aguenta o puxa-encolhe do jogo de sedução? Venha. Cansou do suplício de esperar o telefonema do dia seguinte? Venha que tem um espírito desencarnado parecido com o seu lhe esperando refulgente do outro lado da tela.

Parecido com o seu... e com o meu! Claro, por isso chamam de "Alma Gêmea!!" Gente, por que cargas d'água eu iria querer alguém tipo eu, mas com pinto? Cruz-credo!

Sabe, pensei bem a respeito e cheguei a uma decisão: anuncio em caráter oficial que não aceito nenhum gaiato me oferecendo um encosto desse tipo. Sai pra lá! Me diga: para quê eu vou querer alguém à minha imagem e semelhança?

Pra começar não quero dividir o armário (menos ainda o quarto) com ninguém que tenha a mesma quantidade de cacarecos que eu. Também não quero uma alma gêmea desconfiada. Nem que deixe cabelos espalhados pelo apartamento. Não posso suportar alguém com os meus defeitos, entende? Pra quê me serve alguém cheio de defesas? Melhor uma alma-órfã que se entregue ao amor de peito aberto e sem reservas. Essa eu acolho sorridente. Uma alminha simples e sem neuras... Ah: também não quero uma outra sensível demais, falante, com variações de humor e com medo de barata, perereca e demais seres estranhos que Deus criou não sei pra quê. Prefiro um espírito mais ralinho e agradável, de bem com a vida. Uma alma de isopor e que não escreva poemas. E se escrever, que não me peça para os ler. E mais: terapia tá caro! Se tiver que pagar pra mais um, terei que abrir mão do salão de beleza!

Cara, só me aguento porque não posso me livrar de mim mesma! Ainda me oferecem o tempo todo outra Cristina e falando grosso! Quem disse que isso seria uma boa idéia?

Senhor, livrai-me de uma alma gêmea que tenha ciúme das suas coisas, que queira ouvir música em silêncio, que argumente à exaustão. Posso ser castigada de outras formas pelos possíveis males que eu tenha causado ao meu próximo. Aceito prestação de serviço à comunidade ou o tal regime "fechado-mas-semi-aberto-arreganhado" com o qual a Justiça "pune" Políticos & Associados mas alma gêmea é demais para mim. Esse lance de Alma Gêmea é muito sinistro. Vinde a mim as Almas Órfãs, simpáticas e descomplicadas. Posso cuidar delas e até acender velas - perfumadas!

Só para reforçar: a metade da laranja eu também não quero, tá? Deve ter gente mais carente por aí.

domingo, 11 de outubro de 2009

Você é filho do Edir Macedo?

Todo mundo tem uma opinião sobre o Edir Macedo. Também tenho mas não interessa no momento porque não tem graça escrever o que todo mundo escreve. Detonar o cara, dizer cobras e lagartos... Não acrescenta nada a você,nem a ele nem a mim.

Quero falar sobre as pessoas que falam dele e sobre as motivações delas. Por quê elas tem tanta raiva dele? Já andei me perguntando. Depois perguntei para as revoltadas. Elas responderam que odeiam ele porque ele engana as pessoas em nome de Deus. Leva as pessoas a lhe darem dinheiro usando para isso o nome do Senhor.

Cara, isso me intrigou e muito.

Primeiro porque a maioria dessas pessoas que odeiam o Edir Macedo estão se lixando tanto para Deus quanto para os supostos manés que dão dinheiro para o Edir. Não oram, não acreditam na Bíblia, não vão a nenhuma igreja. Então por quê acreditar que ele esteja desrespeitando algo sagrado? Se achassem que se trata de algo realmente sagrado porque essa pessoa não seria uma devota? Uma profunda religiosa? Uma religiosa meia-boca pelo menos? Ora, se está pouco se lixando para Deus, para as leis de Deus, para a Bíblia, para os mandamentos, porque criticar o Edir Macedo que está pouco se lixando também? Deveria era congratular-se com ele!

Segundo: "arrancar dinheiro" ele não arranca de ninguém. Quem arranca dinheiro da gente é ladrão e governo; ladrão eventualmente e governo todo o santo dia - valha-me Deus.

Terceiro: se convencer os outros a lhe entregar dinheiro sob um falso argumento é uma coisa feia - E É - saibam: ele não é o único. As indústrias da prostituição e da bebida fazem isso com maestria dia e noite, noite e dia sem parar, desgraçam famílias inteiras e ninguém fica com raivinha dos que enriquecem com isso. Tampouco se aborrecem com as atrizes gostosas que fazem publicidade para essas empresas. Nem ficam com pena dos pobrezinhos que foram convencidos por elas e se tornaram alcoolatras.
Então ninguém, mas ninguém mesmo está com peninha do povo enganado, sejamos sinceros. "Ira santa" é um sentimento que passou longe da discussão aqui. Em nossa sociedade faz-se arrojadas campanhas para mostrar todo um estilo de vida mentiroso e fantasioso objetivando a vendar de álcool, sexo e tabaco (este último até pouco tempo atrás). Daí entra fortuna para a mão de umas poucas pessoas, milhões se lascam e ninguém liga. Quem paga por isso não são apenas pessoas ricas, mas pobres também e frequentemente dão bem mais do que o dízimo. E não venham me dizer que não foram seduzidas. Foram sim, e por meios muito mais sofisticados do que um pastor gritando no púlpito.

Você me diria: mas pelo menos elas estão se divertindo!

a) Elas (e nós e todo mundo) após serem submetidas a uma lavagem cerebral feita pela mídia desde que nasceram, assistindo na tv a "explicação" (imposição) de o que é e o que não é diversão (segundo a conveniência de quem vende diversão) estão debaixo de uma fortíssima pressão social para querer segundo eles querem que elas queiram e pensar que "diversão" é aquilo que eles dizem que e diversão; e "aproveitar a vida" é exatamente daquele jeitinho que se vê no comercial e na novela. Agora experimente agir diferente e veja o que seus "amigos" vão dizer de você. Sinta o peso da pressão social. Você não é tão livre quanto pensa que é. Tá tudo dominado. A galera da contra-cultura de repente é mais cabeça... Pelo menos ousa ser diferente...

b) E quem disse que o pessoal do Edir, naqueles cultos estranhos, não está se divertindo? É apenas uma forma diferente de fugir da realidade. Claro que tem gente que acha mais divertido destruir a cartilagem do nariz mas isso é uma questão de gosto. Há também os que gostam de samba, os que adoram beber até cair e no outro dia acordar imprestável sendo xingado pela mulher e ainda acha liiiindo contar isso para os colegas de trabalho. Há muitos que se divertem mais "queimando pacificamente a rosca" mas tem a turma do contrário: acham o máximo sair para um baile funk e no final quebrar a cara dos outros e sair todo quebrado.
O fato é que há gosto pra tudo! Para alguns é incompreensível pagar para passar a noite toda em uma boate fedendo a cigarro, ouvindo tum-tum-tum até enlouquecer, não conseguir conversar com ninguém e retornar para casa exausto. Milhões chamam isso de diversão. Outros curtem loucamente os cultos da Igreja Universal!
Detalhe: em NENHUM desses eventos a pessoa vai sem gastar dinheiro. Se você ficar em casa sozinho de luz apagada, ainda assim estará gastando dinheiro, pelo menos do aluguel. Pelo menos do IPTU.

Quer saber? Acho que no fundo no fundo o pessoal tem mesmo é inveja dele. A mesma inveja indecente que sentem pelos políticos, do tipo: odeio esse cara porque não tive a sacada que ele teve ou não consigo ter a mesma cara de pau mas se eu tivesse ou tivesse chance, faria o mesmo. Inveja. Ninguém está nem aí pra Deus nem está nem aí para o povo. Sabe porquê também? Por mais essa:

Todas as vezes que você constrange alguém que te ama a te dar alguma coisa em nome do amor que essa pessoa sente por você, você está agindo igualzinho ao Edir Macedo: está mercadejando o amor. Porque Deus é Amor. É como estar usando Deus para conseguir bens materiais. Igualzinho.

Uma mulher que usa o amor de um homem para arrancar dele coisas, é filha do Edir Macedo. Um filho interesseiro que constrange e faz chantagem emocional com os pais e se utiliza friamente desse amor para pegar grana, carro, vídeo-game, é cria do Edir Macedo. Todo mundo que tira vantagem de outro por causa do amor que aquela pessoa lhe dedica, é discípulo do Edir Macedo ainda que nunca tenha pisado numa Igreja Universal porque Deus é amor e constranger o amor por dinheiro dá nisso que todo mundo diz que tem raiva.

Mas me diga aqui baixinho: sinceramente você tem raiva? Mas tem raiva mesmo?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Caiu na rede...


Não sou má pessoa! Eu não cometeria esse ato de violência!

Dois jovens. Todo um futuro pela frente. Agora apenas uma família atônita e uma mãe-peixa lamentando para o resto da vida.

Dois irmãos. Iam tranquilos jogar a bolinha de sábado a tarde. Conversavam amenidades. Falavam nas enormes guelras da filha da vizinha e como ela parecia querer ostentá-las. Riam e faziam planos para o outro final de semana.

A coisa mais linda é ver dois irmãos unidos e saudáveis. Eram parecidos sim, porque todos os peixes o são, mas esses eram mais porque tinham enormes afinidades. A única diferença entre os dois era que o mais novo era tão impulsivo! Gostava de novidades, gostava de arriscar, adorava experimentar novos caminhos, aventuras. O mais velho preferia o previsível e seguro e por isso, apenas por isso, as vezes discutiam.

Para diminuir essa pequeníssima diferença é que a vida de ambos foi lamentavelmente encurtada. O mais velho disse não, não vamos. Por que não seguir pelo caminho de sempre, testado e aprovado pelos cardumes conhecidos, pelos nossos pais, tios e primos? Mas não, o novinho queria novidades, outras paisagens, queria chegar mais perto do "céu da água", queria ver novas peixinhas, queria tudo, tudo de uma vez porque se sentia feliz, ágil e cheio de vigor. Foram.

Cairam na rede. Eram peixes.

Hoje poderiam estar em uma faculdade. Poderiam estar casados ou pelos menos borbulhantemente apaixonados. Tinham uma linda vida pela frente e muito tempo ainda antes que o dourado de seus corpitchos desbotasse. Quem diria... Terminar na flor da idade assim, só cabeça e espinho...

Comi. com um dó que vocês nem podem imaginar; quase choro. Pobres maparás... Mas não deixa de ser belo pensar que agora a valentia, juventude e amizade deles correrá em meu sangue. Acho até que estou sentindo um coiso diferente. Tô mais esperta. Deu até uma vontade de nadar! Mas os sonhos deles, aqueles lindos sonhos ... esses se perderão para sempre. Não consigo sonhar como peixe.

Nossa, estou bem alimentada. Pelo menos garanto que esses jovens não morreram em vão. Acho que eu sou uma boa causa.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cadê o índio?



Saibam vocês que "Uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Brasília confirmou cientificamente o que se sabia empiricamente (eu não!): Segundo o estudo realizado pela universidade e publicado "American Journal of Human Biology", 80% da herança genética brasileira tem ascendência europeia. A avaliação feita nas cinco regiões do país mostrou variação apenas na região sul onde o índice chega a 90%." (Jornal web - Brasil)

Eu hein! E pra onde foi aquele monte de índio? Só 20%? Não acredito nesse estudo. Gente, pensa bem: a indiarada, como bem sabemos, trepou a torto e a direito com a branquelada européia e também curtiu adoidado com os negros e agora eles vem me dizer que só sobrou 20% do sanguinho nativo? Ah, faz essa conta direito!

E não adianta dizer, segundo a reportagem, que "cor da pele não tem nada a ver". Como não tem? claro que tem! Como é que estamos encharcados de Europa e o que menos temos aqui é branco? Como é que isso aqui tava cheinho de índios e agora vocês vem me dizer que jogaram tudo fora? Tá, morreram muitos mas cara, se tivéssemos sido invadidos por tantos brancos assim não era para termos outra aparência? Tudo bem, vieram muitos negros também, mas tantos assim? Façamos de conta que vieram três vezes mais negros do que brancos. tá. Mesmo assim o resultado da pesquisa não bate; porque não dizem que nossa ascendência é 80% africana, não européia?

Contem essa história direito! Alguém está querendo jogar fora nossos índios. Não que eu tenha especial paixão por eles. Também não tenho pelos negros. Nem pelos brancos, se você quer saber. Para mim é tudo farinha do mesmo saco. Não há vantagem em trocar um ser humano pelo outro porque o resultado será sempre igual.

Tá, tá, falta-me argumento empolado-científico para discutir. Mas discuto. Porque quem joga no ventilador uma notícia dessa deveria explicar melhor, pra não acabar ficando assim, uma coisa com cara de história mal contada.

Não acredito e pronto. Tem gente mais culta do que eu que não acredita até hoje que o homem foi à lua! Falta de fé é um direito de todos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Oscar Arias


Acho que já está na hora de parar de falar que o Brasil não deu certo porque fomos colonizados por bandidos vindos de Portugal ou porque éramos explorados, porque índio é tudo preguiçoso opu outras desculpas esfarrapadas do gênero. Tá na hora de parar para pensar melhor.

Leia as palavras do Presidente Oscar Arias, da Costa Rica, proferida na forma de discurso na presença de Lula e demais presidentes latino-americanos, incluídos o "manequim" do Equador e o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado, na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009.

"ALGO HICIMOS MAL"

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas.

Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros.
Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.

Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.

Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.

Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal.
Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul.
Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante.

Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos. Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus.

De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário. Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.
Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países.

Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.

*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo?


Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente,
de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas. Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos anos sessenta, setenta ou oitenta.

Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o *pragmatismo*.

Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha:

"Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos".

E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso".

E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.

A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.


Muchas gracias."

domingo, 4 de outubro de 2009

Mais essa agora!



Saiu no globo.com (01/10/09 - 15h27) que "Mestre-sala da Unidos da Tijuca é suspeito de agredir porta-bandeira. Soco nas costas aconteceu após discussão, diz polícia. Ele será intimado a prestar esclarecimentos..."



Caraca! Vãos destruir mais essa figura do meu imaginário?


Sempre adorei ver o mestre-sala e a porta-bandeira fazedo aquelas evoluções, aquelas mesuras um para o outro. Sempre achei uma coisa linda, de singular elegância e charme, com uma afetação que lembrava (como se eu tivesse vivido!) a época da escravatura no Brasil Imperial, quando os escravos, por algum motivo, brincavam de senhor e senhora e exageravam nos gestos. O encanto residia também no fato de serem negros, estarem magnificamente vestidos, com o queixo esguido. A moça altiva com pose de rainha exigindo que o rapaz lhe devotasse todas as cortesias que sua juventude e beleza bem mereciam. Ele, vivaz e sedutor, sabia ser sensual sem jamais ultrapassar o limite da vulgaridade. Sapatos limpos, impecáveis, sorriso muito braco e os olhos pregados em seu rosto como se ela fosse uma deusa talhada em ônix, como se a adorasse e a quisesse mais que tudo. Aí vem um mestre-sala f.d.p e chuta a porta-bandeira! Lasca com tudo, acaba com toda a pose da escravatura vestida de realeza. Não, a escravatura que alcançou a realeza!



Nesse ponto sou arrancada das fantasias do passado e remetida via bofetão para o aqui-agora da falta de educação, do marido que bate em mulher, das mulheres-jararacas que dão unhada nas caras dos maridos, nos filhos berrando diante da cena, nas blusas rasgadas, nos dentes cariados cravados de casca de feijão, cuspindo farofa - a farofa do almoço que foi o pivô de toda a discução. Aí me vem, voando pela mente, o chinelo que rebentou no meio da briga e da avenida e a angústia de saber que naquela noite o homem não volta pra casa, mas vai gastar todinho o dinheiro do aluguel em cachaça. Vidinha fuleira, viu!



Certas notícias sacaneiam com a gente, te juro. Tenho em meu cérebro minhas imagens de estimação e senti-me igualmente chutada ao mancharem em minha mente aquela porta-bandeira que eu queria ser. Confesso: sempre me vi faceira e altiva sendo cortejada por um mestre-sala ágil, jovem, sorridente e solícito. Vocês não acham que eu dou para isso? Diz que sim! Diz que sim!!!!!



Vai dar um trabalhinho arrumar novamente tudo na gaveta da minha cabeça. Vocês sabem que meu cérebro é meio complicada, né?



Vou pesquisar. Acho que nisso cabe indenização.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Perdas & Perdas


Há coisas que a gente perde e sabe que perdeu, tem plena consciência. Lamenta, fica olhando foto e chora de vez em quando (ou não).

Há vários tipos de perdas: as anunciadas e as repentinas. As repentinas dividem-se em violentas e as "ploft", que nada mais são do que aquelas que se acabam porque tinham que acabar mas não geram grande alarde ou estupefação, como o final de um sanduiche, a partida de um conhecido sem grandes vínculos emocionais conosco ou o final de uma Havaiana.

Acho que a perda "mais pior", mas a "mais pior de ruim mesmo" é aquela que a gente demora a se dar conta de que aconteceu. Aquela que passam-se dias, meses, até anos e de repente olhamos para trás e notamos que empobrecemos em algo que nos era tão caro. A gente tenta desesperadamente lembrar quando foi pelo menos para colocar a memória de luto, mas não consegue!

Perdas... Perdas... A perda da juventude é parecida com isso mas não é exatamente assim. A gente nunca sabe onde ou quando deixou de ser jovem mas sabe com toda a certeza que está deixando de ser todo o santo dia. E ao contrário do que os jovens pensam, isso não nos poupa do susto no espelho no meio de alguma madrugada mal dormida. Mas repito que essa perda é diferente por ser exaustivamente anunciada.

A perda da alegria de viver, essa sim se encaixa de forma perfeita fatal no exemplo dado.

Um dia é outono nos olhos e nenhum pássaro é gracioso o suficiente. Um dia nada parece mais idiota do que ficar todo molhado na chuva e sair correndo de braços abertos. Um dia não há sentido algum em fazer esforço para pegar um caju em uma árvore e ralar o joelho; pior ainda se for para ficar lá em cima se equilibrando para come-lo sem lavá-lo antes, tendo o sumo da fruta a escorrer pelo braço, cotovelo, observá-lo brilhar rapidamente nos últimos raios do sol da tarde e por fim enfiar-se na terra em câmera lenta. Qual o motivo lógico para manter-se no cajueiro com o olhar perdido entre as folhas observando os primos brincarem no quintal e imaginar qual peça lhes pregar? Um dia o colo do pai não é mais o lugar mais seguro do mundo nem o da mãe o mais macio e confortável e todas as verdades que ela disser podem ser derrubadas ao menor argumento. Um dia não há mais paciência para ouvir a mesma música, os filmes não emocionam, as festinham ficaramm chatas e previsíveis e os amigos, repetitivos. Um dia a gente descobre que o mundo não mudou. Nossos olhos é que ficaram cinzentos e a alegria de viver desvaneceu. Não saberíamos dizem como, em qual momento, devido a quê. Grande perda. Talvez a maior delas.

Pra você ver... Tudo isso só porque eu li um artigo dizendo que hoje em dia perdemos uma coisinha de nada: perdemos a exclusividade da atenção das pessoas. Atenção exclusiva é artigo de luxo. Já notou que durante uma conversa com um amigo ele fatalmente dará paradinhas para atender (ou desligar ou colocar no silencioso) o celular ou lendo uma mensagem rapidinho, anotando alguma coisa, fazendo um sinal para alguém que passa ("amanhã eu te ligo!") e você terá que relevar? Você, por exemplo, já deve ter interrompido umas três vezes pelo menos a leitura deste texto.

Que tal mais essa perda? Doeu em você ou no meio de tantas outras essa é fichinha?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Alma gêmea


Você é romântico? Está sozinho no momento? Sonha em conhecer alguém pra algo do tipo balões coloridos, flores, pássaros, música ao fundo, vento nos cabelos, cama macia, lençóis de cetim branco, rosas vermelhas, palpitações e arrepio na espinha?

Que fofo! A internet é o seu lugar.

Pela quatidade de sites que nos oferecem Alma Gêmea aos desavisados, chego a pensar que isso aqui virou um enorme cemitério ou quem sabe um centro espírita: é alma pra todo o lado. Quem tem medo de fantasma não deveria nem acessar porque é só clicar que a alma aparece sorridente e grudenta, louquinha para dar amor e não desgrudar nunca mais.

(Nossa, aquelas mãos friiias!)


Entre em qualquer portal e você se sentirá cruzando uma espécie de Portal da Eternidade Virtual.

Sim, a internet é um enorme centro espírita oferecendo almas faceiras para todo o espírito solitário. Ninguém te quer? Venha. Não tem paciência para as demoras da paquera? Venha. Não aguenta o puxa-encolhe do jogo de sedução? Venha. Cansou do suplício de esperar o telefonema do dia seguinte? Venha que tem um espírito desencarnado parecido com o seu lhe esperando refulgente do outro lado da tela.

Parecido com o seu... e com o meu! Claro, por isso chamam de "Alma Gêmea!!" Gente, por que cargas d'água eu iria querer alguém tipo eu, mas com pinto? Cruz-credo!

Sabe, pensei bem a respeito e cheguei a uma decisão: anuncio em caráter oficial que não aceito nenhum gaiato me oferecendo um encosto desse tipo. Sai pra lá! Me diga: para quê eu vou querer alguém à minha imagem e semelhança?

Pra começar não quero dividir o armário (menos ainda o quarto) com ninguém que tenha a mesma quantidade de cacarecos que eu. Também não quero uma alma gêmea desconfiada. Nem que deixe cabelos espalhados pelo apartamento. Não posso suportar alguém com os meus defeitos, entende? Pra quê me serve alguém cheio de defesas? Melhor uma alma-órfã que se entregue ao amor de peito aberto e sem reservas. Essa eu acolho sorridente. Uma alminha simples e sem neuras... Ah: também não quero uma outra sensível demais, falante, com variações de humor e com medo de barata, perereca e demais seres estranhos que Deus criou não sei pra quê. Prefiro um espírito mais ralinho e agradável, de bem com a vida. Uma alma de isopor e que não escreva poemas. E se escrever, que não me peça para os ler. E mais: terapia tá caro! Se tiver que pagar pra mais um, terei que abrir mão do salão de beleza!

Cara, só me aguento porque não posso me livrar de mim mesma! Ainda me oferecem o tempo todo outra Cristina e falando grosso! Quem disse que isso seria uma boa idéia?

Senhor, livrai-me de uma alma gêmea que tenha ciúme das suas coisas, que queira ouvir música em silêncio, que argumente à exaustão. Posso ser castigada de outras formas pelos possíveis males que eu tenha causado ao meu próximo. Aceito prestação de serviço à comunidade ou o tal regime "fechado-mas-semi-aberto-arreganhado" com o qual a Justiça "pune" Políticos & Associados mas alma gêmea é demais para mim. Esse lance de Alma Gêmea é muito sinistro. Vinde a mim as Almas Órfãs, simpáticas e descomplicadas. Posso cuidar delas e até acender velas - perfumadas!

Só para reforçar: a metade da laranja eu também não quero, tá? Deve ter gente mais carente por aí.